Breves & Curtas #12 | VI Paulínia Film Festival

3 08 2014

Foto1369

CASA GRANDE [Brasil, 2014] – A família de Jean é muito bem estabelecida no Rio de Janeiro. A cena que abre o longa tem toda a atenção voltada para a mansão a que o título se refere e onde a família reside: com três pavimentos (todos muito bem iluminados), um espaçoso quintal equipado com externo ambiente, piscina e jacuzzi aquecida.

O jovem protagonista desfruta de todo o conforto proporcionado pelo pai. Vai ao Colégio São Bento (privado) com motorista particular, tem disponível uma generosa mesada para as baladas de fim de semana. Apesar do status social, o personagem (muito bem representado por Thales Cavalcanti) não demonstra a arrogância que muitos com a mesma realidade possuem. Um comportamento que se estende à toda família. Basta observar o amistoso relacionamento que todos possuem com os funcionários da casa.

Mas o futuro que reluz ao horizonte não parece ser promissor para eles. Algo que não está claro e nem evidente num primeiro momento, mas que vai se percebendo aos poucos. O responsável pelo disfarce é o pai, vivido por Marcello Novaes (vencedor do Menina de Ouro de melhor ator coadjuvante), que teima em esconder a crise da família e do espectador. Mas somos os primeiros a descobrir quando o mesmo anuncia, entusiasmado, seus investimentos na OGX – a famosa empresa de Eike Batista -, cujo fim todos nós já sabemos.

Um filme sobre derrocadas familiares? Sim. Mas seria injusto e superficial classifica-lo apenas desse modo. Casa Grande também é, à sua maneira, sobre a adolescência e seus problemas, representada aqui não só pelo protagonista, mas também por sua irmã.

Impressionante observar a naturalidade com que as situações são abordadas em Casa Grande a partir de seus dois principais tópicos: a crise financeira da família e a passagem pela adolescência e a maturidade de Jean. A violência no Rio, a descoberta do sexo e do primeiro amor, o convívio com os amigos, a pressão feita às vésperas do vestibular, as discussões com os pais super protetores e o esforço destes em contornar toda essa atuação sem atingir, diretamente, os filhos.

Além de melhor ator coadjuvante, Casa Grande ainda recebeu dois Menina de Ouro no VI Paulínia Film Festival: o de melhor atriz coadjuvante para Clarissa Pinheiro e o de melhor roteiro para Fellipe Barbosa e Karen Sztajnberg. E nossa menção honrosa para Thales Cavalcanti pelo trabalho apresentado, sendo essa sua primeira experiência na área da atuação e um verdadeiro achado da produção do longa.

NOTA: 4/5

SANGUE AZUL [Brasil, 2014] – O circo Netuno está de volta a ilha paradisíaca incrustada no meio do oceano Atlântico. Há muito tempo atrás essa cena se repetia e mais uma vez, o circo está ali realizando suas apresentações, mas este retorno desenterra memórias de outrora.

O primeiro ato de Sangue Azul reúne os melhores momentos do longa. Sequências em preto-e-branco, a paisagem espetacular oferecida por Fernando de Noronha, a imensidão do mar e o ruído de suas ondas fisgam a atenção do espectador de tal forma, que é até complicado determinar quando a fotografia passou a ficar colorida.

Além do reencontro com a família, o retorno de Pedro (Daniel de Oliveira, Cazuza: O Tempo não Pára e 400 Contra Um: A História do Comando Vermelho)  à ilha traz ainda outras questões muito mais fortes do que o trauma dele com o mar. Mas a montagem confusa de Sangue Azul joga contra a própria trama. A história do protagonista não ganha a força e a importância devida, pois os arcos narrativos referentes aos coadjuvantes são burocráticos e inadequadamente desenvolvidos. Por que a longa permanência na ilha iria afetar a profissionalmente a equipe do circo?

A obra de Lírio Ferreira (de Árido Movie) conquista merecidamente os troféus Menina de Ouro de melhor fotografia e de melhor figurino no VI Paulínia Film Festival. Vale a pena mencionar também as apresentações circenses existentes ao longo do filme, muito bem captadas e ensaiadas. Um acerto que se opõe a tentativa barata (e frustrada) da direção em criar polêmicas a partir de seus coadjuvantes sem propósito algum.

NOTA: 2/5

PARAÍSO [México, 2013] – Silhuetas de corpos nus em fundo branco bastante iluminado. Paraíso trata sobre o amor e o cotidiano de pessoas pouco retratadas pelo cinema em geral: as pessoas… gordinhas.

Carmen (Daniela Rincón) está abandonando a sua vida no interior do México (o paraíso de acordo com sua irmã), deixando para trás toda a sua família, a sua cadela de estimação e seu serviço de contabilidade para seguir com o seu marido, Alfredo (Andrés Almeida, de E Sua Mãe Também), para a Cidade do México onde ele foi transferido pelo banco em que trabalha.

Por tudo o que foi visto nessa dinâmica inicial, o excesso de peso nunca foi um empecilho e nem um trauma para a felicidade à dois e também nunca foi algo com que eles se preocupassem. O cotidiano deles era repleto de ‘gordo/gorda’ como, carinhosamente, um chamava o outro.

A situação muda quando, sem querer, Carmen ouve comentários maliciosos sobre eles numa festa promovida pelo banco. Aí sim, ela (mais do que ele) passa a possuir um olhar de reprovação sobre si mesma. Natural a expectativa, então, de que Carmen procurasse caminhos e meios para emagrecer. Livros de autoajuda e de dieta, academia, exercícios ao ar livre, programa comunitário de vigilantes do peso. Alfredo não compreendia a mudança repentina de comportamento da esposa, mas resolveu acompanha-la sem questionar. Prova do seu amor.

Só que surge uma nova crise entre os dois. O único a colher resultados em todo esse processo foi ele, que emagrecia cada vez mais. Carmen (que inclusive burlava o sistema de pesagem do grupo que frequentavam), além da preocupação com seu número de manequim, agora cria a ilusão de que o marido não a ama mais com a diferença de pesos existente agora.

Transitando entre a comédia romântica e a comédia dramática, Paraíso não utiliza de maniqueísmos para a construção de sua trama ou para emocionar o seu espectador numa perseguição alucinada e irracional pelo final feliz como muito se vê em filmes desse tipo. A emoção que a história atinge vem naturalmente, tanto pelo desenrolar da história como pela utilização recorrente de alguns elementos construídos que exercem, delicadamente, sua função narrativa como a árvore plantada no parque ou o peixinho que Carmen sempre admirava na casa de animais.

NOTA: 5/5





Breves & Curtas #10

1 06 2014
O que você está fazendo aí Emma Watson?! o.O

O que você está fazendo aí Emma Watson?! o.O

BLING RING: A GANGUE DE HOLLYWOOD – Só de se observar o local onde esse grupo de adolescentes se formou já é possível perceber que pouca coisa boa podia sair dessa união.

Coube a diretora Sofia Coppola (de Encontros e Desencontros e Maria Antonieta) reunir sob a sua tutela esses jovens e retratar a fútil obsessão desses: invadir a casa dos famosos em Los Angeles e roubar-lhes os pertences valiosos. Tudo para esbanjar nas festas mais requintadas  da cidade das estrelas, tudo muito à la Rei do Camarote. Bizarro ao extremo. Nem mesmo o ótimo trabalho de produção de reconstruir as mais belas mansões da cidade dos anjos (as residências, verdadeiros palácios, de Paris Hilton, Megan Fox são algumas das propriedades invadidas pelo grupo) consegue atrair um interesse maior pela trama.

Até a abordagem discreta sobre a homossexualidade de Marc (papel do novato Israel Broussard) ou a presença de Emma Watson (do pavoroso Noé) diminui o tédio que consome a história. Aliás, a eterna Hermione da cinessérie Harry Potter, não passa de uma irritante e ambiciosa jovem que tenta tirar proveito e fama de toda a situação vista aqui.  Um trabalho que nem chega perto do visto nos tempos em que estudou em Hogwarts, ou até mesmo em As Vantagens de ser Invisível.

Um projeto descartável!

NOTA: 2/5

Não é ruim. Mas também não é bom.

Não é ruim. Mas também não é bom.

EU SOU O NÚMERO QUATRO – Não demonstrou ser a bomba que parecia ser. Eu Sou o Número Quatro se beneficiou muito em criar uma atmosfera light para a sua narrativa e não se levar muito a sério. Isso fica evidente com o uso descontraído de músicas atuais como trilha na primeira metade do filme. Com direito a Adele!

Na história, John Smith (Alex Pettyfer, Magic Mike e do inédito Amor sem Fim) é um dos nove sobreviventes do planeta de Lórien que possuem as habilidades necessárias para evitar a extinção de sua espécie. Há também outros sobreviventes que são responsáveis por estes nove “salvadores”. O guardião de John é Henri, papel de Timothy Olyphant (Duro de Matar 4.0 e O Apanhador de Sonhos). A vinda desses seres para a Terra em busca de refúgio acaba sendo em vão, pois aqui continuam sendo caçados pelos chamados mogadorianos, uma raça alienígena rival, que pretende exterminá-los.

Acrescente ainda à receita a dificuldade de dominar os novos poderes que John Smith vem desenvolvendo com o tempo, o bullying no ambiente escolar, a descoberta do primeiro amor e a constante necessidade de apagar qualquer vestígio que possa revelar a existência dos sobreviventes de Lórien. Todos os clichês possíveis que se encontram em histórias de adolescentes.

O modo inocente e juvenil como é construído Eu Sou o Número Quatro torna a trama agridoce onde nada gravíssimo irá correr e onde os vilões não parecem tão maus assim (mesmo com suas quimeras). O filme tem a sua diversão e alguma dose de adrenalina, mas nada muito comovente ou desesperador.

Qualquer semelhança (ou dèja vu) com Smallville, que traz em suas temporadas a juventude de Clark Kent com dificuldades semelhantes, não será mera coincidência. Alfred Gough e Miles Millar, criadores do seriado, assinam o roteiro aqui.

NOTA: 3/5

Carey Mulligan e Ryan Gosling num ótimo filme!

Carey Mulligan e Ryan Gosling num ótimo filme!

DRIVE – Quem diria que pudesse haver tanto ódio e fúria dentro de um homem tão quieto, pacato e sereno. Ryan Gosling (O Lugar Onde Tudo Termina e Tudo pelo Poder) vive o personagem sem nome que divide a vida entre o trabalho na oficina mecânica de Shannon (Bryan Cranston, o Walter White da série Breaking Bad e Godzilla), os sets de filmagens onde exerce a função de dublê e em bicos extraoficiais, oferecendo a sua habilidade nos volantes em roubos por Los Angeles. Tudo desenvolvido com muita tranquilidade pelo solitário protagonista em seu modo de andar ou de conversar.

Irene (papel de Carey Mulligan, Não me Abandone Jamais e Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum) acrescenta um pouco de calor humano na vida do protagonista. Vizinha dele, ela e seu filho Benício, hora ou outra sempre cruzavam (no corredor ou em um supermercado) o caminho dele e essa constante acabou despertando um interesse emocional entre os dois. Um relacionamento que não foi inteiramente concretizado com a saída de Standard, marido de Irene, da prisão.

A volta de Standard (Oscar Isaac, o protagonista de Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum e Robin Hood) também trouxe consigo a violência das ruas, quando ele e sua família passam a ser ameaçados pela gangue que lhe ofereceu proteção na cadeia. Para evitar que o pior aconteça com Irene e Benício, o personagem de Ryan Gosling se dispõe a ajudar Standard a reaver o dinheiro em um assalto que não sai como o planejado e o habilidoso motorista torna-se agora o novo alvo dos bandidos.

Além de um arco narrativo conciso e eficiente dirigido pelas mãos competentes do dinamarquês Nicolas Winding Refn (que repete a parceria diretor-protagonista daqui em Só Deus Perdoa), uma personificação monstruosa (no bom sentido) de Ryan Gosling, a fotografia de Newton Thomas Sigel (da franquia X-Men) retrata brilhantemente a triste trajetória do motorista-dublê: desde o dourado do início do filme que se intensifica quando este conhece Irene, passando pelo tom azulado que as cenas adquirem com a chegada do problemático marido dela até a escuridão da noite que permeia boa parte do desfecho da narrativa. E quando a luz ensaia um retorno à vida do protagonista, isso não ocorre com a mesma intensidade de antes. Isso sem falar na escolha perfeita das canções da trilha sonora que pontuam os grandes momentos da história, assim como os acordes orgânicos e discretos, mas não menos impactantes, de Cliff Martinez (Contágio e O Poder e a Lei).

Aqui, como a própria canção A Real Hero (College) diz, o personagem interpretado por Ryan tentou ser ao seu modo um heroi real, mas ao menos conseguiu ser um bom ser humano.

NOTA: 5/5





Breves & Curtas #9: Festival É Tudo Verdade | Campinas

28 04 2014

A mais nova edição do Breves & Curtas traz a nossa cobertura especial do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade em sua itinerância por Campinas. A passagem do festival pela cidade do interior paulista e nessa semana por Brasília (de 30/04 a 04/05) e por Belo Horizonte em julho, traz os vencedores e os principais destaques produções das edições integrais do É Tudo Verdade que ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro no início do mês.

Os nossos textos durante os três dias em que estivemos na capital paulista pode ser visto nos links a seguir: dia 01, dia 02 e dia 03.

Vamos conferir agora o que vimos em Campinas:

etv2014

 

HOMEM COMUM (Brasil, 2013)  Vencedor do prêmio CPFL Energia / É Tudo Verdade: Janela para o Contemporâneo (melhor documentário brasileiro de longa/média-metragem

Utiliza das semelhanças de dois filmes – o dinamarquês Ordet (1955) e o americano Life, the Dream (2012) – para moldar o retrato de vida de um caminhoneiro e sua família durante quase 20 anos. Uma mescla interessante entre o que é real e o que é ficção.

NOTA: 4/5

SOBRE A VIOLÊNCIA (Suécia, EUA, Dinamarca e Finlândia, 2014) – Uma análise da violência a partir do colonialismo e, principalmente, quando esta surge com a descolonização. Aqui, países como Zimbábue, Moçambique, Angola, Guiné-Bissau são as grandes vítimas da opressão religiosa, militar, social e econômica dos países europeus, uma intervenção dizimadora de culturas.

Em troca de suas riquezas naturais, o povo explorado recebia miséria, pobreza, fome e desolação. Incisivo em suas denúncias, Sobre a Violência levanta outras questões interessantes: o prevalecimento de valores cristãos (tal como a supremacia do branco perante o negro) e do porquê as nações africanas não tiveram o seu devido ressarcimento tal qual as nações europeias após a expansão e extinção do nazismo no Velho Continente. Não se trata de uma questão financeira, mas sim de oferecimento de condições propícias ao próprio desenvolvimento da África: a lógica de menos comida e mais ferramentas.

O documentário de Göran Hugo Olsson ainda é corajoso em sua conclusão ao defender uma nova organização social mais humana, distanciando-se o máximo possível daquela propagada pelos europeus. Algo muito mais complexo do que a simples substituição do capitalismo pelo socialismo.

NOTA: 5/5

UM HOMEM DESAPARECE (Japão, 1967) – Um conturbado, complicado, burocrático e confuso documentário sobre uma única questão: por que, num país pequeno como o Japão, tantas pessoas desaparecem? A produção de Shohei Imamura persegue os passos de um homem que abandonando sua família e sua noiva.

A investigação tenta reconstruir os passos do desaparecido com as limitações tecnológicas da época sem nenhum registro eletrônico – seja de imagens de câmera ou de informações bancárias confiáveis.

Tudo é baseado 100% em entrevistas de testemunhas que por ventura tenham visto tal pessoa muito tempo depois dos fatos ocorridos. Um tempo o suficiente para que a memória apague qualquer detalhe mais preciso.

Embora entremos em contato com um lado desconhecido da sociedade japonesa (como a traição e a prostituição), a base da narrativa enfraquece completamente Um Homem Desaparece. Tanto pela mudança constante de foco da “investigação”, quanto pela perda de um longo tempo com discussões irritantes e banais entre acusado e acusador.

NOTA: 1/5

JASMINE (França, 2013) – Vencedor do prêmio de melhor documentário internacional de longa/média-metragem

Não foi só na política que França e Irã se relacionaram diretamente, uma vez que Paris foi refúgio do aiatolá Ruhollah Khomeini durante as Revolução Iraniana de 1979. Na mesma época e envolvendo os mesmos países está a história de amor entre o francês Alain e a iraniana Jasmine.

Para documentar esse conturbado relacionamento, que evoluiu e definhou tal como o estado político do Irã, entram em cena a leitura de cartas trocadas entre os dois, a animação em stop-motion (e seus bonecos de argila) e imagens de arquivo para registrar outra história de amor impossível. Mais uma entre tantas outras, mas contada de forma inesperada.

NOTA: 3/5

20 CENTAVOS (Brasil, 2014) – Com a transformação de celulares e smartphones em pequenas centrais de mídia, os protestos de junho de 2013 puderam ser vistos e compartilhados pelas redes sociais, onde coube a cada manifestante registrar em seu aparelho os gritos, os excessos da polícia, o vandalismo irracional de delinquentes encapuzados de uma manifestação plural e de múltiplos objetivos e interesses.

O documentário de 53 minutos de Tiago Tambelli nada mais é do que um apanhado geral dessas imagens (com uma qualidade melhor do que a de um celular), com poucos efeitos gráficos e envolto por trilha sonora. Apesar do ineditismo, de ser o primeiro produto audiovisual finalizado a menos de um ano dos protestos, a produção não acrescenta nada de novo aos olhos mais atentos que acompanharam a cobertura da mídia tradicional. Cobertura que utilizou fartamente dos aparelhos portáteis dos manifestantes.

NOTA: 2/5





Breves & Curtas #8 (Especial Oscar 2014)

22 02 2014
Tom Hanks voltando ao campo das grandes atuações.

Tom Hanks voltando ao campo das grandes atuações.

CAPITÃO PHILLIPS – Richard Phillips (Tom Hanks, de A Viagem, O Código da Vinci e do inédito Walt nos Bastidores de Mary Poppins) é um experiente capitão de uma empresa de navios cargueiros. Mesmo com os anos de profissão, a família ainda não se acostumou com essa rotina constante em que ele fica durante longos períodos fora de casa. Como um filme que se foca basicamente com os apuros do personagem de Tom Hanks em alto-mar próximo à costa da Somália, o longa reserva uma breve introdução para construir essa dinâmica familiar.

Uma vez em águas internacionais, o cargueiro pelo qual Phillips é responsável começa a ser ameaçado pelos conhecidos piratas do país africano com quem o capitão lida de todas as formas possíveis para afugentá-los até que o inevitável acontece e o cargueiro é sequestrado. Até certo ponto é irônico perceber como algo tão grande como um cargueiro pode ser tão vulnerável à dois pontos verdes e minúsculos no radar.

Tom Hanks vem de muitos projetos de qualidade duvidosa ultimamente, quer por comodismo quer por falta de opções melhores, acabavam não exigindo todo o potencial dramático que ele, Hanks, certamente possui. Isso é facilmente perceptível ao longo do filme de Paul Greengrass (também diretor de dois filmes da trilogia Bourne – A Supremacia e O Ultimato e Voo United 93), uma projeção que exige, de tempos em tempos, esse profissionalismo do veterano: seja a expressão facial de preocupação de Hanks quando seu navio é invadido ou nos outros diversos momentos de grande aflição, quando o capitão lida diretamente com os piratas.

Um dos pontos fortes do longa é a forma do desenrolar de sua ação dentro de um espaço limitado – o cargueiro – com cenas tão intensas que nem filmes com uma cidade inteira de cenário conseguem alcançar. Se isso é facilmente atingido aqui, muito se deve ao inimigo a altura que Hanks tem pela frente: o somaliano inexperiente Barkhad Abdi, indicado ao Oscar como melhor ator coadjuvante e ganhador do BAFTA pela mesma categoria no seu primeiro trabalho no cinema.

Para solucionar toda a situação o Capitão Phillips acaba caindo no estereótipo dos filmes que reafirmam a soberania e a supremacia dos EUA perante o mundo, quando a situação do capitão ganha importância internacional, merecendo uma operação militar americana à altura. Mas nada suficiente o bastante que pudesse comprometer a interessante narrativa apresentada até aqui.

NOTA: 4/5

Quando o livro é melhor que o filme. De novo!

Quando o livro é melhor que o filme. De novo!

A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS – Como é difícil a adaptação de um livro para os cinemas, não é mesmo? Como diz meu irmão, o livro é o complemento narrativo em relação aos cinemas. Embora muitas vezes a narrativa escrita venha primeiro que a cinematográfica, o primeiro contato que devemos ter com a história deve ser sempre com o filme e aí então, deveremos partir para o livro. Essa regrinha básica, se respeitada, evitará grande transtornos ao cinéfilo/leitor como o que me acometeu com a obra de Marcus Zusak.

Tudo o que o autor colocou entre as páginas de A Menina que Roubava Livros está lá no filme. Mas pelo simples fato de ter o lido (numa época que nem sabia e nem se planejava a adaptação dele para os cinemas), fez com que não funcionasse para mim. Mas pela quantidade de gente que saiu chorando ou fungando da sessão, sou um fato isolado aqui.

As passagens que considero as melhores do livro, tanto em questão de emoção ou de humor, estão no filme. Até os atores escalados (com uma única exceção que comentarei no parágrafo a seguir) para os seus respectivos personagens em momento nenhum causam algum tipo de repulsa: a menina e canadense Sophie Nélisse (O Que Traz Boas Novas) está ótima como Liesel, retratando a inocência e a coragem na medida certa da protagonista; Rudy com Nico Liersch (Blackout) continua sendo o malandro e companheiro dela como nas páginas; Hans e Rosa Hubbermann, os veteranos Geoffrey Rush (da franquia Piratas do Caribe e O Discurso do Rei) e Emily Watson (da animação A Noiva Cadáver e Cavalo de Guerra) respectivamente, não podiam ter atores melhores escalados; Ben Schnetzer (Ben’s Plan e da série Happy Town) como Max também. Inclusive os papéis menores tiveram suas escolhas acertadas. Mas afinal, o que há de errado com o filme de A Menina que Roubava Livros?

Sinceramente, não consigo responder essa questão. Logo no primeiro momento o que me causa estranheza é o narrador no filme. Todos sabem que os fatos da vida de Liesel Meminger são narrados a partir do ponto de vista peculiar da Morte. Na minha leitura, todas as intervenções pessoais que a Morte realizava no livro possuía uma voz feminina, jamais imaginei que fossem adotar uma voz masculina para esse papel. Esse grande ‘pequeno detalhe’ talvez seja o crucial para a minha experiência negativa com o filme.

Se já não estava comprando a história mostrada ali vem um aspecto que considero vergonhoso e que o filme não merecia: como pode um produto vendido aos quatro ventos como uma produção do mesmo estúdio de As Aventuras de Pi ser concluído com efeitos especiais tão mesquinhos? Principalmente na parte final com os ataques de bombas, os efeitos delas (ridícula a forma como um caminhão é explodido) são terrivelmente amadores. Isso porque o filme se beneficia do fato da presença de todos os personagens (com a exceção de Max) estarem no porão e a abordagem das explosões serem apenas a partir de efeitos sonoros. Inadmissível!

Posso afirmar então que o problema de A Menina que Roubava Livros seja a junção de dois fatores: um que afeta todos que o assistem que são os efeitos visuais muito aquém para os padrões atuais do cinema e outro, que afeta diretamente quem já leu o livro (e variará de pessoa para pessoa), que é a falta de um pouco de magia e encantamento da história que se perdeu durante a sua adaptação. Mas confesso: é uma pena que isso tenha acontecido!

NOTA: 2/5

Ocupando a vaga de outro filme melhor na categoria de melhores filmes

Ocupando a vaga de outro filme melhor na categoria de melhores filmes

PHILOMENA – Philomena é de longe, um dos filmes mais fracos dos indicados ao Oscar de melhor filme esse ano. Menos por sua história e mais pelo sério problema de ritmo que sua narração apresenta. A personagem que dá título à trama teve duas grandes infelicidades em sua adolescência na Irlanda: primeiro, estudar em um internato de freiras e segundo, ficar grávida durante esse período.

Devido às aventuras carnais, Philomena (Judi Dench, esteve presente nos últimos sete (!) filmes de James Bond e Notas sobre um Escândalo) foi devidamente castigada pelas irmãs, sofrendo barbaridades durante o complicado parto que teve sem auxílio médico algum, trabalhando sem remuneração durante sete dias por semana até que se vê permanentemente separada de seu filho ao ver este ser adotado sem o seu consentimento. Fato que escondeu durante 50 anos.

