Lorde ecoando nos cinemas

30 09 2014

Quem tem o (ótimo) hábito frequente de ir aos cinemas pode começar a notar uma constante ecoando pelo sistema de som das salas: a voz de Lorde.

A jovem cantora neozelandesa de apenas 17 anos emplacou uma música, ano passado, na trilha sonora de Jogos Vorazes – Em Chamas: a regravação de ‘Everybody Wants to Rule the World’, uma versão dark do clássico de 1985 do grupo Tears for Fears.

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Se a saga de Katniss em Jogos Vorazes faz bem à carreira de Lorde; Jogos Vorazes se beneficia e muito com o talento de Lorde, ao ponto da cantora ser a grande responsável pela curadoria do álbum de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 com estreia marcada aqui no Brasil para o dia 20 de novembro.

O trabalho já rendeu resultado. Lorde divulgou essa semana a primeira música dessa coletânea: ‘Yellow Flicker Beat’, de sua autoria, que será a canção-tema do novo longa. A trilha sonora completa será disponibilizada dois dias antes da estreia por aqui, no dia 18/11.

Para comprovar o seu talento, Lorde ainda conseguiu emplacar o seu sucesso da trilha de Em Chamas no trailer do novo Drácula: A História Nunca Contada, que chega aos cinemas dia 16 de outubro. Essa menina tem ou não tem onipresença?

TRAILER – DRÁCULA: A HISTÓRIA NÃO CONTADA

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ANÁLISE: De Menor

28 09 2014

FILME VISTO DURANTE A 1ª SEMANA TUPINIQUIM CINEFLIX 

Helena retorna para casa após mais um momento de curtição na praia. Na residência à venda está Caio (Giovanni Gallo, mais conhecido por ser um dos protagonistas da série Pedro e Bianca da TV Cultura), seu irmão mais novo de 16 anos, pelo qual ela ficou responsável devido à perda de seus pais. Num primeiro momento, De Menor foca na relação extremamente carinhosa entre os irmãos com direito a brincadeiras inocentes na praia, a cafunés na cozinha e no sofá e abraços afetuosos.

Helena (Rita Batata, Não por Acaso e O Magnata) é uma defensora pública que lida diariamente com menores infratores na cidade de Santos om perfis extremamente opostos ao de seu irmão. Há aquele que não tem a presença de nenhum dos pais por perto e não possui vida escolar, mas faz luzes no cabelo e tem um braço todo coberto por tatuagens; há aquela menina grávida que pretende ter o filho na rua por não aceitar ficar em abrigos e nem retornar para a casa da mãe e há outros que cometem infrações de menor potencial ofensivo.

Ter um adolescente sob sua responsabilidade faz com que Helena tenha muito mais proximidade e compaixão com aqueles que sentam no banco de réus da Vara da Infância e Juventude. Natural também que sua atuação nessas audiências seja sempre mais branda do que a de seus nobres colegas julgadores. O seu comprometimento com trabalho a leva, inclusive, a procurar a mãe de um deles em São Paulo (e ajuda-la financeiramente) para que ela compareça na audiência na cidade litorânea.

O que Helena jamais esperava é que uma das audiências que já está tão acostumada a presenciar seria com o seu irmão. Caio enganou muito bem, tanto a irmã quanto o público. Jamais esperávamos que o mesmo garoto de danças psicodélicas debaixo do chuveiro, consumidor de bolachas recheadas e autor de beijos carinhosos em sua irmã advogada fosse se enveredar pelas trilhas do crime. Se a primeira vez em que é visto algemado na delegacia surpreende, a segunda vez em que é preso já não causa tanta surpresa. Nem mesmo a gravidade do crime dessa vez: assalto a mão armada.

Com uma dupla de protagonistas que constroem personagens e situações verossímeis com atuações tão evidentes por closes frequentes, De Menor apresenta também um competente Caco Ciocler (do divertidíssimo 2 Coelhos e Meu Pé de Laranja Lima) no papel de juiz. O ator veterano consegue se destacar não só pela compreensão ao conduzir suas audiências, mas também por demonstrar sua autoridade em momentos em que não surge em tela, trazendo a firmeza de seu personagem apenas com a voz.

Dolorido presenciar o processo de desconstrução que Helena faz da imagem de seu irmão conforme vai descobrindo fatos que ele ocultava em sua própria investigação. Dói vê-la vasculhar o quarto dele em busca de algo que tivesse passado despercebido, fazendo com que não tomasse providências anteriormente. Uma ferida interna crescente após a tamanha responsabilidade que passou a ter em mãos de repente, ao ter um adolescente para educar e criar, sem a maturidade suficiente para tanto.

De Menor é um desses filmes que não precisam de muito para ser mostrar a que veio. A simplicidade de seu roteiro e de sua montagem não deixa a desejar, mas sim só a valorizar, por convencer com muito pouco. A defensora pública agora com o próprio irmão recolhido em uma Fundação Casa agora terá que reencontrar forças para continuar a vida, que dia após dia, não vem se revelando fácil para ela. E por mais que Helena pareça não sucumbir a essa pressão, a cena que encerra o longa, com ela encolhida numa banheira mostra o quanto ela já está sofrendo com tudo isso.

NOTA: 5/5





ANÁLISE: O Homem das Multidões

27 09 2014

FILME VISTO DURANTE A 1ª SEMANA TUPINIQUIM CINEFLIX

Uma multidão lá embaixo; muitos pedestres e o som conjunto de todas as suas vozes chegam ao mesmo tempo até a sacada do apartamento. O pátio de manobras do metrô em Belo Horizonte. Uma simetria ocorre na tela com um trilho em meio a duas composições de trens prontos para entrarem em operação. Em duas cenas iniciais, a direção conjunta de Marcelo Gomes (de Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo e Cinema, Aspirinas e Urubus) e Cao Guimarães (diretor em Rua de Mão Dupla e editor em A Festa da Menina Morta) resume rapidamente a vida do homem das multidões. Uma tarefa fácil porque não há muito que se falar dele.

Maquinista na capital de Minas Gerais – uma profissão por si só reclusa -, Juvenal (o novato Paulo André) tem uma vida inacreditavelmente solitária e monótona que se resume ao trabalho, ao vagar pela população sem rumo e à sua casa. No meio da multidão belo-horizontina, nem se pode dizer que ele esteja inserido, tamanha a sua invisibilidade. Nas calçadas e logradouros públicos ele está presente e ao mesmo tempo ausente. Ele sobe e desce as escadas rolantes das estações sem ser notado. Observar a operação noturna dos trens em BH é um estranho passatempo e o máximo de interação que consegue ter com os seres humanos que o cercam é o esboçar um sorriso a partir de uma gargalhada alheia.

Impossível que o convívio mútuo entre funcionários gerado pelo ambiente de trabalho não o fizesse criar um vínculo de amizade sequer. Assim, proveniente de uma iniciativa maior dela, Juvenal conhece a sua versão feminina interpretada por Sílvia Lourenço (de Bicho de Sete Cabeças e O Cheiro do Ralo). Margo só não possui o mesmo nível de isolamento crônico dele por manter contatos virtuais pela internet. Frios, mais ainda assim contatos. Até seu noivado é fruto de acessos a sites de relacionamento. Mas a inabilidade nata com o contato humano, com a conversa tête-à-tête é igual para os dois.

A dinâmica na amizade entre eles é peculiar, pois ambos têm a dualidade ausente-presente muito forte. Um está ao lado do outro, mas não há tato algum; as palavras no que, na prática, seria uma conversa são raríssimas. Tantas coisas em similaridade que acabou resultando nessa “amizade”, capaz de convencê-lo do improvável e tornar Juvenal padrinho de casamento dela. A maior aventura da vida dele foi ter dormido uma vez na cabine de maquinista, disparando o sistema de segurança do trem.

Assim, a história dos dois é mostrada e contada, mesmo que ela não vá para lugar algum e nem apresente nada de extraordinário. Nada se modifica e tudo permanece o mesmo. Muitas vezes até a câmera, imóvel e observadora, parece não reconhecer os personagens principais, onde o foco aponta para uma direção qualquer e de vez em quando temos a sorte (ou azar) de vê-los no enquadramento.  Com um modo de viver tão limitado e sem ambições, O Homem das Multidões ainda impõe limites ainda maiores ao adotar o incomum aspecto de vídeo 1×1: um buraco quadrado na tela do cinema.

