ANÁLISE: Guardiões da Galáxia

1 09 2014

Uma aventura intergaláctica que ocorre ao som de clássicos que vão de 1966 até 1979. Assim podemos resumir muito bem a nova aposta da Marvel Studios para o cinema, agora com novos heróis e muitos deles desconhecidos de grande parte do público, acostumados com as milionárias produções individuais ou em conjunto de Os Vingadores.

A sessão musical nostálgica que se ouve durante o filme é explicado pelo inseparável walkman e a fita cassete que Peter Quill (Chris Pratt, de Ela, O Homem que Mudou o Jogo e empresta a voz para o protagonista de Uma Aventura Lego) carrega consigo por onde quer que vá. A fita contem gravações das músicas que sua mãe mais gostava, antes que ela viesse a falecer em 1988, o mesmo ano em que Peter é abduzido pelo grupo de alienígenas liderado por Yondu Udonta (Michael Rooker, mais conhecido por ser o irmão de Daryl Dixon na série The Walking Dead).

A grande aventura mesmo começa vinte e seis anos depois, quando Peter sobrevive de planeta em planeta como caçador de recompensas. O objeto-alvo de agora é um Orbe que carrega dentro de si uma das Joias do Infinito, uma das armas mais poderosas de universo. Tanto poder que atrai os mais variados tipos de raças para o seu encalço. Entre eles, Ronan, o Acusador (um trabalho indistinguível de Lee Pace, de O Hobbit: A Desolação de Smaug e da finada série Pushing Daisies), que deseja a peça para obter auxílio de Thanos (papel de Josh Brolin, Onde os Fracos não Tem Vez e Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme, não-creditado) em seu desejo de destruir o planeta de Xandar.

É o próprio Orbe que faz, involuntariamente, surgir os ditos guardiões da galáxia: o guaxinim Rocket (com a voz de Bradley Cooper, Trapaça e a trilogia Se Beber Não Case) e a árvore humanoide Groot (voz de Vin Diesel, da cinessérie Velozes e Furiosos e O Resgate do Soldado Ryan) se interessam pela recompensa oferecida para quem capturasse Peter;  Gamora (Zoe Saldana, Avatar e Além da Escuridão: Star Trek) deseja vingar a morte de seus pais utilizando a caça do Orbe como uma falsa justificativa, o mesmo espírito vingativo rege as ações de Drax, o  Destruidor (o grandalhão Dave Bautista, de Riddick 3 e O Homem com Punhos de Ferro), cuja família foi assassinada por Ronan.

Ciente do público-alvo de seu longa, o diretor e também roteirista James Gunn (diretor em Para Maiores e roteirista em Madrugada dos Mortos) não perde um minuto sequer para contar a história, nem mesmo a história de Peter Quill na Terra demonstrada de forma bem sucinta durante o início do filme. As motivações dos demais personagens (vilões ou aliados) são explanadas juntamente com as várias sequências de ação que o compõe, situadas em diversos lugares da galáxia. Bebendo da fonte das histórias em quadrinhos (e o seu festival de codinomes), Guardiões da Galáxia ainda apresenta pinceladas, uma hora ou outra, de outros títulos de gênero semelhante do Cinema: personagens bastante carismáticos e de criação híbrida de Star Trek ou as cenas de ação em pleno espaço de Star Wars.

Mas o ponto bastante positivo deste novo filme da Marvel Studios seja mesmo a sua fidelidade à pouca seriedade destinada a esse universo. Com uma legião de protagonistas que não abandonam de forma alguma suas idiossincrasias pelo dito “bem maior” pelo qual lutam, Guardiões da Galáxia faz piada a toda hora, até nos momentos mais emblemáticos, e ainda desempenhando inclusive funções narrativas para a trama. Praticamente todos os personagens têm os seus momentos cômicos, mas Groot, Rocket e Peter se sobressaem nesse quesito. Um blockbuster com qualidades acima da média e que casa muito bem suas naves de conceito moderníssimo com velhos clássicos da música da década de 1970.

NOTA: 5/5





Breves & Curtas #13

24 08 2014
Quando a simplicidade é o bastante para transmitir algo essencial: respeito!

Quando a simplicidade é o bastante para transmitir algo essencial: respeito!

WHITE FROG – Nick Young (Booboo Stewart, a saga Crepúsculo e X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido) sofre de síndrome de Asperger, que lhe causa uma timidez fora do comum, além de uma preferência exclusiva por camisetas azuis. Extremamente antissocial, mas inteligente. Não é a toa que seu irmão Chaz (Harry Shum Jr, Ela Dança Eu Danço e da série Glee) aproveita-se dessa habilidade para que Nick faça o seu dever de casa.

Não veja isso como uma maldade. Chaz é a única pessoa com quem Nick sinta-se normal, sempre ávido por compartilhar bons momentos com o irmão, a ponto de esperá-lo ansiosamente na janela. Um conforto que não encontra em seus pais omissos e conservadores e nem na psiquiatra contratada para melhorar o seu comportamento.

Numa das frequentes saídas para curtir a noite de sexta-feira, Chaz acaba perdendo a vida precocemente. Uma tragédia muito grande para Nick assimilar. Inconformado, ele passa a trilhar os mesmos caminhos que o irmão percorrera, aproximando-se de seu grupo de amigos e descobrindo histórias, detalhes e segredos da vida que desconhecia do seu irmão.

Uma história emocionante e comovente que incentiva e reforça a aceitação das diferenças entre as pessoas, afinal somos todos diferentes e a vida é uma eterna estrada de mão dupla. Também com as participações de Gregg Sulkin (Os Feiticeiros de Waverly Place), Tyler Posey (da série Teen Wolf e Efeito Colateral), Justin Martin (O Voo e O Solista) e Manish Dayal (O Aprendiz de Feiticeiro e do inédito A 100 Passos de um Sonho).

NOTA: 4/5

Nada mais do que: TUDO É INCRÍVEL!!! TUDO É INCRÍVEL!!!

Nada mais do que: TUDO É INCRÍVEL!!! TUDO É INCRÍVEL!!!

UMA AVENTURA LEGO – “Tudo é incrível! Tudo é incrível!” Realmente essa música gruda na cabeça e com ela o senhor Negócios controla todos os habitantes de Blocópolis, um dos diversos mundos temáticos feitos apenas de blocos Lego.

Aqui o monopólio é generalizado e todos seguem as mesmas regras, possuem os mesmos comportamentos, gostam das mesmas coisas. Mas isso não basta para o senhor Negócios que crê que seus comandados teimam em estragar todas as coisas boas que constrói. Agora ele planeja acabar com essa interferência de uma vez por todas.

Aí entra Emmet, um rapaz de mente prodigiosamente vazia (e extremamente manipulável), que se encaixa razoavelmente bem em uma profecia que elege aquele que irá combater os planos maléficos do senhor Negócios.

Na empreitada, Emmet contará com a ajuda de Megaestilo, namorada do – ninguém mais ninguém menos – Batman e ainda uma penca de personagens do mundo pop atual: Dumbledore e Gandalf, por exemplo, protagonizam a cena mais hilária da animação; mais há ainda espaço para Milhouse de Os Simpsons, Star Wars, As Tartarugas Ninjas, o presidente Lincoln, Saquille O’Neal,  Cleópatra e por aí vai.

Uma animação divertidíssima e despretensiosa até mesmo em sua resolução onde o ‘cara lá de cima’ torna-se, na realidade, o adulto pai de uma criança que mantem no porão de casa um mundo montado de brinquedo Lego. Ele era, portanto, literalmente o cara lá de cima. Assim como a coleção de blocos montáveis, Uma Aventura Lego aproveita-se muito bem de uma característica inerente à esses brinquedos: a de se moldar a qualquer história.

NOTA: 5/5

Ryan Gosling sabe escolher bem os seus trabalhos. Outro grande filme!

Ryan Gosling sabe escolher bem os seus trabalhos. Outro grande filme!

O LUGAR ONDE TUDO TERMINA – Um motociclista acrobata, cuja vida é itinerante tal qual o parque de diversões em que trabalha, resolve se fixar numa pequena cidade do estado de Nova York após descobrir ter um filho com quem teve um caso rápido e agora vive junto com outro homem.

