Mostra Internacional de Cinema SP 2014 | parte 2

25 10 2014

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O CÍRCULO (Suíça, 2014) – Às sombras do nazismo e sua repreensão sexual, um grupo de homossexuais consegue manter por mais de 25 anos um grupo fechado em Zurique, na Suíça, onde pudessem reunir-se naturalmente sem serem desrespeitados. Além de servir como ponto de apoio aos gays, O Círculo também possuía como principal atividade a manutenção de uma publicação homoerótica voltada para os membros (cujos endereços cadastrados eram requisitados pela polícia a todo o momento) e organização de um baile anual gay.

Entre seus membros estavam Ernst Ostertag, professor de uma escola para meninas e filho de pais extremamente conservadores e o cabeleireiro e drag queen Röbi Rapp, que tinha uma ótima aceitação por parte de sua mãe. O relacionamento entre os dois sobreviveu ao fim de O Círculo e do nazismo, ao mesmo tempo em que a união incentivou a criação de um novo grupo: Club 68.

A inclusão dos depoimentos dos verdadeiros personagens que inspiraram o longa o enriquece bastante, tendo o espectador uma mescla entre ficção baseada em fatos reais e documentário, o que também abrange a utilização de fotografias reais da época em P&B ou de fotos dos próprios Ernst Ostertag e Röbi Rapp com seus respectivos atores.

Quanto a dura realidade que enfrentaram nas décadas de 50 e 60, pouca se altera ao que é visto em pleno século XXI, principalmente no que se refere à Ernst que só veio assumir a sua condição após a morte de sua mãe, assim como os dois realizaram o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo da Suíça em 2003.

NOTA: 4/5

PAIXÃO MÓRBIDA (Japão, 1964) – Cores primárias vivas iluminam rostos de mulheres japonesas. Naquele beco escuro iluminado apenas pelas luzes de propagandas, elas esperam pelo próximo cliente, estáticas num canto qualquer. A inocente Yoshie de 19 anos caiu no mundo da prostituição meio que pelo acaso após conhecer Eiji num bar onde ela fazia o turno da noite.

A violência do homem a forçava a se prostituir para ajuda-lo a pagar uma dívida de jogos com a Yakuza. O amor que criava nela uma fidelidade irracional por Eiji (apesar de toda a estupidez dele) mais a truculência na forma de agir e cobrar da máfia japonesa impedia que ela pudesse abandonar essa sobrevivência humilhante. Nem mesmo com o surgimento de Fujii, um arquiteto bem sucedido e um cliente recorrente em busca de seus serviços sexuais disposto a quase tudo para tirá-la daquele beco.

A indecisão entre o desejo de uma nova vida próspera que tanto almejou e o sentimento de traição com um possível abandono de Eiji à sua própria sorte não é uma decisão fácil para Yoshie, um dilema que se repete várias vezes. Nem mesmo uma terceira escolha possível apresentada pelo desfecho demonstra alguma possibilidade de felicidade.

NOTA: 2/5

AS PONTES DE SARAJEVO (França, Bósnia, Suíça, Itália, Alemanha, Portugal, Bulgária) – Sarajevo, capital da atual Bósnia, foi o palco do gatilho inicial da Primeira Grande Guerra, conflito mundial cujo início completou 100 anos recentemente e que matou mais 19 milhões de pessoas.

Para realizar uma homenagem não oficial desta data, As Pontes de Sarajevo é constituído por treze recortes relacionados à cidade, direta ou indiretamente, a partir da visão de diretores diferentes. Exatamente por isso, os protagonistas desses microfilmes são tão diversos entre si: os militares são a grande maioria; a observação do cotidiano de Sarajevo sobreposta por imagens de homens armados possivelmente mortos; a discussão de um casal de certa idade sobre a Europa como um todo a partir da leitura de um livro ou narrações em primeira pessoa.

No entanto, a angústia e a tristeza são uma constante em todas as visões apresentadas. Mesmo nos dois últimos trechos que utilizam mais o humor em sua narração. Um belo apanhado de imagens a se contemplar.

NOTA: 4/5

A MOÇA, A BABÁ, O NETO BASTARDO E EMMA SUÁREZ (Espanha, 2014)– O filme espanhol de título quilométrico justifica o motivo de seu nome, já que cada personagem ali citado ganha a sua importância e possui o seu arco dramático, sendo todos protagonistas, exceto Emma Suárez, cuja citação funciona apenas como homenagem (e uma pequena participação) à atriz espanhola de extenso currículo.

A “moça” Júlia possui um bebê de menos de 1 ano de idade fruto de um estupro. Como trabalha todo o dia fora, ela tem confiança em Carol, a “babá”, uma jovem atriz em início de carreira que ainda enfrenta problemas de autoestima para se entregar por inteira em cima dos palcos. Com o nascimento do neto, a avó começa a visitar a filha com mais frequência. Uma aproximação que incomoda e muito Júlia, pois foi a justamente a ‘ausência’ da mãe que causou tantas mágoas ainda não superadas.

O filme espanhol funciona muito bem como uma contemplação dessas personagens e as suas respectivas buscas por uma resolução para os seus problemas. Mesmo quando não há uma. Em certos momentos, isso ocorre embrulhado por um silêncio absoluto. Também impressiona a forma que a produção atinge seus ápices dramáticos (sempre envolvendo mãe e filha) que ocorre de forma rápida e pungente.

NOTA: 4/5

AS NOITES BRANCAS DO CARTEIRO (Rússia, 2014) – A profissão de Lyokha proporciona um contato direto e diário com seus vizinhos, todos habitando às margens de um lago, ao norte da Rússia, que os separam do restante do mundo.

Em sua rotina, o carteiro atravessa esse lago constantemente em busca das correspondências e de outros produtos que alguém daqui venha precisar. Além de um mero entregador de cartas, esse senhor torna-se um grande amigo para todos aqueles que visita, principalmente com uma de suas ex-colegas de escola (sua eterna antiga paixão) e seu filho.

A partir do momento em que o motor de seu barco é furtado, Lyokha estreita ainda mais a sua relação com o garoto, numa das raras ocasiões em que algo se altera nessa distante comunidade. O carteiro ainda terá que enfrentar outra mudança mais significativa (ao menos para ele) por ali, quando então tudo continuará no mesmo ritmo. E este filme russo consegue retratar tais passagens sem se tornar entendiante.

NOTA: 3/5





Mostra Internacional de Cinema SP 2014 | parte 1

19 10 2014

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15 ANOS + 1 DIA (Espanha)– A rebeldia comportada de Jon (vamos admitir, as suas ‘travessuras’ nem são tão graves assim para justificar a sua suspensão de 3 meses na escola) o leva a passar uma temporada na casa de seu avô, longe de qualquer apetrecho eletrônico.

Por mais problemático que seja, Jon (Arón Piper, de Maktub) tem um bom relacionamento com sua mãe (Maribel Verdú, do inesquecível O Labirinto do Fauno e E Sua Mãe Também), uma atriz que poderia ser veterana, mas não é. A dificuldade para ela conseguir um trabalho qualquer é tanta que até a própria mãe dela admite que a situação só não é pior devido ao bom patrimônio deixado pelo pai de Jon, cuja morte ocultada vira um dos escopos da trama.

E esse é o grande problema de 15 Anos + 1 Dia – a quantidade excessiva de temas abordados –, que acaba enfraquecendo-o como um todo narrativamente falando. Uma hora são problemas inerentes a qualquer adolescência comum, depois são os problemas familiares do passado que ainda ecoam no presente, uma discussão tola envolvendo uma desnecessária briga de vizinhos e, por fim, uma questão policial que ocupa toda a sua metade final. Tudo desenvolvido sem um aprofundamento apropriado e sem despertar o interesse necessário.

NOTA: 2/5

PÁSSARO BRANCO NA NEVASCA (EUA/França)– Podemos dizer que Kat (mas a não a Katniss de Jennifer Lawrence em Jogos Vorazes e sim Katrina Connor, vivida pela igualmente linda Shailene Woodley – vista recentemente em produções de grande apelo público como Divergente e A Culpa é das Estrelas) amadureceu bem apesar de todo o estranho ambiente familiar que a cercava.

Seus pais viviam um autêntico casamento de fachada, um relacionamento onde imperava a infelicidade. Eva Green (de Cruzada e Sin City: A Dama Fatal), que interpreta a mãe da adolescente, Eve Connor, encarna maravilhosamente bem todas as fases e temperamentos de sua personagem: desde a esposa dedicada e ideal no início de casamento até chegar ao ápice de uma mulher a beira da loucura, consumida pelo tédio que a união com Brock Connor (Christopher Meloni, Noites de Tormenta e O Homem de Aço) despertou.

Estar na pele de Kat não era mesmo uma tarefa fácil, que ouvia quase a todos os instantes as lamentações da mãe pelo casamento até o momento em que essa desaparece em 1988, quando a garota tinha então 17 anos. Pode até parecer estranho, mas o sumiço repentino da mãe pouco alterou a rotina da filha: continuava saindo com seus melhores amigos Beth (Gabourey Sidibe, que surgiu no filme Preciosa: Uma História de Esperança e da série The Big C) e Mickey (Mark Indelicato, da série americana Uggly Betty); tinha que conviver com um pai apático e apenas o seu relacionamento com Phil (Shiloh Fernandez, A Morte do Demônio e A Garota da Capa Vermelha) vinha esfriando desde então.

Embora não consiga desenvolver suas subtramas (caso de Kat com o detetive que investiga o sumiço de sua mãe) com a mesma qualidade vista no plot principal, Pássaro Branco na Nevasca melhora sempre quando volta para o seu foco primordial: desvendar o que de fato ocorreu com Eve. O longa de Gregg Araki (também diretor de Mistérios da Carne) não assume as características de um thriller policial, mas se sai bem na parte investigativa utilizando-se de pistas soltas ao longo da história. Não podemos deixar de citar a boa trilha sonora com músicas da época e o carisma demonstrado por seu elenco de coadjuvantes.

Nada disso, porém, preparou ou indicou o caminho para o seu desfecho e suas motivações.

NOTA: 4/5

FILHO DE TRAUCO (Chile) – No Chile há uma lenda que diz que crianças cujos pais são desconhecidos e são criadas por mães solteiras acabam sendo chamadas de ‘filhos de Trauco’. Uma crendice muito popular em vilarejos afastados dos grandes centros urbanos, encravados no interior do país. Crendice que ganha ainda mais força em uma comunidade instalada numa ilha isolada da parte continental do país.

O protagonista do filme, Jaime (o novato Xabier Usabiaga), se enquadra parcialmente nessa descrição.  O jovem de 14 anos desconhece a sua paternidade, mas mesmo sendo habitante da ilha, não cai facilmente nos contos criados pelos seus conterrâneos. O seu espírito poético é libertador (que mais tarde o longa revela ser um dom herdado de seu pai), o que invoca nele uma imensa vontade de deixar a ilha e seguir para o norte do Chile, rumo à uma cidade maior. Uma ideia que ganha mais força ao ser suspenso injustamente pela direção de sua escola em um caso de plágio.

Filho de Trauco é o primeiro longa-metragem do diretor Alan Fischer, que a partir de uma lenda urbana, cria uma aventura juvenil com Jaime em busca da verdade sobre a identidade de seu pai, deparando-se com uma nova versão sobre a identidade do seu pai e o que lhe ocorreu a cada passo dado. Tudo envolto por uma atmosfera híbrida meio fantástica, meio real, criada habilmente através de criativos créditos iniciais (que acabam nos apresentando a ilha onde a trama se passa) e as recriações digitais de visões de Violeta (a estreante Ignacia Tellez), o primeiro interesse amoroso de Jaime. Mas nada muito além disso.

NOTA: 3/5

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ATENÇÃO: Esse post inicial é apenas um aperitivo. A cobertura do Universo E! na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo continua no próximo fim-de-semana, onde dedicaremos, no total, 5 dias ao festival.





ANÁLISE: A História da Eternidade

16 10 2014

FILME VISTO DURANTE O VI PAULÍNIA FILM FESTIVAL

-> Vencedor do Menina de Ouro de melhor filme pelo júri, melhor direção (Camilo Cavalcante), melhor ator (Irandhir Santos) e melhor atriz (dividido entre as atrizes Débora Ingrid, Zezita Matos e Marcélia Cartaxo).

-> A História da Eternidade também é um dos grandes destaques da 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com três sessões programadas: dia 24/10 – 21h00 – Espaço Itaú de Cinemas Frei Caneca ||| dia 26/10 – 15h00 – CineSesc ||| dia 28/10 – 19h50 – Reserva Cultural

O que mais enriquece um filme que tenha o Nordeste brasileiro como locação é a excelente oportunidade de usar o choro da sanfona na composição da obra. Some-se a isso a desolação de uma paisagem extremamente árida, seca. Temos uma junção muito potente de imagem e som que resultam em um retrato paradoxalmente belo e melancólico.

O que já seria triste por natureza agrava-se ainda mais quando surge nessa paisagem uma procissão que persegue, em meio a poeira, um caixão diminuto e branco. Um caixão infantil. O destino desse pequeno grupo de pessoas é o cemitério que, se inserido num amplo campo de visão, torna até difícil determinar onde ele termina e onde o sertão começa.

Uma região seca e de parcos recursos, onde pouca coisa muda e a tradição perpetua. Entre seus poucos personagens, o diretor pernambucano Camilo Cavalcante (que também assina como roteirista) consegue pincelar todos os tipos de habitantes que compõe, de fato, a região: a família que trabalha arduamente na lavoura e que mantem a única mulher da casa (mesmo que ela seja a filha caçula) nos afazeres domésticos e responsável pelas refeições; outra família encontra-se dividida entre aqueles poucos que ficaram e os outros muitos que foram tentar uma sorte melhor em outras cidades – capitais nordestinas ou as regiões sul e sudeste brasileiras. Qual seja a história, a pobreza e fome estará presente.

Alfonsina (Débora Ingrid) perdeu a mãe muito cedo e desde criança (ou seja, há pouco tempo) aprendeu a dominar o fogão para alimentar seu pai e irmãos. Cada refeição na casa deles consiste no mesmo ritual: os filhos veem o pai se servir primeiro para depois servirem a si mesmos, enquanto a caçula acompanha tudo de pé aos fundos. A pessoa com que Alfonsina tem mais intimidade mesmo é o tio João (Irandhir Santos, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo e O Som ao Redor), que com as constantes viagens para o litoral tem a veia mais cultural, hippie ou descolada entre todos da comunidade. É ele quem instigou a fascinação de Alfonsina pelo oceano.

Próximo dali, a senhora Das Dores (Zezita Matos, Cinema, Aspirinas e Urubus e O Céu de Suely) recebe a visita de Geraldinho (Maxwell Nascimento, dos longas Querô e De Menor), o neto que retorna de São Paulo aparentemente passar uma breve temporada na terra onde nasceu, mas que na verdade está mesmo se escondendo de um passado violento. Fechando o ciclo, ainda há Aderaldo (Leonardo França), um sanfonista cego, persistente em seu sonho de conquistar o coração de Querência (Marcélia Cartaxo, A Hora da Estrela e Quanto Vale ou é Por Quilo?), uma pobre senhora viúva.

Para contar a história desses personagens, A História da Eternidade explora ao máximo o cotidiano da região. Ao mesmo tempo em que o retrata com todas as mazelas que o constituem como o transporte em pau-de-arara, o único telefone público da região ou o espaço social do televisor comunitário, o filme ainda acha espaço para criar cenas absurdamente lindas e poéticas: além da sequência inicial já citada no primeiro parágrafo, podemos citar o amanhecer entre os cactos,  a performance individual de Irandhir em um show muito particular e estranho aos olhos daqueles o cercam. Há ainda a divisão do filme em atos (três ao todo) muito bem construída e representada visualmente a partir das árvores, que vai do cômico ao trágico com a mesma eficácia.

