Festival Varilux de Cinema Francês 2013 | parte 1

11 05 2013

  • Resenhas  dos filmes vistos durante o Festival Varilux de Cinema Francês 2013 em Campinas de 03 a 09 de maio

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O MENINO DA FLORESTA – Podemos considerar O Menino da Floresta a versão francesa para o clássico Mogli – O Menino Lobo, reservadas, claro, suas diferenças. Aqui temos um garotinho habituado a vida selvagem na floresta ao lado seu velho pai (com a voz de Jean Reno, da animação Por Água Baixo e O Código da Vinci). Seja caçando, seja brincando ou ‘conversando’ com seres misteriosos, meio animais meio humanos, no interior da mata cuja simbologia é explicada durante o filme.

O grande mote da animação, no entanto, é revelar os motivos que levaram o pai a se isolar na mata junto com o filho. Isso porque a raiva e o pavor que o pai revela ter quando o filho menciona o simples desejo em sair da floresta indicam que o velhote já vivia anteriormente fora dela. Durante uma tempestade porém, o pai sofre um acidente e o garoto é aconselhado pelos seres antropomorfizados (que são na verdade espíritos dos antepassados) a levá-lo para um tratamento ao vilarejo mais próximo, além das fronteiras da floresta.

É nessa pequena comunidade que os grandes mistérios de O Menino da Floresta são respondidos. Como já era de se esperar, o pai realmente era um antigo morador do local e acontecimentos passados o forçaram a adotar uma vida selvagem. Acontecimentos que provocaram uma grande ira da população forçando-os a impedir, inclusive, que o médico tratasse do ‘ogro’, como eles passaram a apelidar o senhor Courge.

O seu filho, por outro lado, teve seu desejo realizado ao conhecer o mundo exterior e passou a viver novas experiências na sociedade moderna ao lado da garotinha Manon (voz de Isabelle Carré, Românticos Anônimos e Feito Gente Grande), filha do doutor. Uma história leve e descontraída, mas também triste em certos aspectos, principalmente em sua conclusão ao permitir que o ‘Mogli francês’ só pudesse sair da vida selvagem se as amarras que o prendiam na floresta fossem rompidas. NOTA: 4/5

O HOMEM QUE RI – Abandonado no litoral ainda criança, Gwynplaine (Marc-André Grondin, de Os Brutamontes) tenta obter abrigo batendo de porta em porta nos vilarejos mais próximos. Nesse difícil percurso ele ainda encontra uma recém-nascida, Déa (a linda Christa Theret, de Rindo à Toa e Renoir), que chora nos braços de uma mãe já morta em meio a uma nevasca e que fica cega por ter olhos queimados pelo frio intenso.

Depois de muitas recusas, Gwynplaine, a quem o título da produção do título se refere devido ao sorriso formado por uma cicatriz no rosto (a là Coringa do Batman), acaba encontrando o auxílio de Ursus (interpretado por Gerárd Depardieu, As Aventuras de Pi e Piaf – Um Hino ao Amor), que mal tendo condições para se manter, será o responsável daqui para frente por dois órfãos.

Situado numa espécie de limbo fantástico, o tempo passa e as crianças crescem e já adultas colaboram também para garantir o sustento do trio formado. Assim, eles passam do charlatanismo para peças teatrais improvisadas a bordo de uma carruagem, explorando sempre as características físicas peculiares de Gwyn e Déa com relativo sucesso.

O Home que Ri, uma adaptação da obra de Victor Hugo, é uma bem-vinda mistura do mundo fantástico dos contos de fadas com suas rainhas más com as histórias clássicas da literatura mundial e seus amores impossíveis, se inspirando nesse último para construir a sua trágica conclusão! NOTA 4/5

ALÉM DO ARCO-ÍRIS Saber de antemão a data de sua morte provavelmente não é uma das coisas mais agradáveis de se ter gravado na memória. A prova disso é a tão temida data causar certo desconforto no mais cético dos homens franceses: o rabugento Pierre (vivido por Jean-Pierre Bacri, Amores Parisienses e Questão de Imagem).

De outro lado é difícil definir precisamente do que se trata a comédia Além do Arco-íris. A sina e a preocupação de Pierre com a data de sua morte diverte, mas é uma apenas uma mísera parte do caldeirão de histórias que o filme consegue abordar em seus 112 minutos de duração com as mais variadas situações da família, amigos, conhecidos e agregados que rondam direta ou indiretamente a vida de Pierre.

O personagem de Jean-Pierre Bacri tem o seu mau humor característico (um sentimento recorrente na cinematografia francesa) com crianças, o isolamento auto-imposto, a exploração do mito da má dirigibilidade das mulheres (será?), uma improvável iniciação religiosa de uma garota causando algumas controvérsias com os seus pais, a ascensão de Sandro (Arthur Dupont, de Os Sabores do Palácio e One Two Another), filho de Pierre, no mundo da música clássica principalmente após conhecer o famoso crítico Maxime (que vivido por Benjamin Biolay protagoniza a cena mais inacreditável do filme), que por sua vez rouba a Laura (Agathe Bonitzer, de Uma Garrafa no Mar de Gaza e De Volta para Casa) dos braços de Sandro e as desavenças deste com o pai a respeito da herança deixada pelo avô, cujo enterro marca o início do filme… E por aí vai!

Além do Arco-íris consegue abordar tantos e diversos temas sem se perder em sua narrativa mesmo sendo expostos rapidamente em sequência e envolver diferentes personagens. NOTA: 4/5

ACONTECEU EM SAINT-TROPEZ Foi interessante a sessão dupla criada pela programação com este filme e o anterior (Além do Arco-íris), duas comédias contemporâneas francesas com suas narrativas dinâmicas e ambas com críticas veladas a religião, que em Aconteceu em Saint-Tropez ocorre com os costumes burocráticos de cada congregação ao lidar com a perda de um ente querido, o que resulta na realização de dois eventos simultâneas e antagônicos em uma mesma casa: um velório e uma festa de casamento. Mais uma vez são os bons momentos de humor funcionando como uma crítica indireta seguindo a máxima: “seria engraçado se não fosse trágico”.

Outra característica recorrente do cinema francês é a presença da orquestra sinfônica, seja ela presente na narrativa inerente a determinando personagem da trama ou seja presente em uma trilha sonora clássica, tradicional e bela. Diferentemente do primeiro,a história concentra-se apenas num núcleo familiar de classe alta e com seu patriarca amalucado e de língua afiada, temperado com um amor inesperado que surge devido a tragédia central da história, mas que não são do círculo familiar. Se deveria arruinar todos os alicerces da família, surpreendentemente isso não ocorre! NOTA: 4/5 

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