A vida cotidiana natural e crua, em sua absoluta maioria, não apresenta nada de extraordinário que possa render uma história adaptável para o cinema. Mas, por outro lado, esse mesmo cinema não pode (e nem deve) se limitar a essa ou àquela história, afinal é sua liberdade criativa e inventiva (como o citado aspecto de vídeo) que o torna tão fascinante.

O Homem das Multidões possibilita questionamentos sim, ainda mais se tratando de algo que, se ainda não o é, virá a ser uma tendência a partir do crescente número de pessoas morando sozinhas e adotando o estilo solteiro de se viver. Mas torço para que essa preferência signifique uma vivência dinâmica, efervescente e pulsante, dada a sua liberdade, e não em algo mecânico, vazio e óbvio como o retratado aqui. É esse sentimento agridoce que o longa nos acomete. Levanta questões de grande interesse filosófico inerente ao homem e à sociedade atual. Mas em determinados essas divagações passam a extrapolar o limite da sala de cinema e aí temos que redobrar a nossa atenção e voltar o foco para a projeção. Se o filme deixa isso ocorrer alguma coisa está errada nele e aí opto pela visão daqueles que sempre consideram o copo meio vazio.

NOTA: 2/5





1ª Semana Tupiniquim Cineflix | programação

24 09 2014

Começa nessa quinta (25/09) e vai até a próxima quarta-feira (01/10) a 1ª Semana Tupiniquim do Cineflix. Uma programação especial composta por 8 filmes nacionais que representam a excelente safra da produção cinematográfica brasileira em 2014, sendo destaque no mundo todo.

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Serão de 4 a 5 sessões diárias com o preço único a R$ 7,00 e uma ótima oportunidade de ver aquele filme você deixou sair de cartaz sem assistir ou ter uma nova oportunidade de revê-lo na tela grande. Também está incluído na programação o nosso indicado a concorrer a uma das vagas de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2015, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho.

A rede Cineflix tem atualmente 10 complexos em operação em 4 estados: Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

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Para facilitar ainda mais a sua vida, disponibilizamos abaixo a programação completa dessa semana festiva para a região metropolitana de Campinas: nas cidades de Campinas e Valinhos.

Aproveite e prestigie o que o Cinema do Brasil tem de melhor:

CAMPINAS – CINEFLIX (SHOPPING GALLERIA)

QUINTA 25/09

  • 14h00 O Lobo Atrás da Porta
  • 14h10 Praia do Futuro
  • 16h30 A Oeste do Fim do Mundo
  • 19h00 O Homem das Multidões
  • 21h30 De Menor

SEXTA 26/09

  • 14h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 16h30 Praia do Futuro
  • 19h00 Dominguinhos
  • 21h30 Riocorrente

SÁBADO 27/09

  • 14h00 O Homem das Multidões
  • 16h30 De Menor
  • 19h00 O Lobo Atrás da Porta
  • 19h10 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 21h30 A Oeste do Fim do Mundo

DOMINGO 28/09

  • 14h00 Riocorrente
  • 16h30 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 19h00 Praia do Futuro
  • 21h30 Dominguinhos

SEGUNDA 29/09

  • 14h00 A Oeste do Fim do Mundo
  • 16h30 O Homem das Multidões
  • 19h00 De Menor
  • 21h30 O Lobo Atrás da Porta
  • 21h40 Riocorrente

TERÇA 30/09

  • 14h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 16h30 Riocorrente
  • 19h00 Dominguinhos
  • 21h30 Praia do Futuro

QUARTA 01/10

  • 14h00 De Menor
  • 16h30 Dominguinhos
  • 19h00 A Oeste do Fim do Mundo
  • 21h30 O Homem das Multidões

VALINHOS – CINEFLIX (SHOPPING VALINHOS)

QUINTA 25/09

  • 14h00 O Lobo Atrás da Porta
  • 14h00 Dominguinhos
  • 16h30 A Oeste do Fim do Mundo
  • 19h00 O Homem das Multidões
  • 21h30 De Menor

SEXTA 26/09

  • 14h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 16h30 Praia do Futuro
  • 19h00 Dominguinhos
  • 21h30 Riocorrente

SÁBADO 27/09

  • 14h00 O Homem das Multidões
  • 16h30 De Menor
  • 19h00 O Lobo Atrás da Porta
  • 19h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 21h30 A Oeste do Fim do Mundo

DOMINGO 28/09

  • 14h00 Riocorrente
  • 16h30 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 19h00 Praia do Futuro
  • 21h30 Dominguinhos

SEGUNDA 29/09

  • 14h00 A Oeste do Fim do Mundo
  • 16h30 O Homem das Multidões
  • 19h00 De Menor
  • 21h30 O Lobo Atrás da Porta
  • 21h30 Dominguinhos

TERÇA 30/09

  • 14h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 16h30 Riocorrente
  • 19h00 Dominguinhos
  • 21h30 Praia do Futuro

QUARTA 01/10

  • 14h00 De Menor
  • 16h30 Dominguinhos
  • 19h00 A Oeste do Fim do Mundo
  • 21h30 O Homem das Multidões




Campinas terá a 11ª sala IMAX do Brasil

21 09 2014

EDIT 2: Chegou o grande dia! Após dois meses do prazo previsto, a sala IMAX de Campinas será inaugurada nessa quinta (dia 12/02) no Kinoplex do Parque Dom Pedro Shopping. A programação dessa primeira semana festiva será a seguinte: O Destino de Júpiter (DUB) 15h20 e (LEG) 18h00. E se encerra com a pré-estreia do drama de Clint Eastwood, Sniper Americano (LEG) as 21h00.

EDIT: Olá leitor. Muito obrigado pela visita. Saiba que o Universo E! desde 31/10/2014 está em uma nova casa. Todas as nossas novas postagens você confere nesse link: http://www.serounaosei.com/category/universo-e/

Kinoplex, o maior cinema de Campinas com 15 salas, trará para a cidade a 11ª sala IMAX a ser instalada no Brasil. A inauguração da tecnologia inédita no município está prevista para o mês de dezembro e faz parte de um investimento de R$ 12 milhões da rede na modernização de seu complexo localizado no Parque Dom Pedro Shopping.

As 15 salas da rede Kinoplex em Campinas passam por renovação e modernização, num custo total de R$ 12 milhões.

A instalação da sala IMAX é a última etapa desse projeto, uma vez que complexo já reformou toda a parte externa do complexo (bilheteria, terminais de auto-atendimento, bombonière e também o hall de entrada que passou a contar com vídeo wall), as salas tiveram  todo o interior reformado e ainda foram instaladas duas salas Kinoplex Platinum (VIP) com poltronas reclináveis que contam com uma bilheteria exclusiva para a venda de ingressos.

Maior grupo exibidor de filmes 100% brasileiro, o Grupo Severino Ribeiro terá na cidade do interior de São Paulo a sua primeira sala IMAX no país, que será instalado no primeiro multiplex do grupo sob a bandeira Kinoplex, inaugurado em 2003 em Campinas.

Além de uma forma de competir com os demais cinemas da cidade (os principais concorrentes são a rede Cinemark com a sala Xtreme Digital no Shopping Iguatemi Campinas e a rede Cinematográfica Araújo com sua sala VIP e suas duas salas com super-telas no Shopping Parque das Bandeiras), o Grupo Severiano Ribeiro incluiu a cidade em seu plano nacional de modernização e expansão, onde estão previstas a aberturas de 100 novas salas no Brasil, além do processo de digitalização de toda a sua rede.

IMAX

Uma das mais 800 salas IMAX espalhadas pelo mundo

Uma das mais de 800 salas IMAX espalhadas pelo mundo

 

O mesmo crescimento é esperado para as salas IMAX no período. Atualmente, o Brasil possui dez salas em operação nas seguintes cidades: São Paulo (com 3 salas, sendo a primeira do país instalada no Espaço Itaú de Cinemas – Pompeia, no Shopping Bourbon); Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Cotia/SP, Ribeirão Preto/SP, Fortaleza e Recife são as demais cidades com uma sala cada uma. Até 2016 estão previstas a inauguração de mais 14 salas com o circuito IMAX totalizando 25 salas ao todo.

Imagem Maximum (IMAX) é um formato de projeção de filmes que tem a capacidade de transmitir imagens bem maiores em tamanho e resolução do que o sistema convencional hoje existente nos cinemas. De acordo com o Wikipedia, a tela padrão IMAX tem 22 metros de largura por 16,1 metros de altura (354,2m² de projeção), mas podem dimensões grandiosas: a sala IMAX Big Cinemas de Mumbai na Índia, utiliza a tecnologia IMAX Dome e tem uma tela de 1.180m², enquanto o IMAX Theatre Sydney, na Austrália, conta a maior tela retangular nesse formato no mundo com uma área de projeção de 1.051m².

Campinas, a partir de dezembro, pertencerá a um seleto grupo de 837 cinemas em 57 países a contarem com a uma sala IMAX.





ANÁLISE: Se Eu Ficar

17 09 2014

O mal tempo típico do inverno no hemisfério norte fecha as escolas e altera o cotidiano de Mia (Chlöe Grace Moretz, A Invenção de Hugo Cabret e Carrie, A Estranha) possibilitando uma pequena viagem de carro dela com sua mãe (Mireille Enos, Guerra Mundial Z e Caça aos Gângsters), seu pai (Joshua Leonard, A Bruxa de Blair e Homens de Honra) e seu irmão caçula Teddy (Jakob Davies, de Uma Viagem Extraordinária e Guerra é Guerra!) . Muito mais do que uma simples alteração da rotina diária, essa mudança nos planos irá marcar definitivamente a vida da protagonista.

Nessa viagem, Mia sofre um trágico acidente e passa por uma experiência além-corpo enquanto inconsciente no leito do hospital. Ela vivencia, em espírito, tudo o que ocorre ao seu redor e o que se passa com os seus outros familiares na emergência onde a trama, efetivamente, ocorre. Flashbacks ao longo do filme desenvolvem melhor a personagem principal contando sua vida em família, da sua paixão pelo violoncelo e do seu envolvimento amoroso com Adam (Jamie Blackley, Branca de Neve e o Caçador e O Quinto Poder).

Se Eu Ficar, porém, trata-se muito mais de uma tentativa forçosa de emocionar (em vão) e repleto de frases de efeito vazias– ou marcantes ou de autoajuda, aquelas típicas de legendas de imagens alto astral que infestam as redes sociais -, e que deveriam causar algum impacto, mas não soam verdadeiras quando ditas pelos seus respectivos atores, sejam eles os novatos ou até mesmo os veteranos. A única vez em que essa intenção é atingida, o filme já está em sua parte final, quando o avô (Stacy Keach, de A Outra História Americana e Nebraska) discorre a neta sobre as decisões tomadas por seu filho no passado e enumera a dura realidade que a garota virá a enfrentar caso sobreviva. Um único e efetivo discurso em meio a tantas outras frivolidades.

O diretor R.J. Cutler (produtor-executivo da série Nashville), inclusive, foca demais na abordagem juvenil e desinteressante da trama e desperdiça nuances e características que poderia torna-la bem mais marcante. Logo no início, momentos antes da fatalidade que atinge a família de Mia, a montagem inclui rápidas inserções da paisagem que permeia a estrada sem nenhum intuito narrativo. E este seria um momento ideal para a contemplação do longa e uma maior valorização de sua boa fotografia.

O próprio acidente (em seu instante e no momento imediatamente posterior) é ocultado, quando deveria ser mais bem abordado sem prejudicar, necessariamente, em sua classificação indicativa. Faixa etária que, certamente, foi a maior preocupação de seus produtores. A própria música clássica vira uma mera alegoria na trama. Mia poderia ter qualquer outro dom ou hobbie que não haveria nenhuma interferência na trama, o que é indesejável de onde se espera uma boa história. E soa risível quando a jovem afirma que o violoncelo seria, para ela, o seu lar, o seu refúgio. O instrumento musical surge em cena como um garfo deveria aparecer numa cena de jantar.

O relacionamento entre Mia e Adam, construído inteiramente através dos flashbacks, também apresenta mais do mesmo. A fase do flerte, adequação de um ao mundo do outro (aqui, o mundo do rock ao mundo da música clássica), as dificuldades do namoro à distância a partir do momento em que Adam começa a sair em turnês com a sua banda e Mia precisa ficar em casa e praticar para a sua audição no renomado instituto da Juilliard

A única coisa interessante de Se Eu Ficar é convergir a crise no relacionamento dos dois adolescentes com o desfecho do acidente.  E o faz satisfatoriamente. Da necessidade da presença de Adam no hospital para que Mia tenha uma chance real de sobrevivência, um motivo para que ela possa se apegar aqui na Terra. Mas com uma construção tão mesquinha e covarde oferecida até esse instante, a concretização fica muito aquém do ideal. E uma das razões para tanto seja a inexperiência do diretor em projetos para o cinema, já que possui uma carreira praticamente toda voltada para a televisão americana.

NOTA: 1/5





E o indicado do Brasil ao Oscar 2015 é…

14 09 2014

Essa pergunta será respondida nessa próxima quinta-feira, dia 18/09. A ministra da Cultura, Marta Suplicy, em São Paulo, será a responsável pelo anúncio oficial do possível representante brasileiro na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar em 2015. No páreo estão 18 produções nacionais entre filmes e animações.

A comissão responsável pela escolha do nosso indicado é composta:

  • Pelo ministro do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores, George Torquato Firmeza;
  • Por Jeferson De, diretor, produtor e roteirista;
  • Por Luis Erlanger, jornalista;
  • Pelo presidente do conselho da Televisão América Latina (TAL), Orlando de Salles Senna e
  • Pela coordenadora-geral de Desenvolvimento Sustentável do Audiovisual do Ministério da Cultura, Sylvia Regina Bahiense Naves.

O Universo E! possui textos para três dos dezoitos filmes que compõe a lista: Dominguinhos (durante o Festival É Tudo Verdade), Praia do Futuro e o nosso franco favorito O Menino e o Mundo. E para você? Qual seria o nosso concorrente no Oscar 2015?

Os indicados:

 

A Grande Vitória

A Grande Vitória

A Oeste do Fim do Mundo

A Oeste do Fim do Mundo

Amazônia

Amazônia

Dominguinhos

Dominguinhos

Entre Nós

Entre Nós

O Exercício do Caos

O Exercício do Caos

Getúlio

Getúlio

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Jogo de Xadrez

Jogo de Xadrez

Minhocas

Minhocas

Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho

Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho

O Homem das Multidões

O Homem das Multidões

O Lobo Atrás da Porta

O Lobo Atrás da Porta

O Menino e o Mundo

O Menino e o Mundo

O Menino no Espelho

O Menino no Espelho

Praia do Futuro

Praia do Futuro

Serra Pelada

Serra Pelada

Tatuagem

Tatuagem

 





ANÁLISE: No Olho do Tornado

13 09 2014

Rua deserta em uma área residencial. Noite. Um grupo de amigos dentro de um automóvel. De repente, ao longe,  a iluminação pública vai se apagando progressivamente, extinguindo-se os pontos luminosos no alto dos postes até entendermos claramente o que está acontecendo. E os ocupantes do carro também o descobrem, só que tarde demais: um tornado se aproximava.

A cena inicial de No Olho do Tornado ilustra muito bem toda a sua esquemática. O que o roteiro do novato John Swetnam (Evidências e Ela Dança, Eu Danço 5) não apresenta em ousadia, o diretor Steven Quale (responsável pela direção de Premonição 5, além da parceria recorrente com James Cameron como assistente de direção 2ª unidade em Avatar e Titanic) compensa nos ótimos efeitos visuais das cenas de ação alucinantes. Gary (Richard Armitage, de Capitão América: O Primeiro Vingador, mas que também surge novamente como Thorin, Escudo de Carvalho nesse ano em O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos), viúvo, não tem um relacionamento considerado ideal com seus filhos, Donnie e Trey (respectivamente Max Deacon, de Reflexos da Inocência e da minissérie Hatfields & McCoys, e Nathan Kress, o Freddie Benson da série teen iCarly) . O três se preparam para o evento da formatura no colégio do qual o pai é o vice-diretor, enquanto os dois meninos serão responsáveis pela filmagem do evento. Pela parafernália eletrônica no quarto deles, sabe-se de antemão que filmar não é um mero hobbie para eles.