Com cada história apresentando suas particularidades, todos os personagens sofrem de um sentimento em comum: a carência. Seja ela causada pela distância (geográfica ou emocional) ou fruto da incompreensão dos mais próximos em relação aos sonhos e/ou desejos. O que choca é a crueldade com que o destino trata de lidar com cada um deles, quase que simultaneamente e num momento raro onde até o cenário tem suprida a sua maior necessidade: a água da chuva.

NOTA: 5/5





ANÁLISE: Maze Runner – Correr ou Morrer

10 10 2014

Um elevador está subindo. Na escuridão plena, só o ruído de seu funcionamento é perceptível. Esse é um processo que se repete já há um bom tempo. O novato chega ao que chamam de Clareira e sua presença, recém-saída de um buraco no chão, é acompanhada de perto por inúmeros garotos, todos habitantes de uma espécie de vilarejo cercado por enormes e intransponíveis muralhas que protegem um labirinto de mesmas proporções.

Todos aqui presentes já passaram por isso: chegam desnorteados, desconhecendo seu passado e seus próprios nomes. Assim como os veteranos, o novato de agora leva algum tempo para lembrar o seu, Thomas (Dylan O’Brien, da série Teen Wolf e da comédia Os Estagiários). Em um sistema de camaradagem e cooperação (o grupo exige respeito um dos outros para a comunidade se manter nos eixos), Thomas passa a se familiarizar com o ambiente, toma ciência das regras e dos perigos que o cercam assim como o estranho fato da passagem para o labirinto se fechar ao entardecer. Antes que isso aconteça é preciso que membros do grupo, chamado de Corredores, retornem de sua jornada diária: mapear todo o labirinto durante o dia e voltar antes que a abertura se feche. Ninguém que, involuntariamente, tenha quebrado essa regra sobreviveu para contar a história. As únicas duas certezas que possuíam sobre o que se passava do outro lado da muralha ao cair da noite vinham do som das paredes internas da construção se rearranjando e os grunhidos das criaturas denominadas Verdugo.

A chegada de Thomas quebra o status quo do grupo comandado por Alby (Aml Ameen, O Mordomo da Casa Branca e Juventude Rebelde). Embora na comunidade todos cumprissem com os seus deveres, tal comportamento acabava vetando uma ousadia maior de seus membros, minguando qualquer possibilidade que os tirassem dali. Seria a desobediência às regras um mal necessário? E um mundo onde não houvesse infrações e nem autoritarismo não seria perfeito como a ideia nos parece? A ousadia e curiosidade de Thomas renderam muito mais – em poucos dias – do que o trabalho daqueles que estavam ali há anos e contentaram-se apenas em descobrir os limites do labirinto. Verdade que poucos sabiam para não acabar com a esperança de todos.

Alguns aspectos da trama de Maze Runner – Correr ou Morrer devem ser relevados, bem mais até do que o limite do aceitável para um filme ser considerado bom. Mesmo querendo levar a crer que todas as possibilidades tenham sido esgotadas anteriormente, não entendemos o porquê de nenhum deles ter usado a relva que cobre as paredes do labirinto para se esconder dos tais Verdugos e obter, assim, mais tempo para investigar o local. Ou até mesmo a existência inflada de personagens para funcionarem apenas como gatilho narrativo em certos momentos e serem totalmente ignorados no restante do filme – caso de Teresa (Kaya Scodelario, de Fúria de Titãs e Lunar) e Chuck (interpretado pelo novato Blake Cooper).

Nem mesmo com o ataque maciço dos Verdugos à Clareira, a história conseguiu eliminar todos os figurantes dispensáveis. Isso afeta diretamente as cenas de ações que empolgam pelo perigo imediato (principalmente aquelas que se passam dentro do labirinto), embora sejam poucas as pessoas com quem realmente nos preocupamos. Por isso, as sequências protagonizadas apenas por Thomas funcionem melhor do que as restantes, na medida em que o ator Dylan O’Brien realiza um bom trabalho naquilo que lhe concerne, construindo um líder admirável, crível, que transmite confiança e tenha facilidade para angariar apoio dos demais. A única exceção atende pelo implicante Gally (com Will Poulter, de Família do Bagulho e As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada, assumindo bem o papel de tirano), que tem as suas motivações para agir de tal modo.

Quem vai assistir a Maze Runner – Correr ou Morrer deve ter em mente a intenção clara do estúdio em incluir uma nova franquia de sucesso em seu catálogo e finais em aberto devem, necessariamente, fazer parte dessa receita. A esperança de uma continuação vem acompanhada de um bom desempenho de público e a liderança nas bilheterias americana e brasileira já garantiu a estreia da segunda parte para setembro de 2015. Entretanto, o longa dirigido por Wes Ball (se aventurando pela primeira vez na direção de um grande projeto de Hollywood) não cria um desejo desenfreado para a espera de uma continuação, nem mesmo com a revelação do mundo pós-apocalíptico por trás do labirinto. Na realidade há sim um certo receio em aguardar o que está por vir.

