Após um grave acidente, Elizabeth King (Patricia Hastie, que teve uma pequena participação em Lost), a esposa de Matt King (papel de George Clooney, Amor sem Escalas e Tudo pelo Poder) entra em coma, que posteriormente se mostra irreversível, sem a mínima possibilidade de recuperação.
Com claros problemas conjugais, Matt passa a dedicar mais tempo a sua esposa devido a delicada situação, o que não ocorria há meses. Ao mesmo tempo em que tenta praticar a sua paternidade junto às duas filhas, o que também não vinha ocorrendo.
A caçula, Scottie (primeiro papel de Amara Miller no cinema) de gênio difícil e muito inteligente sempre coloca o pai em saia justa com sua curiosidade infantil; a mais velha, Alexandra (Shailene Woodley) com sua rebeldia acima do aceitável para sua adolescência (não é a toa que seu pai tem que buscá-la no internato após o ocorrido com a mãe dela), dificulta ainda mais essa repentina e inesperada aproximação entre pai e filhas.
Enquanto tentando (re)criar esse vínculo familiar, George ainda tem pendente em seu escritório de advocacia uma milionária transação envolvendo uma herança de sua família: um paradisíaco terreno no Havaí, ainda inexplorado pelo homem. A briga entre seus primos divide aqueles que preferem o bom retorno financeiro que a venda da propriedade pode render, daqueles que pretendem preservar esse pedaço de paraíso. Há ainda, a pressão externa da sociedade havaiana que teme os impactos que uma construção ali pode ocasionar.
Se as coisas não poderiam piorar, a revelação de Alexandra sobre um caso extraconjugal de sua esposa é a cereja no bolo de problemas que George tem que resolver de uma hora para outra. A descoberta dessa traição impactará diretamente na condução da venda da propriedade dos King.
No limite entre as piadas da comédia escrachada (baseada aqui no envolvimento de Alexandra com o ‘atordoado’ Sid, vivido por Nick Krause da série Quando Toca o Sino), e a comédia inteligente cujo humor flui naturalmente, ora do roteiro, ora da atuação dos seus personagens, Os Descendentes é essa alternância de estilos. Também se inclui na produção o batido drama familiar de um pai ausente que se vê, repentinamente, no comando de sua família num momento de grande dificuldade.
Assim, chegamos ao término do filme, não muito satisfeitos com as conclusões dadas para as tramas que o longa levanta, mas longe de se decepcionar com o tempo gasto até os créditos finais. E além da boa atuação de Clooney, Os Descendentes também nos apresenta ao pouco conhecido cenário urbano de Havaí, o que pelo menos para mim foi algo inédito e nunca abordado nas produções que já assisti como locação principal.
Excetuando-se, claro, as locações de Lost, que se passava por lá, mas retratava diferentes cidades.
NOTA: 3/5
