ANÁLISE: A Origem

8 08 2010

06/08/2010 Em cartaz A Origem trata-se daquilo que o ser humano tem de mais ‘sagrado’ e ‘especial’: a sua memória. Leonardo DiCaprio está sob a pele de Cobb, o mais capaz entre seus conterrâneos de roubar essa informação contida no subconsciente de determinada pessoa.

Para se obter uma certa informação guardada na memória, uma equipe composta com alguns membros exercendo funções bem definidas para executar tal delicada e arriscada ação, que consiste numa espécie de jogo onde todos os envolvidos tenham que adormecer e forçar a pessoa alvo a revelar a informação desejada, através do sonho onde todos passam a compartilhar e vivenciar. Nesse ambiente novo tudo é uma projeção da mente humana, que traz consigo também a influência que o corpo real sofre no ‘mundo real’: desequilíbrios, quedas, inundações que possa acometer o corpo adormecido.

Por outro lado, há aqueles prevenidos que treinam sua mente para proteger informações confidenciais de sua memória e para uma vez que essa seja invadida, suas projeções mentais possam intervir e evitar o provável roubo.

É em uma ação semelhante a essa que Cobb e seu parceiro Arthur (Joseph Gordon-Levitt) falha impedindo o ladrão de voltar para sua casa e para seus filhos, já que ele teme uma retaliação de seus empregadores após serem informados do serviço não realizado. Saito (Ken Watanabe), magnata alvo desse roubo, era um dos prevenidos contra uma invasão às suas memórias

E é justamente Saito quem propõe uma segunda via, um atalho para os problemas de Cobb. O magnata japonês o desafia a realizar uma tarefa impossível nessa área: implantar uma idéia na mente de Fischer Jr, herdeiro prestes a obter controle de um império empresarial. O pai do jovem e concorrente direto do magnata, senhor Fischer, encontra-se a beira da morte. Se realizar esse feito, Saito resolverá todas as pendências futuras de Cobb, enquanto o próprio japonês poderá aumentar sua influência no setor sem empecilho algum.

Aqui, o longa chega em seu dilema principal: para se roubar uma informação preservada no subconsciente humano, entra-se em apenas um nível da mente; mas para se inserir uma idéia, precisa-se chegar a três níveis do consciente para que a pessoa, uma vez sã, não rejeite essa idéia e passe a aceitá-la como uma concepção sua, original.

A partir daí, Cobb passa a reunir uma equipe à altura desse desafio a medida que sofre perseguição dos capangas de seus ex-empregadores. Juntam-se à cena, entre outros nomes o de Ellen Page, como Ariadne, a arquiteta responsável pela construção dos ambientes na projeção mental onde a ação será realizada e quem auxilia Cobb a enfrentar seus dilemas, pois a toda vez que o sub-consciente dele entra em ação, a mulher dele, Mal (Marion Cotillard), surge para prejudicar o trabalho. Algo não desejável quando se está prestes a concluir o trabalho na mente de Fischer Jr.

Na verdade, a presença de Mal no subconsciente de Cobb não era mais do que uma lembrança porque a mesma havia cometido o suicídio. Tal ato era a prova contundente de que inserir uma ideia na cabeça de alguém era realmente possível: Cobb convenceu sua esposa de que o mundo real, o mundo de fato em que eles viviam se tratava de um sonho utilizando essa técnica de inserção no pensamento.

Esse procedimento trágico que levou sua mulher a falecer teve que ser realizado por Cobb para que pudessem sair do limbo – local onde é praticamente impossível voltar da realidade, utilizando uma ideia simples: “ISSO NÃO É REAL”. Mal passa a desacreditar na realidade a partir daí e na tentativa de ‘acordar’ desse sonho, ela se suicida.

Christopher Nolan conta-nos uma história original, extremamente convincente e desenvolvida de uma forma espetacular e constante com o apoio dos efeitos especiais para colocar, literalmente, os seus (e por que não) nossos sonhos em um filme. Uma vez que imaginação não sofre as limitações para construir o seu próprio mundo.

Se toda trama por si só revela-se instigante e, muitas vezes, sufocante, a trilha sonora realça ainda mais essa sensação de angústia com batidas constantes que caem com uma luva sobre as cenas e nenhum momento soa cansativa ou aborrecida.

Agora dificilmente algum filme poderá retirar o título de melhor filme de 2010 de A Origem e das mãos de Christopher Nolan.

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