ANÁLISE: Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro

8 10 2010

EM CARTAZ 08/10/2010 Prólogo: Entrada de um hospital. Com os cabelos já um pouco grisalhos, capitão Nascimento sai do prédio hospitalar, aparentemente tranqüilo, em direção ao estacionamento. Alguns metros depois, já em seu veículo, o pior acontece: ele acaba de cair numa cilada! Cabe a Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro de nos explicar o porquê e como ele chegou até esse momento. O que faz com maestria!

Uma missão mal-sucedida (dependendo do ponto de vista de cada um) numa rebelião em Bangu 1 põem um fim na carreira do ilustre capitão. O massacre na primeira prisão de segurança máxima do país resultou na execução de um líder do tráfico que foi testemunhado por um professor de história e defensor dos direitos humanos, que escancarou o fato para toda a imprensa nacional.

A cabeça do capitão foi pedida e a exoneração dele veio. Mas por ironia do destino, o capitão Nascimento não se manteve afastado da segurança pública ao ser chamado, quatro anos depois, para assumir a sub-secretaria de segurança do estado do Rio de Janeiro.

Tanto nas ruas e nos morros, quanto engravatado, detrás de uma mesa, os princípios do capitão se manteram intactos. E aqui ele vê mais uma chance de aparelhar a Tropa de Elite da polícia militar carioca – que após a sua saída estava jogada às traças – e coloca-la novamente no seu objetivo: garantir a segurança da população e eliminar na raiz os males da violência: o tráfico e os traficantes.

Mesmo com a melhor das intenções, a partir daqui a situação começa a fugir do controle de Nascimento: sua ex-mulher está agora casada com o seu algoz, o professor de história, responsável pelo afastamento de Nascimento da corporação; a oposição de idéias entre os dois influi na relação direta do agora coronel com o seu filho; a estratégia de eliminar os traficantes dos morros não surtiu o efeito desejado, deixando espaço para o controle das milícias, o mau dentro do poder público. E essa bola de neve cresce ainda mais com a aproximação do processo eleitoral (!), quando a união entre milícia e política torna-se uma máquina corrupta de obtenção de votos.

Mas a coisa tende a piorar ainda mais para o personagem de Wagner Moura quando ele se vê como um fantoche dentro da secretaria, sendo usado pelo governo para dar um aspecto de eficiência à segurança pública e ser descartado logo a seguir quando essa jogada política obtem o resultado esperado: a (re)eleição dos envolvidos.

Numa escala crescente de ação, principalmente do meio para o fim, Tropa de Elite 2 se reinventou e conseguiu sob um novo cenário e uma nova (antiga, atual) realidade, colocar o seu principal herói numa envolvente e intrigante trama sem enfraquecer ou comprometer o seu principal trunfo, a brilhante atuação de Wagner Moura. E ainda conseguiu a proeza de melhorar toda a aura construída por José Padilha no primeiro filme com uma história atraente, ágil e desafiadora para o espectador, sem fugir da essência de Tropa de Elite.

NOTA: 5/5

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9 10 2010
eu msmo

tresh tresh

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