ANÁLISE: A Rede Social

4 01 2011

Na proposta de narrar a origem do site de relacionamentos Facebook, A Rede Social já de início nos apresenta a Mark Zuckerberg (papel aqui de Jesse Eisenberg, Zumbilândia) num momento de suposta descontração com sua então namorada. O gênio difícil e demasiadamente egoísta torna o momento – que não é o único– complicado.

Sempre subestimando quem está ao seu lado com uma irritante indiferença, Mark acaba se tornando uma companhia desagradável. E solitária, porque perde a namorada já na sequência inicial do longa de David Fincher. E o grande trunfo do filme recai justamente sobre a interpretação de Eisenberg, que cria um personagem suficientemente odiável por suas ações e, portanto, factível. Verossímel.

Essa briga inicial desencadeia vários outros acontecimentos que, interligados, irão propiciar a criação do site de relacionamentos: um nerd que tem uma convivência contínua e exclusiva com outros amigos nerds possui formas peculiares de externar suas frustações. O desiludido Mark busca descontração na criação de um algoritmo (!), um programa de computador, para comparar a beleza de estudantes integrantes da comunidade acadêmica de Harvard através da internet.

A audiência de acessos dessa ‘ferramenta’ colocam Mark Zuckerberg no primeiro de muitos processos que viria enfrentar ao longo de sua vida. Se a construção desse site o levaria a ser punido pela universidade, por outro lado, atiçaria a curiosidade de pessoas dispostas a investir nesse talento nato. Investimento realizado pelos irmãos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss que ambicionavam desenvolver um site que integrasse a comunidade de Harvard.

Pode-se afirmar que o projeto dos Winklevoss foram o embrião do Facebook. É tomando conhecimento desse projeto que Mark passaria a trabalhar em segredo, aperfeiçoando os códigos criados pelos gêmeos, e lançaria em seguida o The Facebook – o nome inicial do projeto.

A semelhança entre os projetos colocou Mark mais uma vez no banco dos réus em mais um – e talvez o pior – processo que viria enfrentar em sua curta vida, sendo acusado de roubo de propriedade intelectual. Outro embróglio judicial de Mark envolveria seu fiel companheiro e sócio Eduardo Saverin (Andrew Garfield, de O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus), que sustentara financeiramente o Facebook em sua fase amadora. Discordâncias sobre o rumo que o projeto vinha tomando conforme se popularizava e ultrapassava os muros da universidades, colocou os dois amigos em lados opostos da mesa.

Grande parte desses acontecimentos e reviravoltas teve influência de Sean Parker (Justin Timberlake de Southland Tales – O Fim do Mundo), a mente liberal por trás da criação do Napster, o software pioneiro na troca de músicas pela rede. Sean torna-se o responsável pelo rumo mais festivo e menos empresarial que o Facebook passa a trilhar.

Esses dois processos judiciais – os mais conhecidos pela mídia – que Mark enfrentou são apresentados simultaneamente por A Rede Social, intermediados por vários flashbacks, dramatizando os argumentos utilizados no tribunal.

Embora tenha um cena um elenco competente e no roteiro uma história interessante – um fenômeno da rede mundial de computadores – A Rede Social obtém somente um resultado final mediano, sem alcançar um brilho especial.

NOTA: 2/5.

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