NOTA: 3/5





ANÁLISE: Isolados

7 10 2014

Assobios de alguém que está procurando algo na escuridão. Uma trilha sonora grave e contínua e uma câmera hesitante em mostrar o que está acontecendo criam uma atmosfera misteriosa e envolvente. Mais alguns instantes e a surpresa: toda a escuridão presente advinha muito mais da mata fechada em si, que impedia a penetração da luz de um dia que já se findava lá fora, do que uma falta real de luminosidade.

Gratificante acompanhar essa crescente diversificação do cinema nacional, não só em temática, mas também em gêneros. Uma produção cinematográfica que já abordou a favela, o sexo, a violência, que agora insiste na comédia descompromissada, mas consegue agora produzir suspenses e dramas muito bem realizados e começa a se aventurar nas animações (e conquistar importantes prêmios internacionais nesse terreno).

Lauro (Bruno Gagliasso em seu segundo filme após Mato sem Cachorro) e Renata (Regiane Alves, de Zuzu Angel e O Menino no Espelho) são um casal que vão passar alguns dias numa casa totalmente isolada no meio da mata no estado do Rio de Janeiro. Mas o que eles não sabiam antes de chegarem ali era o fato de que mulheres foram mortas e violentadas no meio da floresta. E quem o fazia ainda continuava a espreita.

O motivo para essa viagem e para esse isolamento é explicado em rápidos e sucintos flashblacks, que mostram o passado conturbado de Renata, mentalmente falando, motivado por um trauma de infância: a perda repentina e precoce do pai. Ela torna-se paciente de Lauro, um psiquiatra que se autodefende como alguém que “gosta de levar trabalho para casa” e daí para surgir um relacionamento entre eles foi um pulo. Passar uma temporada longe da agitação da grande cidade poderia auxiliar no tratamento dela. Poderia.

Renata surta em dado momento quando Lauro a impede de sair de casa. Ela desconhecia o que se passava na região. Uma hora a mulher consegue se desvencilhar da proteção do namorado/doutor e foge mata adentro. Isolados age corretamente em manter a ameaça escondida, nunca a exibindo. Tudo o que o espectador recebe nesse sentido são relances dos assassinos, sons em meio à mata, sombras. Os suspeitos nunca são devidamente expostos, nem mesmo quando Lauro se depara com os criminosos. Decisões clichês, mas que funcionam e atendem a proposta do filme.

Os protagonistas passam a viver uma aflição e um temor dentro da casa. Impossibilitados de deixarem o local devido ao grave ferimento na perna de Renata, eles acabam isolados na residência, trancafiados, sem energia e sem comunicação, portanto, sem nenhum tipo de auxílio externo. Mais do que a probabilidade que os assassinos voltem a agir novamente, são os surtos cada vez mais frequentes de Renata que podem atrapalhar a tentativa de saírem dessa situação.

Eficiente em sua montagem que cria um thriller interessante, principalmente nas cenas de ação beneficiadas por uma edição ágil, Isolados peca mesmo no roteiro de duas formas distintas: no excesso de frases expositivas e óbvias, com o claro intuito de indicar o rumo da trama e na construção rasa do núcleo de personagens da força policial – que agem e falam de um modo tão inexperiente que chegamos a temer pelas vítimas cujas respectivas vidas dependam da investigação realizada por eles.

Mesmo com tais falhas, a história surpreende em seu desfecho por desconstruir completamente o perfil de um personagem e mesclar realidade e fantasia sem negar tudo o que foi mostrado. Vale a pena destacar também a linda e justa homenagem prestada durante boa parte dos créditos finais a José Wilker (O Bem Amado e Casa da Mãe Joana) que faz uma pequena participação especial com, possivelmente, uma das cenas do ator que acabaram sendo excluídas da edição final.

NOTA: 3/5





ANÁLISE: O Lobo Atrás da Porta

4 10 2014

FILME VISTO DURANTE A 1ª SEMANA TUPINIQUIM CINEFLIX

Uma investigação sobre o rapto de uma garotinha na creche aponta que há motivações bem mais graves por trás do sequestro. As revelações ocorrem a partir de depoimentos dos envolvidos frente ao delegado vivido por Juliano Cazarré (dos filmes Serra Pelada e A Febre do Rato). De forma incisiva e até bruta, ele consegue maiores detalhes dos depoentes. A sua experiência no cargo lhe ensinou a não ignorar nenhuma vertente de possibilidades, por mais que aqueles sentados a sua frente possam estranhar os seus questionamentos.

Sylvia (Fabíula Nascimento, Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho e Estação Liberdade) aparece com uma queixa na delegacia contra a responsável pela creche de sua filha, já que a criança foi entregue a uma desconhecida após uma falsa ligação em nome dela alegando mal-estar e, portanto, não poderia buscar a criança na escola. Com a chegada do pai, Bernardo (Milhem Cortaz, dos dois Tropa de Elite e Amanhã Nunca Mais), e a perspicácia do delegado, logo se sabe a existência de uma amante. Assim, todas as suspeitas recaem sobre Maria Rosa (a atriz Leandra Leal, de Cazuza: O Tempo não Pára e Zuzu Angel), mulher que mantem um relacionamento extraconjugal de mais de um ano com o pai da criança desaparecida.

