ANÁLISE: Prometheus

24 06 2012

A descoberta de pinturas pré-históricas em uma gruta na Escócia em 2089 desperta a atenção de um grupo de cientistas, pois outras pinturas com o mesmo padrão de desenho foram encontradas ao redor do planeta, cujos autores – sociedades primitivas – jamais conviveram mutuamente, tornando essas semelhanças inacreditáveis. E o simples fato dessas inscrições conterem uma adoração extraterrena são suficientes para esses cientistas conseguirem uma exploração interplanetária bancada por um empresário multi-bilionário, Peter Weyland (Guy Pearce, Guerra ao Terror e O Discurso do Rei), a beira da morte. Como pode-se notar, Prometheus não inova na premissa e muito menos consegue inovar – embora tente – ao longo de sua narrativa, que empolga o espectador em raros momentos ao longo de sua pouco mais de duas horas de duração.

O que a exploração descobre inicialmente são aparentes escavações no novo planeta criados por uma raça alienígena cujo padrão de DNA se assemelha ao dos humanos, o que explica a existência de ar respirável  no interior dessas escavações. As interpretações dos fatos decorridos nesse ambiente é feita pelo humanoide David (Michael Fassbender, Bastardos Inglórios e X-Men: Primeira Classe), criado pela empresa de Weyland para aprender tais língua alienígenas, o que lhe dá a capacidade de executar ilógicas projeções holográficas que indicam o que ocorreram naquele ambiente. Tais projeções são mais uma solução barata e extremamente tola de resolver os problemas da narrativa do que uma grande inovação em si.

O que mais decepciona em Prometheus é a total falta de entrosamento da equipe que protagoniza a expedição. Liderados pela doutora Elizabeth Shaw (papel da eficiente Noomi Rapace, presente na versão sueca da trilogia Millenium) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green, Across the Universe e Demônio), os personagens são mal construídos e mal estabelecidos na trama: desde as iscas (personagens sem importância alguma e inseridos na narração apenas para demonstrar o poderio da criatura da vez) até aqueles que se ‘sacrificam’ pelo bem da humanidade, mesmo que para quem não tem nada a perder não faz sacrifício nenhum.

Por outro lado, temos também o senhor Weyland, financiador da aventura cujo principal propósito (nada científico) também não é nenhuma novidade – Riddley Scott abusando mais uma vez dos clichês. Nem os superficiais problemas afetivos de Weyland com sua filha, Meredith Vickers (mais uma mau escolha de Charlize Theron, de Hancock e A Estrada) dão alguma importância à ela ou ao empresário. Se Prometheus apostou na emoção em algum momento para cativar o espectador foi mal sucedido nessa questão. Por não criar nenhuma carga emotiva em seus personagens, a nossa preocupação com eles é praticamente nula, um erro gravíssimo ao ser tratar de um suspense e depender disso para que funcione corretamente. O que salva o longa são alguns bons momentos de ação e aflição em sua metade final, em especial a cesariana high-tech da doutora Shaw e sua luta para escapar da cápsula cirúrgica antes do ataque da criatura.

Até no momento de finalizar seu longa Riddley Scott se equivoca. Seria muito mais inteligente de sua parte deixar a história em aberto com a doutora Shaw dependendo de David e de sua habilidade de pilotar as outras naves ali existentes para escapar do planeta do que sua inabalável vontade de buscar a origem da origem da origem… Essa atitude soma-se aos demais absurdos apresentados e assim como em praticamente todo esse Prometheus, nossa expectativa para o que virá a seguir num provável segundo Prometheus é a mínima possível!

NOTA: 2/5

P.S.: Riddley Scott tanto acreditou no baixo potencial de seu projeto que emendou uma clara cena pós-créditos à última cena do filme com medo de que o público saísse o mais rápido possível da sala e não visse sua ideia genial.





The Beatles sem The Beatles

16 06 2012

♪ ► ♫  Hey Jude, don’t make it bad ♪ ► ♫

♪ ► ♫ Take a sad song and make it better ♪ ► ♫

♪ ► ♫ Remember, to let her into your heart ♪ ► ♫

♪ ► ♫ Then you can start, to make it better ♪ ► ♫

Sei que o que vou confessar agora pode fazer com que algumas muitas pessoas xinguem até a minha 5ª geração de antepassados, mas vou revelar assim mesmo.

Eu tenho um grave problemas com The Beatles cantando seus maiores clássicos, clássicos esses que me soam muito melhor na voz de outros artistas e de outros intérpretes. Por exemplo, assisti na última semana o filme Across the Universe que conta a história de uma rapaz inglês de Liverpool, durante a década de 70, tentando a sorte na vida entrando clandestinamente nos EUA. De pano de fundo temos a sua busca pessoal pelo pai americano que abandonou sua mãe e a guerra do Vietnã. A superficialidade com que esses temas são tratados ao longo da narrativa são insignificantes a partir das boas versões de The Beatles nas vozes de Jim Sturgess, Evan Rachel Wood e Joe Anderson.

O mesmo ocorre em alguns episódios que acompanhei nas temporadas de American Idol, nas vezes que os candidatos do reality show interpretavam as canções beatlesnianas.

Em todas essas ocasiões sempre vinha para a internet buscar pela versão original e essa experiência, em quase a sua totalidade (uns 99,99999%) tornaram-se aborrecidas. “Nossa, a versão é muito melhor”, eu pens(o)ava.

Não consigo passar de um minuto ouvindo The Beatles cantando suas próprias canções, enquanto estas conseguem facilmente ficar no looping do player do meu celular em suas novas versões. Conclui-se que sou muito mais fã das músicas dos Beatles do que do grupo propriamente dito.





ANÁLISE: Um Dia

5 02 2012

Um Dia retrata o decorrer de um longo relacionamento entre Emma (Anne Hathaway, Amor e Outras Drogas, dublando na animação Rio e ainda no inédito, Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge) e Dexter (Jim Sturgess, Across the Universe e Quebrando a Banca). Desde que se formaram em 15 de julho de 1988, eles passaram a se encontrar nesse mesmo dia nos anos seguintes. Apesar de parecer um encontro casual, Emma já apresentava certa atração pelo rapaz e a aproximação só não se concretizava por sua timidez.

A burocrática amizade entre os dois pode ser simbolizada por uma gangorra. De uma boa família, Dexter não tinha dificuldades em realizar sua profissão e nem mesmo satisfazer seus desejos carnais insaciáveis. Vemos a facilidade com que ele viaja para Índia ou leciona na França. Emma por sua vez adota um caminho mais tortuoso, afastando-se da sua formação  no início de carreira, indo parar numa espelunca de comida mexicana, demonstrando sua simplicidade e sua aparente falta de ambição.

Com o passar dos anos, essa gangorra tende-se a equilibrar-se (e inverter-se posteriormente): o estilo aventureiro e a falta de juízo do bon-vivant,  querendo apenas  curtir a vida, o leva a um beco sem saída. Pelo jeitão descolado, Dexter é aproveitado pelas outras pessoas até onde interessa a elas. Só que o ‘descolado’ deixa de ser interessante à medida que a idade chega. E homem de trinta e poucos anos não combina em nada apresentando programas de TV ou a frente de outros projetos direcionados aos jovens.

A recatada Emma já adota outro estilo de vida. A busca por seu sonho é realizada numa velocidade bem menor, consciente e bem mais tranquila. O amor platônico que tem pelo Dexter é ‘abastecido’ sempre no mesmo dia, todos os anos, quando os dois voltam a se reencontrar e sobrevive mesmo observando-o de longe, o seu envolvimento com a longa lista de pretendentes.

As perdas que Dexter passa a sofrer fazem com que a gangorra penda favoravelmente a Emma. O falecimento da mãe devido ao câncer, a tentativa frustrada de casamento (mesmo após o nascimento de sua filha) acabam o isolando. Um grande contraste em comparação ao rapaz rodeado de lindas mulheres nos anos anteriores.

Só assim, isolado, solitário, para Dexter buscar conforto nos ombros de Emma (o que não é inédito na amizade deles). Mas dessa vez, além do consolo, Dexter quer tentar algo mais com a personagem de Hathaway. Apesar da relutância inicial pela já adulta Emma, agora menos por sua timidez e mais pela frequência com que vê seu eterno amado bêbado, ela aposta no relacionamento: a concretização de um antigo desejo para ela e um novo rumo para a vida de Dexter.

Infelizmente essa decisão é tardia. Aqui que Um Dia volta a sequência que iniciou o longa e dessa forma mostrar o fatídico acidente que rompe drasticamente o relacionamento de Emma e Dexter. Em vez de terminar a narração nesse momento, a direção toma a correta decisão de fazer uma pequena retrospectiva da convivência dos dois amigos, alternando com o prosseguimento da vida de um deles após o acidente, tentando reencontrar o equilíbrio da vida sem a presença do parceiro e dessa forma finalizar a projeção com a mesma leveza com que sua narração fluiu.

NOTA: 5/5





Sugestão para um sábado a noite

17 10 2009

Está sem nada para fazer nesse fim-de-semana, navegando nas ondas paradas da Internet na noite desse sábado como eu?

Bom, aí vai uma dica: http://www.radio.uol.com.br/editorial/cinema

Uma playlist da Rádio UOL com várias músicas tiradas de grandes sucessos de Hollywood (nesse momento começou ‘Streets of Philadelphia’, de Filadélfia, recente participação em uma de nossas análises). São 30 músicas passando por ‘O Poderoso Chefão‘, ‘Homens de Preto‘, ‘Titanic‘, ‘Across the Universe‘, ‘Dirty Dancing‘ e outras famosoas trilhas sonoras.

Uma excelente opção para quem não está curtindo os ‘embalos de sábado a noite’ e está a toa na frente do teclado.

Enjoy it!

PS.: E não se esqueçam de adiantar o seu relógio em uma hora, daqui a pouco. É o início do horário de verão. Claro, se você mora nas regiões que horário entrará em vigor.








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Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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