ANÁLISE: Hanami – Cerejeiras em Flor

17 04 2010

Hanami conta a história de um casal bastante comum, com um relacionamento sólido, bem vivido e harmonioso. Juntos a um tempo considerável, Trudi e Rudi levam uma vida pacata e tranquila no interior da Alemanha.

Um dia, no entanto, Trudi descobre que seu marido possui uma doença terminal, restando poucos meses de vida. Então, ela é aconselhada pela equipe médica a realizar uma viagem, algo que fugisse da rotina do casal, cujo sugestão é acatada, mesmo com o mau humor característico (e ás vezes até divertido) de Rudi, que rejeita veementemente qualquer ‘aventura’ como esta.

Assim, eles decidem visitar seus filhos, todos já maiores de idade, em Berlim. Só que o que era para ser uma diversão, uma distração, acaba se tornando um grande incômodo para os filhos que com afazeres típicos de uma cidade grande, não dispõem de muito tempo para sairem com as visitas. E com a vida corriqueira, já não possuem nenhuma semelhança e nem mesmo saudades da vida pacata que provavelmente levavam com os pais e que estes ainda desfrutam.

Sentindo-se deslocada com essa situação, Rudi leva seu esposo para um lugar em que há anos não visitavam: a praia. E é na orla do mar Báltico que a história do filme ganha uma reviravolta… SE VOCÊ AINDA NÃO ASSISTIU AO FILME, O TEXTO CONTINUA COM SPOILERS, QUE PODE O DESAGRADAR. CONTINUE A LER ESSE TEXTO APÓS CONFERIR HANAMI – CEREJEIRAS EM FLOR.

SE VOCÊ JÁ VIU… CONTINUE CONOSCO —> … e a reviravlta do filme baseia-se na morte repentina de Trudi, que pega seu marido totalmente despreparado. Ela era aquela esposa realizada em seu casamento, que zelava pelo bem-estar do marido, ajudando-o em todos os detalhes em casa – que aguardava a chegada dele após o trabalho e lhe preparava o jantar, o auxiliava a vestir a blusa e o chinelo ao entrar em casa, a arrumar a sua marmita para o dia seguinte… – e sempre com aquela expressão serena no rosto, encarando tudo isso não como uma obrigação, mas realizada com esses gestos e demonstrações de carinho, pois a convivência dela com esse homem era a felicidade plena que encontrara na vida.

E no sepultamento da esposa ao conversar com uma conhecida da família é que Trudi atenta-se para um fato, para um desejo de Rudi que ele até tinha um certo conhecimento, mas que sempre renegava: a paixão de Trudi pelo butô (dança típica japonesa), o seu sonho em conhecer o Japão e o monte Fuji.

Arrependido por não proporcionar esse momento para sua mulher, Rudi decide viajar até o Japão – onde mora o seu filho mais velho, e que por ironia do destino nunca fora visitado pelos pais embora o desejo de Trudi fosse justamente o contrário –, levando consigo tudo aquilo que mais recordava sua esposa em seu íntimo: jóias, manta, roupas… É com esses objetos que Rudi tenta mostrar um pouco de Tóquio. Para ele, esses objetos representariam a presença de Trudi junto com ele.

E começa então suas investidas, suas aventuras pelas ruas dessa grande metrópole asiática que reserva lugares únicos em seus domínios. O lugar que se mais destaca em todo o longa são claramente as praças repletas de cerejeiras em flor, cerejeiras floridas marcando um período de grande confraternização entre os japoneses.

Num bosque da cidade, Rudi passa a conhecer You, uma menina de rua, que pratica todos os dias, solitariamente, o butô. Uma grande amizade floresce entre os dois, principalmente quando ela transmite a esse senhor todo o significado da dança japonesa (talvez Rudi mesmo pudesse transmitir esses mesmos conhecimentos no passado) e um pouco dos costumes e tradições do Japão quando passam a andar juntos por Tóquio.

Assim, nada mais normal que a história desenvolva-se para o seu ato final com a visita dos dois ao Monte Fuji, o ‘tímido senhor japonês’, que passa grande parte do seu tempo envolto por fortes neblinas. E são elas que obrigam You e Rudi a passar vários dias numa pousada tipicamente japonesa em um vilarejo muito próximo ao Monte.

Quando no amanhecer o Monte Fuji decide se exibir, esplendorosamente diga-se de passagem, Rudi encontra sua redenção num ato emocionante e singelo. Hanami – Cerejeiras em Flor é um desses filmes impactantes, persistindo por muito tempo na memória do espectador. Possui uma fotografia límpida, que retrata o passar do tempo como um folhear de álbum fotográfico, enaltecendo por sua vez, os contrastes e as belezas pelas cidades onde a história se desenrola, mas atinge o seu ápice nas lindas locações no Japão. E possui uma trilha sonora baseada principalmente na musicalidade envolvente desse país. Um belo filme portanto.

COTAÇÃO: 5/5

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