A única coisa que me preocupava nesse filme era a presença de Seth Rogen (Superbad – É Hoje, Segurando as Pontas). Tenho um certo bloqueio pessoal contra esse cidadão que não apresenta uma carreira muito versátil. Praticamente é o mesmo papel em filmes diferentes. Em 50% esse cenário não se modifica, mas se beneficia pela história depender muito pouco dele.
Já Joseph Gordon-Levitt (A Origem, (500) Dias com Ela e no ainda inédito Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge) continua apresentando o mesmo talento de sempre. Sofredor apaixonado, integrante de uma equipe que rouba sonhos, um pastor evangélico, ou alguém com câncer (como aqui), ele consegue moldar sua interpretação a cada um de seus personagens, tornando-os verossímeis.
Quem vem se destacando aos meus olhos também é Anna Kendrick (A Saga Crepúsculo, Scott Pilgrim contra o Mundo, Amor sem Escalas). Mesmo não tendo muita beleza consegue desempenhar seus papéis muito bem e se destacar ao lado de quem quer que seja: Kristen Stewart, George Clooney…
Joseph Gordon-Levitt vive Adam em 50%. Trabalhando em uma rádio juntamente com seu colega Kyle (Seth Rogen) – ou Seth Rogen (interpretado por Seth Rogen) se você preferir – e leva uma vida tipicamente de um rapaz solteiro na sua idade. Morando junto com sua namorada Rachael (Bryce Dallas Howard, Além da Vida e Histórias Cruzadas) e longe de seus pais, tudo ocorre normalmente até que uma leve dor nas costas o obriga a visitar um consultório médico.
A partir desse momento que a normalidade da vida de Adam acaba por completo. Não só pelo fato dele ser diagnosticado por um câncer na espinha, mas pelas pessoas que o cercam e deveriam lhe dar atenção. A começar pela forma natural e despreocupada com que o médico lhe informa o diagnóstico.
Seu colega Kyle tenta da sua louca maneira auxiliar o colega. Embora não seja o comediante que se acha ser, o roteiro lhe ajuda muito bem nessa tarefa, por exemplo, ao se referir ao ‘cara’ de Dexter ou Patrick Swayze que conseguiram vencer o câncer (ou não!). Isso sem contar o fato de sempre querer obter vantagem ao demonstrar preocupação com o amigo nas mais variadas situações.
Já na família os problemas são menores devido a distância. Por não estar sempre presente, Adam se livra de uma mãe que se preocupa em excesso (do ponto de vista do jovem), restando-lhe algumas dezenas de ligações não atendidas ou pequenas discussões em algumas de suas visitas, somando-se ao fato de seu pai ser portador do mal de Alzheimer.
Para fechar o ciclo pessoal: Rachael, a pintora de quadros. Mesmo escolhendo ficar ao lado do namorado, ela não tem a mínima ideia de como se comportar e de como cuidar de Adam agora. Sua aversão aos hospitais a impede de acompanha-lo em suas sessões de quimioterapia limitando-se a deixa-lo na porta do hospital e esquecer-se de buscá-lo depois. O seu nível de atenção é tão grande a ponto de achar que um cão de corrida aposentado (e feio por sinal) seja o suficiente para curar o baixo-astral de Adam. Se bem que, comparado a essas pessoas, o cachorro é o mais sensato de todos. É natural que recebemos, em determinado momento, a notícia de que ela traía Adam.
Se as coisas estão ruins, não reclame, pois pode piorar ainda mais! Esperando algum consolo, algumas sábias palavras, a ajuda de uma terapeuta profissional também não deu muito certo. Novata, ainda fazendo o seu doutorado, uma caloura, Katherine (papel de Anna Kendrick) tem em Adam o terceiro paciente de sua ainda recente carreira. E o estado de nervo que ele se encontra, aliada a sua inexperiência, complicam bastante o bom desenrolar das consultas.
Essa é a complicada situação de Adam. Com câncer e completamente desamparado, não há outra escolha a não ser cuidar de si mesmo e controlar-se da melhor maneira possível. A única tranquilidade que ele encontra é com os companheiros de quimioterapia no hospital: o retrato do futuro de Adam. É de se esperar que ele perca o controle a qualquer momento. Por tudo isso é de se impressionar com a forma que Adam passou por todas essas dificuldades e conseguiu derrotar a difícil doença que é o câncer.
NOTA: 4/5
