ACERVO: Chihiro é uma pequena garota que está mudando de casa com seus pais e no meio do caminho acabam entrando em um parque temático abandonado. E nesse lugar, Chihiro acaba entrando num mundo paralelo fantástico, onde de noite funciona uma casa de banho para espíritos.
Com seus pais transformados em porcos após se fartarem com a comida do local, Chihiro conta com a ajuda de Haku para poder voltar a realidade e salvar seus pais de virarem comida das criaturas que habitam o local e que não permitem a presença de humanos.
O universo criado por Hayao Miyazaki (de O Castelo Animado) é extremamente bonito regada por uma trilha sonora fascinante. Em mundo de fantasia convincente temos, ao decorrer do filme, uma empatia muito grande com aqueles que ajudam na medida do possível Chihiro. Por ser humana e não ser enfeitiçada pela líder do local, Yubaba, a pequena terá que pedir um emprego na casa de banhos e para isso é apoiada pela jovem Rin e pelo operador das caldeiras Kamaji.
No decorrer do seu trabalho, Chihiro enfrenta muitas dificuldades, passando por alguns momentos cômicos, como aquele em que ela tem que conduzir um enorme espírito mal-cheiroso para a maior banheira do local. A bondade e a inocência da garoto também cativa o monstro Sem Face, que passa a idolatra-la e obedece-la.
Além de correr vários perigos para abandonar esse mundo, Chihiro passa a se preocupar com Haku. O braço direito da bruxa Yubaba (e prisioneiro dela), o garoto que assume a forma de dragão volta muito machucado depois de completar mais uma ordem da feiticeira. E salvá-lo dessa escravidão passa também a ser uma prioridade da menina que transpõe as mais variadas barreiras impostas por esse mundo fantástico e hostil.
“A Viagem de Chihiro” transmite de forma simples, singela e emocionante todos aqueles sentimentos defendidos por animações orientais: lealdade, bravura, perseverança.
E não é à toa que animação detém o título de Melhor Animação de Longa Metragem no Oscar 2003 e o Urso de Ouro do Festival de Berlim 2002. “Viagem de Chihiro” é uma viagem inesquecível.
E para completar, transcrevo a música Itsudemo Nandemo de Yumi Kimura, música-tema que toca ao longo dos créditos finais:
Em algum lugar uma voz chama Do fundo do meu coração Que eu possa sempre sonhar Os sonhos que tocam meu coração Tantas lágrimas de tristeza Infinitas lágrimas rolaram Mas sei que do outro lado encontrarei você Toda vez que caímos no chão Olhamos para o céu lá no alto E acordamos para o seu azul Como se fosse a primeira vez Como o caminho é longo e solitário E não enxergamos o fim Posso abraçar a luz com meus dois braços Quando digo adeus meu coração pára Com ternura eu sinto Que meu corpo silencioso Passa a ouvir o que é verdadeiro O milagre da vida O milagre da morte O vento, as cidades e as flores Todos nós dançamos numa só unidade Em algum lugar uma voz chama Do fundo do meu coração Continue sonhando seus sonhos Não os deixe morrer Por que falar de sua melancolia Ou dos tristes pesares da vida? Deixe tais lindos lábios cantarem Uma linda canção para você Não esqueceremos a voz sussurrante Em cada lembrança ela ficará Para sempre, para guiar você Quando um espelho se quebra Estilhaços se espalham pelo chão Lampejos de uma vida nova Refletem-se por toda parte Janela de um recomeço Quietude, nova luz da aurora Deixe que meu corpo vazio e silente Seja preenchido e nasça outra vez Não é preciso procurar lá fora Nem velejar através do mar Porque brilha aqui dentro de mim Está bem aqui dentro de mim Encontrei uma luz que está sempre comigo