ANÁLISE: Resident Evil 4: Recomeço

1 10 2010

Quando a gente aprende nas aulas de física sobre as máquinas que pudessem funcionar perpetuamente depois de um movimento inicial e a partir daí não precisar mais de energia, fenômeno denominado moto-perpétuo, sabemos a impossibilidade de isso ocorrer na realidade. Em Resident Evil 4: Recomeço, no entanto, e talvez em toda a franquia de filmes baseados nesse jogo, nós temos um claro exemplo de algo moto-perpétuo: a Umbrella Corporation! Por mais que coloquemos Milla Jovovich como Alice (e mais algumas cópias delas), Claire Redfield, a ex-Heroes Ali Larter e mais alguns heróis de séries de ação, começando por Prison Break – Wentworth Miller (Michael Scotfield na série), jamais derrotaremos a Umbrella.

Umbrella é uma organização que investiu em uma experiência que criou o T-vírus responsável por dizimar a população humana e transforma-la boa parte dela em zumbis e tem em Alice a única humana infectada que conseguiu resistir ao vírus. E se no início do longa tem uma multiplicação quase que divina de Alice, que consegue aniquilar toda a segurança de um quartel-general subterrâneo da Umbrella, ela jamais aniquilará por completo a organização em si.

No filme anterior, os sobreviventes liderados por Alice se dirigiam à uma cidade, que ofereceria abrigo e comida aos sobreviventes à esse mundo repleto de zumbis, situada na região do Alasca: a Arcadia. A personagem de Milla no entanto permanece na inocente ilusão de destruir a Umbrella. Nesse primeiro momento, Alice consegue escapar da aniquilação total da central da corporação debaixo da terra (as seqüência inicial), fugindo junto com o comandante do local no helicóptero e ao lutar com ele na aeronave, os dois acabam sofrendo acidente.

A partir daqui, Alice passa a sobrevoar a região do Alasca através de aviões abandonados em busca do refúgio oferecido por Arcádia, porém, sem sucesso. No remoto lugar onde pousava esses aviões, ela encontra Claire, que havia partido com os outros sobreviventes no terceiro filme, abandonada e sem memória.

As duas retornam á cidade de onde partiram e lá encontram outros sobreviventes em um edifício rodeado por zumbis. Essas pessoas esclarecem vários pontos onde Alice estava enganada. Por exemplo, fora em vão a busca dela na região do Alasca, já que como ela pudera ver na região litorânea próxima onde estavam, Arcadia não era uma cidade e sim uma embarcação. E esse torna-se o objetivo principal agora.

Para escapar ilesos dali, o grupo de sobreviventes obtem ajuda do irmão de Claire, Chris Redfield, que era mantido refém. Com conhecimento do arsenal mantido na edificação, ele arma até os dentes o grupo, que impossibilitados de sair pelo portão da frente, acham mais viável uma saída subterrânea dali: e através da rede esgoto chegar até o litoral onde o navio se encontrava. Tudo isso com direito a enfrentar um ‘zumbi troll’, com tamanho e inteligência desproporcionais a maioria dos zumbis.

Desabitado e plenamente em funcionamento. É assim que Alice, Claire e Chris encontram Arcadia que é realmente o que procuravam pois é do navio que vinha a mensagem de rádio informando o abrigo oferecido por ele. Mas mais que refúgio, a embarcação era uma armadilha. De quem? Umbrella é claro! Disposta a continuar investindo no vírus, a corporação aprisionava ali os sobreviventes incitados a se dirigir ao local. Aqui encontramos o comandante do início do longa que, da mesma forma que Alice, sobrevivera a queda do helicóptero e passa agora, praticamente ileso, a toda golpe sofrido nas batalhas dentro do navio – como a Umbrella, ele também é praticamente imortal.

Quer dizer, era imortal. Mais uma vez derrotado, ele abandona Arcadia do mesmo modo que no começo do filme. E assim como a central subterrânea, o comandante também aciona a aniquilação total do navio, mas tal dispositivo fora sabiamente instalado por Alice no helicóptero do fugitivo que se desintegra no ar – e essa é uma das melhores cenas bem humoradas do longa protagonizada pelo trio de heróis.

A perpetualidade da Umbrella Corporation em Resident Evil fala mais alto – prestes a ter um final feliz, libertando todos os sobreviventes aprisionados em Arcadia, Alice não terá descanso nos próximos filmes. Uma frota de aeronaves da Umbrella está prestes a chegar ao navio…

Resident Evil 4: Recomeço é recheado de cenas feitas exclusivamente para o 3D (conferi o longa em 2D) – seqüências em câmera lenta – que parecem funcionar organicamente nesse novo formato e há boas críticas na internet sobre o filme nesse quesito. Essa quarta parte também adota a realidade surreal do game, armando seus personagens indefinidamente, mas estabelece boas cenas de ação, tendo Milla Jovovich como heroína emblemática da franquia. Desse e dos próximos filmes. Embora não seja um primor do cinema, Resident Evil ainda tem fôlego para mais continuações com um bom entretenimento pontual e passageiro.

NOTA: 3/5

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2017

Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Site com atividades e informações sobre a associação que reúne profissionais da crítica cinematográfica de todo o Brasil

Sinfonia Paulistana

um novo olhar

%d blogueiros gostam disto: