ANÁLISE: Chico Xavier

18 05 2010

Chico Xavier conta a a história desse espírita brasileiro, natural de Minas Gerais, reconhecido no Brasil e no mundo inteiro através não só das suas cartas, mas também da publicação de seus livros espíritas traduzidos para diversos idiomas.

Dirigido por Daniel Filho, diretor detentor de vários recordes para a bilheteria nacional, o longa conta a vida do médium em ordem cronológica, ao mesmo tempo em que traz a história que se passa nos bastidores de um popular programa de entrevistas da época, que recebe o próprio Chico Xavier como entrevistado do dia.

De infância sofrida, quando era maltratado pela própria madrasta e desacreditado pela maioria (para não dizer a totalidade) de seus conhecidos, o pequeno Chico tinha como consolo as conversas com sua mãe nos momentos de aflição. E ela se torna, por assim dizer, o primeiro espírito com quem Chico tem contato, já que a mesma falecera no momento do parto dele.

Essas experiências mediúnicas de Chico começam a ser conhecidas pelos habitantes de sua pequena cidade, incluindo entre eles, o pároco que sempre o aconselhava a desviar desse caminho ‘amaldiçoado’ e retornar aos bons costumes cristãos. O pequeno garoto, até então, concordava plenamente com as palavras do padre, acreditando que esse ‘dom’ possuía influencia do diabo.

Esse duelo entre o bem e o mal rende um bom momento para o longa: após o aconselhamento cristão (uma reza de dez Aves Marias), o Chico em sua inocência, vira-se para o pároco e transmite os agradecimentos de uma determinada pessoa, sem saber que a mesma teria falecido há dez anos. O padre, por sua vez, indica ao Chico que trocasse as dez Aves Marias por dez Rosários.

A descrição anterior reflete aquelas poucas incursões humorísticas presentes no roteiro que realmente funcionaram, pois várias outras delas com o propósito de servirem de alívio cômico à história, não atingiram seu objetivo, por soarem falsas e aborrecidas.

Enquanto o filme nos apresenta o passado do médium, somos instigados, paralelamente, a acompanhar a história do diretor do programa, Orlando, (vivido por Tony Ramos) em que Chico participava. O diretor estava em um momento difícil de seu casamento: ele sofria com a angústia de Glória, sua mulher (interpretada por Cristiane Torloni), após a perda de seu único filho num incidente. Se não bastasse a dor da perda, essa angústia ainda era alimentada pelas cartas recebidas por Chico Xavier em nome do filho deles. Tais escritas serviam de um tímido alívio em meio ao sofrimento vivido pela mãe e de enganação para o pai que acreditava que tudo aquilo não melhoraria em nada a sua própria situação e de sua esposa.

Após o término do programa, ainda nos bastidores da emissora, Chico Xavier encontra-se com o Orlando e pede para este aguardar por alguns instantes. Momentos depois, tendo em vista que ele nunca conhecera Orlando, o médium retorna com uma carta para o diretor dizendo se tratar do filho dele, descrevendo o quanto o garoto sentia saudades dos pais e que ocorria tudo perfeitamente bem onde se encontrava agora.

O surgimento de Chico Xavier, as proporções enormes em termos de público que o seu centro espírita recebia dia após dia, a catarata se apoderando de seus olhos são outros momentos marcantes da vida do médium que ganham as suas versões ao longo do filme, assim como essa carta envolvendo o filho de Orlando com Glória. Uma vez que tal correspondência foi utilizada como instrumento jurídico no julgamento que determinaria se o que ocorrera com o filho deles era uma fatalidade ou não.

Um filme que se propõe a contar a história do mais famoso médium brasileiro, que contem por si só vários fatos instigantes, apresenta poucos destaques em seu elenco. Christiane Torloni e Tony Ramos fazem um trabalho muito distante do talento que possuem e seus personagens, por sua vez, não convencem o espectador. E o destaque negativo fica mesmo com Torloni com papel dramático forçado demais, cuja emoção não atinge quem a assiste, soando um tanto quanto falso suas aparições na tela – seja recebendo mensagem do filho no centro espírita do médium em Minas Gerais ou lendo a última carta do mesmo para o marido nos momentos finais do longa.

Em contra-posição temos o ator que faz Chico Xavier adulto, que nos transmite muito mais verossimilhança, com uma atuação muito mais palpável ao espectador, mesmo após verificarmos ao longo dos créditos finais, vários trechos reais da entrevista dada por Chico Xavier, nos narrando vários trechos apresentados pelo filme.

Chico Xavier atinge satisfatoriamente a sua intenção de mostrar e narrar os principais momentos da vida de seu personagem principal, mas é pouco auxiliado pelo seu elenco e pelo seu roteiro para tornar tal obra memorável.

COTAÇÃO: 2/5.

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Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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