ANÁLISE: A História da Eternidade

16 10 2014

FILME VISTO DURANTE O VI PAULÍNIA FILM FESTIVAL

-> Vencedor do Menina de Ouro de melhor filme pelo júri, melhor direção (Camilo Cavalcante), melhor ator (Irandhir Santos) e melhor atriz (dividido entre as atrizes Débora Ingrid, Zezita Matos e Marcélia Cartaxo).

-> A História da Eternidade também é um dos grandes destaques da 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com três sessões programadas: dia 24/10 – 21h00 – Espaço Itaú de Cinemas Frei Caneca ||| dia 26/10 – 15h00 – CineSesc ||| dia 28/10 – 19h50 – Reserva Cultural

O que mais enriquece um filme que tenha o Nordeste brasileiro como locação é a excelente oportunidade de usar o choro da sanfona na composição da obra. Some-se a isso a desolação de uma paisagem extremamente árida, seca. Temos uma junção muito potente de imagem e som que resultam em um retrato paradoxalmente belo e melancólico.

O que já seria triste por natureza agrava-se ainda mais quando surge nessa paisagem uma procissão que persegue, em meio a poeira, um caixão diminuto e branco. Um caixão infantil. O destino desse pequeno grupo de pessoas é o cemitério que, se inserido num amplo campo de visão, torna até difícil determinar onde ele termina e onde o sertão começa.

Uma região seca e de parcos recursos, onde pouca coisa muda e a tradição perpetua. Entre seus poucos personagens, o diretor pernambucano Camilo Cavalcante (que também assina como roteirista) consegue pincelar todos os tipos de habitantes que compõe, de fato, a região: a família que trabalha arduamente na lavoura e que mantem a única mulher da casa (mesmo que ela seja a filha caçula) nos afazeres domésticos e responsável pelas refeições; outra família encontra-se dividida entre aqueles poucos que ficaram e os outros muitos que foram tentar uma sorte melhor em outras cidades – capitais nordestinas ou as regiões sul e sudeste brasileiras. Qual seja a história, a pobreza e fome estará presente.

Alfonsina (Débora Ingrid) perdeu a mãe muito cedo e desde criança (ou seja, há pouco tempo) aprendeu a dominar o fogão para alimentar seu pai e irmãos. Cada refeição na casa deles consiste no mesmo ritual: os filhos veem o pai se servir primeiro para depois servirem a si mesmos, enquanto a caçula acompanha tudo de pé aos fundos. A pessoa com que Alfonsina tem mais intimidade mesmo é o tio João (Irandhir Santos, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo e O Som ao Redor), que com as constantes viagens para o litoral tem a veia mais cultural, hippie ou descolada entre todos da comunidade. É ele quem instigou a fascinação de Alfonsina pelo oceano.

Próximo dali, a senhora Das Dores (Zezita Matos, Cinema, Aspirinas e Urubus e O Céu de Suely) recebe a visita de Geraldinho (Maxwell Nascimento, dos longas Querô e De Menor), o neto que retorna de São Paulo aparentemente passar uma breve temporada na terra onde nasceu, mas que na verdade está mesmo se escondendo de um passado violento. Fechando o ciclo, ainda há Aderaldo (Leonardo França), um sanfonista cego, persistente em seu sonho de conquistar o coração de Querência (Marcélia Cartaxo, A Hora da Estrela e Quanto Vale ou é Por Quilo?), uma pobre senhora viúva.

Para contar a história desses personagens, A História da Eternidade explora ao máximo o cotidiano da região. Ao mesmo tempo em que o retrata com todas as mazelas que o constituem como o transporte em pau-de-arara, o único telefone público da região ou o espaço social do televisor comunitário, o filme ainda acha espaço para criar cenas absurdamente lindas e poéticas: além da sequência inicial já citada no primeiro parágrafo, podemos citar o amanhecer entre os cactos,  a performance individual de Irandhir em um show muito particular e estranho aos olhos daqueles o cercam. Há ainda a divisão do filme em atos (três ao todo) muito bem construída e representada visualmente a partir das árvores, que vai do cômico ao trágico com a mesma eficácia.

Com cada história apresentando suas particularidades, todos os personagens sofrem de um sentimento em comum: a carência. Seja ela causada pela distância (geográfica ou emocional) ou fruto da incompreensão dos mais próximos em relação aos sonhos e/ou desejos. O que choca é a crueldade com que o destino trata de lidar com cada um deles, quase que simultaneamente e num momento raro onde até o cenário tem suprida a sua maior necessidade: a água da chuva.