Flashblacks complementam os testemunhos, momentos em que o roteiro de Fernando Coimbra (e que também dirige o seu primeiro longa-metragem), usa para mostrar o ponto de vista de cada personagem e, dessa forma, consegue mesclar sequências de intensa carga emocional com outras cenas mais tranquilas, mais íntimas. Para um thriller policial, o filme conta com algumas passagens com ritmo que destoa do restante da narrativa, sem afetar dessa forma o nosso interesse pela trama. Observe uma das inúmeras interações entre Bernardo e Rosa, onde em certo momento os dois conversam lenta e pausadamente com uma grade de janela separando eles da câmera. Poucos filmes do mesmo gênero apostariam em uma cena tão extensa como essa.

Sem dúvida isso é fruto do talento de seus atores. Com um dos melhores atores do cinema brasileiro em atividade, Milhem Cortaz, que demonstra perfeitamente todo o cinismo e cafajestismo de Bernardo – preocupado apenas em satisfazer seu desejo sexual – e mais Leandra Leal, que juntos em cena, transbordam uma sensualidade intensa. A atriz, por sua vez, transita muito bem pelos três perfis que compõe a sua personagem: além do de amante, ainda se faz de dissimulada para a esposa de Bernardo, frequentando sua casa como se fosse uma distante conhecida de muito tempo do casal e o de vilã, escondida atrás de suas expressões dóceis.

As ações dos dois que levam às drásticas ocorrências que O Lobo Atrás da Porta reserva em seu desfecho: Bernardo, tentando esconder a todo custo o seu relacionamento extraconjugal, opta por artifícios bárbaros ao forçar um aborto em Rosa e por um fim na relação, o que a leva ir até as últimas consequências. O problema é que ele nunca desconfiou (ou nunca acreditou) das tendências psicopatas dela. Psicopatia que não estabelece limites para o quê pode ou não ser feito para se vingar do término do caso amoroso e da crueldade a que ela foi submetida. Ao não querer falar mais do assunto, nem se arrepender do que fez e muito menos exigir o perdão de quem quer seja, define muito bem o lado vingativo, frio e calculista de Rosa.

O Lobo Atrás da Porta é um eficiente quebra-cabeças que vai sendo montado aos poucos e consegue camuflar os seus mistérios e apontar, propositadamente, para a direção errada (e nesse caminho conta com a participação especial da surpreendente e explosiva Thalita Carauta) sem se perder do fio condutor principal do drama. Uma experiência gratificante acompanhar o seu desenrolar e ver uma bem-sucedida diversificação (de gênero, temática e montagem) do cinema nacional que consegue extrair uma ótima história de um triângulo amoroso e de todas as suas mentiras e dissimulações. Uma promissora entrada de Fernando Coimbra no cenário de longas metragens brasileiros.

NOTA: 5/5





Lorde ecoando nos cinemas

30 09 2014

Quem tem o (ótimo) hábito frequente de ir aos cinemas pode começar a notar uma constante ecoando pelo sistema de som das salas: a voz de Lorde.

A jovem cantora neozelandesa de apenas 17 anos emplacou uma música, ano passado, na trilha sonora de Jogos Vorazes – Em Chamas: a regravação de ‘Everybody Wants to Rule the World’, uma versão dark do clássico de 1985 do grupo Tears for Fears.

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Se a saga de Katniss em Jogos Vorazes faz bem à carreira de Lorde; Jogos Vorazes se beneficia e muito com o talento de Lorde, ao ponto da cantora ser a grande responsável pela curadoria do álbum de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 com estreia marcada aqui no Brasil para o dia 20 de novembro.

O trabalho já rendeu resultado. Lorde divulgou essa semana a primeira música dessa coletânea: ‘Yellow Flicker Beat’, de sua autoria, que será a canção-tema do novo longa. A trilha sonora completa será disponibilizada dois dias antes da estreia por aqui, no dia 18/11.

Para comprovar o seu talento, Lorde ainda conseguiu emplacar o seu sucesso da trilha de Em Chamas no trailer do novo Drácula: A História Nunca Contada, que chega aos cinemas dia 16 de outubro. Essa menina tem ou não tem onipresença?

TRAILER – DRÁCULA: A HISTÓRIA NÃO CONTADA





ANÁLISE: De Menor

28 09 2014

FILME VISTO DURANTE A 1ª SEMANA TUPINIQUIM CINEFLIX 

Helena retorna para casa após mais um momento de curtição na praia. Na residência à venda está Caio (Giovanni Gallo, mais conhecido por ser um dos protagonistas da série Pedro e Bianca da TV Cultura), seu irmão mais novo de 16 anos, pelo qual ela ficou responsável devido à perda de seus pais. Num primeiro momento, De Menor foca na relação extremamente carinhosa entre os irmãos com direito a brincadeiras inocentes na praia, a cafunés na cozinha e no sofá e abraços afetuosos.

Helena (Rita Batata, Não por Acaso e O Magnata) é uma defensora pública que lida diariamente com menores infratores na cidade de Santos om perfis extremamente opostos ao de seu irmão. Há aquele que não tem a presença de nenhum dos pais por perto e não possui vida escolar, mas faz luzes no cabelo e tem um braço todo coberto por tatuagens; há aquela menina grávida que pretende ter o filho na rua por não aceitar ficar em abrigos e nem retornar para a casa da mãe e há outros que cometem infrações de menor potencial ofensivo.

Ter um adolescente sob sua responsabilidade faz com que Helena tenha muito mais proximidade e compaixão com aqueles que sentam no banco de réus da Vara da Infância e Juventude. Natural também que sua atuação nessas audiências seja sempre mais branda do que a de seus nobres colegas julgadores. O seu comprometimento com trabalho a leva, inclusive, a procurar a mãe de um deles em São Paulo (e ajuda-la financeiramente) para que ela compareça na audiência na cidade litorânea.

