ANÁLISE: Moonrise Kingdom

1 01 2013

Uma paixão juvenil é capaz de causar um grande alvoroço numa pequena e fictícia comunidade quando dois pré-adolescentes decidem fugir juntos para desespero do superior escoteiro dele e da família dela. Tudo em nome do amor.

O longa da sessão de abertura do Festival de Cannes de 2012, dirigido por Wes Anderson (O Fantástico Sr. Raposo), poderia se tornar mais uma bonitinha história de amor protagonizada por adolescentes. Mas não! Com uma história aborrecida, Moonrise Kingodm tenta se construir baseada em típicas interpretações teatrais (caracterizada por uma fala acompanhada de expressões corporais extremos) e moldada por elementos fantasiosos da literatura infantil como fábulas e contos de fada. Só que não alcança a graciosidade dos elementos citados e o longa ainda falha gravemente em reuní-los e transportá-los para as dimensões cinematográficas.

Mesmo reunindo conhecidos rostos em seu elenco como Edward Norton (A Outra História Americana e O Ilusionista), Bruce Willis (a franquia Duro de Matar e Looper: Assassinos do Futuro), Tilda Swinton (Precisamos falar sobre Kevin e As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa), Frances McDormand (Alguém tem que Ceder e Queime depois de Ler), Bill Murray (Encontros e Desencontros e Flores Partidas) e Jason Schwartzman (da série Bored to Death) como narrador, Moonrise Kingdom ainda abre espaço para um numeroso elenco mirim com tamanha chatice que não se pode distinguir se a simpatia provem dos próprios atores ou se é consequência apenas de um roteiro pessimamente escrito.

Utilizando todos os movimentos e cortes de câmera existentes e/ou conhecidos sem nenhum propósito específico (que se encaixaria perfeitamente numa aula para estudantes de cinema), Wes Anderson ainda utiliza uma paleta de cores envelhecida para diferenciar a sua narração do mundo real, mas que soa mais como uma pretensão de elevar sua obra à magnífica plataforma de celebração ao cult, ao diferente, do que uma opção racional. A utilização de fontes vintage nos créditos finais e de abertura também buscar um ar de glamour inexistente e favorece mais uma vez a uma supervalorização exageradíssima (posso superestimar aqui também, não?) deste exemplar cinematográfico.

Para não ficarmos apenas nos aspectos negativos, o filme pelo menos vale a pena pelo didatismo de sua trilha sonora. Embora soe exagerada e sem nexo em grande parte do filme, a trilha acompanhada por uma narração em off apresenta uma mesma canção tocada por grupos nos quais os instrumentos musicais são divididos na sequência de abertura. O mesmo ocorre nos créditos finais com os instrumentos sendo nomeados individualmente.

Mas nem isso de interessante é capaz de tirar o tédio instalado durante e, principalmente, após a sessão. Moonrise Kingdom funciona melhor como um espécime a ser dissecado e estudado nos cursos de cinema. Como contra-exemplo!

NOTA: 1/5

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