NOTA: 5/5

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VI Paulínia Film Festival – programação de 22 a 27/07

17 07 2014

De 22 a 27 de julho, a cidade de Paulínia, na região de Campinas, realiza a 6ª edição de seu festival de cinema. Uma celebração inspirada em seu Pólo Cinematográfico que incentiva a produção de filmes na cidade, movimentando a economia e a população do município localizado a cerca de 100 km da capital paulista.

Fachada do Theatro Municipal de Paulínia, a casa do VI Paulínia Film Festival

Fachada do Theatro Municipal de Paulínia, a casa do VI Paulínia Film Festival

Alguns imbróglios políticos interromperam a realização do evento nos últimos anos, então o VI Paulínia Film Festival pode ser considerado a retomada definitiva da celebração, do apoio e da difusão da produção cinematográfica nacional pelo município. Com a política de ingressos gratuitos, o festival possibilita que o grande público tenha acesso às produções mais recentes do cinema mundial, já que sete filmes internacionais farão sua estreia no Brasil durante o evento.

Para a abertura, no dia 22, há a homenagem aos 25 anos da distribuidora brasileira Imovision e a exibição do longa Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho, uma cinebiografia do escritor brasileiro. No encerramento, dia 27, além da cerimônia de premiação, o festival homenageará o cineasta Cacá Diegues. No último dia também está programada a exibição do filme A Imigrante, o trabalho mais recente do diretor americano James Gray e estrelado por Marion Cotillard, Joaquin Phoenix e Jeremy Renner.

Além da competição de longas oficial, o VI Paulínia Film Festival terá uma competição paralela de curtas-metragens, debates com as equipes técnicas dos filmes exibidos e uma programação especialmente dedicada ao público infantil com sessões às 9h e 14h.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:

DIA 22/07 – ABERTURA

  • 19h00 – Homenagem aos 25 anos da distribuidora brasileira Imovision
  • 20h30 – Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho

DIA 23/07

  • 09h00 A Guerra dos Botões
  • 14h00 O Pequeno Nicolau
  • 16h00 MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS
  •                  Jessy / O Menino que Sabia Voar
  • 16h30Aprendi a Jogar com Você
  • 18h00O Samba
  • 19h30 – Neblina
  • 21h30 – Sinfonia da Necrópole

DIA 24/07

  • 09h00 – O Pequeno Nicolau
  • 10h00 DEBATE COM EQUIPE DOS CURTAS-METRAGENS*
  • 11h00 DEBATE COM EQUIPE DOS LONGAS-METRAGENS*
  • 14h00 – Minhocas: O Filme
  • 17h00 MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS
  •                 De Bom Tamanho / O Bom Comportamento
  • 18h00 – As Férias do Pequeno Nicolau
  • 20h00 – Boa Sorte
  • 21h30 – Castanha

DIA 25/07

  • 09h00 – Zarafa
  • 10h00 DEBATE COM EQUIPE DOS CURTAS-METRAGENS*
  • 11h00 DEBATE COM EQUIPE DOS LONGAS-METRAGENS*
  • 14h00 – Meu Pé de Laranja Lima
  • 17h00 MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS
  •                  190 / O Clube
  • 17h45 – A Pedra da Paciência
  • 19h30 – Casa Grande
  • 21h30 – Sangue Azul

DIA 26/07

  • 10h00 DEBATE COM EQUIPE DOS CURTAS-METRAGENS*
  • 11h00 DEBATE COM EQUIPE DOS LONGAS-METRAGENS*
  •             Amazônia
  • 15h00 – Paraíso
  • 17h00 MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS
  •                  Recordação / Edifício Tatuapé Mahal
  • 17h30 – Geronimo
  • 19h30 – A Hsitória da Eternidade
  • 21h30 – Infância

DIA 27/07

  • 10h00 DEBATE COM EQUIPE DE CURTAS-METRAGENS*
  • 11h00 DEBATE COM EQUIPE DE LONGAS-METRAGENS*
  • 15h00 – A Imigrante
  • 17h00 – O Casamento de May
  • 19h30 CERIMÔNIA DE ENCERRAMENTO
  •                  Homenagem ao cineasta Cacá Diegues
  • 21h00 – Bem Vindo a Nova York

* Os debates serão realizados no auditório do Paço Municipal e as sessões no Theatro Municipal Paulo Gracindo, ambos localizados no Parque Brasil 500: Avenida Prefeito José Lozano Araújo, 1551, ao lado do RodoShopping de Paulínia.

 

 








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Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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