O que Helena jamais esperava é que uma das audiências que já está tão acostumada a presenciar seria com o seu irmão. Caio enganou muito bem, tanto a irmã quanto o público. Jamais esperávamos que o mesmo garoto de danças psicodélicas debaixo do chuveiro, consumidor de bolachas recheadas e autor de beijos carinhosos em sua irmã advogada fosse se enveredar pelas trilhas do crime. Se a primeira vez em que é visto algemado na delegacia surpreende, a segunda vez em que é preso já não causa tanta surpresa. Nem mesmo a gravidade do crime dessa vez: assalto a mão armada.

Com uma dupla de protagonistas que constroem personagens e situações verossímeis com atuações tão evidentes por closes frequentes, De Menor apresenta também um competente Caco Ciocler (do divertidíssimo 2 Coelhos e Meu Pé de Laranja Lima) no papel de juiz. O ator veterano consegue se destacar não só pela compreensão ao conduzir suas audiências, mas também por demonstrar sua autoridade em momentos em que não surge em tela, trazendo a firmeza de seu personagem apenas com a voz.

Dolorido presenciar o processo de desconstrução que Helena faz da imagem de seu irmão conforme vai descobrindo fatos que ele ocultava em sua própria investigação. Dói vê-la vasculhar o quarto dele em busca de algo que tivesse passado despercebido, fazendo com que não tomasse providências anteriormente. Uma ferida interna crescente após a tamanha responsabilidade que passou a ter em mãos de repente, ao ter um adolescente para educar e criar, sem a maturidade suficiente para tanto.

De Menor é um desses filmes que não precisam de muito para ser mostrar a que veio. A simplicidade de seu roteiro e de sua montagem não deixa a desejar, mas sim só a valorizar, por convencer com muito pouco. A defensora pública agora com o próprio irmão recolhido em uma Fundação Casa agora terá que reencontrar forças para continuar a vida, que dia após dia, não vem se revelando fácil para ela. E por mais que Helena pareça não sucumbir a essa pressão, a cena que encerra o longa, com ela encolhida numa banheira mostra o quanto ela já está sofrendo com tudo isso.

NOTA: 5/5





ANÁLISE: O Homem das Multidões

27 09 2014

FILME VISTO DURANTE A 1ª SEMANA TUPINIQUIM CINEFLIX

Uma multidão lá embaixo; muitos pedestres e o som conjunto de todas as suas vozes chegam ao mesmo tempo até a sacada do apartamento. O pátio de manobras do metrô em Belo Horizonte. Uma simetria ocorre na tela com um trilho em meio a duas composições de trens prontos para entrarem em operação. Em duas cenas iniciais, a direção conjunta de Marcelo Gomes (de Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo e Cinema, Aspirinas e Urubus) e Cao Guimarães (diretor em Rua de Mão Dupla e editor em A Festa da Menina Morta) resume rapidamente a vida do homem das multidões. Uma tarefa fácil porque não há muito que se falar dele.

Maquinista na capital de Minas Gerais – uma profissão por si só reclusa -, Juvenal (o novato Paulo André) tem uma vida inacreditavelmente solitária e monótona que se resume ao trabalho, ao vagar pela população sem rumo e à sua casa. No meio da multidão belo-horizontina, nem se pode dizer que ele esteja inserido, tamanha a sua invisibilidade. Nas calçadas e logradouros públicos ele está presente e ao mesmo tempo ausente. Ele sobe e desce as escadas rolantes das estações sem ser notado. Observar a operação noturna dos trens em BH é um estranho passatempo e o máximo de interação que consegue ter com os seres humanos que o cercam é o esboçar um sorriso a partir de uma gargalhada alheia.

Impossível que o convívio mútuo entre funcionários gerado pelo ambiente de trabalho não o fizesse criar um vínculo de amizade sequer. Assim, proveniente de uma iniciativa maior dela, Juvenal conhece a sua versão feminina interpretada por Sílvia Lourenço (de Bicho de Sete Cabeças e O Cheiro do Ralo). Margo só não possui o mesmo nível de isolamento crônico dele por manter contatos virtuais pela internet. Frios, mais ainda assim contatos. Até seu noivado é fruto de acessos a sites de relacionamento. Mas a inabilidade nata com o contato humano, com a conversa tête-à-tête é igual para os dois.

A dinâmica na amizade entre eles é peculiar, pois ambos têm a dualidade ausente-presente muito forte. Um está ao lado do outro, mas não há tato algum; as palavras no que, na prática, seria uma conversa são raríssimas. Tantas coisas em similaridade que acabou resultando nessa “amizade”, capaz de convencê-lo do improvável e tornar Juvenal padrinho de casamento dela. A maior aventura da vida dele foi ter dormido uma vez na cabine de maquinista, disparando o sistema de segurança do trem.

Assim, a história dos dois é mostrada e contada, mesmo que ela não vá para lugar algum e nem apresente nada de extraordinário. Nada se modifica e tudo permanece o mesmo. Muitas vezes até a câmera, imóvel e observadora, parece não reconhecer os personagens principais, onde o foco aponta para uma direção qualquer e de vez em quando temos a sorte (ou azar) de vê-los no enquadramento.  Com um modo de viver tão limitado e sem ambições, O Homem das Multidões ainda impõe limites ainda maiores ao adotar o incomum aspecto de vídeo 1×1: um buraco quadrado na tela do cinema.

A vida cotidiana natural e crua, em sua absoluta maioria, não apresenta nada de extraordinário que possa render uma história adaptável para o cinema. Mas, por outro lado, esse mesmo cinema não pode (e nem deve) se limitar a essa ou àquela história, afinal é sua liberdade criativa e inventiva (como o citado aspecto de vídeo) que o torna tão fascinante.

O Homem das Multidões possibilita questionamentos sim, ainda mais se tratando de algo que, se ainda não o é, virá a ser uma tendência a partir do crescente número de pessoas morando sozinhas e adotando o estilo solteiro de se viver. Mas torço para que essa preferência signifique uma vivência dinâmica, efervescente e pulsante, dada a sua liberdade, e não em algo mecânico, vazio e óbvio como o retratado aqui. É esse sentimento agridoce que o longa nos acomete. Levanta questões de grande interesse filosófico inerente ao homem e à sociedade atual. Mas em determinados essas divagações passam a extrapolar o limite da sala de cinema e aí temos que redobrar a nossa atenção e voltar o foco para a projeção. Se o filme deixa isso ocorrer alguma coisa está errada nele e aí opto pela visão daqueles que sempre consideram o copo meio vazio.

NOTA: 2/5





1ª Semana Tupiniquim Cineflix | programação

24 09 2014

Começa nessa quinta (25/09) e vai até a próxima quarta-feira (01/10) a 1ª Semana Tupiniquim do Cineflix. Uma programação especial composta por 8 filmes nacionais que representam a excelente safra da produção cinematográfica brasileira em 2014, sendo destaque no mundo todo.

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Serão de 4 a 5 sessões diárias com o preço único a R$ 7,00 e uma ótima oportunidade de ver aquele filme você deixou sair de cartaz sem assistir ou ter uma nova oportunidade de revê-lo na tela grande. Também está incluído na programação o nosso indicado a concorrer a uma das vagas de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2015, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho.

A rede Cineflix tem atualmente 10 complexos em operação em 4 estados: Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

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Para facilitar ainda mais a sua vida, disponibilizamos abaixo a programação completa dessa semana festiva para a região metropolitana de Campinas: nas cidades de Campinas e Valinhos.

Aproveite e prestigie o que o Cinema do Brasil tem de melhor:

CAMPINAS – CINEFLIX (SHOPPING GALLERIA)

QUINTA 25/09

  • 14h00 O Lobo Atrás da Porta
  • 14h10 Praia do Futuro
  • 16h30 A Oeste do Fim do Mundo
  • 19h00 O Homem das Multidões
  • 21h30 De Menor

SEXTA 26/09

  • 14h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 16h30 Praia do Futuro
  • 19h00 Dominguinhos
  • 21h30 Riocorrente

SÁBADO 27/09

  • 14h00 O Homem das Multidões
  • 16h30 De Menor
  • 19h00 O Lobo Atrás da Porta
  • 19h10 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 21h30 A Oeste do Fim do Mundo

DOMINGO 28/09

  • 14h00 Riocorrente
  • 16h30 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 19h00 Praia do Futuro
  • 21h30 Dominguinhos

SEGUNDA 29/09

  • 14h00 A Oeste do Fim do Mundo
  • 16h30 O Homem das Multidões
  • 19h00 De Menor
  • 21h30 O Lobo Atrás da Porta
  • 21h40 Riocorrente

TERÇA 30/09

  • 14h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 16h30 Riocorrente
  • 19h00 Dominguinhos
  • 21h30 Praia do Futuro

QUARTA 01/10

  • 14h00 De Menor
  • 16h30 Dominguinhos
  • 19h00 A Oeste do Fim do Mundo
  • 21h30 O Homem das Multidões

VALINHOS – CINEFLIX (SHOPPING VALINHOS)

QUINTA 25/09

  • 14h00 O Lobo Atrás da Porta
  • 14h00 Dominguinhos
  • 16h30 A Oeste do Fim do Mundo
  • 19h00 O Homem das Multidões
  • 21h30 De Menor

SEXTA 26/09

  • 14h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 16h30 Praia do Futuro
  • 19h00 Dominguinhos
  • 21h30 Riocorrente

SÁBADO 27/09

  • 14h00 O Homem das Multidões
  • 16h30 De Menor
  • 19h00 O Lobo Atrás da Porta
  • 19h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 21h30 A Oeste do Fim do Mundo

DOMINGO 28/09

  • 14h00 Riocorrente
  • 16h30 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 19h00 Praia do Futuro
  • 21h30 Dominguinhos

SEGUNDA 29/09

  • 14h00 A Oeste do Fim do Mundo
  • 16h30 O Homem das Multidões
  • 19h00 De Menor
  • 21h30 O Lobo Atrás da Porta
  • 21h30 Dominguinhos

TERÇA 30/09

  • 14h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 16h30 Riocorrente
  • 19h00 Dominguinhos
  • 21h30 Praia do Futuro

QUARTA 01/10

  • 14h00 De Menor
  • 16h30 Dominguinhos
  • 19h00 A Oeste do Fim do Mundo
  • 21h30 O Homem das Multidões







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