ANÁLISE: Filadélfia

8 09 2009

ACERVO Com uma atuação premiada pelo Oscar de melhor ator em 1994, Tom Hanks (Anjos & Demônios) vive Andrew Beckett. Um recém-formado advogado de grande competência que trabalha num renomado escritório de advocacia na cidade de Filadélfia. Confiante na capacidade apresentada por Andrew até então, os sócios da firma dão a ele um importante caso jurídico envolvendo duas empresas.

Andrew Beckett levanta, em um prazo de 10 dias, toda a documentação necessária para apresentá-la à Justiça. Durante esses dias, porém, começa a surgir algumas feridas em seu rosto, ele passa ter diarréia e o auge do seu mal-estar ocorre justamente no dia final do prazo para a entrega de toda a papelada do caso que ele havia pego. Já no hospital, Andrew passa a receber ligações do escritório pois não estão encontrando os tais documentos nem na sua sala e nem o arquivo no computador.

Nervosismos a parte, as páginas do processo são encontradas e entregues na última hora e Andrew recebe a confirmação que as moléstias apresentadas são resultado do agravamento da sua doença: a AIDS.

Posteriormente, Andrew é demitido da firma e busca, por sua vez, o auxílio de advogados por acreditar que sua demissão foi baseada em princípios preconceituosos -embora não tenha assumido no local de trabalho, Andrew era homossexual (com total compreensão da família e namorava Miguel Alvarez, vivido aqui por um apagado Antonio Banderas (Jogo entre Ladrões)) e agora, portador do vírus HIV. Além disso, suspeitava que a perda dos documentos fora pura armação da firma.

Após vários contatos fracassados ele entra em contato com o escritório do carismático e conhecido advogado Joe Miller, papel reservado a Denzel Washington (O Seqüestro do Metrô 1 2 3),com quem já havia trabalhado anteriormente. No primeiro momento, Joe não aceita trabalhar no caso: primeiro, pelo seu preconceito aos homossexuais e segundo, pelo seu desconhecimento de como lidar com um portador da AIDS – tanto que ele conversa com um colega médico para saber as formas de contaminação da doença e se realmente não haveria a possibilidade de contaminação pela simples aproximação com alguém infectado através de um diálogo. Vemos isso claramente na postura que ele adota após perguntar a Andrew o porquê da sua aparência tão doentia, sua vontade de finalizar logo a conversar e o seu receio de encostar-se nos objetos tocados pela sua visita.

Situando o longa na época em que foi feito, início dos anos 90, vemos o quão a situação de Andrew era difícil. O preconceito da sociedade contra homossexuais e/ou portadores do vírus HIV estava em um nível muito maior ao verificado hoje em dia. Ao ponto de um bibliotecário sugerir ao personagem de Hanks que realizasse sua pesquisa em uma das várias salas individuais da biblioteca e não ali no hall comum. E presenciando tal cena é que Joe Miller resolve trabalhar no caso e defender Andrew Beckett nos tribunais.

Com o crescimento dessa amizade, Joe antes homofóbico passa a aceitar a homossexualidade de um modo geral (e não apenas a de seu cliente) embora não concorde. Esse personificação dele pode ser vista em duas cenas: a discussão que ele tem com um gay na farmácia após ser assediado e outra, quando alvo de piadinhas preconceituosas num bar, ele demonstra o respeito aos homossexuais.

Envolvendo temas tão impactantes e figuras famosas da cidade (o próprio Joe Miller é facilmente reconhecido nas ruas por sua propaganda na TV), o caso ganha notoriedade e ampla cobertura da mídia, resultando em grandes aglomerações de pessoas em frente ao tribunal em todos os dias da audiência.

Interessante observar também a alternância da importância dos papéis de Tom Hanks e Denzel Washigton no decorrer do filme: enquanto o primeiro brilha no início e no término da narrativa, a estrela de Denzel brilha mais nas cenas dentro do tribunal. Ali sempre cria-se uma expectativa de quais serão os próximos passos de Joe e quais serão os seus próximos e astutos argumentos.

Com o longo processo do julgamento, o estado de saúde de Andrew se agrava e cada vez mais magro, ele acaba sofrendo um mal súbito no tribunal, sendo hospitalizado e internado em seguida.  Não sei se seria uma conclusão exagerada, mas poderíamos dizer que é aqui que Andrew é vencido pela doença. Daqui em diante ele sobreviveria apenas para ver a justiça sendo feita (e ele ganha o caso contra o escritório de advocacia que é obrigado a pagar pesadas indenizações) e para agradecer todo o trabalho e todo o empenho de Joe Miller.

Uma corajosa produção e um importante auxílio na desmistificação de dois grandes tabus que prevalecem nos dias atuais, mas com uma menor intensidade do que aquela presenciada nos anos 90, e uma contribuição valiosíssima para o cinema e para a construção de uma sociedade mais justa e equalitária.

COTAÇÃO: 5/5.

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