Oscar 2014: 12 Anos de Escravidão e Gravidade dividem a noite

3 03 2014

O que mais se esperava aconteceu. De um lado, a ficção científica garantiu todas as categorias técnicas e levou mais algumas de brinde. Nas categorias principais, o principal drama da temporada teve que dividir as estatuetas com os demais favoritos.

Das dez indicações, Gravidade levou sete Oscar’s para casa: as técnicas – melhor mixagem de som, melhor edição de som, melhor efeitos visuais, melhor montagem, melhor fotografia. Mas Alfonso Cuáron ainda conseguiu garantir a melhor direção e Steven Pryce levou o seu Oscar pela trilha sonora.

12 Anos de Escravidão com sua história emocionante poderia (como é de praxe) levar todos os demais prêmios principais, mas teve que se contentar com três: o principal deles, o de melhor filme, além de melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante para Lupita Nyong’o.

Quem diminuiu a festa da turma liderada por Steve McQueen foi a dupla imbatível de Clube de Compras Dallas, Matthew McCounaghey e Jared Leto e os seus merecidíssimos Oscar’s de melhor ator e melhor ator coadjuvante, respectivamente. O vocalista da banda 30 Seconds to Mars, por sua vez, fez o melhor e mais emocionante discurso da noite. A estatueta de melhor maquiagem os fizeram empatar em número de prêmios com o filme sobre a escravidão indevida de um violinista livre. Ambos empataram na segunda colocação com três conquistas cada.

No mais, os favoritos se confirmaram:

  • Cate Blanchett garantiu o prêmio de melhor atriz para Blue Jasmine;
  • Ela, de Spike Jonze, venceu na categoria de melhor roteiro original;
  • A Grande Beleza deu a Itália o prêmio de melhor filme estrangeiro;
  • Frozen – Uma Aventura Congelante deu mais dois Oscar’s a Disney/Pixar por melhor animação e melhor canção original com ‘Let it Go’, desbancando U2 com ‘Ordinary Love’ e Pharrell Williams com ‘Happy’.

Quem surpreendeu mesmo foi O Grande Gatsby, que na surdina ganhou duas vezes com todos os méritos: melhor direção de arte e melhor figurino.

Com uma transmissão mais dinâmica e divertida, a 86ª edição de entrega do Oscar contou muito com o carisma da apresentadora Ellen DeGeneres, que jamais se intimidou com a responsabilidade de comandar um espetáculo para mais de um bilhão de pessoas ao redor do mundo. Não é de se estranhar que muitas intervenções dela na transmissão ocorria a partir da plateia e foi em um desses momentos que rendeu o ‘selfie’ coletivo abaixo:

Olha o passarinho!

Olha o passarinho!

Publicada no Twitter, a foto já rendeu (até esse momento): 2.029.984 retweetadas e 864.125 curtidas! Números épicos!

Ao contrário de edições passadas, a votação do Oscar 2014 não cometeu injustiças e valorizou os filmes que mereciam os prêmios conquistados. Não há forma melhor de encerrar uma temporada de grandes produções!

TOTAL DE PREMIAÇÕES POR FILME:

  • Gravidade: 7 prêmios
  • 12 Anos de Escravidão: 3 prêmios
  • Clube de Compras Dallas: 3 prêmios
  • Frozen – Uma Aventura Congelante: 2 prêmios
  • O Grande Gatsby: 2 prêmios
  • Blue Jasmine: 1 prêmio
  • Ela: 1 prêmio
  • A Grande Beleza: 1 prêmio
  • Mr. Hublot: 1 prêmio
  • Helium: 1 prêmio
  • The Lady in Number 6 – Music Saved my Life: 1 prêmio
  • A Um Passo do Estrelato: 1 prêmio
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ANÁLISE: Gravidade

23 10 2013

“A vida no espaço é impossível!” É com uma frase simples e impactante como essa que o longa de Alfonso Cuáron (diretor de Filhos da Esperança e Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban) se inicia com os tripulantes da nave Explorer – doutora Ryan, Matthew e Shariff – realizando uma série de procedimentos reparadores na parte externa do telescópio Hubble. Gravidade impressiona desde as suas primeiras cenas recriando gloriosas imagens do espaço, da Terra e do Sol como pano de fundo para o trabalho desses profissionais.

Para quebrar o silêncio absoluto desse ambiente, os diálogos entre os personagens – mais os comandos em off do profissional alocado em Houston (a voz de Ed Harris, Marcas da Violência e Uma Mente Brilhante)- constroem minimamente os perfis de cada um deles: a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock, de Um Sonho Possível e A Casa do Lago)  é considerada “o gênio” da missão, cuja participação consiste em instalar um dos seus projetos criados em terra no famoso telescópio; Matthew Rowalsky (George Clooney, Amor sem Escalas e Os Descendentes), tagarela, se mostra mais interessado em relatar suas experiências terrenas (mesmo que repetidas vezes) e ouvir as suas músicas country’s enquanto testa um assento com propulsores acoplado ao seu traje espacial. O terceiro, Shariff (Phaldut Sharma, que já trabalhou com o diretor em Filhos da Esperança), é pouco apresentado ao espectador, funcionando apenas como uma peça avulsa na narrativa prestes a ser descartada, o que de fato ocorre.

Tudo flui normalmente até quando o responsável pelo controle da missão em Houston ordena para que os astronautas abortem a missão e retornem imediatamente a Explorer. Motivo? Uma atividade dos russos com mísseis não sai como planejado e acaba criando uma nuvem de detritos que, numa reação em cadeia, vai destruindo os satélites de comunicação e atingem uma velocidade impressionante de 80.000 km/h exatamente na mesma altitude em que eles se encontram.

Com o desenrolar da narrativa, Cuáron passa a utilizar habilmente a sua câmera para aumentar  o drama e a angústia do filme. Com a câmera solta, rodopiando em pleno espaço sideral, cria-se assim uma atmosfera extremamente verossímil para a história, onde longos planos-sequências alteram a função das lentes, de observadora a primeira pessoa sem um único corte aparente. Em uma única tomada de cena, a câmera deixa de ser observadora, sujeita aos movimentos aleatórios de quem se encontra solto no espaço, e passa a assumir o ponto de vista de dentro dos capacetes dos personagens.

Um dos grandes trunfos de Gravidade é realmente a criação e a exploração dos momentos de suspenses, fugindo dos clichês que filmes de mesma temática cometem. Algumas pistas são deixadas previamente para o espectador adiantando o que está por vir: sejam fagulhas soltas no ar indicando um futuro incêndio; pequenos fragmentos de satélite, que por estarem em órbita, voltam gradativamente a atormentar a vida espacial da doutora Ryan e até mesmo um extintor que será um importante instrumento de manobra para ela.

Mantendo-se fiel a sua realidade, Gravidade se permite impactar muito mais pelas imagens em si do que pelo som – de efeitos ou de trilhas. Embora ambos também sejam usados para essa finalidade, assim como a ausência desses em alguns momentos confere um ar ainda maior de tensão para o que se vê em tela. Também é interessante observar a inserção pontual de batimentos cardíacos ou de respiração guiando a apreensão do espectador em momentos que não temos o ponto de vista dos personagens.

Por outro lado, temos que citar o fraco desenvolvimento da personagem de Sandra Bullock, que mesmo com um passado de acontecimentos drásticos, não são fortes o suficiente para criar uma grande expectativa por sua sobrevivência. Se houve alguma preocupação, essa deve-se muito mais aos perigos e riscos enfrentados por ela num ambiente hostil. A própria interpretação de Bullock sofre alterações no decorrer da trama: sendo mais eficientes quando atua em conjunto com George Clooney na primeira metade do longa (sendo beneficiada pela ocultação que a roupa espacial oferece) e nos momentos finais, quando está prestes a reentrar na atmosfera terrestre. Nos outros momentos, onde a história depende exclusivamente dela, Sandra Bullock não atinge a carga emocional desejada para a sua personagem numa economia de atuação incompreensível. Isso é perceptível principalmente num momento crucial quando a doutora desiste de lutar pela sua sobrevivência e não concordamos e muito menos discordamos de sua atitude.

Mas nada diminui a criatividade e originalidade de Cuáron para contar sua história, sentindo-se livre para usar a câmera como bem entender, ciente de que no espaço não existe a posição correta para ela, não há definição do que é para cima ou para baixo, criando-se uma das fotografias mais desafiadoras já criadas e apresentadas pelo cinema. Nada mais natural que o encerramento de Gravidade seja feito em grande estilo com o uso inteligente dela, onde a câmera, mantendo-se no nível da água, testemunha o crescimento descomunal da doutora Ryan ao ficar de pé na areia molhada, simbolizando a sua vitória em todos os sentidos.

NOTA: 5/5





Gravidade e um fato raro nos cinemas brasileiros

20 10 2013

Além de um espetáculo em termos de filme (com uma narrativa inovadora e angustiante), o longa de Alfonso Cuáron ainda trouxe um outro aspecto interessante, que deixa qualquer cinéfilo extasiado com uma lágrima escorrendo pelo olho: há muito tempo, considerando os primórdios das minhas idas constantes ao cinema (o longínquo ano de 2001), que não via esse fato ocorrer.

Gravidade chegou aos cinemas brasileiros apenas com cópias LEGENDADAS. E isso quase passou despercebido por mim. A primeira constatação foi realizada no multiplex do Cine Araújo do Shopping Parque das Bandeiras aqui em Campinas. Recém-inaugurado (menos de um ano) passou a ser um novo endereço para os filmes dublados da cidade. Mas de algumas semanas pra cá, o próprio perfil do shopping no Facebook vinha noticiando a existência de uma única sessão legendada no empreendimento com a divertida temática do “Dubladofobia“. E sim, eu sofro desse bem (dubladofobia não é um mal), de não tolerar a existência de sessões dubladas para o público adulto (classificação de 12 anos em diante). Então achei que as sessões legendadas de Gravidade fizessem parte desse programa.

Mas na segunda semana de Gravidade em cartaz, fui conferir a programação de outro cinema de Campinas: o caçula da cidade, o Cinesercla no Spazio Ouro Verde. Assim como o primeiro, também tornou-se outro complexo para os dublados por aqui. Mas qual não foi a minha surpresa ao me deparar com as únicas duas sessões de Gravidade legendadas? Embora não tenha acompanhado a programação desse cinema desde sua inauguração, mas acredito que seja o primeiro filme “com letrinhas” a ser exibido por ali. Por outro lado, nos cinemas Moviecom no Shopping Unimart não realiza exibições de Gravidade, mantendo sua programação 100% dublada.

A partir de então procurei a fazer uma pesquisa em várias cidades e vários cinemas e a história se repetia: Gravidade exibido legendado ou deixando de ser exibido naquelas redes que se curvam a mutilação que a dublagem faz nas obras originais. Isso até chegar numa pesquisa nacional por Gravidade no site da maior empresa exibidora do país: a rede Cinemark. E não deu outra: Gravidade APENAS legendado em todo o Brasil (inclusive na única sala da rede que exibe Gravidade no formato convencional (2D) no Shopping Aricanduva, sendo aqui o único filme legendado nas 14 salas do multiplex).

Um fato surpreendente a se comemorar e muito! Por isso faço um apelo aos meus leitores: se esforcem (se ainda não o fizeram) a assistir Gravidade onde estiver disponível aí na sua cidade e mostrem aos exibidores e distribuidoras que o filme legendado tem sim público aqui no Brasil. E se puderem, façam ainda mais: assistam novamente, levem amigos juntos! Eu, por exemplo, aproveitarei essa rara oportunidade para conhecer os complexos aqui citados (o Cinesercla que não conheço e o Cine Araújo, onde já fui, mas não ainda na sala VIP onde Gravidade está sendo exibido).

E não há melhor filme para essa corrente ser feita nesse momento do que Gravidade, que merece muito nossa audiência!

P.S.: Por último e igualmente importante, deixo aqui meu testemunho de ter uma sessão exemplar de Gravidade na sala XD do Cinemark Iguatemi Campinas na última quarta-feira (16). Desde o público, que se comportou à altura do filme e à altura da educação que uma sala de cinema exige até a decisão do complexo em acender as luzes da sala apenas após o fim dos créditos finais! São de mais sessões assim que precisamos e necessitamos!

P.S.2: Se por acaso você souber da (infeliz) existência de uma sessão de Gravidade dublado nas suas redondezas, por favor me informei através dos comentários, que com pesar, atualizarei as informações nesse post! E se for possível me passe o nome/site do cinema para serem incluídos aqui!








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Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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