ANÁLISE: Um Dia

5 02 2012

Um Dia retrata o decorrer de um longo relacionamento entre Emma (Anne Hathaway, Amor e Outras Drogas, dublando na animação Rio e ainda no inédito, Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge) e Dexter (Jim Sturgess, Across the Universe e Quebrando a Banca). Desde que se formaram em 15 de julho de 1988, eles passaram a se encontrar nesse mesmo dia nos anos seguintes. Apesar de parecer um encontro casual, Emma já apresentava certa atração pelo rapaz e a aproximação só não se concretizava por sua timidez.

A burocrática amizade entre os dois pode ser simbolizada por uma gangorra. De uma boa família, Dexter não tinha dificuldades em realizar sua profissão e nem mesmo satisfazer seus desejos carnais insaciáveis. Vemos a facilidade com que ele viaja para Índia ou leciona na França. Emma por sua vez adota um caminho mais tortuoso, afastando-se da sua formação  no início de carreira, indo parar numa espelunca de comida mexicana, demonstrando sua simplicidade e sua aparente falta de ambição.

Com o passar dos anos, essa gangorra tende-se a equilibrar-se (e inverter-se posteriormente): o estilo aventureiro e a falta de juízo do bon-vivant,  querendo apenas  curtir a vida, o leva a um beco sem saída. Pelo jeitão descolado, Dexter é aproveitado pelas outras pessoas até onde interessa a elas. Só que o ‘descolado’ deixa de ser interessante à medida que a idade chega. E homem de trinta e poucos anos não combina em nada apresentando programas de TV ou a frente de outros projetos direcionados aos jovens.

A recatada Emma já adota outro estilo de vida. A busca por seu sonho é realizada numa velocidade bem menor, consciente e bem mais tranquila. O amor platônico que tem pelo Dexter é ‘abastecido’ sempre no mesmo dia, todos os anos, quando os dois voltam a se reencontrar e sobrevive mesmo observando-o de longe, o seu envolvimento com a longa lista de pretendentes.

As perdas que Dexter passa a sofrer fazem com que a gangorra penda favoravelmente a Emma. O falecimento da mãe devido ao câncer, a tentativa frustrada de casamento (mesmo após o nascimento de sua filha) acabam o isolando. Um grande contraste em comparação ao rapaz rodeado de lindas mulheres nos anos anteriores.

Só assim, isolado, solitário, para Dexter buscar conforto nos ombros de Emma (o que não é inédito na amizade deles). Mas dessa vez, além do consolo, Dexter quer tentar algo mais com a personagem de Hathaway. Apesar da relutância inicial pela já adulta Emma, agora menos por sua timidez e mais pela frequência com que vê seu eterno amado bêbado, ela aposta no relacionamento: a concretização de um antigo desejo para ela e um novo rumo para a vida de Dexter.

Infelizmente essa decisão é tardia. Aqui que Um Dia volta a sequência que iniciou o longa e dessa forma mostrar o fatídico acidente que rompe drasticamente o relacionamento de Emma e Dexter. Em vez de terminar a narração nesse momento, a direção toma a correta decisão de fazer uma pequena retrospectiva da convivência dos dois amigos, alternando com o prosseguimento da vida de um deles após o acidente, tentando reencontrar o equilíbrio da vida sem a presença do parceiro e dessa forma finalizar a projeção com a mesma leveza com que sua narração fluiu.

NOTA: 5/5

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