Aproximando-se da cidade está um grupo de caçadores de tornados em uma má fase profissional, pois já há algum tempo que não registram nenhuma tempestade substancial. O líder deles, Pete (Matt Walsh, Se Beber Não Case e Ted) deposita a culpa desse infortúnio em Allison (Sarah Wayne Callies, de Visões de um Crime, mas mundialmente reconhecida pelo trabalho em The Walking Dead), a graduada da equipe responsável por prever os fenômenos e, de preferência, o local exato onde eles ocorrerão. Para auxiliá-los,  Titus, um veículo robusto anti-tornado, capaz de resistir às maiores rajadas de vento já registradas pelo homem para colocar os seus ocupantes, literalmente, dentro do olho do tornado. Fechando as três linhas principais da história temos os amigos de Donk (Kyle Davis, A Morte Pede Carona e Prenda-me se For Capaz), que não sentem nenhum receio de estarem próximos de um furacão de grandes proporções.

Para justificar os pontos de vista exibidos, No Olho do Tornado recorre a mania mundial de todos filmarem tudo a todo momento. Um simples celular já é o suficiente para captar algo, não sendo necessário nenhum outro equipamento profissional. Natural, portanto, que ao longo do filme o foco transite entre o tradicional em terceira pessoa e as câmeras que os personagens portam, passando inclusive pelo uso de câmeras de segurança e até por um enfoque jornalístico fictício.

Essa alternância é o que longa tem de mais cativante, exigindo uma preocupação maior com os efeitos digitais, pois muitas vezes o espectador se vê muito próximo das áreas de destruição e de suas consequências e nesse aspecto o diretor não decepciona. Podemos até não gostar das decisões triviais dos personagens que conduzem fracamente a trama – como aquela que põe Donnie e sua nova colega Kaitlyn (Alycia Debnam Carey) para longe da escola -, mas No Olho do Tornado chega, com muita competência, a um novo patamar no que se refere às cenas de destruição em um filme-catástrofe, criando aqui algumas sequências emblemáticas, memoráveis e de tirar o fôlego. O longa também se beneficia ao se preocupar menos com as questões científicas e mais em convencer e impactar quem o assiste, em tornar crível aquilo que é evidenciado, independentemente das suas possibilidades aqui no mundo real.

Dentre outras virtudes, John Swetnam tem a boa vontade de não se contentar com apenas um, mas incluir três clímax em sua conclusão, uma adição muito bem vinda e muito bem executada de adrenalina. Para não dizer que tudo é perfeito, além das motivações fracas de alguns de seus personagens principais já citadas, No Olho do Tornado falha nas (poucas) inserções de humor na história e não consegue desvencilhar do batido e velho altruísmo americano, o clichê dos clichês em filmes do gênero. Mas com a intensa dose de aflição com que se sai da sala de projeção, isso é facilmente relevado.

NOTA: 4/5





Teatro | Sonho de Uma Noite de Verão

11 09 2014

O Theatro Municipal de Paulínia recebeu nos últimos dias 09 e 10 de setembro a união inédita da peça teatral de William Shakespeare (escrita em 1596) com a obra homônima do compositor alemão Felix Mendelssohn, baseada no texto do dramaturgo inglês, criada a partir de 1826 e concluída apenas em 1843, portanto, quase 250 anos depois da peça teatral. Dividindo o mesmo palco, então, os 16 atores e a Orquestra Sinfônica de Campinas sob a regência de Victor Hugo Toro. O ponto alto fica para a execução da famosa Marcha Nupcial, praticamente obrigatória nas cerimônias de casamentos e que integra a obra original de Mendelssohn.

