RETROSPECTIVA 2012 – parte 2

28 12 2012

JULHO – O segundo semestre de 2012 começou com uma crítica a distribuidora Columbia Pictures que, iniciando as vendas para a sessão de pré-estreia a meia-noite para  O Espetacular Homem-Aranha, resolve numa grande picaretagem, abrir pré-estreias regulares ao longo da semana de estreia. E sem nenhum aviso prévio acaba cancelando as sessões da meia-noite. Mas mesmo assim, o fraco longa do aracnídeo protagonizado por Andrew Garfield (A Rede Social e Não me Abandone Jamais) ganhou a sua análise.

Carly Rae Jepsen, dona de um dos grandes hits de 2012: Call me Maybe!

Carly Rae Jepsen, dona de um dos grandes hits de 2012: Call me Maybe!

Uma desculpa recorrente ao longo do último semestre foi o ‘vazio criativo’ na elaboração de novos posts para o Universo E!. Para manter o blog porcamente atualizado, um dos métodos mais utilizados por mim é partir para as músicas. Em julho os hits de Rihanna (Where Have You Been), Carl Rae Jepsen (Call me Maybe) e The Wanted (Chasing the Sun) foram os escolhidos para, popularmente dizendo, tapar o sol com a peneira, ou seja, colocar algum conteúdo novo por aqui quando a criatividade não ajuda.

Para finalizar este mês tivemos o triste incidente que manchou a estreia da conclusão de uma das mais bem-sucedidas franquias baseadas em super-heróis com o massacre da cidade de Aurora nos EUA, durante uma sessão de pré-estreia do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, vitimando 12 vidas inocentes…

Cena de Um Evento Feliz, com o ator Pio Marmaï (esq), que também protagonizou o francês Alyah

Cena de Um Evento Feliz, com o ator Pio Marmaï (esq), que também protagonizou o francês Alyah

AGOSTO – Foi um mês de felicidade extrema com a realização do Festival Varilux de Cinema Francês 2012. Dos 17 filmes inéditos exibidos, o Universo E! comentou sobre 11 filmes: A Filha do Pai, A Vida vai Melhorar, Um Evento Feliz, Intocáveis, Paris-Manhattan, Aqui Embaixo, My Way – O Mito além da Música, E Agora, Aonde Vamos?, O Monge, Alyah e Políssia. Realizamos assim a maior cobertura até aqui de um festival de cinema, em quase um mês inteiro dedicado a este evento (dia 01, dia 02 e considerações finais), uma vez que foi finalizado com algumas análises sendo postadas em setembro.

SETEMBRO – O ano de 2012 pode ser marcado como um ano de extremos. Saímos de um mês de grandes alegrias para um setembro de grandes perdas tanto para o Cinema quanto para a cultura brasileira: perdemos o ator Michael Clark Duncan, dia 03  (À Espera de um Milagre) e a apresentadora de televisão Hebe Camargo, dia 29. E foi também no funeral da comunicadora que obtivemos uma das imagens mais tocantes, com o selinho dado por Silvio Santos no corpo de Hebe durante o velório.

Para não ficarmos apenas nos fatos tristes, o Google comemorou o 46º aniversário de Star Trek com um doodle muito bem produzido e tivemos o anúncio das vendas antecipadas para o filme de conclusão da saga Crepúsculo: Amanhecer – parte 2.

OUTUBRO – Mais uma evidência de como a criatividade andou em baixa por aqui com apenas duas atualizações, no primeiro e no último dias do mês: no primeiro dia foi mais uma edição de A Rede pelo Twitter alertando sobre um possível retorno da girl band Rouge. Ficou reservado para o último dia de outubro o anúncio da venda da Lucasfilm para a Walt Disney Company, um negócio feito por George Lucas, o fundador, e pegou a todos de surpresa. Foi engatilhado junto com a venda o início da produção de um sétimo filme baseado na saga de Star Wars.

NOVEMBRO – Mais um comentário sobre o interessante exercício de associar uma música à um livro, o que digo sempre, enriquece a sua experiência literária. O livro da vez foi A Menina que Roubava Livros. Música: Shadow of the Day, do grupo Linkin Park, mas na versão dos meninos do Boyce Avenue.

Em novembro tivemos a conturbada informação sobre as vendas de ingressos para a pré-estreia de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, que teve uma abertura inicialmente restrita a Cinemark em São Paulo e depois, gradualmente, sendo liberada em outras redes de cinema nas mais diversas cidades brasileiras. Outra excelente boa notícia foi a realização de maratona das versões estendidas dos filmes da trilogia O Senhor dos Anéis.

A rede Cinemark (apesar dos pesares) também trouxe O Hobbit em HFR e ainda promove o Projeta Brasil Cinemark nos meses de novembro!

A rede Cinemark (apesar dos pesares) também trouxe O Hobbit em HFR e ainda promove o Projeta Brasil Cinemark nos meses de novembro!

Análises dos filmes inéditos: o argentino Elefante Branco e o juvenil As Vantagens de ser Invisível. E o projeto Projeta Brasil Cinemark finalizou o mês, sendo vistos os longas Xingu e Gonzaga – De Pai pra Filho.

DEZEMBRO – Mês de festas. Mês de retrospectivas. Mês do fim do mundo. Mês de poucas atualizações. Mês reservado para falarmos sobre o problemático Moonrise Kingdom (em breve). Mês de retornamos a Terra-média com O Hobbit – Uma Jornada Inesperada, inclusive com um novo formato de imagem – o HFR (high frame rate). Mês de conferirmos As Aventuras de Pi, o novo longa de Ang Lee, que em breve também ganhará sua análise por aqui.

Dezembro é o mês de agradecermos a você, caro e querido leitor, pelas visitas e pelos comentários realizados ao longo desse ano e convidá-los a continuar conosco em 2013. Afinal sua presença é essencial ao Universo E!

O UNIVERSO E! deseja a todos vocês, um feliz e próspero 2013!!!

O UNIVERSO E! deseja a todos vocês, um feliz e próspero 2013!!!

É em dezembro também que desejamos a vocês, os mais sinceros votos de felicidade, prosperidade e de grandes realizações para 2013. E que o próximo ano seja repleto de bons filmes e boas séries! Até lá!

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Festival Varilux de Cinema Francês 2012 – dia 01

22 08 2012

O Universo E! apresenta agora sua cobertura do Festival Varilux de Cinema Francês 2012. As postagens serão divididas nos dias em que os filmes foram vistos (com alguma ou outra exceção). Serão resenhas rápidas detalhando superficialmente as produções que estiveram presentes no festival! Bom divertimento!

A FILHA DO PAI – Patricia, uma jovem que mora com pai, Pascal Amoretti, e suas irmãs no interior da França no final da década de 30, acaba conhecendo Jacques, filho de um comerciante local, que se encontram meio que sem querer. Do encontro repentino, o bastante para criar uma paixonite típica de adolescente, ela acaba engravidando dele e dessa gravidez que Patricia passa a sofrer as consequências do conservadorismo e do machismo da sociedade na época em que vive.

A partir desse momento ela se encontra sozinha e desamparada, uma vez que Jacques, um aviador recém-formado, fora chamado para comparecer em guerra; ela vai ter que lidar com esse fardo com o pai, uma vez com a ausência da mãe, o que dificulta ainda mais a situação. Mesmo com o seu bom humor, Pascal não deixa de ser severo com o ocorrido, mas tenta de todas as formas contornar a situação da filha sem tomar atitudes drásticas: seja procurando apoio da família Mazel ou casando a filha com Félipe, seu colega de trabalho, portador de uma inocência muito incomum para quem já passa dos seus 40 anos.

Sendo infrutífera todas essas tentativas, ele acaba mandando sua filha para morar com a irmã para fugir dos prováveis comentários da pequena localidade que vive.

O próprio tempo se encarrega de corrigir alguns erros cometidos pelas pessoas que compõe a narrativa: ao descobrir por terceiros que Patricia dera a luz a um menino (um antigo sonho seu, já que era pai apenas de garotas), Pascal aceita o retorno de sua filha para casa;  a informação de que Jacques Mazel morrera em combate, faz os pais dele se reaproximarem da família e da criança. E tudo volta aos trilhos quando a notícia da morte do rapaz é desmentida e ele retorna a França para finalizar a história de amor e selar a união das duas famílias.

NOTA: 4/5

A VIDA VAI MELHORAR  A situação não está boa para ninguém na atual França. Nem para Yann, chef de cozinha, que tenta se recolocar no mercado de trabalho e nem para Nadia, imigrante libanesa, que tenta se manter no país com o filho Slimane com o pouco que ganha em um restaurante. Um encontro repentino e casual entre os dois, leva-os a próxima etapa mais séria do relacionamento. E rapidamente, do primeiro encontro, já vemos os três desfrutando um momento de descontração.

É aqui que eles se deparam com um imóvel abandonado numa localidade aos arredores de Paris e planejam construir ali o seu próprio negócio. Sonhos e mais sonhos os levam a imaginar um futuro melhor para si mesmos, já imaginando o sucesso que o estabelecimento poderia alcançar. Sem o capital inicial necessário, Yann e Nadia entram na roda financeira dos empréstimos: o empréstimo imobiliário para compra do local e o financeiro para a necessária reforma do edifício, além de empréstimos pessoais mais arriscados, mas fáceis de obter, para conseguirem dar o sinal exigido.

Uma inspeção das autoridades municipais, entretanto, põe tudo a perder, impedindo a abertura do local e exigindo alterações no projeto que lhes custariam um dinheiro que não tinham mais. O filme passa a descumprir os bons votos de seu título: de que a vida vai melhorar.

O bom relacionamento entre Yann e Nadia começa a se desfazer com o tempo com a pressões das cobranças das dívidas, trazendo-os a um beco sem saída. Nadia aceita uma promoção no seu emprego e vai tentar a sorte em Montreal; Yann, na teimosia de não querer vender o imóvel (e ainda arcar com as dificuldades e as responsabilidades de cuidar de Slimane) com o objetivo de seguir com o planejado. Todas essas decisões causa uma angústia nos espectadores porque sequência após sequência nada parece dar certo para eles.

Esgotada todas as possibilidades de quitar o que deve, uma vez que a dívida se tornara uma verdadeira bola de neve, Yann num ato de desespero total rouba um de seus financiadores para fugir junto com Slimane para o Canadá. Mas como nada é fácil para eles, em Montreal descobrem que Nadia fora presa injustamente acusada de tráfico de drogas, motivo pelo qual não entrava em contato com o filho há meses. Agora, numa cidade totalmente desconhecida, eles terão que lutar para tirá-la da prisão ao meso tempo em que terão, se estabelecer nessa nova realidade. Do zero. E aí sim, com a esperança retratada pela cena final, melhorar de vida.

NOTA: 5/5

UM EVENTO FELIZ – conta a história de Barbara e Nicolas: um jovem casal desajustado e inconsequente (mas apaixonados) no estabelecimento da difícil vida a dois e na criação de um filho.

Na base do bom humor que conta todas as peripécias desde a gestação, do nascimento e dos primeiros meses da criança e o que isso acarreta para a vida pessoal de cada um e para a vida amorosa deles, que em troca da liberdade sem consequências da adolescência, passaram a ter as obrigações e as burocracias de uma família recém-estabelecida. Para facilitar ainda mais as coisas, as sogras são um grande empecilho na situação: enquanto a mãe dela beira a rebeldia do anarquismo, a mãe dele, conservadora e inflexível, sufoca a vida dos dois quando sua ajuda lhe é solicitada.

O filme é, acima de tudo, sobre amadurecimento, onde só com muita perseverança consegue-se construir aquilo que um amor verdadeiro proporciona.

NOTA: 3/5

INTOCÁVEIS – Driss é mais um dos imigrantes presentes na atual sociedade francesa. Com um passado turbulento envolvendo sua saída do Senegal, ele tenta à sua maneira vencer na vida e ganhar o seu salário no final do mês. O que não vem necessariamente acompanhado de trabalho. Apostando no preconceito existente e inerente a sua raça, ele corre atrás de três assinaturas nas residências que procuram profissionais para cuidar de pessoas com deficiência física. Isso validaria o seu pedido de seguro-desemprego junto ao governo, garantindo algum rendimento para os três meses seguintes. Mas nesse caminho ele não contava encontrar com o Philippe, um milionário tetraplégico, que vê em Driss a oportunidade de resgatar, pelo menos em parte, o passado aventureiro de sua vida.

Do vínculo forte e inesperado dessa amizade que surge algo especial e fascinante em Intocáveis que funciona como uma crítica a sociedade moderna e seus exageros excêntricos com contornos bem humorados nas observações ácidas e satirizadas de Driss. Demonstrando também uma quebra do paradigma no relacionamento entre um milionário preso a cadeira de rodas e um imigrante negro, pobre, que lida diariamente com o preconceito e a violência em seu cotidiano na periferia de Paris. Tendo na sua premissa um potencial imenso de se tornar uma história melodramática, Intocáveis usa esse choque de contrastes de múltiplas maneiras sem insultar a inteligência do espectador.

Se há um encaixe perfeito na questão de temperamento entre os protagonistas, tanto patrão quanto funcionário são úteis um ao outro para resolver suas respectivas pendências diárias, contribuindo significativamente um na vida do outro. Driss com a oportunidade tem a possibilidade de ampliar as expectativas de vida para sua família (tia e os primos mais novos); Philippe, por sua vez, teve a chance de vivenciar novamente seus dias de jovem aventureiro e poder viver, por um breve momento e em suas limitações, com alguém que o tratasse naturalmente sem a piedade e a distância usual das pessoas que lidam com pessoas com essas mesmas características.

NOTA: 5/5








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Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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