Falta

8 01 2014

Que tal começar o ano de 2014 de um modo diferente? Para iniciar mais um ano de atividades do Universo E! (é, eu sei que estou muito sumido daqui ultimamente), o primeiro post será dedicado a um texto original meu. Espero que o apreciem! O título é esse daí de cima: FALTA.

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faltaNão sei. Mas acho que você não sabe a falta que faz. Não sabe mesmo. Estou eu, aqui, sozinho. De novo. Acho que você não sabe a falta que faz. A única companhia agora é o meu reflexo no espelho do banheiro, encarando essa expressão desolada na frente dele. Será que ele sente a sua falta também? Assim como você, ele não sabe o quanto sinto a falta da sua presença aqui.

Eu e o meu reflexo. Ali, na imagem espelhada, logo acima dos meus ombros, posso perceber as várias marcas em meu pescoço. Deixadas por você. Volto a recordar as circunstâncias em que elas foram feitas e um breve esboço de um sorriso aparece em meu rosto, enquanto meus dedos passam levemente sobre as ainda doloridas feridas. ‘Mágica’ é pouco e não descreve perfeitamente o que aquela noite representou, significou para mim. Ou para você. Espero sinceramente que seja “para nós”. Acho que você não sabe a falta que faz para mim.

Lá fora, na sala, garrafas repousam sobre a mesa de centro iluminadas apenas pela luz fria da televisão. Nem sei qual filme está passando e isso tão pouco me interessa. A única coisa que tenho em mente agora é você. A sua falta. A sua ausência. As garrafas? Estão vazias. Talvez por isso que o meu mundo gira agora: você me tirou o chão e as bebidas, a minha noção dele. Mas elas me deram um mínimo de conforto e não sei quem você está confortando agora…

“Ei cara, vamos nos divertir. É fim de semana!”. Meus amigos tentaram me animar, me chamaram para sair e encher a cara. Depois de certa insistência desistiram. Eles não sabem e nem desconfiam da falta que você me faz. Preferi ficar em casa e beber sozinho. Esse não é o meu melhor momento de encarar o mundo lá fora. Acho que nunca bebi tanto em minha vida.

Quer saber? Apenas me esqueça! É simples… Só que você era tudo o que eu conhecia. Conforto… Tudo… Me esqueça… Aquela noite… Quer saber?… Você não sabe… “Vamos sair”… Acho que você não sabe a falta que faz. Sinto saudades. Muitas.

Não sei. Creio que valia a pena dizer estas palavras, já que você não sabe. Elas são as poucas de muitas coisas que me compõem, mas nenhuma delas faz mais falta do que você. Você, que não sabe a falta que me faz. Perdoe-me a covardia de não falar isso diretamente para você, olhando em seus olhos e segurando em suas mãos. Sinto muito. Muito sua falta. Peço desculpas. Peço perdão.

Não sei. A única coisa que eu poderia querer agora, mais do que você aqui, era poder estar ao seu lado e observar sua reação ao ler essas palavras, mas isso já é pedir demais. Me esqueça. É mais simples. Você não sabe a falta que me fez!

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23 12 2014
Retrospectiva 2014 | parte 1 - Ser ou nao sei

[…] todos aqueles já publicados por mim, uma vez que acompanhava o meu primeiro (e único até agora) texto ficcional. Já tive outras ideias parecidas, um vislumbre de algumas palavras, mas que não passaram […]

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