O longa passa a acompanhar a busca, por três países, de uma mãe pelo paradeiro do filho cinquenta anos depois de seu nascimento com o auxílio do jornalista em crise Martin Sixsmith (Steve Coogan, Trovão Tropical e A Festa nunca Termina) em soube do caso por intermédio da filha dela Jane (Anna Maxwell Martin, de Amor e Inocência). Nessa trajetória que Philomena tem os seus maiores problemas. Nem o característico humor britânico consegue melhorar a interação de Judi Dench (com uma atuação mediana que nem de longe lembra a carismática agente M dos filmes de James Bond) com Steve Coogan, que não convence em momento algum com o seu personagem. Quando os poucos flashbacks – onde Sophie Kennedy Clark (Ninfomaníaca e Sombras da Noite) vive Philomena em sua fase jovem) – se tornam mais interessantes que a narrativa principal é justamente porque alguma coisa está errada.

E olha que a história poderia muito bem render um filme melhor até pelas características que possui e pelas denúncias que evidencia, onde emocionaria facilmente o seu espectador, mas não consegue fazê-lo. De aproveitável mesmo é a atitude de Philomena em sua conclusão, uma escolha muito mais cristã do que aquelas que juraram fidelidade, se declararam servas e viveram única e exclusivamente em nome de um ser superior.

NOTA: 2/5





Breves & Curtas #7

8 02 2014
A insanidade de uma torcida fanática resultado num excelente drama!

A insanidade de uma torcida fanática resultado num excelente drama!

 

HOOLIGANS – Se arrependimento matasse, não estaria aqui para escrever sobre Hooligans, dirigido e roteirizado pela pouca conhecida Lexi Alexander (O Justiceiro: Em Zona de Guerra e Lifted), que nos entrega uma grata surpresa com uma surpreendente história.

A narração acompanha a entrada de Matt Buckner (Elijah Wood, o Frodo na trilogia O Senhor dos Anéis e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças) na cruel e violenta torcida organizada do West Ham após ser expulso, injustamente, da faculdade de jornalismo em Harvard. Assim, vê-se obrigado a mudar para a casa da irmã Shannon Dunham (Claire Forlani) em Londres, residência em que mal permanece após frequentar os jogos do West Ham ao lado do problemático Pete Dunham (Charlie Hunnam, Círculo de Fogo e Son’s of Anarchy), irmão de seu cunhado.

Sem apoio familiar para confortá-lo dos seus problemas, Matt vê na figura de Pete e ainda mais na torcida organizada do West Ham, a Green Street Elite (GSE), uma visão completamente distorcida de companheirismo que jamais obteve de seu pai, Carl Buckner (Henry Goodman, Aconteceu em Woodstock e Um Lugar Chamado Notting Hill), jornalista sempre ausente na vida do filho. Aquele jovem aflito e até certo ponto, inocente, vindo dos EUA passa a frequentar um mundo violento e sangrento nos arredores dos estádios ingleses, onde brigas fúteis na rua são mais importantes do que os resultados conquistados entre as quatro linhas do campo.

A conjunção de dois fatores, no entanto, resultam no surpreendente desenvolvimento da trama: a descoberta da ‘profissão’ de Matt num ambiente onde jornalistas são odiados e o descontentamento de certos integrantes da GSE com a direção exercida por Pete, que herdou do seu irmão Steve Dunham (Marc Warren, O Procurado e Hogfather) o comando da torcida, assim como a fúria descomunal de seus arqui-rivais que buscam se vingar de um trágico acidente do passado. Aqui Hooligans atinge o seu ápice numa emocionante sequência de desdobramentos, onde praticamente todos os seus personagens estão envolvidos.

Apesar de toda a irracionalidade enraizada em todas essas torcidas organizadas é notável o amadurecimento do personagem de Elijah Wood nesse processo, onde o mesmo reconhece que essa experiência mudou radicalmente a sua personalidade, as suas atitudes e seu estilo de vida. O único proveito de tudo isso mesmo foi a coragem de enfrentar aquilo que alterou a jornada de sua vida para de encontro à esses tristes acontecimentos.

NOTA: 5/5

Curiosidade –> O ator Terence Jay, que interpreta Jeremy Van Holden, colega de quarto de Matt em Harvard e responsável pela expulsão deste da instituição, é quem canta a linda música One Blood ouvida ao fundo na sequência da briga final mostrada no filme. Clique aqui para ouvi-la e ter acesso a letra!

O mal abordado pela franquia Atividade Paranormal é uma herança de família.

O mal abordado pela franquia Atividade Paranormal é uma herança de família.

ATIVIDADE PARANORMAL 2 – A franquia abandona o seu “ar amador” do primeiro longa para um verdadeiro reality-show nessa sequência que se passa cerca de dois meses antes dos acontecimentos envolvendo o terror vivido por Micah e Katie no primeiro filme.

Se antes um casal documentava  os estranhos acontecimentos em sua residência, agora uma casa inteira é monitorada em vários ângulos, em seus ambientes internos e externos. Saem duas pessoas e entra uma família inteira: os Reys, sua governanta e a pastora alemã deles. Para manter a aura de franquia construída no filme original, quem constitui família com Daniel Rey (Brian Boland, A Morte de George W. Bush e Alma Perdida) e sua filha Ali (Molly Ephraim, da série Last Man Standing) e Kristi (Sprague Grayden, da série Jericho e do filme The Last Lullaby) , irmã de Katie do primeiro Atividade Paranormal. Dessa união nasce Hunter Rey, o recém-nascido por quem a encarnação do mal está obcecada agora.

Dos três anos que separam o primeiro do segundo filme pouca coisa se alterou, o modus-operandi da narrativa permanece o mesmo (só que envolvendo agora mais pessoas): um início documental falso,  a descrença do marido, a evolução gradual das sequências de terror que vai de objetos se moverem sozinho até alguém ser arrastado escada abaixo e passar a ser a personificação concreta do mal.

Nem o fato de o alvo da vez ser uma criança é capaz de criar alguma angústia válida. Se a história não consegue fazer jus à alcunha do gênero de terror, a explicação para os acontecimentos vistos aqui soa ainda mais simplista e pouco satisfatória e só piora quando se descobre que a ‘maldição’ pode ser transferida para outrem (desencadeando os acontecimentos do longa de 2007) como um objeto qualquer.

Atividade Paranormal 2 acaba se tornado aqueles brinquedos radicais, mas feitos para crianças: é feito para tal propósito (o de assustar), mas só consegue fazê-lo com os mais inocentes.

NOTA: 2/5

AA0052-003-r-8x10-jpg_155059

Um documentário-show para o One Direction chamar de seu

ONE DIRECTION – THIS IS US – Liam Payne. Zayn Malik. Niall Horan. Louis Tomlinson. Harry Styles. Para muita gente seja muito provável que esses cinco nomes não queira dizer muito. Mas tais nomes deixam ensandecida outra mesma quantidade de fãs ao redor do mundo, fãs loucas pelo One Direction, um dos maiores sucessos da música pop atual, quando resolveram resgatar o formato das boy band.

As histórias de Liam, Zayn, Niall, Louis e Harry ganham o formato de documentário nas mãos do diretor Morgan Spurlock (Super Size Me – A Dieta do Palhaço) que tem a responsabilidade de levar para a telona os caminhos que cada um desses integrantes trilhou até chegar ao estrelato mundial.

Para tanto, Morgan usa a turnê mundial realizada pelo grupo One Direction como pano de fundo para apresentar o passado menos popular dos cinco integrantes em suas respectivas famílias, assim como a participação deles no reality-show britânico The X-Factor, onde coube ao jurado Simon Cowell (que exerceu a mesma função no American Idol) juntá-los em um mesmo grupo e catapultá-los para a fama.

Enquanto as maiores casas de espetáculos e estádios dos países por onde passavam eram ocupados pelo 1D e sua ode de fãs, os bastidores eram captados pelas lentes do documentário. Entre um embarque e uma partida em um avião pela face da Terra, grandes sucessos da banda como What Makes You Beautiful, Little Things, Live While We’re Young e One Thing ganhavam as suas versões compactas de vídeo.

A parte de toda euforia e badalação resultantes do sucesso, um lado mais solitário de cada um deles é apresentado nos momentos em que a agenda do grupo reserva-lhes uma pausa dos shows. E o que menos se espera de uma obra dessa estirpe é se emocionar com os depoimentos das famílias (especialmente dos pais) que, de certa forma perderam os seus filhos, literalmente, para o mundo. Independentemente da aprovação ou não de suas músicas, torço para que a filosofia de vida que cada um deles afirma ter, não seja apenas uma declaração jogada ao vento e seja realmente praticada por eles. Se isso não garantir um sucesso duradouro para o One Direction, pelo menos os tornarão pessoas melhores.

NOTA: 4/5





Breves & Curtas #6

11 01 2014

Ano novo, ideias novas. Para manter o Universo E! sempre com postagens pelo menos uma vez a cada quinze dias, decidimos repaginar a edição do Breves & Curtas, que era destinado a pequenas notas e notícias sobre o cinema (cuja última edição foi postada em 2010) e adaptá-lo para resenhas sobre diversos filmes existentes, sem se apeguar ao fato de ser estreia, recente ou não.

Aqui tudo será válido: filme em DVD/blu-ray, nos cinemas, na Netflix, ou se estiver apenas disponível internet a fora. Cada edição trará três longas com a minha opinião e sua respectiva nota. Me parece ser um formato promissor dada a minha empolgação e espero que vocês aproveitem para discutir, comentar, opinar e discordar, afinal esse espaço também é de vocês.

Boa leitura!

Zelando pela boa noite de sono do namorado!

Zelando pela boa noite de sono do namorado!

ATIVIDADE PARANORMAL – Depois de muito tempo finalmente tive a oportunidade de conferir o primeiro longa dessa já famosa franquia do cinema de terror. A opinião daqueles que conheço e o tinham visto estava bem dividida: alguns se apavoraram com esse exemplar e outros não sentiram tanto pavor assim.

Tenho que concordar com esses últimos. Mas acrescento que não podemos deixar de elogiar a eficácia que esse primeiro Atividade Paranormal carrega consigo. Primeiro pelo casal de atores (os novatos Katie Featherston e Micah Sloat) que convencem como duas pessoas próximas entre si, que possuem um cotidiano em comum, convencimento que se estende ao ponto de ambos emprestarem os seus nomes reais aos seus respectivos personagens. Segundo, pela decisão do inexperiente (até então) diretor Oren Peli (responsável pelo roteiro do igualmente eficiente Chernobyl: Sinta a Radiação) em abandonar as características comuns dos filmes, optando por excluir os créditos iniciais e finais aqui, aproximando essa obra de ficção da realidade.

Com seus defeitos ao não explicar o motivo pelo qual o casal vive completamente isolado – isolamento pelo qual a narrativa se beneficia – e suas virtudes, ao moldar as características da “criatura” da vez num crescente de terror e ação entre sons e imagens, Atividade Paranormal não chega a ser um épico e singular exemplar do terror, mas funciona o suficiente para ocupar um lugar de destaque do gênero (repleto de porcarias) em desencadear uma franquia em massa nos cinemas. Espero apenas que a quantidade não resulte na queda de sua qualidade, tal qual Jogos Mortais.

NOTA: 4/5

Chama o Dexter, tenente Debra Morgan.

Chama o Dexter, tenente Debra Morgan.

QUARENTENA – Bebeu a água da mesma fonte de Atividade Paranormal. Um enredo sombrio contado do ponto de vista de uma câmera, mas não convence como o filme que o inspirou. Dessa vez é uma matéria sobre o dia-a-dia do Corpo de Bombeiros de Los Angeles para a TV que é a espinha dorsal da narrativa. Na frente da câmera temos a repórter Angela Vidal que está guiando a narrativa para o espectador, papel da eterna irmã de Dexter, Jennifer Carpenter (que também pode ser vista em O Exorcismo de Emily Rose).

Numa das ocorrências, as equipes de bombeiro e de reportagem, chegam a um edifício onde gritos aterrorizantes assustam os seus moradores. No local, uma senhora revela ser o motivo de tanta preocupação onde, inesperadamente, ataca um dos policiais que atendiam a ocorrência. Com a mesma rapidez, o Centro de Controle de Doenças americano isola o prédio do ambiente externo, entregando os seus ocupantes à lenta e certeira morte.

O maior defeito de Quarentena é que seu roteiro não consegue embasar a sua premissa apresentando-nos uma narrativa falha e colocando uma pesquisa de um veterinário como responsável por todo esse caos não é o suficiente, assim como outras ações e atitudes de seus personagens não condizem com a realidade ou com o quê se esperava de alguém numa situação dessas, sem citar os vários clichês onde a grande maioria do elenco se entrega ‘inocentemente’ às criaturas vis.

De bom temos as performances dos atores. Jamais imaginei que Jennifer Carpenter pudesse tremer e gritar tanto, assim como Jay Hernandez (O Albergue e O Pagamento Final: Rumo ao Poder) que sempre se sai bem em seus muitos papéis coadjuvantes ou o experiente Doug Jones (O Labirinto do Fauno e Hellboy) que se especializou (tal como Andy Sarkis) em dar vida digital a criaturas nada bonitas.

NOTA: 2/5

oterminal

É, a vida não tá fácil Hanks.

O TERMINAL – Viktor Navorski (Tom Hanks, O Código da Vinci e À Espera de um Milagre) teve a infelicidade de chegar aos EUA justamente quando seu país fictício do Leste Europeu, Krakozhia, sofre um terrível golpe de estado e entra numa grande crise diplomática onde passa a não ser reconhecido pelo governo americano. Resultado: Navorski fica impedido de entrar em solo americano, sendo obrigado a vagar pelo salão internacional do aeroporto JKF até que sua situação seja resolvida. Só que não tão rápido quanto se esperava.

Durante os nove meses em que fixou, forçadamente, residência no aeroporto, Navorski improvisou um curso instantâneo de inglês, idioma que não dominava causando-lhe grandes dificuldades e proporcionando divertidas cenas. Criou novas amizades com os trabalhadores do local, auxiliando-os e sendo auxiliados por eles a todo instante. Tornou-se um grande empecilho para Frank Dixon (Stanley Tucci, da franquia Jogos Vorazes e O Diabo Veste Prada) que se aproximou e muito de uma promoção a diretor responsável pelo gerenciamento de segurança do aeroporto, o que não ocorreu por não saber lidar com o peculiar caso do cidadão de Krakozhia. Mal sucedido no campo profissional passa a alimentar uma vingança infantil contra Viktor.

Entre as muitas idas e vindas dos passageiros, Navorski se apaixona por uma comissária de bordo, interpretada por Catherine Zeta-Jones (Chicago e Doze Homens e Outro Segredo), que tal como a inconstante rotina de seu trabalho apresentava uma tumultuada vida amorosa, que nem os conselhos e o interesse de Navorski foram capazes de modificar o seu comportamento.

Mesmo com um fraco anti-herói cuja motivação para atrapalhar a vida do protagonista soa mais como uma rixa entre crianças, O Terminal constrói um fascinante cotidiano de um aeroporto real, com grandes planos abertos que descrevem esse ambiente amplo (mas fechado) e com diversos personagens coadjuvantes cujas histórias inevitavelmente cruzam com a do protagonista, ao mesmo tempo que cria uma poderosa verossimilhança para a situação narrada ao abrir oportunidades para acompanhar os bastidores de um aeroporto muito semelhante à um shopping center. Isso sem levarmos em conta o evidente carisma de Tom Hanks nos idos de 2004, que dá traços marcantes e simpáticos a esse atrapalhado cidadão sem país, em busca da realização de um sonho pessoal que nem o inesperado cativeiro num saguão de aeroporto foi capaz de impedir.

NOTA: 4/5





Breves & Curtas #5

14 01 2010

FUTURAS PROMOÇÕES, PÉSSIMAS NOTÍCIAS PARA HOMEM-ARANHA, ESTREIAS, GLOBO DE OURO 2010… AGORA EM BREVES & CURTAS

PROMOÇÃO – O Universo E! promoverá em breve um concurso que irá presentear nossos leitores com vários itens de entretenimento. Os moldes da promoção aindam está em fase de criação pela competente equipe do blog – isto é, EU! Coisa simples, só para criar um pequeno rebuliço por aqui.

PROMOÇÃO 2 – Só para adiantar: o primeiro item – será uma edição do livro O Código da Vinci de Dan Brown. Dependendo da participação, posso acrescentar um DVD para um segundo colocado ou mesmo deixá-lo como outro prêmio para o próximo evento.

sdexterSUSTO EM DEXTER – A homepage do UOL (a direita) deu um grande susto ontem. Felizmente, porém, o câncer que aflige o ator Michael C. Hall, protagonista de Dexter “[…] um linfoma de Hodgkin, é tratável e curável”, informa a nota do portal.

Uma ótima notícia depois do susto dado pela chamada da primeira página. E o tratamento não deve atrapalhar em nada o cronograma de filmagens da quinta temporada da série em meados desse ano.

 

GLOBO DE OURO 2010 – A grande premiação da televisão e a primeira do cinema norte-americano. Os indicados você confere no post especial dedicado ao Globo de Ouro em breve aqui no Universo E!. E lembrando que essa 67ª edição, marcada para esse domingo (dia 17) terá cobertura completa aqui no blog.

HOMEM-ARANHA 4 – E vamos recomeçar do zero de novo… É isso que aflige qualquer cinessérie (ou seria cine-série?) de super-herói. E é isso que está ocorrendo com a franquia de Homem-Aranha. Peças centrais da trilogia do aracnídeo já dançaram. E as especulações estão só começando.

1º) Tobey Maguire, que interpretou com grande verossimilhança o Home-Aranha nos três longas anteriores, já não será mais o ator principal. A essa altura do jogo (sem definições por enquanto), a substituição cotada para a vaga está para Robert Pattinson (da saga Crepúsculo). Uma notícia horripilante para uma franquia muito bem conduzida e finalizada.

2°) Cadeira do diretor também está desocupada. O competente Sam Raimi (do não tão bom Arraste-me para o Inferno) está fora do próximo longa do herói. Estão pensando em Mark Webb ( do agradável (500) Dias com Ela) para gritar AÇÃO em Homem-Aranha 4. Um bom diretor, mas não para este tipo de filme.

Duas notícias desanimadoras para fãs e admiradores. E que não passe apenas de boato de mau gosto.

RECUPERAÇÃO PROGRESSIVA – Vítima de um grave acidente de carro há quase um mês atrás (19 de dezembro de 2009), Fábio Barreto, diretor de Lula, Filho do Brasil (em cartaz nos cinemas) continua internado no Hospital Copa D’Or no Rio de Janeiro e, felizmente, vem tendo uma gradativa recuperação: Barreto já saiu (dia 12) do estado de coma em que estava desde que fora internado e já começa a responder a estímulos médicos.

Ainda de acordo com equipe médica do hospital não há previsão de alta médica para o cwherethewildthingsare_03ineasta.

