ANÁLISE: John Carter – Entre Dois Mundos

2 04 2012

John Carter (Taylor Kitsch, X-Men Origens: Wolwerine, Friday Night Lights e o inédito Battleship: Batalha dos Mares) nunca quis e nunca precisou tomar partido em um conflito. E sempre tentou de todas as maneiras evitar entrarem um. Essa relutância pode ser vista claramente no interrogatório logo no prólogo, em que o personagem-título tenta fugir de todas as formas possíveis e imagináveis, o que resulta numa cena divertida, não só pela sequência em si, mas como a trilha de Michael Giacchino acompanha as movimentações em tela.

Com sua malandragem reconhecida, Carter é requisitado pelo governo dos EUA a enfrentar os indígenas nativos em sua famigerada expansão ao oeste no final do século XIX e aqui Entre Dois Mundos homenageia superficialmente os westerns. Uma vez obrigado a acompanhar os soldados (logo após o interrogatório citado acima), ele consegue mais uma vez escapar. Na sua fuga acaba encontrando um medalhão, uma espécie de tele-transporte entre dois mundos do subtítulo em questão.

Com esse medalhão que é que Carter chega a Marte, também denominado Barsoom pelos seus habitantes: os tharks, criaturas humanóides verdes com quatro braços e os humanos, subdividos em duas cidades que se encontram em guerra: Zodanga e Helium. Claro que John Carter deverá intermediar esse confronto e trazer de volta a paz ao planeta vermelho, mais clichê impossível.

Realizado pela Disney, não nos surpreendemos pela suavização das batalhas e muito menos com o tom infantil (e muitas vezes vergonhoso) que a narração assume em alguns momentos. A chegada de John Carter em Marte realça isso ao evidenciar a diferença de gravidade entre os dois planetas e Taylor Kitsch passa a saltar desastrosamente (em momento vergonha alheia) enquanto tentar andar. Também não se é de se espantar que esses mesmos saltos serão usados posteriormente como instrumento narrativo barato para o herói vencer alguns obstáculos.

Por outro lado (aí sim de se indignar), vemos a preguiça do departamento de efeitos visuais em ousar, já que recria um cenário marciano tão pobre e tão simplista nas primeiras cenas em que Martesurge na tela – um solo incrivelmente limpo, que consiste apenas em algumas pedrinhas e uma leve poeirinha, bem diferente daquele que estamos acostumados a observar em fotos divulgadas pela NASA. Um pouco mais de criatividade aqui não faria mal!

No campo das interpretações temos Taylor Kitsch desconfortável em viver seu primeiro papel de herói. Uma vez que seu talento é inquestionável com o desempenho visto na finada série Friday Night Lights, Kitsch não convence como Carter. A demarcação de tempos para o seu personagem também é falho porque só a barba e um figurino mais formal são utilizados para distinguir épocas distintas de 13 anos, vivido pelo personagem.

Falando em épocas, a história do filme (não sei se acompanhou ou não a história do livro em que se baseia) faz uma importante observação quanto ao desenvolvimento alcançado pelos dois planetas no final do século XIX. John Carter nunca se adequou bem a qualquer tipo de voo (simples ou sofisticado,desconsiderando as infantilidades apresentadas) que seu personagem tenha ao longo da história, uma vez que essa traquinagem flutuante só seria alcançada por aqui no início do século seguinte.

No mais, John Carter – Entre Dois Mundos nos mostra uma história com uma premissa bem interessante, mas que não é bem executada devido às limitações impostas pelo padrão Disney de produção, no qual todo e qualquer filme deve agradar a toda a família (e levar a maior quantidade possível de espectadores ao cinema). Em filmes assim cuja assinatura seja dos estúdios do Mickey a minha empolgação é mínima, exatamente a mesma que tenho para conferir, por exemplo, a franquia de Crônicas de Nárnia. Da mesma forma temos a performance fraca dos atores, presos aos seus personagens unidimensionais (que ganham dimensão apenas através dos óculos 3D), presos á um roteiro clichê e superficial em todos os momentos. John Carter diverte e só. Nada mais que uma diversão passageira.

NOTA: 2/5

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2017

Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Site com atividades e informações sobre a associação que reúne profissionais da crítica cinematográfica de todo o Brasil

Sinfonia Paulistana

um novo olhar

%d blogueiros gostam disto: