ANÁLISE: A História da Eternidade

16 10 2014

FILME VISTO DURANTE O VI PAULÍNIA FILM FESTIVAL

-> Vencedor do Menina de Ouro de melhor filme pelo júri, melhor direção (Camilo Cavalcante), melhor ator (Irandhir Santos) e melhor atriz (dividido entre as atrizes Débora Ingrid, Zezita Matos e Marcélia Cartaxo).

-> A História da Eternidade também é um dos grandes destaques da 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com três sessões programadas: dia 24/10 – 21h00 – Espaço Itaú de Cinemas Frei Caneca ||| dia 26/10 – 15h00 – CineSesc ||| dia 28/10 – 19h50 – Reserva Cultural

O que mais enriquece um filme que tenha o Nordeste brasileiro como locação é a excelente oportunidade de usar o choro da sanfona na composição da obra. Some-se a isso a desolação de uma paisagem extremamente árida, seca. Temos uma junção muito potente de imagem e som que resultam em um retrato paradoxalmente belo e melancólico.

O que já seria triste por natureza agrava-se ainda mais quando surge nessa paisagem uma procissão que persegue, em meio a poeira, um caixão diminuto e branco. Um caixão infantil. O destino desse pequeno grupo de pessoas é o cemitério que, se inserido num amplo campo de visão, torna até difícil determinar onde ele termina e onde o sertão começa.

Uma região seca e de parcos recursos, onde pouca coisa muda e a tradição perpetua. Entre seus poucos personagens, o diretor pernambucano Camilo Cavalcante (que também assina como roteirista) consegue pincelar todos os tipos de habitantes que compõe, de fato, a região: a família que trabalha arduamente na lavoura e que mantem a única mulher da casa (mesmo que ela seja a filha caçula) nos afazeres domésticos e responsável pelas refeições; outra família encontra-se dividida entre aqueles poucos que ficaram e os outros muitos que foram tentar uma sorte melhor em outras cidades – capitais nordestinas ou as regiões sul e sudeste brasileiras. Qual seja a história, a pobreza e fome estará presente.

Alfonsina (Débora Ingrid) perdeu a mãe muito cedo e desde criança (ou seja, há pouco tempo) aprendeu a dominar o fogão para alimentar seu pai e irmãos. Cada refeição na casa deles consiste no mesmo ritual: os filhos veem o pai se servir primeiro para depois servirem a si mesmos, enquanto a caçula acompanha tudo de pé aos fundos. A pessoa com que Alfonsina tem mais intimidade mesmo é o tio João (Irandhir Santos, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo e O Som ao Redor), que com as constantes viagens para o litoral tem a veia mais cultural, hippie ou descolada entre todos da comunidade. É ele quem instigou a fascinação de Alfonsina pelo oceano.

Próximo dali, a senhora Das Dores (Zezita Matos, Cinema, Aspirinas e Urubus e O Céu de Suely) recebe a visita de Geraldinho (Maxwell Nascimento, dos longas Querô e De Menor), o neto que retorna de São Paulo aparentemente passar uma breve temporada na terra onde nasceu, mas que na verdade está mesmo se escondendo de um passado violento. Fechando o ciclo, ainda há Aderaldo (Leonardo França), um sanfonista cego, persistente em seu sonho de conquistar o coração de Querência (Marcélia Cartaxo, A Hora da Estrela e Quanto Vale ou é Por Quilo?), uma pobre senhora viúva.

Para contar a história desses personagens, A História da Eternidade explora ao máximo o cotidiano da região. Ao mesmo tempo em que o retrata com todas as mazelas que o constituem como o transporte em pau-de-arara, o único telefone público da região ou o espaço social do televisor comunitário, o filme ainda acha espaço para criar cenas absurdamente lindas e poéticas: além da sequência inicial já citada no primeiro parágrafo, podemos citar o amanhecer entre os cactos,  a performance individual de Irandhir em um show muito particular e estranho aos olhos daqueles o cercam. Há ainda a divisão do filme em atos (três ao todo) muito bem construída e representada visualmente a partir das árvores, que vai do cômico ao trágico com a mesma eficácia.

Com cada história apresentando suas particularidades, todos os personagens sofrem de um sentimento em comum: a carência. Seja ela causada pela distância (geográfica ou emocional) ou fruto da incompreensão dos mais próximos em relação aos sonhos e/ou desejos. O que choca é a crueldade com que o destino trata de lidar com cada um deles, quase que simultaneamente e num momento raro onde até o cenário tem suprida a sua maior necessidade: a água da chuva.

NOTA: 5/5





ANÁLISE: Maze Runner – Correr ou Morrer

10 10 2014

Um elevador está subindo. Na escuridão plena, só o ruído de seu funcionamento é perceptível. Esse é um processo que se repete já há um bom tempo. O novato chega ao que chamam de Clareira e sua presença, recém-saída de um buraco no chão, é acompanhada de perto por inúmeros garotos, todos habitantes de uma espécie de vilarejo cercado por enormes e intransponíveis muralhas que protegem um labirinto de mesmas proporções.

Todos aqui presentes já passaram por isso: chegam desnorteados, desconhecendo seu passado e seus próprios nomes. Assim como os veteranos, o novato de agora leva algum tempo para lembrar o seu, Thomas (Dylan O’Brien, da série Teen Wolf e da comédia Os Estagiários). Em um sistema de camaradagem e cooperação (o grupo exige respeito um dos outros para a comunidade se manter nos eixos), Thomas passa a se familiarizar com o ambiente, toma ciência das regras e dos perigos que o cercam assim como o estranho fato da passagem para o labirinto se fechar ao entardecer. Antes que isso aconteça é preciso que membros do grupo, chamado de Corredores, retornem de sua jornada diária: mapear todo o labirinto durante o dia e voltar antes que a abertura se feche. Ninguém que, involuntariamente, tenha quebrado essa regra sobreviveu para contar a história. As únicas duas certezas que possuíam sobre o que se passava do outro lado da muralha ao cair da noite vinham do som das paredes internas da construção se rearranjando e os grunhidos das criaturas denominadas Verdugo.

A chegada de Thomas quebra o status quo do grupo comandado por Alby (Aml Ameen, O Mordomo da Casa Branca e Juventude Rebelde). Embora na comunidade todos cumprissem com os seus deveres, tal comportamento acabava vetando uma ousadia maior de seus membros, minguando qualquer possibilidade que os tirassem dali. Seria a desobediência às regras um mal necessário? E um mundo onde não houvesse infrações e nem autoritarismo não seria perfeito como a ideia nos parece? A ousadia e curiosidade de Thomas renderam muito mais – em poucos dias – do que o trabalho daqueles que estavam ali há anos e contentaram-se apenas em descobrir os limites do labirinto. Verdade que poucos sabiam para não acabar com a esperança de todos.

Alguns aspectos da trama de Maze Runner – Correr ou Morrer devem ser relevados, bem mais até do que o limite do aceitável para um filme ser considerado bom. Mesmo querendo levar a crer que todas as possibilidades tenham sido esgotadas anteriormente, não entendemos o porquê de nenhum deles ter usado a relva que cobre as paredes do labirinto para se esconder dos tais Verdugos e obter, assim, mais tempo para investigar o local. Ou até mesmo a existência inflada de personagens para funcionarem apenas como gatilho narrativo em certos momentos e serem totalmente ignorados no restante do filme – caso de Teresa (Kaya Scodelario, de Fúria de Titãs e Lunar) e Chuck (interpretado pelo novato Blake Cooper).

Nem mesmo com o ataque maciço dos Verdugos à Clareira, a história conseguiu eliminar todos os figurantes dispensáveis. Isso afeta diretamente as cenas de ações que empolgam pelo perigo imediato (principalmente aquelas que se passam dentro do labirinto), embora sejam poucas as pessoas com quem realmente nos preocupamos. Por isso, as sequências protagonizadas apenas por Thomas funcionem melhor do que as restantes, na medida em que o ator Dylan O’Brien realiza um bom trabalho naquilo que lhe concerne, construindo um líder admirável, crível, que transmite confiança e tenha facilidade para angariar apoio dos demais. A única exceção atende pelo implicante Gally (com Will Poulter, de Família do Bagulho e As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada, assumindo bem o papel de tirano), que tem as suas motivações para agir de tal modo.

Quem vai assistir a Maze Runner – Correr ou Morrer deve ter em mente a intenção clara do estúdio em incluir uma nova franquia de sucesso em seu catálogo e finais em aberto devem, necessariamente, fazer parte dessa receita. A esperança de uma continuação vem acompanhada de um bom desempenho de público e a liderança nas bilheterias americana e brasileira já garantiu a estreia da segunda parte para setembro de 2015. Entretanto, o longa dirigido por Wes Ball (se aventurando pela primeira vez na direção de um grande projeto de Hollywood) não cria um desejo desenfreado para a espera de uma continuação, nem mesmo com a revelação do mundo pós-apocalíptico por trás do labirinto. Na realidade há sim um certo receio em aguardar o que está por vir.

NOTA: 3/5





ANÁLISE: Isolados

7 10 2014

Assobios de alguém que está procurando algo na escuridão. Uma trilha sonora grave e contínua e uma câmera hesitante em mostrar o que está acontecendo criam uma atmosfera misteriosa e envolvente. Mais alguns instantes e a surpresa: toda a escuridão presente advinha muito mais da mata fechada em si, que impedia a penetração da luz de um dia que já se findava lá fora, do que uma falta real de luminosidade.

Gratificante acompanhar essa crescente diversificação do cinema nacional, não só em temática, mas também em gêneros. Uma produção cinematográfica que já abordou a favela, o sexo, a violência, que agora insiste na comédia descompromissada, mas consegue agora produzir suspenses e dramas muito bem realizados e começa a se aventurar nas animações (e conquistar importantes prêmios internacionais nesse terreno).

Lauro (Bruno Gagliasso em seu segundo filme após Mato sem Cachorro) e Renata (Regiane Alves, de Zuzu Angel e O Menino no Espelho) são um casal que vão passar alguns dias numa casa totalmente isolada no meio da mata no estado do Rio de Janeiro. Mas o que eles não sabiam antes de chegarem ali era o fato de que mulheres foram mortas e violentadas no meio da floresta. E quem o fazia ainda continuava a espreita.

O motivo para essa viagem e para esse isolamento é explicado em rápidos e sucintos flashblacks, que mostram o passado conturbado de Renata, mentalmente falando, motivado por um trauma de infância: a perda repentina e precoce do pai. Ela torna-se paciente de Lauro, um psiquiatra que se autodefende como alguém que “gosta de levar trabalho para casa” e daí para surgir um relacionamento entre eles foi um pulo. Passar uma temporada longe da agitação da grande cidade poderia auxiliar no tratamento dela. Poderia.

Renata surta em dado momento quando Lauro a impede de sair de casa. Ela desconhecia o que se passava na região. Uma hora a mulher consegue se desvencilhar da proteção do namorado/doutor e foge mata adentro. Isolados age corretamente em manter a ameaça escondida, nunca a exibindo. Tudo o que o espectador recebe nesse sentido são relances dos assassinos, sons em meio à mata, sombras. Os suspeitos nunca são devidamente expostos, nem mesmo quando Lauro se depara com os criminosos. Decisões clichês, mas que funcionam e atendem a proposta do filme.

Os protagonistas passam a viver uma aflição e um temor dentro da casa. Impossibilitados de deixarem o local devido ao grave ferimento na perna de Renata, eles acabam isolados na residência, trancafiados, sem energia e sem comunicação, portanto, sem nenhum tipo de auxílio externo. Mais do que a probabilidade que os assassinos voltem a agir novamente, são os surtos cada vez mais frequentes de Renata que podem atrapalhar a tentativa de saírem dessa situação.

Eficiente em sua montagem que cria um thriller interessante, principalmente nas cenas de ação beneficiadas por uma edição ágil, Isolados peca mesmo no roteiro de duas formas distintas: no excesso de frases expositivas e óbvias, com o claro intuito de indicar o rumo da trama e na construção rasa do núcleo de personagens da força policial – que agem e falam de um modo tão inexperiente que chegamos a temer pelas vítimas cujas respectivas vidas dependam da investigação realizada por eles.

Mesmo com tais falhas, a história surpreende em seu desfecho por desconstruir completamente o perfil de um personagem e mesclar realidade e fantasia sem negar tudo o que foi mostrado. Vale a pena destacar também a linda e justa homenagem prestada durante boa parte dos créditos finais a José Wilker (O Bem Amado e Casa da Mãe Joana) que faz uma pequena participação especial com, possivelmente, uma das cenas do ator que acabaram sendo excluídas da edição final.

NOTA: 3/5





ANÁLISE: O Lobo Atrás da Porta

4 10 2014

FILME VISTO DURANTE A 1ª SEMANA TUPINIQUIM CINEFLIX

Uma investigação sobre o rapto de uma garotinha na creche aponta que há motivações bem mais graves por trás do sequestro. As revelações ocorrem a partir de depoimentos dos envolvidos frente ao delegado vivido por Juliano Cazarré (dos filmes Serra Pelada e A Febre do Rato). De forma incisiva e até bruta, ele consegue maiores detalhes dos depoentes. A sua experiência no cargo lhe ensinou a não ignorar nenhuma vertente de possibilidades, por mais que aqueles sentados a sua frente possam estranhar os seus questionamentos.

Sylvia (Fabíula Nascimento, Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho e Estação Liberdade) aparece com uma queixa na delegacia contra a responsável pela creche de sua filha, já que a criança foi entregue a uma desconhecida após uma falsa ligação em nome dela alegando mal-estar e, portanto, não poderia buscar a criança na escola. Com a chegada do pai, Bernardo (Milhem Cortaz, dos dois Tropa de Elite e Amanhã Nunca Mais), e a perspicácia do delegado, logo se sabe a existência de uma amante. Assim, todas as suspeitas recaem sobre Maria Rosa (a atriz Leandra Leal, de Cazuza: O Tempo não Pára e Zuzu Angel), mulher que mantem um relacionamento extraconjugal de mais de um ano com o pai da criança desaparecida.

Flashblacks complementam os testemunhos, momentos em que o roteiro de Fernando Coimbra (e que também dirige o seu primeiro longa-metragem), usa para mostrar o ponto de vista de cada personagem e, dessa forma, consegue mesclar sequências de intensa carga emocional com outras cenas mais tranquilas, mais íntimas. Para um thriller policial, o filme conta com algumas passagens com ritmo que destoa do restante da narrativa, sem afetar dessa forma o nosso interesse pela trama. Observe uma das inúmeras interações entre Bernardo e Rosa, onde em certo momento os dois conversam lenta e pausadamente com uma grade de janela separando eles da câmera. Poucos filmes do mesmo gênero apostariam em uma cena tão extensa como essa.

Sem dúvida isso é fruto do talento de seus atores. Com um dos melhores atores do cinema brasileiro em atividade, Milhem Cortaz, que demonstra perfeitamente todo o cinismo e cafajestismo de Bernardo – preocupado apenas em satisfazer seu desejo sexual – e mais Leandra Leal, que juntos em cena, transbordam uma sensualidade intensa. A atriz, por sua vez, transita muito bem pelos três perfis que compõe a sua personagem: além do de amante, ainda se faz de dissimulada para a esposa de Bernardo, frequentando sua casa como se fosse uma distante conhecida de muito tempo do casal e o de vilã, escondida atrás de suas expressões dóceis.

As ações dos dois que levam às drásticas ocorrências que O Lobo Atrás da Porta reserva em seu desfecho: Bernardo, tentando esconder a todo custo o seu relacionamento extraconjugal, opta por artifícios bárbaros ao forçar um aborto em Rosa e por um fim na relação, o que a leva ir até as últimas consequências. O problema é que ele nunca desconfiou (ou nunca acreditou) das tendências psicopatas dela. Psicopatia que não estabelece limites para o quê pode ou não ser feito para se vingar do término do caso amoroso e da crueldade a que ela foi submetida. Ao não querer falar mais do assunto, nem se arrepender do que fez e muito menos exigir o perdão de quem quer seja, define muito bem o lado vingativo, frio e calculista de Rosa.

O Lobo Atrás da Porta é um eficiente quebra-cabeças que vai sendo montado aos poucos e consegue camuflar os seus mistérios e apontar, propositadamente, para a direção errada (e nesse caminho conta com a participação especial da surpreendente e explosiva Thalita Carauta) sem se perder do fio condutor principal do drama. Uma experiência gratificante acompanhar o seu desenrolar e ver uma bem-sucedida diversificação (de gênero, temática e montagem) do cinema nacional que consegue extrair uma ótima história de um triângulo amoroso e de todas as suas mentiras e dissimulações. Uma promissora entrada de Fernando Coimbra no cenário de longas metragens brasileiros.

NOTA: 5/5





ANÁLISE: O Homem das Multidões

27 09 2014

FILME VISTO DURANTE A 1ª SEMANA TUPINIQUIM CINEFLIX

Uma multidão lá embaixo; muitos pedestres e o som conjunto de todas as suas vozes chegam ao mesmo tempo até a sacada do apartamento. O pátio de manobras do metrô em Belo Horizonte. Uma simetria ocorre na tela com um trilho em meio a duas composições de trens prontos para entrarem em operação. Em duas cenas iniciais, a direção conjunta de Marcelo Gomes (de Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo e Cinema, Aspirinas e Urubus) e Cao Guimarães (diretor em Rua de Mão Dupla e editor em A Festa da Menina Morta) resume rapidamente a vida do homem das multidões. Uma tarefa fácil porque não há muito que se falar dele.

Maquinista na capital de Minas Gerais – uma profissão por si só reclusa -, Juvenal (o novato Paulo André) tem uma vida inacreditavelmente solitária e monótona que se resume ao trabalho, ao vagar pela população sem rumo e à sua casa. No meio da multidão belo-horizontina, nem se pode dizer que ele esteja inserido, tamanha a sua invisibilidade. Nas calçadas e logradouros públicos ele está presente e ao mesmo tempo ausente. Ele sobe e desce as escadas rolantes das estações sem ser notado. Observar a operação noturna dos trens em BH é um estranho passatempo e o máximo de interação que consegue ter com os seres humanos que o cercam é o esboçar um sorriso a partir de uma gargalhada alheia.

Impossível que o convívio mútuo entre funcionários gerado pelo ambiente de trabalho não o fizesse criar um vínculo de amizade sequer. Assim, proveniente de uma iniciativa maior dela, Juvenal conhece a sua versão feminina interpretada por Sílvia Lourenço (de Bicho de Sete Cabeças e O Cheiro do Ralo). Margo só não possui o mesmo nível de isolamento crônico dele por manter contatos virtuais pela internet. Frios, mais ainda assim contatos. Até seu noivado é fruto de acessos a sites de relacionamento. Mas a inabilidade nata com o contato humano, com a conversa tête-à-tête é igual para os dois.

A dinâmica na amizade entre eles é peculiar, pois ambos têm a dualidade ausente-presente muito forte. Um está ao lado do outro, mas não há tato algum; as palavras no que, na prática, seria uma conversa são raríssimas. Tantas coisas em similaridade que acabou resultando nessa “amizade”, capaz de convencê-lo do improvável e tornar Juvenal padrinho de casamento dela. A maior aventura da vida dele foi ter dormido uma vez na cabine de maquinista, disparando o sistema de segurança do trem.

Assim, a história dos dois é mostrada e contada, mesmo que ela não vá para lugar algum e nem apresente nada de extraordinário. Nada se modifica e tudo permanece o mesmo. Muitas vezes até a câmera, imóvel e observadora, parece não reconhecer os personagens principais, onde o foco aponta para uma direção qualquer e de vez em quando temos a sorte (ou azar) de vê-los no enquadramento.  Com um modo de viver tão limitado e sem ambições, O Homem das Multidões ainda impõe limites ainda maiores ao adotar o incomum aspecto de vídeo 1×1: um buraco quadrado na tela do cinema.

A vida cotidiana natural e crua, em sua absoluta maioria, não apresenta nada de extraordinário que possa render uma história adaptável para o cinema. Mas, por outro lado, esse mesmo cinema não pode (e nem deve) se limitar a essa ou àquela história, afinal é sua liberdade criativa e inventiva (como o citado aspecto de vídeo) que o torna tão fascinante.

O Homem das Multidões possibilita questionamentos sim, ainda mais se tratando de algo que, se ainda não o é, virá a ser uma tendência a partir do crescente número de pessoas morando sozinhas e adotando o estilo solteiro de se viver. Mas torço para que essa preferência signifique uma vivência dinâmica, efervescente e pulsante, dada a sua liberdade, e não em algo mecânico, vazio e óbvio como o retratado aqui. É esse sentimento agridoce que o longa nos acomete. Levanta questões de grande interesse filosófico inerente ao homem e à sociedade atual. Mas em determinados essas divagações passam a extrapolar o limite da sala de cinema e aí temos que redobrar a nossa atenção e voltar o foco para a projeção. Se o filme deixa isso ocorrer alguma coisa está errada nele e aí opto pela visão daqueles que sempre consideram o copo meio vazio.

NOTA: 2/5





ANÁLISE: Se Eu Ficar

17 09 2014

O mal tempo típico do inverno no hemisfério norte fecha as escolas e altera o cotidiano de Mia (Chlöe Grace Moretz, A Invenção de Hugo Cabret e Carrie, A Estranha) possibilitando uma pequena viagem de carro dela com sua mãe (Mireille Enos, Guerra Mundial Z e Caça aos Gângsters), seu pai (Joshua Leonard, A Bruxa de Blair e Homens de Honra) e seu irmão caçula Teddy (Jakob Davies, de Uma Viagem Extraordinária e Guerra é Guerra!) . Muito mais do que uma simples alteração da rotina diária, essa mudança nos planos irá marcar definitivamente a vida da protagonista.

Nessa viagem, Mia sofre um trágico acidente e passa por uma experiência além-corpo enquanto inconsciente no leito do hospital. Ela vivencia, em espírito, tudo o que ocorre ao seu redor e o que se passa com os seus outros familiares na emergência onde a trama, efetivamente, ocorre. Flashbacks ao longo do filme desenvolvem melhor a personagem principal contando sua vida em família, da sua paixão pelo violoncelo e do seu envolvimento amoroso com Adam (Jamie Blackley, Branca de Neve e o Caçador e O Quinto Poder).

Se Eu Ficar, porém, trata-se muito mais de uma tentativa forçosa de emocionar (em vão) e repleto de frases de efeito vazias– ou marcantes ou de autoajuda, aquelas típicas de legendas de imagens alto astral que infestam as redes sociais -, e que deveriam causar algum impacto, mas não soam verdadeiras quando ditas pelos seus respectivos atores, sejam eles os novatos ou até mesmo os veteranos. A única vez em que essa intenção é atingida, o filme já está em sua parte final, quando o avô (Stacy Keach, de A Outra História Americana e Nebraska) discorre a neta sobre as decisões tomadas por seu filho no passado e enumera a dura realidade que a garota virá a enfrentar caso sobreviva. Um único e efetivo discurso em meio a tantas outras frivolidades.

O diretor R.J. Cutler (produtor-executivo da série Nashville), inclusive, foca demais na abordagem juvenil e desinteressante da trama e desperdiça nuances e características que poderia torna-la bem mais marcante. Logo no início, momentos antes da fatalidade que atinge a família de Mia, a montagem inclui rápidas inserções da paisagem que permeia a estrada sem nenhum intuito narrativo. E este seria um momento ideal para a contemplação do longa e uma maior valorização de sua boa fotografia.

O próprio acidente (em seu instante e no momento imediatamente posterior) é ocultado, quando deveria ser mais bem abordado sem prejudicar, necessariamente, em sua classificação indicativa. Faixa etária que, certamente, foi a maior preocupação de seus produtores. A própria música clássica vira uma mera alegoria na trama. Mia poderia ter qualquer outro dom ou hobbie que não haveria nenhuma interferência na trama, o que é indesejável de onde se espera uma boa história. E soa risível quando a jovem afirma que o violoncelo seria, para ela, o seu lar, o seu refúgio. O instrumento musical surge em cena como um garfo deveria aparecer numa cena de jantar.

O relacionamento entre Mia e Adam, construído inteiramente através dos flashbacks, também apresenta mais do mesmo. A fase do flerte, adequação de um ao mundo do outro (aqui, o mundo do rock ao mundo da música clássica), as dificuldades do namoro à distância a partir do momento em que Adam começa a sair em turnês com a sua banda e Mia precisa ficar em casa e praticar para a sua audição no renomado instituto da Juilliard

A única coisa interessante de Se Eu Ficar é convergir a crise no relacionamento dos dois adolescentes com o desfecho do acidente.  E o faz satisfatoriamente. Da necessidade da presença de Adam no hospital para que Mia tenha uma chance real de sobrevivência, um motivo para que ela possa se apegar aqui na Terra. Mas com uma construção tão mesquinha e covarde oferecida até esse instante, a concretização fica muito aquém do ideal. E uma das razões para tanto seja a inexperiência do diretor em projetos para o cinema, já que possui uma carreira praticamente toda voltada para a televisão americana.

NOTA: 1/5





ANÁLISE: No Olho do Tornado

13 09 2014

Rua deserta em uma área residencial. Noite. Um grupo de amigos dentro de um automóvel. De repente, ao longe,  a iluminação pública vai se apagando progressivamente, extinguindo-se os pontos luminosos no alto dos postes até entendermos claramente o que está acontecendo. E os ocupantes do carro também o descobrem, só que tarde demais: um tornado se aproximava.

A cena inicial de No Olho do Tornado ilustra muito bem toda a sua esquemática. O que o roteiro do novato John Swetnam (Evidências e Ela Dança, Eu Danço 5) não apresenta em ousadia, o diretor Steven Quale (responsável pela direção de Premonição 5, além da parceria recorrente com James Cameron como assistente de direção 2ª unidade em Avatar e Titanic) compensa nos ótimos efeitos visuais das cenas de ação alucinantes. Gary (Richard Armitage, de Capitão América: O Primeiro Vingador, mas que também surge novamente como Thorin, Escudo de Carvalho nesse ano em O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos), viúvo, não tem um relacionamento considerado ideal com seus filhos, Donnie e Trey (respectivamente Max Deacon, de Reflexos da Inocência e da minissérie Hatfields & McCoys, e Nathan Kress, o Freddie Benson da série teen iCarly) . O três se preparam para o evento da formatura no colégio do qual o pai é o vice-diretor, enquanto os dois meninos serão responsáveis pela filmagem do evento. Pela parafernália eletrônica no quarto deles, sabe-se de antemão que filmar não é um mero hobbie para eles.

Aproximando-se da cidade está um grupo de caçadores de tornados em uma má fase profissional, pois já há algum tempo que não registram nenhuma tempestade substancial. O líder deles, Pete (Matt Walsh, Se Beber Não Case e Ted) deposita a culpa desse infortúnio em Allison (Sarah Wayne Callies, de Visões de um Crime, mas mundialmente reconhecida pelo trabalho em The Walking Dead), a graduada da equipe responsável por prever os fenômenos e, de preferência, o local exato onde eles ocorrerão. Para auxiliá-los,  Titus, um veículo robusto anti-tornado, capaz de resistir às maiores rajadas de vento já registradas pelo homem para colocar os seus ocupantes, literalmente, dentro do olho do tornado. Fechando as três linhas principais da história temos os amigos de Donk (Kyle Davis, A Morte Pede Carona e Prenda-me se For Capaz), que não sentem nenhum receio de estarem próximos de um furacão de grandes proporções.

Para justificar os pontos de vista exibidos, No Olho do Tornado recorre a mania mundial de todos filmarem tudo a todo momento. Um simples celular já é o suficiente para captar algo, não sendo necessário nenhum outro equipamento profissional. Natural, portanto, que ao longo do filme o foco transite entre o tradicional em terceira pessoa e as câmeras que os personagens portam, passando inclusive pelo uso de câmeras de segurança e até por um enfoque jornalístico fictício.

Essa alternância é o que longa tem de mais cativante, exigindo uma preocupação maior com os efeitos digitais, pois muitas vezes o espectador se vê muito próximo das áreas de destruição e de suas consequências e nesse aspecto o diretor não decepciona. Podemos até não gostar das decisões triviais dos personagens que conduzem fracamente a trama – como aquela que põe Donnie e sua nova colega Kaitlyn (Alycia Debnam Carey) para longe da escola -, mas No Olho do Tornado chega, com muita competência, a um novo patamar no que se refere às cenas de destruição em um filme-catástrofe, criando aqui algumas sequências emblemáticas, memoráveis e de tirar o fôlego. O longa também se beneficia ao se preocupar menos com as questões científicas e mais em convencer e impactar quem o assiste, em tornar crível aquilo que é evidenciado, independentemente das suas possibilidades aqui no mundo real.

Dentre outras virtudes, John Swetnam tem a boa vontade de não se contentar com apenas um, mas incluir três clímax em sua conclusão, uma adição muito bem vinda e muito bem executada de adrenalina. Para não dizer que tudo é perfeito, além das motivações fracas de alguns de seus personagens principais já citadas, No Olho do Tornado falha nas (poucas) inserções de humor na história e não consegue desvencilhar do batido e velho altruísmo americano, o clichê dos clichês em filmes do gênero. Mas com a intensa dose de aflição com que se sai da sala de projeção, isso é facilmente relevado.

NOTA: 4/5





ANÁLISE: O Menino e o Mundo

16 08 2014

 

Texto republicado em nossa página no Ser ou Não Seihttp://bit.ly/1Weuo5x





ANÁLISE: Guerra Mundial Z

14 07 2013

Há algo muito errado em Guerra Mundial Z: ou por ser ambicioso demais em sua premissa e não conseguir executá-la adequadamente ; ou o receio em assustar o seu espectador, na clara intenção de conseguir uma classificação indicativa baixa e o que isso viria acrescentar em sua bilheteria, ao optar por decisões covardes e conservadoras em sua narração. Ou, também, pode ser a junção de ambas as opções.

O conservadorismo está presente desde o início do filme de Marc Forster (Em Busca da Terra do Nunca e 007 – Quantum of Solace). Nem para situar o contexto dos seus personagens, Guerra Mundial Z se distancia de seus antecessores de mesma temática: a aparente tranquilidade da humanidade em recortes dos noticiários, a situação de perigo dos personagens principais em meio a uma multidão, a apresentação inicial das criaturas da vez atacando inocentes ou a sua transformação em cobaias de laboratório. Tudo isso já foi explorado com muito mais propriedade em Eu sou a Lenda, por exemplo. Uma abordagem preguiçosa e repetitiva como se pode notar.

O ritmo frenético em apresentar Gerry Lane  (Brad Pitt, Clube da Luta e O Curioso Caso de Benjamin Button) salvando sua família da pandemia de zumbis em sequências que duram pouquíssimos segundos na tela, imprime uma falsa noção de tensão na história, um nervosismo que o roteiro não consegue construir e muito menos manter com a insistência de esconder os zumbis em cortes rápidos e confusos. Se a intenção era criar medo a partir do desconhecido, essa estratégia falhou totalmente. Até a forma como eles são apresentados é muito seca: a conversão da forma sadia para a infectada ocorre a partir de contorcionismos muito bem ensaiados, mas pouco explorados ao longo da narrativa. No mais, os zumbis são apenas vultos e gritos.

Com um passado mal apresentado, baseado apenas em “pai abandonar a profissão por ficar muito tempo ausente no cotidiano familiar”, Kerry tem a ótima vantagem de ser útil a Organização das Nações Unidas, que se mantem afastada do apocalipse a bordo de sua frota naval no Oceano Atlântico. Embora esse refúgio seja apenas uma troca de favores (afinal seus responsáveis não hesitam em expulsar a família de Kerry assim que suspeitam de sua morte em determinado momento), a ONU passa a trabalhar para obter a cura para essa epidemia.

Se há dificuldades em construir uma história crível num cenário específico, Guerra Mundial Z passa a se desenvolver ao redor do mundo: Coreia do Sul, Israel e País de Gales surgem na trama como se todos os países estivessem localizados no mesmo quarteirão que os EUA, tamanha a rapidez com os personagens entram e saem deles.

Ainda tem que se observar que o roteiro abusa da boa vontade do espectador ao inserir um número considerável de cenas absurdas no decorrer do filme, por exemplo: um tropeço causar a morte de um determinado personagem; uma cortina do avião impedir que os passageiros não percebessem o pânico generalizado na outra classe da aeronave e até mesmo a detonação de uma granada, enquanto viajavam a uma considerável altitude…

Mesmo contando com outros clichês, os últimos 20-30 minutos de Guerra Mundial Z merecem destaque por sua concepção. Além de colocar pela primeira vez (e tardiamente) em perigo o personagem de Pitt, essa sequência tem um ritmo interessante de ação, despertando uma atenção crescente pelo desenrolar de toda a situação. E a resolução de toda a trama revela uma corajosa decisão, uma coragem que o filme inteiro preferiu não ter. Ou seja, este filme é mais um exemplar do gênero apocalíptico, que repete a mesmíssima receita dos demais longas do gênero e mesmo assim não consegue obter êxito!

NOTA: 2/5





ANÁLISE: O Grande Gatsby

9 07 2013

O Grande Gatsby demonstra como o amor pode exercer forte influência na vida de alguém tanto para o bem, quanto para o mal. Como amor pode te levar a conquistar algo incrível, mas também pode te levar ao completo fracasso, ao desperdício de uma vida.

Narrado a partir do ponto de vista de Nick Carraway, um personagem que sofre com a apatia em tela de Tobey Maguire (da trilogia Homem-Aranha e Entre Irmãos), que não transmite qualquer tipo de energia à ele com uma atuação extremamente apagada e esquecível e isso acaba influenciando diretamente a fraca primeira metade do longa de Baz Luhrmann (Moulin Rouge – Amor em Vermelho e Austrália), sem fascinar o espectador sobre sua história de vida, contaminando assim toda a obra.

Em uma histérica Nova York de 1922 com sua elite nadando à grandes braçadas em rios de dólares, Nick nos apresenta um casal de conhecidos seus: Daisy (Carey Mulligan, Drive e Não me Abandone Jamais) e Tom Buchanan (Joel Edgerton, A Hora mais Escura e na animação A Origem dos Guardiões) que sofrem com a falta de amor no relacionamento – agravado pelo caso latente de traição do marido, até receber o inesperado convite para uma das espetaculares festas realizadas na mansão vizinha à sua residência. Mansão onde residia, claro, Gatsby. Essa demora em revelar o personagem principal (que não era segredo algum para os espectadores mais antenados) só prejudica o filme ao deixar a responsabilidade de condução da história sobre os ombros de Maguire.

O repentino carisma que Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio, A Origem e Os Infiltrados) passa a demonstrar por Nick, seu ‘old spot’, ocorre por puro interesse pessoal: se aproximar por Daisy, o grande amor de sua vida. Não só se tornar amigo íntimo de Nick, mas as festas promovidas por ele, a mansão escolhida estrategicamente, o seu estilo de vida, tudo o que diz respeito a Gatsby é de tal forma com o único intuito de ter novamente Daisy em seus braços, o que a vida e o seu passado humilde não permitiram.

Embora megalomaníaco, o plano de Gatsby chega muito próximo de seu objetivo e só não atinge o sucesso por sua culpa e de seu orgulho e a forma como isso é demonstrado no filme é decepcionante: ou devido a história original (de autoria de F. Scott Fitzgerald com a qual não tive contato anteriormente), ou por erro de adaptação mesmo. Mas como dizem, o filme tem que caminhar por si mesmo, acredito muito na última opção.

Se a história quase não rende, figurino e direção de arte são bastante elogiáveis ao retratar os modos e cotidiano americano da década de 20 – enquanto o primeiro não perdeu a oportunidade de realizar um belíssimo trabalho nas cenas de festas na grande residência de Gatsby ao vestir os inúmeros convidados, o segundo sabe contrastar muito bem o velho com o novo: nesse caso os logotipos em preto-e-branco no início do longa com a tecnologia em 3D. Já a forma de se abordar o aspecto das três dimensões ao longo da narração é completamente equivocada com os movimentos bruscos de câmera (mais clichê que isso, impossível) que não condizem com a história contada.

Nota-se, portanto, que o fraco O Grande Gatsby é um grande conjunto de escolhas e decisões equivocadas sendo poucos os pontos realmente positivos a serem apontados e com grande dificuldade em estabelecer sua trama, pecando tanto na construção de um possível clássico cinematográfico (estigma que a obra original carrega), quanto em colocá-lo como um filme moderno porque até os seus diversos efeitos especiais também falham, por exemplo, na construção dos cenários externos da Nova York da época. Tantas incongruências na história deixam dúvidas nessa análise também: O Grande Gatsby é um filme ruim com poucos detalhes positivos ou um filme mediano com vários pontos negativos?

NOTA: 2/5








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