O bom cinema argentino: dois exemplos

8 06 2012

Comento rapidamente a seguir, dois bons exemplos da safra atual do cinema argentino. E como já disse, rapidamente, decidi reuni-los em um único post, que atende perfeitamente a intenção e não separá-los em duas publicações diferentes.

Vamos lá então:

MEDIANERAS – BUENOS AIRES DA ERA DO AMOR VIRTUAL: Uma Buenos Aires atual, contemporânea, acompanha a vida de dois jovens solteiros. Martín (Javier Drolas) é extremamente dependente da tecnologia não só por ser sua profissão – webdesigner -, mas por querer se isolar da sociedade na internet. Mariana (Pilar López de Ayala), arquiteta, também está infeliz com o rumo da sua vida e encontra companhia com os vários manequins que decoram sua casa, resquícios de seu emprego anterior.

Medianeras conta de uma forma positiva e bem humorada o encontro dessas duas pessoas, que moram na mesma rua, mas que precisaram da ajuda da internet para se conhecerem. Claro que tiveram que enfrentar um caminho tortuoso para vencerem as suas fobias com o relacionamento humano para aí sim, desfrutarem dos momentos felizes juntos, celebrado e coroado com um vídeo no YouTube: melhor impossível!

UM CONTO CHINÊS: Mesmo esclarecendo ser baseado em fatos reais, custamos a acreditar na surrealidade de sua cena inicial.

Roberto, dono de uma casa de ferramentas, tem um mau humor nato e um pensamento extremamente metódico, mas tão metódico, que chega a conferir se realmente há a quantidade de parafusos descrita nas embalagens que recebe. Esse temperamento nada amistoso pelo menos não afasta Mari, uma mulher encantada por ele.

O filme consegue explicar muito bem as várias manias praticadas por Roberto, como o curioso fato de colecionar contos inusitados de jornais (o que permite a inserção das cenas surreais no filme), a medida que ele terá a incômoda presença de um chinês dentro da sua casa. Perdido em Buenos Aires após perder a noiva na China, este simpático chinês obtem a ajuda do Roberto que tenta auxiliá-lo da melhor forma possível, mesmo sem falar uma única palavra em mandarim. Acostumado com a solidão, o chinês torna-se um atormento na sua casa, já que encontrar o tio do ‘visitante’ não é tão simples quanto parecia.

Os contornos dramáticos dessa aventura é realçada quando Roberto lê a estranhíssima notícia de uma vaca caindo do céu na China sem saber que o seu hóspede era vítima desse infortúnio. O incidente agora deixa de ser um fato puramente engraçado.

Difícil não se simpatizar com o mau-humor de Roberto, vivido com extrema competência pelo ator veterano Ricardo Darín (O Segredo dos seus Olhos, Abutres, XXY) e ao mesmo tempo não se solidarizar com as dificuldades enfrentadas pelo amigo chinês.

* * * * *

Está aí um ótimo programa para esse feriado prolongado chuvoso. Vale a pena conferir o que o oscarizado cinema argentino tem a oferecer, uma área que pretendo me aprofundar nos próximos meses.

P.S.: Pensando agora, foi uma mera coincidência a publicação desse post as vésperas do amistoso Brasil x Argentina nesse sábado, dia 09. Mas mesmo assim aproveito a carona! ;D

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