Sem emprego, sem um local para ficar e sem condições de assumir a nova família, ele decide então, com a ajuda do único amigo na nova localidade, entrar para o mundo do crime. Com o dinheiro de assalto a bancos que ele quer convencer (a si próprio e a mãe de seu filho) que os dois juntos podem si dar certo. Só que tudo não sai como o planejado…

Entra na história o policial vivido por Bradley Cooper (Trapaça e O Lado Bom da Vida), que se torna um herói no vilarejo ao matar o Bandido da Moto, como o personagem de Ryan Gosling (Drive e Tudo pelo Poder) passa a ser conhecido. A vida do agora herói também vai do paraíso ao inferno ao cair nas engrenagens da parte corrupta da polícia.

Até que quinze se passam e o destino se encarrega de aproximar os filhos do assaltante e do policial: o primeiro levando até então uma vida, na medida do possível, tranquila e o segundo tornando-se um filho problemático e rebelde, cujo pai se encontra no meio de uma disputa política. Uma inversão dos papéis em relação aos seus respectivos pais quinze anos atrás.

Mas a vida acaba, injustamente, castigando aquele que perdeu o pai precocemente, aquele que sofreu as piores consequências do rápido e repentino envolvimento com o ‘colega’ problemático, enquanto este sempre terá a proteção do cargo público que o pai conquista!

NOTA: 5/5





ANÁLISE: Planeta dos Macacos – O Confronto

20 08 2014

Agora, a Golden Gate Bridge em São Francisco funciona como uma divisa entre dois territórios: de um lado, os símios estabelecidos em uma sociedade primitivamente constituída em meio a floresta e do outro, os homens imunes à substância AZL-113, vivendo nas ruínas de uma São Francisco de fazer inveja à Nova York sitiada vista em Eu Sou a Lenda.

Tal situação estende-se há mais de 10 anos, sendo que nos dois últimos não houve nenhuma interação direta entre humanos e macacos. O grupo liderado por Cesar (Andy Serkis, ator que é sinônimo da tecnologia de captura de movimentos no cinema, desempenhando a mesma função na trilogia de O Senhor dos Anéis e na refilmagem mais recente de King Kong) mantem o progresso cognitivo de sua espécie observada em Planeta dos Macacos – A Origem, aprimorando a comunicação entre si através da língua de sinais e aperfeiçoando gradativamente a habilidade da fala e como também aprendendo a domesticar outros animais, já que surgem em muitas vezes montados em cavalos. O diretor Matt Reeves (que também dirigiu os filmes Cloverfield: Monstro e Deixe-me Entrar) acerta em pontuar os momentos de maior intensidade dramática do filme em Cesar e suas respostas monossilábicas, algo já visto no primeiro filme de 2011.

No grupo dos humanos, muitos rostos conhecidos vindos das séries americanas: Keri Russell (Felicity e The Americans) como Ellie, Kirk Acevedo (Fringe e Oz) como Carver, além do adolescente Alexander (Kodi Smit-McPhee, de A Estrada e da animação ParaNorman), liderados tanto por Dreyfus (Gary Oldman, da trilogia O Cavaleiro das Trevas ou  o Sirius Black da cinessérie Harry Potter) quanto por Malcolm (Jason Clarke, de A Hora mais Escura e O Grande Gatsby). Todos estão prestes a ficar sem energia e a única solução plausível é uma antiga represa cuja proximidade com o território comandado por César será a causadora dos conflitos vistos nessa continuação.

Ambos os lados apresentam suas próprias razões para se oporem ao restabelecimento de contato entre as espécies: o símio Koba (criado a partir da captura dos movimentos de Toby Kebbell, de O Conselheiro do Crime e Cavalo de Guerra), por exemplo, carrega cicatrizes pelo corpo que o recordam, a todo instante, o tempo em que esteve junto com os humanos e daí a sua revolta com a liderança pacificadora promovida por Cesar. Já Carver, por sua vez, traz consigo toda a intolerância e indiferença inerentes à Humanidade no que se refere as ditas “raças inferiores”, sempre subjugando-as por meio da força e da violência. Só que dessa vez, Cesar, Koba, Maurice e companhia bela não tem mais nada de inferioridade…

Apesar do enredo bem desenvolvido e composto por inúmeras boas sequências de ação – como aquela na qual os macacos atacam o refúgio humano com um tanque de guerra ou mesmo o lado circense de Koba em enganar os homens – Planeta dos Macacos – O Confronto peca mesmo por se acomodar na resolução de seus conflitos, não inovando e decidindo-se enveredar por caminhos óbvios, já vistos fartamente em outras produções. O longa não esconde e nem disfarça as possíveis alianças e traições de um grupo e de outro que vão conduzir ao seu desfecho. Como destaque mesmo temos a sabedoria de Cesar, ciente de que os humanos não perdoarão este confronto, funcionando como um ótimo chamariz para a terceira parte dessa nova refilmagem prevista para chegar aos cinemas em 2016. Só a empolgação pela nova continuação que poderia ser maior.

NOTA: 3/5





ANÁLISE: O Menino e o Mundo

16 08 2014

Um caleidoscópio colorido indicando vários formatos. Uma disposição de figuras, mas diferentes no instante seguinte. Não há melhor forma de representar o olhar de uma criança. Para um adulto, as imagens vistas são disformes e sem ligação alguma, mas uma criança irá perfeitamente compreender os desenhos simples que vão surgindo em tela, um completando o outro. Detalhes microscópicos que vão construindo o todo.

Quando uma chaminé surge em tela com o seu ruído típico e sua fumaça enegrecendo o fundo branco da animação indica o perigo se aproximando. Assim, o menino do título é obrigado a interromper o trabalho de sua imaginação para atender o chamado de sua mãe. As notícias não são boas… O seu pai está partindo em busca de oportunidades melhores, longe de onde moram.

Distância que despertará saudades constantes no garoto: seja relembrando momentos que viveu verdadeiramente com a figura paterna ou construindo novas cenas em seus sonhos. Talvez a lembrança mais vívida que essa criança guarde do convívio entre eles seja o fragmento de uma música oriunda da flauta do pai. Um resquício musical guardado numa pequena lata e retratado visualmente pela animação por pequenos pontos coloridos soltos ao acaso. Quando a saudade apertava, o menino abria a lata e ouvia os acordes do pai.

Chega uma hora, porém, que aquele som diminuto não bastava para o pequeno filho. Parecia que o som desgastava-se a cada vez que o menino abria a lata para ouvi-lo e o seu efeito de reconforto ia diminuindo aos poucos. Uma tradução feita pela inocência infantil para o (longo) tempo de ausência do pai. E o menino parte para o segundo substantivo presente no título: para o mundo, para reencontrar aquele que o deixou.

Distante de casa e dos pais, a aventura e a descoberta desse novo mundo pelo menino são uma interpretação visualmente bela, na simplicidade de seus traços, de nossa realidade extremamente dura e cruel para quem nela habita e para quem dela compartilha. A característica divertida do caleidoscópio citado anteriormente se perde agora, já que o diretor Alê Abreu equipara as nossas degradantes linhas de produção à esses equipamentos industriais: a colheita de algodão no campo, a tecelagem na fábrica de têxtil e a operação contínua de um sítio portuário são enormes caleidoscópios em funcionamento (assim como toda a nossa vida), mas sem a magia e a alegria que nos acometeram no início da animação. Nesse novo mundo, tudo é degradante e cansativo.

E as tristezas não param por aí. Ainda há espaço para a desigualdade onipresente nas grandes cidades com a qual o menino em sua pacata infância jamais teve de presenciar. O sacrifício de muitos (trabalhadores) para o privilégio de poucos (chefes), cujo fruto de sua mão-de-obra é inacessível ao seu próprio consumo. A exclusão econômica é demostrada nas bonitas cidades aéreas com suas vitrines caras, isoladas de morros e seus amontoados de moradias precárias e humildes. Qualquer semelhança com favelas não é mera coincidência. Talvez o pequeno protagonista não percebesse essas nuances que surgiam a cada instante que um desconhecido se dispunha a ajuda-lo, mas o espectador mais experiente, sim, irá notar todos esses pequenos e doloridos detalhes a todo instante.

Como é triste e dolorido acompanhar a trajetória desse menino em sua descoberta por esse mundo “que é grande mesmo”, como diz a linda canção tema composta pelo rapper Emicida especialmente para O Menino e o Mundo. Um choque de realidade que alterará radicalmente a vida dessa criança, onde nada será como antes, uma verdade que descobriu ao retornar pr’aquilo que antes era a sua casa, o seu quintal, o seu playground particular. Não restará alternativa senão retornar para as engrenagens perversas e injustas de um mundo que o menino infelizmente teve que conhecer. Uma mensagem tão forte e tão emblemática transmitida através das mais simples técnicas de desenho animado. Uma dor sem fim…

NOTA: 5/5





Adeus, Homem Bicentenário!

