ANÁLISE: Elefante Branco

15 11 2012

Selecionado para o Festival de Cannes, o drama argentino se passa numa comunidade carente da periferia de Buenos Aires, que construíram seus barracos ao redor de um projeto abandonado pelo governo da Argentina e que viria a ser um dos maiores complexos hospitalares do mundo. O título da produção é uma referência ao esqueleto da construção inacabada.

A paróquia instalada na favela de Vila Virgen é dirigida pelo padre Julián (Ricardo Darín, o onipresente ator argentino, também presente em O Segredo dos Seus Olhos e Um Conto Chinês). O início de Elefante Branco trata de mostrar ao espectador as circunstâncias onde Julián conhece o belga Nicolás (Jérémie Renier, Desejo e Reparação My Way – O Mito além da Música), o seu escolhido para sucedê-lo na direção da igreja. As razões para que Julián tome tal atitude também são lançadas nos primeiros momentos de projeção.

O poder público é totalmente ausente no bairro. Para constatar essa ausência temos a realidade de que ninguém sabe ao certo quantas pessoas de fato vivem ali. A estimativa é feita apenas na base dos batismos realizados calculando aproximadamente o número de pessoas envolvidas em cada um deles: a criança, os pais, padrinhos… a quantidade dos outros familiares, dobra-se esse valor e pronto! Sem a presença da força do Estado, a localidade torna-se um lugar propício para a proliferação da violência e do tráfico de drogas.

Além das atividades paroquiais, a igreja católica também lida com todo o planejamento e execução das benfeitorias na comunidade: desde os serviços para a manutenção do precário saneamento básico até a construção de moradias dignas para os moradores, que colaboram também com a mão-de-obra. Mas a má-vontade daqueles que tornam todo o projeto possível (prefeitura, a empreiteira e até mesmo o alto escalão da Igreja) inevitavelmente  o levam ao fracasso.

O personagem do garoto Estéban é uma síntese dos problemas sociais do bairro, representando o frágil fio de esperança para aqueles que lá residem. Sua trajetória na luta contra o vício em drogas se assemelha muito aos altos e baixos da própria narrativa do filme, com os sucessos e os fracassos da intervenção da igreja no cotidiano da comunidade carente.

Assim não é nenhuma surpresa ver que Estéban dessa forma esteja ligado também à tragédia reservada pelo fim de Elefante Branco. Enquanto o fim da linha chega para o garoto, para o padre Julián e para um um futuro promissor de Vila Virgen. Já Nicolás tentará, novamente, recomeçar a sua busca de paz espiritual em novos ares. Infelizmente, a triste realidade ao redor do elefante branco persistirá, resistirá, assim como a imponência da construção abandona.

NOTA: 4/5

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