Cinéfilo por cinéfilo

13 08 2010

Todo mundo que gosta (ou simplesmente ama) cinema, que assiste filmes muito mais por prazer do que por apenas diversão esporádica, com o tempo vai adquirindo amadurecimento como espectador, filtrando melhor as histórias apresentadas, compreendendo certos detalhes, certas montagens, entendendo um pouco melhor o que é Cinema. Por intuição. Em contraposição passa também a rejeitar certas coisas que teimam em ser lançadas na telona, mas que divertem aqueles que buscam uma diversão passageira de uma hora e meia.

O espectador maduro, por exemplo, procura ficar mais antenado nas produções independentes para diversificar suas experiências, deslocar-se do eixo Hollywood. Seus olhos observam novas cadeias de produção, relevantes e interessantes como cinema europeu – onde produções alemãs A Onda e Hanami – Cerejeiras em Flor se destacam, assim como os longas franceses  – e o cinema latino que apresenta diversas vezes uma perspectiva única no modo de contar histórias como o fantástico O Labirinto do Fauno.

Para o cinéfilo assíduo e sequioso por novidades, o Oscar não basta. Ele tem que pescar produções que se destacam em Cannes, Sundance ou Veneza. Explosões não bastam. O impressionante deve ser algo diferente, que choque o espectador com o inusitado, o inesperado. Para o cinéfilo de ocasião, os próximos filmes imperdíveis são as continuações, são os dos trailers do cinema naquele momento raro em que ele está ali, sentado na poltrona, são os dos comerciais da TV.

Mas foram raras as vezes que o cinéfilo virou fã de carteirinha da 7ª Arte sem passar pelos pastelões da Sessão da Tarde ou reservar o VHS dublado na locadora mais próxima. Ou ficar acordado até tarde para assistir o blockbuster que passaria nas noites de sexta-feira na Tela de Sucessos – quando ela era um dos campeões de audiência do SBT no final da década de 90.

Depois de se alegrar, se emocionar, se amendrontar nesse percurso que vieram o Oscar (e aguardar a premiação ano após ano); a preferência por filmes legendados, os ‘originais’; o cinema com a ascensão dos multiplex’s ou vários filmes num lugar só – a massificação do cinema; a coleção dos DVD’s pois não bastava só alugar, tinha que guardar; as críticas espalhadas internet afora; os festivais independentes de cinema; e por último, o 3D, que só valeu mesmo em Avatar ou uma ou outra animação para quebrar a rotina e colocar um óculos.

Ávidos ou não. Sempre ou ocasionalmente. Chatos ou não. Sozinho ou em bando. Com refri e pipoca ou só o ingresso na mão. Somos todos cinéfilos. Somos todos unidos pela Sétima Arte.

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