11 08 2014

No site IMDB (Internet Movie Database) são 107 títulos em que atuou, entre produções para TV, filmes ou como dublador. Com uma lista de trabalhos tão extensa, com o primeiro registro datado de 1977 em Óculos? Para quê? e terminando em 2014 com cinco produções inéditas em território brasileiro: a continuação Uma Noite no Museu 3, O Que Fazer?, Merry Friggin’ Christmas, Boulevard e Absolutely Anything.

Bom Dia, Vietnã!

Bom Dia, Vietnã!

Assim como a lista de trabalhos realizados, a lista de filmes memoráveis de Robin Williams é igualmente extensa: Bom Dia Vietnã, Sociedade dos Poetas Mortos, Aladdin (no qual o ator era responsável pela dublagem do gênio na versão original), Uma Babá Quase Perfeita, Gênio Indomável, Amor Além da Vida, Patch Adams – O Amor é Contagioso, O Homem Bicentenário, A.I. – Inteligência Artificial, Happy Feet: O Pinguim, Uma Noite no Museu, O Som do Coração e O Mordomo da Casa Branca. Na TV, teve participação recorrente na série The Crazy Ones e participações esporádicas/especiais em Louie, Wilfred e Law & Order: Special Victim Unit, para ficarmos apenas nas mais recentes.

Patch Adams - O Amor é Contagioso

Patch Adams – O Amor é Contagioso

Robin McLaurin Williams, vencedor do Oscar de melhor ator por Gênio Indomável e nomeado outras três vezes, sempre foi um nome marcado pelas comédias em que protagonizou, sejam elas de gosto duvidoso ou não. Mas o bom humor era uma constante.

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Gênio Indomável

Talvez por isso, a sua morte nesse dia 11 de agosto de 2014, aos 63 anos, seja ainda mais dolorosa do que de costume, pois ela ocorreu na contramão de tudo aquilo que foi registrado e foi deixado por sua carreira. O corpo do ator foi encontrado em sua casa, já inconsciente e sem sinais vitais, com sinais de asfixia, indício de um provável suicídio. A causa certa da morte dependerá de uma investigação mais completa nessa terça, incluindo exames toxicológicos.

O Homem Bicentenário

O Homem Bicentenário

Só nos resta dizer: ADEUS, HOMEM BICENTENÁRIO! ADEUS, ROBIN WILLIAMS! Obrigado pelos bons momentos cinematográficos deixados para a posterioridade!





Breves & Curtas #12 | VI Paulínia Film Festival

3 08 2014

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CASA GRANDE [Brasil, 2014] – A família de Jean é muito bem estabelecida no Rio de Janeiro. A cena que abre o longa tem toda a atenção voltada para a mansão a que o título se refere e onde a família reside: com três pavimentos (todos muito bem iluminados), um espaçoso quintal equipado com externo ambiente, piscina e jacuzzi aquecida.

O jovem protagonista desfruta de todo o conforto proporcionado pelo pai. Vai ao Colégio São Bento (privado) com motorista particular, tem disponível uma generosa mesada para as baladas de fim de semana. Apesar do status social, o personagem (muito bem representado por Thales Cavalcanti) não demonstra a arrogância que muitos com a mesma realidade possuem. Um comportamento que se estende à toda família. Basta observar o amistoso relacionamento que todos possuem com os funcionários da casa.

Mas o futuro que reluz ao horizonte não parece ser promissor para eles. Algo que não está claro e nem evidente num primeiro momento, mas que vai se percebendo aos poucos. O responsável pelo disfarce é o pai, vivido por Marcello Novaes (vencedor do Menina de Ouro de melhor ator coadjuvante), que teima em esconder a crise da família e do espectador. Mas somos os primeiros a descobrir quando o mesmo anuncia, entusiasmado, seus investimentos na OGX – a famosa empresa de Eike Batista -, cujo fim todos nós já sabemos.

Um filme sobre derrocadas familiares? Sim. Mas seria injusto e superficial classifica-lo apenas desse modo. Casa Grande também é, à sua maneira, sobre a adolescência e seus problemas, representada aqui não só pelo protagonista, mas também por sua irmã.

Impressionante observar a naturalidade com que as situações são abordadas em Casa Grande a partir de seus dois principais tópicos: a crise financeira da família e a passagem pela adolescência e a maturidade de Jean. A violência no Rio, a descoberta do sexo e do primeiro amor, o convívio com os amigos, a pressão feita às vésperas do vestibular, as discussões com os pais super protetores e o esforço destes em contornar toda essa atuação sem atingir, diretamente, os filhos.

Além de melhor ator coadjuvante, Casa Grande ainda recebeu dois Menina de Ouro no VI Paulínia Film Festival: o de melhor atriz coadjuvante para Clarissa Pinheiro e o de melhor roteiro para Fellipe Barbosa e Karen Sztajnberg. E nossa menção honrosa para Thales Cavalcanti pelo trabalho apresentado, sendo essa sua primeira experiência na área da atuação e um verdadeiro achado da produção do longa.

NOTA: 4/5

SANGUE AZUL [Brasil, 2014] - O circo Netuno está de volta a ilha paradisíaca incrustada no meio do oceano Atlântico. Há muito tempo atrás essa cena se repetia e mais uma vez, o circo está ali realizando suas apresentações, mas este retorno desenterra memórias de outrora.

O primeiro ato de Sangue Azul reúne os melhores momentos do longa. Sequências em preto-e-branco, a paisagem espetacular oferecida por Fernando de Noronha, a imensidão do mar e o ruído de suas ondas fisgam a atenção do espectador de tal forma, que é até complicado determinar quando a fotografia passou a ficar colorida.

Além do reencontro com a família, o retorno de Pedro (Daniel de Oliveira, Cazuza: O Tempo não Pára e 400 Contra Um: A História do Comando Vermelho)  à ilha traz ainda outras questões muito mais fortes do que o trauma dele com o mar. Mas a montagem confusa de Sangue Azul joga contra a própria trama. A história do protagonista não ganha a força e a importância devida, pois os arcos narrativos referentes aos coadjuvantes são burocráticos e inadequadamente desenvolvidos. Por que a longa permanência na ilha iria afetar a profissionalmente a equipe do circo?

A obra de Lírio Ferreira (de Árido Movie) conquista merecidamente os troféus Menina de Ouro de melhor fotografia e de melhor figurino no VI Paulínia Film Festival. Vale a pena mencionar também as apresentações circenses existentes ao longo do filme, muito bem captadas e ensaiadas. Um acerto que se opõe a tentativa barata (e frustrada) da direção em criar polêmicas a partir de seus coadjuvantes sem propósito algum.

NOTA: 2/5

PARAÍSO [México, 2013] – Silhuetas de corpos nus em fundo branco bastante iluminado. Paraíso trata sobre o amor e o cotidiano de pessoas pouco retratadas pelo cinema em geral: as pessoas… gordinhas.

Carmen (Daniela Rincón) está abandonando a sua vida no interior do México (o paraíso de acordo com sua irmã), deixando para trás toda a sua família, a sua cadela de estimação e seu serviço de contabilidade para seguir com o seu marido, Alfredo (Andrés Almeida, de E Sua Mãe Também), para a Cidade do México onde ele foi transferido pelo banco em que trabalha.

Por tudo o que foi visto nessa dinâmica inicial, o excesso de peso nunca foi um empecilho e nem um trauma para a felicidade à dois e também nunca foi algo com que eles se preocupassem. O cotidiano deles era repleto de ‘gordo/gorda’ como, carinhosamente, um chamava o outro.

A situação muda quando, sem querer, Carmen ouve comentários maliciosos sobre eles numa festa promovida pelo banco. Aí sim, ela (mais do que ele) passa a possuir um olhar de reprovação sobre si mesma. Natural a expectativa, então, de que Carmen procurasse caminhos e meios para emagrecer. Livros de autoajuda e de dieta, academia, exercícios ao ar livre, programa comunitário de vigilantes do peso. Alfredo não compreendia a mudança repentina de comportamento da esposa, mas resolveu acompanha-la sem questionar. Prova do seu amor.

Só que surge uma nova crise entre os dois. O único a colher resultados em todo esse processo foi ele, que emagrecia cada vez mais. Carmen (que inclusive burlava o sistema de pesagem do grupo que frequentavam), além da preocupação com seu número de manequim, agora cria a ilusão de que o marido não a ama mais com a diferença de pesos existente agora.