SEXTA-FEIRA, DIA DE CINEMA – E para finalizar mais uma edição de Breves & Curtas, uma  pequena lista do que você pode encontrar de estreia nessa sexta, dia 15, nos cinemas, para compensar a ausência da tradicional coluna de Universo E! , ‘Nos Cinemas’ de janeiro : as comédia Uma Mãe em Apuros com Uma Thurman e A Mente que Mente com John Malkovich e Tom Hanks interpretando ao lado de seu filho, Colin Hanks; você encontrará ainda Eva Mendes, Nicolas Cage e Val Kilmer no policial Vício Frenético e a aguardada fantasia Onde Vivem os Monstros.

 





Breves & Curtas #4

21 09 2009

BREVES & CURTAS MUSICAL COM MICHAEL JACKSON, LUA NOVA E MUITO MAIS…

UMA PALHINHA… – … do que podemos esperar com o lançamento do documentário sobre a turnê ‘This It It‘ que Michael Jackson faria se não viesse a falecer.

http://www.movieweb.com/video/VIKf7SKSdki9NS

A cada nova cena divulgada desse documentário, eu fico mais intrigado de como Michael Jackson pode vir a ter um ataque cardíaco? Assim do nada? Toda a disposição que vemos de MJ nesses dois vídeos já divulgados corrobora para a tese já divulgada dos analgésicos e tranquilizantes.

É uma pena tê-lo visto partir tão cedo. Decepcionante!

DIRETO PARA O MP3 – Informação obtida através do site Cinema em Cena. A seguir a lista das músicas que farão parte da trilha sonora de ‘Lua Nova‘, o segundo filme da saga Crepúsculo:

– “Meet me on the Equinox”, por Death Cab for Cutie
– “Friends”, por Band of Skulls
– “Hearing Damage”, por Thom Yorke
– “Possibilty”, por Lykke Li
– “A White Demon Love Song”, por The Killers
– “Sattelite Heart”, por Anya Marina
– “I Belong to You”, por Muse
– “Rosyln”, por Bon Iver & Sr. Vincent
– “Done All Wrong”, por Black Rebel Motorcycle Club
– “Monsters”, por Hurricane Bells
– “The Violet House”, por Sea Holf
– “Shooting the Moon”, por Ok Go
– “Slow Life”, por Grizzly Bear
– “No Sound but the Wind”, por Editors
– “New Moon”, por Alexandre Desplat

Ainda de acordo com o site Cinema em Cena, a trilha sonora estará a venda a partir de 20 de outubro. Um mês antes da estréia mundial do longa programada para 20 de novembro.

REPRESENTANTE BRASILEIRO – O ainda inédito ‘Salve Geral‘ será o representante do Brasil para a indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Com direção de Sérgio Rezende, o longa retrata o dia de terror que o estado de São Paulo viveu no Dia das Mães de 2006, quando o Primeiro Comando da Capital (PCC) se rebeleu por todo o estado paulista.

Será que já podemos o considerar como o ‘Tropa de Elite‘ paulista?

Se vier a concorrer, poderemos torcer por ‘Salve Geral‘ na cerimônia de entrega do Oscar 2010 marcada para 07 de março de 2010.

CAIU NA REDE É PEIXE – A nova série do canal americano ABC, ‘FlashForward’, teve o seu primeiro episódio vazado para a internet. Considerada lá fora como a nova ‘Lost’, FF estreia apenas nessa quinta-feira nos EUA.

Só não se sabe se isso foi um descuido ou foi de propósito. Afinal até o canal pago Showtime faz questão de ‘vazar’ o primeiro episódio de ‘Dexter’, transmitido pelo canal. Ocorreu com o 1º episódio da 3ª temporada e agora com a première da quarta cuja estreia ocorre apenas no último domingo de setembro, dia 27.

NIGÉRIA SEM DISTRITO – O inédito ‘Distrito 9’ foi proibido de ser exibido em todo o território nigeriano. Com produção de Peter Jackson (trilogia de ‘O Senhor dos Anéis’, ‘King Kong’), o longa definido como ‘ficção científica com favela movie’ pelo jornal Folha de São Paulo, retrata os nigerianos como selvagens e canibais. Motivo mais que o sufciente para o governo de lá banir a sua exibição pública.







Breves & Curtas #3

9 09 2009

thisisit_01

UM MILHÃO – ‘Os Normais 2’ supera a marca de um milhão de espectadores nos cinemas brasileiros, também entrando para o bom ano da comédia brasileira no quesito público.

O REI DO POP – O documentário que contém as últimas imagens de Michael Jackson nos preparitivos da turnê ‘This Is It’ ganhou um cartaz (ao lado). A exibição do documentário que possui a direção de Kenny Ortega (também responsável pela direção do show) tem exibição reservada de duas semanas a partir do dia 28 de outubro nos EUA. Por aqui, ainda não está nada confirmado…

VIGGO MORTENSEN – Está de volta num filme pós-apocalíptico com estréia marcada para 05 de fevereiro de 2010, ‘A Estrada’. Muito tempo depois da estréia (em 25/11) nos EUA. O longa conta também com a participação de Charlize Teron.

O HOBBIT – Herdeiros de Tolkien e estúdio responsável pela realização do filme – New Line Cinema – entram em acordo judicial quanto a termos financeiros. Ou seja, sinal verde para as filmagens dos dois longas que serão adaptados a partir do livro ‘O Hobbit’ de J. R. R. Tolkien e precedem a história encenada na trilogia do anel.





Breves & Curtas #2

23 07 2009

NAS MARAVILHAS – Essa mais nova edição do breves & curtas traz a mais nova produção de Tim Burton pela Walt Disney: Alice no País das Maravilhas, com toda a excentricidade (mais uma vez) de Johnny Depp como o Chapeleiro Maulco.

Estreia em abril de 2010.

REI DO POP – A detentora dos direitos das imagens do ensaio “This is It”, a AEG Entertainment, negocia com os grandes estúdios de Hollywood as gravações dos últimos passos de dança de Michael Jackson para a produção de um documentário.

Fox, Paramount, Universal e Relativityestão no páreo das negociações, mas é a Sony (que já possui o direito das músicas de Michael) que está mais próxima de produzir o documentário. O valor ronda a casa dos US$ 60 milhões.

A direção ficará por conta de Kenny Ortega (trilogia High Schol Musical), que seria responsável pela nova turnê de Michael.








PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2019

Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Site com atividades e informações sobre a associação que reúne profissionais da crítica cinematográfica de todo o Brasil

Sinfonia Paulistana

um novo olhar

%d blogueiros gostam disto: