VI Paulínia Film Festival | O Samba

25 07 2014

Troféu Menina de Ouro do Paulínia Film Festival

Troféu Menina de Ouro do Paulínia Film Festival

[SUIÇA, 2014] – O olhar estrangeiro sobre um dos mais autênticos ritmos musicais brasileiros. Para construi-lo o diretor francês Georges Gachot (Nana Caymmi em Rio Sonata e Maria Bethânia: Música é Perfume) utiliza duas vertentes do samba: o carnavalesco, apoiando-se nos preparativos para o carnaval da agremiação Unidos de Vila Isabel. Paralelamente, um dos entusiastas da escola de samba de primeira grandeza: Martinho da Vila (Isabel).

O barracão da Unidos de Vila Isabel reúne pessoas de todas as idades e gerações inteiras de várias famílias reunidas em torno de um único objetivo: realizar o desfile mais perfeito possível na Marquês de Sapucaí, a passarela do samba carioca. O que exige um trabalho árduo durante um ano inteiro: a preparação de fantasia, que na ocasião das filmagens do documentário vinham direto da Angola (uma espécie de reafirmação das origens africanas do ritmo), as estruturas complexas dos carros alegóricos e os inúmeros ensaios envolvendo toda a comunidade numa frequência quase que semanal.

Em contraponto ao samba característico do carnaval, sua euforia e suas batidas fortes, há aquele outro mais contido, de ritmo mais lento e fruto do cotidiano brasileiro em todas as suas frustrações e conquistas. Martinho da Vila é um legítimo representante desse gênero. O próprio cantor se declara um compositor das horas difíceis.

Ilustre componente da escola de samba representante da comunidade de Vila Isabel, Martinho também é vascaíno (outra paixão brasileira que ganha certo destaque em O Samba), amante da natureza – aquela em que “tudo cresce devagar” e um brasileiro genuíno, já que em suas mãos ao longo da projeção pode surgir um pandeiro ou uma caipirinha. Para o cantor, a maior alegria que o samba lhe proporciona é a diversidade de reações que suas canções provocam no público. Uma mesma música em uma mesma apresentação pode fazer alguém sorrir, outro chorar e um terceiro sambar. Ao mesmo tempo.

Outros artistas, como Mart’Nália, ajudam com seus depoimentos a contar um pouco da história do samba. Leci Brandão relembra o quanto sambistas já foram perseguidos no passado por serem considerados malandros. Ney Matogrosso quando surge em tela demonstra o quanto o samba permite múltiplas interpretações sem perder  a sua autenticidade.

George Gachot em O Samba enaltece o gênero musical que lhe serve de título e constrói um documentário que ganha muito mais força ao depositar no carisma de Martinho da Vila a condução de sua narração que guarda ainda grandes preciosidades: a performance do compositor em versões acústicas de ‘Canta Canta, Minha Gente‘ e ‘Mulheres‘. Uma produção voltada para algo tão enraizado em nossa cultura ao ponto de ser corriqueiro a presença de pessoas fantasiadas andando pelo metrô carioca no período do carnaval.

NOTA: 5/5

6th PAULINIA FILM FESTIVAL: Acompanhe também a cobertura especial do evento em nosso Tumblr http://bit.ly/UnivTumblr

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