Transitando entre a comédia romântica e a comédia dramática, Paraíso não utiliza de maniqueísmos para a construção de sua trama ou para emocionar o seu espectador numa perseguição alucinada e irracional pelo final feliz como muito se vê em filmes desse tipo. A emoção que a história atinge vem naturalmente, tanto pelo desenrolar da história como pela utilização recorrente de alguns elementos construídos que exercem, delicadamente, sua função narrativa como a árvore plantada no parque ou o peixinho que Carmen sempre admirava na casa de animais.

NOTA: 5/5





Breves & Curtas #11 | VI Paulínia Film Festival

1 08 2014

 

A fachada do Theatro Municipal de Paulínia, sede do Paulínia Film Festival

A fachada do Theatro Municipal de Paulínia, sede do Paulínia Film Festival

AS FÉRIAS DO PEQUENO NICOLAU [França, 2014] – Encerrado o período de aulas em Paris, chega-se uma temporada ansiosamente aguardada pelos alunos: as férias escolares. Assim, todas as famílias estão possibilitadas e dispostas a realizar suas viagens de descanso e curtição com todas as implicações que esse deslocamento em debandada pode ocasionar. E quando digo todas as famílias são todas mesmo. O diretor Laurent Tirard (de O Pequeno Nicolau e As Aventuras de Molière) faz uma breve piada com essa situação ao mostrar que, se um morador parisiense permanece na cidade nesse período, encontrará a capital da França povoada por turistas.

Voltado para o público, o longa faz sucesso com a comédia de situações, algo que o cinema francês sabe fazer com maestria e com muito dinamismo, rindo deles mesmos. Mesmo tendo a criança como público-alvo, perceptível não só na história, mas também no cenário colorido da casa e no abuso de diversas cores pastéis quando a trama passa a se desenvolver no litoral, o filme é maduro o suficiente para ousar em certos momentos. O que ocorre na sequência envolvendo a praia de nudismo em que a falta de pudor vai até o limiar permitido pela classificação livre da produção.

Brincando com tudo e com todos, As Férias do Pequeno Nicolau sabe utilizar e reutilizar as gag’s de seus vários personagens, todos estereotipados, no bom sentido da expressão. As confusões que a turma de Nicolau cria no litoral para livrar o protagonista de um possível relacionamento com uma garota (à la Namorada Sinistra) são o motor da narração. O filme, de quando em vez, esbarra nos clichês, mas consegue desviar-se deles em momentos oportunos, tornando-se um ótimo passatempo. E as vezes, um filme não precisa mais do que isso.

NOTA: 4/5

BOA SORTE [Brasil, 2014] – João conhece Judite numa clínica de reabilitação para dependentes químicos, com problemas psiquiátricos e outros que tais. Ele (vivido por João Pedro Zappa, Disparos e Ressaca), depressivo e viciado em medicamentos de tarja preta. Ela, (Deborah Secco, Bruna Surfistinha e Confissões de Adolescente), uma veterana usuária de drogas, portadora do vírus HIV, sofrendo da ineficácia do coquetel em seu corpo.

Num ambiente de (aparente) controle rígido e com a liberdade limitada, natural a gradativa aproximação entre os dois e mais natural ainda o rumo que essa relação segue. Deborah Secco incorpora uma personagem ciente da sua realidade e do seu iminente destino, que carrega em sua trajetória uma tragédia familiar. Mesmo assim, Judite não aceita assumir o papel de vítima por sua situação, demonstrando uma força bem maior que a sua fragilidade física supõe e quer repassar esse ‘otimismo’ para o inexperiente rapaz ao seu lado. E por sua própria inexperiência, João não compreende o que está por vir e acaba se apaixonando por ela.

Por mais que apresente uma triste conjectura de fatos, o longa de Carolina Jabor  (do documentário O Mistério do Samba) consegue estabelecer um relacionamento extremamente adocicado entre Judite e João, fruto da excelente atuação do ator João Pedro Zappa que traz todo um ar de inocência e graça ao seu personagem. Bem-vinda também a inserção do humor vindo dos personagens coadjuvantes, amigos do casal protagonista, assim como a pequena, divertida e marcante participação de Fernanda Montenegro (Central do Brasil, O Tempo e o Vento e Infância) como a avó hippie de Judite.

O longa sai do VI Paulínia Film Festival como melhor filme pela votação popular e com o troféu Menina de Ouro de melhor direção de arte.

NOTA: 5/5








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