ANÁLISE: 2012

25 11 2009

Um aquecimento anormal da temperatura do interior da Terra acarretará numa catástrofe jamais vista na história da Humanidade. O resultado será o surgimento de vulcões nos lugares mais inusitados; deslocamentos de placas tectônicas capazes de criar abismos inimagináveis em todo o planeta.

Uma dupla de jovens cientistas (um americano e outro indiano) foram responsáveis pela previsão desse acontecimento no ano de 2009. Uma vez avisadas, as maiores potências mundiais tratam de iniciar um projeto com intuito de ‘preservar a espécie humana’: a construção de versões high-tech de arcas de Noé na planejada e bem estudada região de cadeias de montanhas na China. Tais embarcações teriam o propósito de resistirem aos piores efeitos que esse possível acontecimento poderia causar.

Nos EUA temos o escritor workalcholic Jackson Curtis (vivido por John Cusack, de 1408), separado da mulher, indo curtir um fim de semana com os filhos num parque florestal, que para a infelicidade deles, será um dos epicentros dessa crise global. Mesmo distante de seus familiares, caberá a Jackson a missão de salvá-los contando com o apoio inesperado de certas pessoas e utilizando-se de tudo que os possiblitem sobreviver em meio a esse caos.

O longa retrata de variadas formas a destruição em massa dos pontos mais conhecidos do planeta: seja a destruição do Cristo Redentor e da Capela Sistina; o Himalaia e Washigton sendo atingidos por enormes ondas criadas a partir da movimentação anormal dos leitos oceânicos; a formação repentina de um vulcão em plena reserva florestal e a consequente ‘chuva’ de bolas de lava num raio de vários quilômetros ou ainda, cidades inteiras sendo engolidas por abismos que surgem de repente no asfalto, transformando edifícios em grandes peças de dominó, caindo um após o outro.

Trazendo os mesmos clichês de sempre: magnatas que conquistam tudo a base do dinheiro; cientistas que tentam convencer as autoridades a investir na sua pesquisa e salvar a humanidade; presidente americano com um grande sentimento de solidariedade, 2012 sempre, ora ou outra, perde a sua atmosfera de tensão, insistindo em inserir humor (se é que se pode chamar tais cenas de humorísticas) onde não deveria.

Além das piadas, grande parte do elenco também é fraco, muito pouco convincente em seus papéis e que não contam com o auxílio do roteiro que muito pouco se preocupa em desenvolver os personagens. E o destaque negativo fica com John Cusack (que em certos momentos lembra a atuação de Tom Hanks na pele de Robert Langdon em O Código da Vinci e mais recentemente Anjos e Demônios), que não tem carisma para carregar um personagem, ao meu ver, de grande intensidade emocional que um longa como esse precisaria ter. E Cusack combina menos ainda com um personagem carismático e com uma veia humorística que 2012 ambicionava ter.

Além dos personagens, o script também erra em abusar da imaginação do espectador e ‘forçar a barra’ em determinadas situações surreais como nas cenas de fuga da família Curtis ou estender desnecessariamente a duração do filme (longo por sinal) na parte final, na sequência que se passa no interior de uma das arcas. Embora, faço aqui um adendo: as quase três horas de ação de 2012 passaram despercebidas

Muito bem vendido pelos trailers, 2012 surpreende em seus efeitos especiais, que prende a nossa atenção com sua magnitude e de gigantescas proporções, mas tem um enredo completamente esquecível. Afinal, efeitos especiais (por excelentes que sejam) não garantem um bom filme por si só.

COTAÇÃO: 2/5.

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