Invasão étnica no cinema

4 01 2010

Nesse domingo agora, já impossibilitado de assistir a sessão de Avatar na sala IMAX em São Paulo, fui conferir o mediano Sempre ao Seu Lado com Richard Gere.

Como sempre gostei de ser um dos primeiros a entrar, dessa vez não foi diferente. Fui o terceiro a entrar na fila que se formava alguns minutos antes da autorização do pessoal do cinema para a entrada na sala. No hall de entrada, formavam-se também outras filas para outras sessões.

Sala limpa e tudo pronto para entrarmos. A última sala a esquerda no longo corredor. Sala 5. Uma vez lá dentro, o usual: espectadores, sozinhos, em casal ou em família, começavam a entrar na sala. Com uma clara iluminação, eles vão entrando, subindo as escadas, escolhendo suas poltronas, acomodando-se. Até aqui nada de diferente.

Entretanto, havia algo estranho ali. Num momento inicial, não conseguia distinguir o que era. Mas algo me incomodova. Havia algo de diferente e demorei para identificar o que de fato era.

Sentado em uma das fileiras centrais da sala, numa poltrona que dividia ao meio essa mesma fileira reparei: do meu lado esquerdo, uma jovem japonesa conversava com o seu possível namorado. O assunto não era lá grande coisa – novelas do presente, do passado e do futuro. Sim, eles conversavam também sobre as próximas novelas da Globo. Uma delas até ambientada em São Paulo e que seria filmada próximo ao bairro dos pais de um deles; Do meu lado direito uma outra mulher vez um sinal com a mão – seu marido, grisalho, acabara de entrar na sala. Tinha ido comprar pipocas. Ela, uma japonesa.

Desviei o olhar deles e observei uma outra mulher, também acompanhada, sentada duas poltronas a minha esquerda na fileira da frente. Olhando-a apenas de perfil pude constatar pelo olhos puxados: mais uma japonesa. Lá embaixo, entrando na sala, um trio de senhorinhas com seus cabelos brancos, procuraram rapidamente as primeiras poltronas vazias que viram próximas a entrada– todas elas japonesas.

Pensei comigo: “Peraí, tem alguma coisa errada aqui!”, e lembrei, que havia dois pestinhas que não sossegavam atrás de mim na fila no hall de entrada do cinema e que eles também eram, adivinha? Japoneses! Nem tinha olhado para trás para verificar se os seus responsáveis também o eram. Incrível, nunca tinha visto tantos japoneses numa única sala de cinema. Estava no Japão e não sabia.

Ao final da exibição, tudo ficou um pouco mais claro. E não só pela claridade das luzes que se acendiam novamente. Sempre ao Seu Lado como devem saber é baseado numa história real, mas ao contrário do filme, adaptado para uma pequena cidade americana, o fato ocorrera no Japão, no início do século passado.

Justificada então essa pequena invasão japonesa.

P.S.: Mas isso não foi um caso isolado não. Horas antes na fila, lembro-me agora, para garantir a sessão de Avatar na sala IMAX para quarta-feira, havia mais japoneses na minha frente. Dessa vez uma família: pai, mãe e um casal de crianças. Todos descendentes da Terra do Sol Nascente.

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Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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