CRÉDITO: Prefeitura Municipal de Campinas. Biana Ribeiro | Sec. Cultura

CRÉDITO: Prefeitura Municipal de Campinas. Biana Ribeiro | Sec. Cultura

Ambos contando em conjunto a história de encontros e desencontros amorosos entre atenienses, fortemente influenciados por criaturas mágicas da floresta, como duendes e fadas. Projeções em tecidos brancos ajudavam a criar os diferentes cenários, assim como o Coro Contemporâneo de Campinas e as sopranos Elisabete Almeida e Luiza Kurtz surpreendiam nos números musicais.

O competente elenco por sua vez traduz muito bem através das expressões corporais toda a carga humorística que o roteiro exige. Sejam eles a trupe de atores responsáveis pela “peça de teatro” dentro da peça de teatro ou os seres encantados que habitam a floresta na peça.

O sucesso foi tanto que a peça ganhou uma sessão extra para a cidade de Campinas no Teatro Castro Mendes nessa sexta, dia 12, as 20h. O valor do ingresso – inteira – custa R$ 25.

 





Ao Velho Joe…

4 09 2014
O nosso Pretinho, Velho Joe, Pretôncio ou apenas, Joe!

O nosso Pretinho, Velho Joe, Pretôncio ou apenas, Joe!

Pretinho. Velho Joe. Pretôncio. Ou simplesmente Joe. O que dizer né? Aquela criaturinha miúda, aquela bolinha preta que entrou para a nossa família, arredio, desconfiando de tudo e de todos. Uma quietude que perduraria durante toda a sua existência. Poucas pessoas o viram latir, efetivamente, algo raro até para a sua raça. “Nossa, Pinscher late demais”, diziam. Não o nosso Joe. E muitos desses poucos latidos só viriam realmente existir após você perder a paciência com algumas de nossas brincadeiras.

Foram muitos colos cedidos. Muitas noites compartilhadas na cama. Muitos cochilos dividindo o mesmo sofá. Perdoe-me por privá-lo do banho de sol que tanto gostava de tomar pela janela do meu quarto de manhã. Desculpe-me pelos momentos que o ignorei por qualquer motivo banal que fosse, quando você queria apenas a minha atenção.

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O sobrinho Nick e o tio Joe no sol pela manhã

Obrigado por ‘educar’ o seu sobrinho Nick (ou pelo menos tentar, pois certamente há coisas que ele não quis aprender… Brincadeira! O Nick também é um bom cachorro e você sabe disso). Obrigado por cuidar de nossa mãe nesse período porque quando nós – os filhos de duas pernas – saímos de casa, foram vocês – os filhos de quatro patas – que fizeram companhia a ela.

E suas manias hein? Saiba que o amei com todas elas meu companheiro de rinite. Como não amar aquilo que o tornava um cão único? Quando você se refugiava em sua caminha para ficar longe da algazarra das reuniões em família; ou o pavor dos fogos de artifício da virada de ano ou em jogos de futebol, momentos que você vinha se refugiar conosco; do prazer inenarrável que você tinha quando lhe coçavam o dorso ou, também, sua implicância em não querer andar na rua a noite até ter a certeza que o passeio, finalmente, faria o trajeto de retorno à sua residência.

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O lugar favorito de Joe e Nick: o sofá

É Velho Joe. A vida é injusta. Mas injusto mesmo é esse relacionamento cão-e-homem: por mais tempo de vida que você viesse ter, não seria o suficiente para retribuir todo o amor que você teve para com cada um de nós. Nem a mesma quantidade e muito menos a mesma intensidade!

Não vou procurar significados nos sinais da natureza, já que com sua partida choveu substancialmente após um longo período de estiagem. Vou me ater apenas no quanto você significou para mim e relembrar o quanto foi bom tê-lo em meus braços. Se tenho algo a reclamar é o seu tamanho, que não me permitia apertá-lo o tanto quanto eu gostaria. Mas são esses sentimentos e essas sensações que levarei para sempre comigo. Aqui na minha memória e aqui no meu coração. Obrigado Pretinho! Obrigado Velho Joe! Obrigado Pretôncio! Ou, apenas, obrigado Joe!

OBRIGADO JOE!

OBRIGADO JOE!








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