Abril: os festivais

25 03 2014

Finalmente podemos declarar que o ano de 2014 começou. Como todo bom cinéfilo, o ano só se inicia depois da cerimônia do Oscar, que nesse ano premiou Gravidade e 12 Anos de Escravidão. Depois de uma intensa maratona para conferir todos os indicados e comentá-los aqui no Universo E!, na medida do possível, veio as merecidas férias.

Um período de descanso que não necessariamente quer dizer que ficamos afastados do cinema. Ainda pude conferir a última animação de Hayao Miyazaki, Vidas ao Vento, que fez dobradinha com outra animação, dessa vez a brasileira: O Menino e o Mundo. O início de 2014, aliás, começou na base das sessões duplas, já que Alemão e Ninfomaníaca – Volume 2 foram vistos em seguida também no mesmo dia.

Passada a ressaca, março se encerra daqui a poucos dias e já podemos vislumbrar um abril recheado de atrações. Dois grandes festivais tradicionais aqui no Universo E! chegam no mês de Tiradentes e do dia da mentira: o festival internacional de documentários É Tudo Verdade e o Festival Varilux de Cinema Francês 2014.

etv2014

Amanhã publicaremos aqui a programação da edição de número 19 do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade e o que destacamos de mais importante na extensa programação do maior festival latino-americano destinado às produções não-ficcionais. E no fim de semana, chegará a vez dos principais lançamentos que ocorreram no berço cinematográfico nos últimos meses e desembarcam no Brasil no Festival Varilux. Aguardem!

fvcf2014

Anúncios




ANÁLISE: 12 Anos de Escravidão

4 03 2014

EDIT: Olá leitor. Muito obrigado pela visita. Saiba que o Universo E! desde 31/10/2014 está em uma nova casa. Todas as nossas novas postagens você confere nesse link: http://www.serounaosei.com/category/universo-e/

O novo filme de Steve McQueen aborda uma triste realidade da história da humanidade e um momento que, infelizmente, esteve presente na construção de todo o continente americano no século XIX. Se a escravidão por si só foi um dos atos mais cruéis e covardes já praticados pelo homem, imagine o quão terrível seria se a exploração inumana da mão-de-obra de um indivíduo ocorresse injustamente. O músico Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor, O Gângster e Filhos da Esperança) sentiu isso na pele durante longos 12 anos.

Um grande equívoco tira Northup do caminho do circo em Washington, onde se apresentaria como violinista, para os estados do sul dos Estados Unidos onde o comércio escravocrata florescia. Seja a pé, de carroça ou de barco, a tentativa de uma fuga era muito complicada principalmente pela falta de apoio dos companheiros escravos, pois estes estavam acomodados à situação em que se encontravam, sem contar o perigo de morte que uma fuga representaria devido aos armamentos daqueles que os transportavam. Entre os brancos, a descrença na história de homem livre de Northup era total. Aliás, seu nome verdadeiro deixou de existir durante esse período e todos se referiam a ele apenas como Platt.

Dos palcos e das apresentações públicas, Platt enfrentava agora a amargura das plantações de cana, o ego super inflado dos capatazes e das amas e da dor profunda das chibatadas pelos motivos mais fúteis. A câmera de Steve McQueen quer deixar isso bem claro para o espectador. Por isso, sempre nos momentos de grande angústia, os planos são longos e expositivos, ressaltando a dor física enfrentada por quem era castigado. Ver Platt pendurado à uma árvore mantendo-se com muita dificuldade na ponta dos pés durante um longo tempo é um exemplo desses momentos de aflição.

Em doze anos, muitos foram os ‘donos’ de Platt. Alguns mais compreensivos (mesmo utilizando o trabalho escravo) como o senhor Ford, interpretado por Benedict Cumberbatch (O Hobbit: A Desolação de Smaug, Além da Escuridão – Star Trek e da série Sherlock). Bondade que não se aplicava aos seus funcionários. Seu capataz Tibeats (Paul Dano, Pequena Miss Sunshine, Looper – Assassinos do Futuro e do excepcional Os Suspeitos) não suportava a modesta admiração de seu chefe pelo escravo e acaba tornando-se o grande algoz de Platt e a razão para que o escravo fosse transferido para outra fazenda.

Na propriedade de Edwin Epps (Michael Fassbender, 300, Prometheus e do ainda inédito X-Men: Dias de um Futuro Esquecido) que cultivava algodão, Platt entrou em contato com o lado ainda mais violento da escravidão ao lado da também escrava Patsey (Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por esse trabalho e que também pode ser vista na estreia recente de Sem Escalas). Grande parte dos castigos aqui eram motivados pelo ciúme da esposa de Edwin, personagem de Sarah Paulson (da série American Horror Story e do filme Amor Bandido), cujo marido se engraçava com Patsey.

Se tem alguma coisa que desabone 12 Anos de Escravidão é o modo formulaico com que o roteiro de John Ridley (que também assina o roteiro de Três Reis e do inédito All is by my Side) utilizar para solucionar o mal entendido de sua história, algo completamente incondizente com tudo que foi apresentado até o momento. A inserção do personagem de Brad Pitt na trama como salvador da pátria é extremamente abrupta, forçosa e artificial. Um deus ex-machina desnecessário. Poderia ser bem mais elaborada a descoberta do paradeiro de Northup e a resolução do seu suposto sumiço.

Por outro lado, temos a inteligente montagem do filme que sutilmente demonstra a passagem  de tempo em sua história sem jamais indicar claramente isso ao seu espectador. Em outros casos semelhantes, muita gente optaria em utilizar caracteres em tela, que sempre é uma escolha discutível. Os doze anos que compõe o título do longa só são perceptíveis nos ciclos da agricultura, com seus campos ora áridos e desnudos, ora plenamente cultivados.

Com seus erros e acertos, é inegável o forte apelo emocional da última cena de 12 Anos de Escravidão, quando Solomon Northup finalmente reencontra sua esposa e seus filhos: as crianças já não são mais pequenas, assim como o bebê de antes não cabe mais no colo. Solomon até tenta quebrar o gelo da situação ao revelar que precisa ter uma conversa séria com o genro, mas a revelação do nome do neto é de desmantelar qualquer coração, ainda mais quando estamos cientes da jornada que o avô percorreu para chegar até esse momento. Uma homenagem mais do que justa!

NOTA: 5/5





Oscar 2014: 12 Anos de Escravidão e Gravidade dividem a noite

3 03 2014

O que mais se esperava aconteceu. De um lado, a ficção científica garantiu todas as categorias técnicas e levou mais algumas de brinde. Nas categorias principais, o principal drama da temporada teve que dividir as estatuetas com os demais favoritos.

Das dez indicações, Gravidade levou sete Oscar’s para casa: as técnicas – melhor mixagem de som, melhor edição de som, melhor efeitos visuais, melhor montagem, melhor fotografia. Mas Alfonso Cuáron ainda conseguiu garantir a melhor direção e Steven Pryce levou o seu Oscar pela trilha sonora.

12 Anos de Escravidão com sua história emocionante poderia (como é de praxe) levar todos os demais prêmios principais, mas teve que se contentar com três: o principal deles, o de melhor filme, além de melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante para Lupita Nyong’o.

Quem diminuiu a festa da turma liderada por Steve McQueen foi a dupla imbatível de Clube de Compras Dallas, Matthew McCounaghey e Jared Leto e os seus merecidíssimos Oscar’s de melhor ator e melhor ator coadjuvante, respectivamente. O vocalista da banda 30 Seconds to Mars, por sua vez, fez o melhor e mais emocionante discurso da noite. A estatueta de melhor maquiagem os fizeram empatar em número de prêmios com o filme sobre a escravidão indevida de um violinista livre. Ambos empataram na segunda colocação com três conquistas cada.

No mais, os favoritos se confirmaram:

  • Cate Blanchett garantiu o prêmio de melhor atriz para Blue Jasmine;
  • Ela, de Spike Jonze, venceu na categoria de melhor roteiro original;
  • A Grande Beleza deu a Itália o prêmio de melhor filme estrangeiro;
  • Frozen – Uma Aventura Congelante deu mais dois Oscar’s a Disney/Pixar por melhor animação e melhor canção original com ‘Let it Go’, desbancando U2 com ‘Ordinary Love’ e Pharrell Williams com ‘Happy’.

Quem surpreendeu mesmo foi O Grande Gatsby, que na surdina ganhou duas vezes com todos os méritos: melhor direção de arte e melhor figurino.

Com uma transmissão mais dinâmica e divertida, a 86ª edição de entrega do Oscar contou muito com o carisma da apresentadora Ellen DeGeneres, que jamais se intimidou com a responsabilidade de comandar um espetáculo para mais de um bilhão de pessoas ao redor do mundo. Não é de se estranhar que muitas intervenções dela na transmissão ocorria a partir da plateia e foi em um desses momentos que rendeu o ‘selfie’ coletivo abaixo:

Olha o passarinho!

Olha o passarinho!

Publicada no Twitter, a foto já rendeu (até esse momento): 2.029.984 retweetadas e 864.125 curtidas! Números épicos!

Ao contrário de edições passadas, a votação do Oscar 2014 não cometeu injustiças e valorizou os filmes que mereciam os prêmios conquistados. Não há forma melhor de encerrar uma temporada de grandes produções!

TOTAL DE PREMIAÇÕES POR FILME:

  • Gravidade: 7 prêmios
  • 12 Anos de Escravidão: 3 prêmios
  • Clube de Compras Dallas: 3 prêmios
  • Frozen – Uma Aventura Congelante: 2 prêmios
  • O Grande Gatsby: 2 prêmios
  • Blue Jasmine: 1 prêmio
  • Ela: 1 prêmio
  • A Grande Beleza: 1 prêmio
  • Mr. Hublot: 1 prêmio
  • Helium: 1 prêmio
  • The Lady in Number 6 – Music Saved my Life: 1 prêmio
  • A Um Passo do Estrelato: 1 prêmio




OSCAR 2014 – Cobertura Completa

2 03 2014

Chegou a hora! Cinéfilos de todo o mundo se reúnem e torcem pelos seus favoritos na maior festa do cinema mundial: a 86ª edição da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, o Oscar!

Esse ano, Clube de Compras Dallas, Ela, Nebraska, Philomena, Capitão Phillips, O Lobo de Wall Street disputam a categoria de melhor filme com os francos favoritos: Gravidade, Trapaça e 12 Anos de Escravidão, que possuem a maior quantidade de indicações!

Então, o Universo E! convida a todos a nos acompanhar na cobertura do Oscar 2014. O endereço você já sabe qual é, o nosso Twitter: http://twitter.com/universo_e! (última atualizações do perfil ficam na coluna à sua direita)

And Oscar goes to…








PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2019

Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Site com atividades e informações sobre a associação que reúne profissionais da crítica cinematográfica de todo o Brasil

Sinfonia Paulistana

um novo olhar

%d blogueiros gostam disto: