ANÁLISE: “A Viagem de Chihiro”

28 04 2009

ACERVO: Chihiro é uma pequena garota que está mudando de casa com seus pais e no meio do caminho acabam entrando em um parque temático abandonado. E nesse lugar, Chihiro acaba entrando num mundo paralelo fantástico, onde de noite funciona uma casa de banho para espíritos.

Com seus pais transformados em porcos após se fartarem com a comida do local, Chihiro conta com a ajuda de Haku para poder voltar a realidade e salvar seus pais de virarem comida das criaturas que habitam o local e que não permitem a presença de humanos.

O universo criado por Hayao Miyazaki (de O Castelo Animado) é extremamente bonito regada por uma trilha sonora fascinante. Em mundo de fantasia convincente temos, ao decorrer do filme, uma empatia muito grande com aqueles que ajudam na medida do possível Chihiro. Por ser humana e não ser enfeitiçada pela líder do local, Yubaba, a pequena terá que pedir um emprego na casa de banhos e para isso é apoiada pela jovem Rin e pelo operador das caldeiras Kamaji.

No decorrer do seu trabalho, Chihiro enfrenta muitas dificuldades, passando por alguns momentos cômicos, como aquele em que ela tem que conduzir um enorme espírito mal-cheiroso para a maior banheira do local. A bondade e a inocência da garoto também cativa o monstro Sem Face, que passa a idolatra-la e obedece-la.

Além de correr vários perigos para abandonar esse mundo, Chihiro passa a se preocupar com Haku. O braço direito da bruxa Yubaba (e prisioneiro dela), o garoto que assume a forma de dragão volta muito machucado depois de completar mais uma ordem da feiticeira. E salvá-lo dessa escravidão passa também a ser uma prioridade da menina que transpõe as mais variadas barreiras impostas por esse mundo fantástico e hostil.

A Viagem de Chihiro” transmite de forma simples, singela e emocionante todos aqueles sentimentos defendidos por animações orientais: lealdade, bravura, perseverança.

E não é à toa que animação detém o título de Melhor Animação de Longa Metragem no Oscar 2003 e o Urso de Ouro do Festival de Berlim 2002. “Viagem de Chihiro” é uma viagem inesquecível.

E para completar, transcrevo a música Itsudemo Nandemo de Yumi Kimura, música-tema que toca ao longo dos créditos finais:

Em algum lugar uma voz chama
Do fundo do meu coração
Que eu possa sempre sonhar
Os sonhos que tocam meu coração
Tantas lágrimas de tristeza
Infinitas lágrimas rolaram
Mas sei que do outro lado encontrarei você
Toda vez que caímos no chão
Olhamos para o céu lá no alto
E acordamos para o seu azul
Como se fosse a primeira vez
Como o caminho é longo e solitário
E não enxergamos o fim
Posso abraçar a luz com meus dois braços
Quando digo adeus meu coração pára
Com ternura eu sinto
Que meu corpo silencioso
Passa a ouvir o que é verdadeiro
O milagre da vida
O milagre da morte
O vento, as cidades e as flores
Todos nós dançamos numa só unidade
Em algum lugar uma voz chama
Do fundo do meu coração
Continue sonhando seus sonhos
Não os deixe morrer
Por que falar de sua melancolia
Ou dos tristes pesares da vida?
Deixe tais lindos lábios cantarem
Uma linda canção para você
Não esqueceremos a voz sussurrante
Em cada lembrança ela ficará
Para sempre, para guiar você
Quando um espelho se quebra
Estilhaços se espalham pelo chão
Lampejos de uma vida nova
Refletem-se por toda parte
Janela de um recomeço
Quietude, nova luz da aurora
Deixe que meu corpo vazio e silente
Seja preenchido e nasça outra vez
Não é preciso procurar lá fora
Nem velejar através do mar
Porque brilha aqui dentro de mim
Está bem aqui dentro de mim
Encontrei uma luz que está sempre comigo


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