ANÁLISE – Os Agentes do Destino

26 05 2011

Matt Damon (trilogia Bourne, Os Infiltrados, Gênio Indomável) vive o candidato ao Senado Americano David Norris. Jovem e carismático, David vai aos poucos conseguindo a empatia do eleitorado através de seu discurso entusiasmado, sempre se distanciando dos eventos conservadores oferecidos pelos seus adversários. Com essa fórmula, David consegue as vésperas das eleições uma boa vantagem para o segundo colocado, com a vitória e a cadeira praticamente garantidas.

Mas o temperamento forte do candidato nascido no bairro do Brooklyn em Nova Iorque acaba por destruir o sonho tão almejado por ele: numa briga infantil em uma danceteria, estampando as capas dos jornais do dia seguinte, ao lado de afirmações que os americanos querem adultos e não crianças no comando democrático do país, David vê sua candidatura desmoronar no dia da eleição.

Com a derrota resta a ele preparar o discurso de agradecimento aos seus eleitores e de felicitações ao opositor. Isolando-se no banheiro masculino onde, aparentemente, poderia construir suas falas com tranquilidade, que David acaba conhecendo uma penetra de festas, linda e encantadora por quem se apaixona a primeira vista.

Numa rápida conversa, essa mulher dá um ânimo novo ao jovem candidato, que em seu discurso promete se reerguer e disputar novamente as próximas eleições. Essas se tornam as obsessões de David: a próxima disputa eleitoral e reencontrar a mulher que conhecera num ambiente inesperado e que a única informação que obtivera até aqui era o seu primeiro nome – Elise.

Inesperadamente, no dia em que começaria a trabalhar em uma agência de investimentos financeiros, David vê a face que não saía de sua cabeça dentro de um ônibus. A moça do banheiro estava ali, sentada e distraída, dentro do coletivo. Tal reencontro faz com que o personagem de Matt Damon saiba da existência dos misteriosos agentes do destino. Homens encarregados de realizar pequenos acertos nos destinos de cada pessoa, para que tudo saia de acordo com o planejado pelo desconhecido ‘presidente’.

Por um descuido de um desses agentes, que David descobre quem é Elise (vivida por Emily Blunt (O Diabo Veste Prada, O Lobisomen): uma jovem bailarina. Isso, porém, não deveria acontecer e para encobrir o erro, os agentes do título do filme revelam-se para David.

Se determinado plano escrito pelo ‘presidente’ tomasse a direção errada (o que estava acontecendo agora), os agentes poden realizar vários procedimentos para que as coisas voltem para a normalidade. É num desses procedimentos, uma espécie de lavagem cerebral feita nos colegas de agência, que David vê pela primeira vez os agentes.

Assustado, ele tenta rapidamente se desvencilhar dos homens, mas não consegue escapar das armadilhas impostas por eles (algo difícil contra alguém que pode prever e mudar o futuro). Capturado, David passa a conhecer e compreender o mundo como ele realmente é: parcialmente dominado pelas interferências desses agentes e não uma aleatória sucessão de acontecimentos decididos pelo nosso livre-arbítrio.

O encontro de Elise e David era para ser apenas uma casualidade e o romance, que crescia entre os dois, jamais poderia tornar-se realidade. Se isso se concretizasse (e David, incessantemente queria que isso voltasse a ocorrer, pegando o mesmo ônibus todos os dias por três anos só para reencontrar Elise novamente), suas histórias mudariam completamente. E o sucesso reservado a eles e revelado pelos agentes a David – ele na política e ela na dança – não se realizaria se o amor persistisse.

Nesse dilema, Os Agentes do Destino constrói esse mundo ilusório onde as pessoas acham que dominam completamente o rumo de suas vidas e desconhecem a existência dessa agência de ajustes (termo tirado do título original em inglês do longa) a serviço de um presidente não-revelado e pronta a entrar em ação caso o “trem saia dos trilhos”.

Embora seja um bom filme, Os Agentes do Destino peca por não saber trabalhar bem com alguns pontos onde sua história poderia render mais: mesmo querendo dar uma profundidade maior ao modus operandi, soa muito simplista os meios como eles podem interferir no destino ( o reboot das pessoas e a passagem pelas portas) e os elementos que dificultam o seu trabalho, assim como a solução encontrada para justificar a insistência de David na busca por Elise; o clímax do longa também não empolga tanto o quanto poderia, deixando uma sensação de que faltou alguma coisa, e baseia-se basicamente nas situações vividas por David (e funciona graças a interpretação consistente e convincente de Matt Damon). O roteiro também falha no desfecho do longa, transformando Elise numa passageira (assim como a quem assiste), seguindo apenas as decisões de David, auxiliado pelo agente dissidente Harry Mitchell (Anthony Mackie, de Guerra ao Terror, Menina de Ouro).

As falhas aqui apontadas não resultam num filme de todo ruim, que não falha em prender a atenção dos espectadores. Mas por não saber lidar com a premissa interessante que aborda – o tal do livre-arbítrio, faltou coragem o suficiente para aprofundar essas questões.

NOTA: 3/5

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