ANÁLISE: Os Miseráveis

23 02 2013

Hugh Jackman (o Wolverine dos X-Men e Gigantes de Aço) canta na pele de Jean Valjean, um homem de muito crimes numa França pós Revolução Francesa. O início de Os Miseráveis já revela aquilo que tem de mais emocionante: as cenas musicais cantadas em grupo ou coro e são três ou quatro músicas que possuem essa característica durante a sua projeção e, não podia ser diferente, uma dessas canções é a responsável por finalizá-lo. Muito pouco se levarmos em conta os seus 157 minutos de duração. Todos eles cantados, praticamente!

Nas diversas passagens de tempo que ocorre no longa assinado por Tom Hooper (do oscarizável O Discurso do Rei), Valjean está sempre tentando reconstruir a sua vida, sem necessariamente estar disposto a cumprir a pena que lhe foi imposta. Por isso mesmo, ele é continuamente perseguido pelo incompetente oficial Javert (papel de Russell Crowe, de Uma Mente Brilhante e Mestre dos Mares – O Lado mais Distante do Mundo) que jamais o conseguiu capturar em definitivo.

O formato escolhido para se c(a)ontar a história deixa Os Miseráveis muito fragmentado. As poucas histórias complementares que o compõem (e necessárias para o estabelecimento da trama principal) são incluídas de uma tal forma abrupta que há a sensação de pausa na transição de uma história para outra como se elas não ocorressem simultaneamente. É o caso da participação de Anne Hathaway (O Casamento de Rachel e Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge) e sua personagem Fantine. Todo o seu drama envolvendo a inveja das colegas de trabalho na fábrica e o seu sofrimento nas ruas com a prostituição forçada na luta para conseguir sustentar a sua filha é abordado meio a parte da trama envolvendo Valjean, enfraquecendo o ritmo do longa.

O rápido envolvimento dos dois (motivado pela morte precoce de Fantine) desencadeia uma repentina afeição dele por Cosette (vivida inicialmente pela novata Isabelle Allen), filha de Fantine, que sofre exploração de trabalho infantil na estalagem comandada pelo casal salafrário Thénardier, interpretados pelos coadjuvantes de luxo Helena Bonham Carter (do também musical Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet e Alice no País das Maravilhas) e Sacha Baron Cohen (dos excêntricos Borat, Bruno e O Ditador), que sempre trazem algo interessante e divertido em suas interpretações cantadas.

Diferentemente do que se espera de todo filme, Os Miseráveis perde um pouco do interesse ao enfocar os adolescentes revolucionários a que pertence Marius (Eddie Redmayne, Morte Negra e Sete Dias com Marilyn) que se apaixona perdidamente pela jovem Cosette (agora interpretada por Amanda Seyfried, de O Preço do Amanhã e Mamma Mia). Um legítimo caso de paixão a primeira vista! A história já desperta certo desinteresse mesmo contando com um bom elenco jovem e talentoso em todo esse núcleo. O maior dos destaques é o ator mirim Daniel Huttlestone que no primeiro momento em que seu personagem Gavroche aparece, domina a tela como poucos atores conseguem, mesmo sendo este o seu primeiro trabalho no cinema. O modo como que o filme aborda a luta armada desses jovens a deixa extremamente tola com uma cara mais de brincadeira de rua do que uma revolução, contando pontos desfavoráveis a produção por ser parte integrante de seu desfecho e deveria se tornar o ápice do filme.

Tom Hooper por sua vez, lidando com um grande clássico da literatura e dos musicais, não ousa e faz bem a sua lição de casa cinematográfica, colocando Anne Hathaway, Hugh Jackman e Eddie Redmayne em seus momentos de maior intensidade dramática sempre no ponto forte da tela no lado direito, o chamado lado forte do Cinema, o lado em que o espectador mais observa. Isso inclusive, ele poderia tê-lo feito com um pouco mais de sutileza. Mas por tratar o ato final do filme burocraticamente, os momentos mais emocionantes em Os Miseráveis ficam atrelados as canções cantadas em coro pelo excelente elenco reunido ao invés de seu desfecho. Talvez esteja aqui um dos seus maiores defeitos!

NOTA: 3/5

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2017

Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Site com atividades e informações sobre a associação que reúne profissionais da crítica cinematográfica de todo o Brasil

Sinfonia Paulistana

um novo olhar

%d blogueiros gostam disto: