ANÁLISE: O Vencedor

20 02 2011

Nem sempre o apoio da família é o melhor caminho para o sucesso. Essa é a lição que Micky Ward (Mark Wahlberg, de Um Olhar do Paraíso e Os Inflitrados) aprende durante a difícil fase inicial de sua carreira como lutador de boxe.

Seu treinamento tem a ajuda inconstante de seu meio-irmão, Dick Eklund (Christian Bale, da franquia Batman e Inimigos Públicos), ex-lutador que teve sua chance de fazer história no esporte, mas a perdeu devido ao seu vício no crack e a sua mãe, Alice Ward (a polêmica do Oscar 2011 Melissa Leo, de 21 Gramas e da série Treme) como ‘agenciadora’ de lutas, sua empresária.

A grande dificuldade que Micky encontra nessa fase, já que perde todas as suas lutas e apanha muito de seus oponentes, deve-se ao fato de sua família estar mais preocupada em receber o dinheiro ganho com as partidas do que qualquer outra coisa. Em qualquer oportunidade que aparecer colocam Micky no ringue sem preocupação alguma.

Após uma derrota acachapante em uma luta arranjada de última hora, Micky acaba desistindo da carreira e tornando-se uma vergonha pública em sua cidade natal. Mesmo com tantos resultados negativos, há gente disposta a investir e acreditar no talento dele, mas a influência da família o faz não aceitar esse tipo de proposta. Se era o que realmente faltava, Dick se propõe a financiar o treinamento do irmão nem que precisasse roubar para isso.

Nesse meio tempo, Micky começa um relacionamento com Charlene Fleming (a ruiva Amy Adams, de Encantada e Prenda-me se for Capaz). Indiferente aos resultados da luta do rapaz, a garota cobra uma promessa dele, feita antes da última luta, de sair com ela, mesmo com o rosto todo machucado e cheio de curativos.

A guinada na história ocorre depois dos dois irmãos serem espancados e presos pela polícia da cidade. Fugindo dos policiais após ser pego em flagrante aplicando golpes para arrecadar dinheiro para investir no treino do irmão, Dick tenta se esconder em um bar onde sua família estava reunida, mas é impedido pelos seguranças do local. Micky, informado sobre o que acontece do lado de fora com seu irmão, sai do bar para tirar satisfações, mas também acaba sendo agredido. Resultado: após julgamento Micky é libertado com a mão direita fraturada e Dick vai para a cadeia.

Sem a presença do irmão, Micky vai aos poucos retomando sua carreira no boxe. Com auxílio de um senhor colega policial e com o investimento de um empresário local, ele volta aos ringues e consegue bons resultados. Claro que tudo isso com uma única condição: sem interferência da família.

Essa condição foi facilmente respeitada enquanto Dick encontrava-se preso. A partir do momento em que ele foi solto e embora ele não fosse o melhor apoio e o melhor para um esportista, o sentimento fraterno de Micky falou mais alto e acabou aceitando o retorno de Dick à academia de treinamento, desagradando sua namorada, o novo treiandor e o empresário. Tudo isso às vésperas de mais importante luta de sua carreira: a disputa pelo título mundial da categoria pesos-médio.

Esse novo conflito nos bastidores da carreira de Micky e próximo de uma luta tão importante é resolvido pela pessoa que menos esperávamos que fosse amenizar uma situação como essa: o próprio irmão dele. Dick, num lampejo de raro de consciência, corre atrás de cada daqueles que desistiram de apoiar o seu irmão por sua causa e os convence a voltar a torcer pelo seu irmão e aceitar a sua presença e o da família no ringue junto com Micky.

O Vencedor assim desenrola-se para o seu ato final e a conquista do título mundial por Micky. Falho nos momentos iniciais, em grande parte pela dificuldade de inserir paralelamente a história principal, a produção de um documentário sobre o ‘retorno de Dick Eklund aos ringues’ e que, na hora de exibição pela TV, tratava-se de outra coisa completamente diferente. E válido apenas até a metade da exibição, engessa um pouco o início do longa, divergindo do principal que é a história de superação de Micky. Quando O Vencedor passa a se focar somente na trajetória dele, o longa melhora sensivelmente.

Nas atuações, o filme tem o talento acima da média do quase irreconhecível Christian Bale, que vive Dick de uma forma muito intensa e espetacular ao se expressar, com tiques e tudo, como um viciado em crack. Mark Wahlberg tem um trabalho apagado aqui, uma atuação monótona, mas boa suficiente justamente por seu papel de Micky Ward não exigir muita energia, dando a sensação que ele é realmente assim apagado. E Melissa Leo, polêmica do Oscar 2011 por se auto-propagandear para a sua indicação de melhor atriz coadjuvante, interpreta a mãe deles (uma mulher com a incrível capacidade de gerar mulheres feias. Quanta filha baranga!) fazendo um bom trabalho, mas não tão bom o suficiente para ser reconhecido com uma premiação.

NOTA: 4/5

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