ANÁLISE: O Lobo de Wall Street

1 02 2014

Quem tem dinheiro, tem tudo, inclusive a possibilidade de financiar uma vida desvairada a base de muito sexo e drogas. A nova parceria entre Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese (uma longa parceria que desde 2002 já rendeu filmes como Gangues de Nova York, O Aviador,  Os Infiltrados e Ilha do Medo) retrata bem essa afirmação ao acompanhar a trajetória de Jordan Belfort, um cidadão trabalhador como qualquer outro, que planeja dar uma guinada no  rumo da sua vida ao entrar para o ramo financeiro exercido na Wall Street.

A primeira incursão nessa área tem como líder um excêntrico investidor, uma pequena participação de um igualmente estranho Matthew McConaughey (do inédito Clube de Compras Dallas, Magic Mike ou pode ser visto também na nova série da HBO True Detective), que surge em uma participação memorável e hilária, mesmo ocupando pouco tempo em tela. Após seis meses trabalhando como operador telefônico na agência, Jordan consegue finalmente ser promovido a corretor autorizado. Uma ascensão que vem conjuntamente com a falência da agência de investimentos.

Como o próprio Leonardo DiCaprio trata de nos explicar, já que seu personagem dirige-se diretamente para a câmera (e como o próprio filme revelara em seu início), essa falência nada mais é do que um pequeno empecilho em sua trajetória para uma fortuna invejável. Um caminho que começa a ser percorrido numa agência de investimentos amadora – quase uma sub-NASDAQ -, que consistia em vender ações de pequenas empresas tecnológicas de fundo de quintal, mas extremamente atraentes para pequenos e ignorantes investidores. Um curto período de tempo é o suficiente para acumular uma notória quantia de dólares, que aliada aos amigos desmiolados de Jordan, o ajudam a formar a Stratton Oakmont.

Diferentemente de outras empresas sérias do setor, todo o alicerce da Stratton Oakmont foi construído sobre a mais suja especulação financeira. Empresas de ramo e rumo duvidosos tinham suas ações vendidas pelo telefone através de técnicas de persuasão ensinadas a exaustão pelo seu líder no início de cada expediente. Era nesses momentos de discurso que a atuação de Leonardo DiCaprio surgia em uma inacreditável mescla de insanidade e entusiasmo, algo que poucos atores conseguiriam construir e sem dúvida um desempenho digno de Oscar.

Em muitos momentos ao longo de suas três horas de duração, O Lobo de Wall Street flerta com cenas dignas do besteirol americano, tendo-se apenas uma milionário diferença no poder aquisitivo dos personagens deste longa para aqueles presentes no combalido gênero comedista. Exagerando em certas sequências de considerável mau gosto, Scorsese tem em mãos um ótimo elenco coadjuvante para lidar com as bizarrices (no bom sentido) contidas no roteiro escrito por Terence Winter (das séries Boardwalk Empire e Família Soprano), além do ótimo timing cômico até então desconhecido de DiCaprio. Johan Hill (É O Fim e Anjos da Lei) se destaca entre os componentes da ‘gangue do hospício financeiro’ que é a Stratton Oakmont, os serviços externos operados por Jon Bernthal (o Shane de The Walking Dead) , Naomi – a nova e gostosa esposa de Jordan – interpretada por Margot Robbie (Questão de Tempo e da série Pan Am) e sua tia Emma (Joanna Lumley, A Noiva Cadáver e 007 – A Serviço de sua Majestade) e Jean Dujardin (O Artista e Caçadores de Obras-Primas), que empresta todo o seu charme e carisma ao bancário suíço Jean Jacques, além do agente do FBI Patrick Denham (Kyle Chandler, das séries Early Edition – A Edição do Amanhã e Friday Night Lights e dos filmes Argo e A Hora mais Escura), que tem a rara chance de desmantelar as falcatruas da agência financeira e desmascarar Jordan.

O recorte dinâmico entre todas essas situações não deixa O Lobo de Wall Street cair no ostracismo, mantendo vivo o interesse do espectador ao abordar o declínio do estilo de vida de Jordan, que vê as investigações do FBI o cercando cada vez mais, ao mesmo tempo que suas tentativas de suborná-los não surte o efeito desejado e os demais problemas que surgem após a tentativa de esconder sua fortuna em solo suíço. Na derrocada, Leonardo DiCaprio consegue esconder muito bem o nervosismo de seu personagem em público ou diante das autoridades, um contraponto interessante de se perceber em relação ao seu descontrole total após receber o pedido de divórcio de Naomi, que resulta numa discussão acalorada entre o casal.

A experiência (e que experiência, diga-se de passagem) de Martin Scorsese mais o talento e a competência dos elencos, principal e coadjuvante, evitam que O Lobo de Wall Street torne-se uma experiência massante para o seu espectador que tem diante de si um filme longo, mas suportável, só que com menos brilho de outras obras assinadas por Scorsese. Talvez sejam os erros cometidos na execução das filmagens que realcem tanto o excepcional desempenho de DiCaprio na pele de Jordan Belfort. Um destaque precioso e essencial para, quem sabe, a conquista de seu primeiro Oscar de sua carreira.

NOTA: 3/5





Superman e Batman juntos, só em 2016!

18 01 2014

A Warner Bros alterou o início da produção do novo filme de Superman (Superman vs Batman) para meados de maio/junho desse ano e o lançamento do blockbuster foi espichado para 06 de maio de 2016. A data de estreia anteriormente prevista para ele (17/07/2015), agora será destinada ao filme Pan, baseado na obra original de Peter Pan, com Joe Wright na direção e, por enquanto, só com Hugh Jackman confirmado no elenco.

superman-batman-logo

Com a decisão, Superman vs Batman esvazia um calendário de 2015 recheado de grandes estreias, entre elas: o reboot de Quarteto Fantástico, Os Vingadores 2: A Era de Ultron, Terminator: Genesis, Independence Day 2, Jogos Vorazes: Esperança – Parte 2 e Star Wars: Episódio VII. De acordo com a Variety, a opção pelo adiamento ocorreu para que os produtores pudessem realizar completamente a visão complexa que possuem para o longa.

Quem está sob pressão após esse reagendamento de datas é o tão criticado Ben Affleck (cujo Argo venceu o Oscar de melhor filme no ano passado). O ator só estará disponível no final deste ano para dirigir Live by Night, que já tem data de estreia marcada para o Natal de 2015.

Superman vs Batman trará novamente o grande elenco que esteve presente em O Homem de Aço: além de Henry Cavill que vive o protagonista, retornam também Laurence Fishburne, Amy Adams e Diane Lane.

EDIT 26/01/2014 – A razão para a mudança da estreia em um ano tem um nome: Ben Affleck. Pois é grande a probabilidade do ator não vestir o uniforme negro do homem-morcego.

Tudo isso em grande parte pela recepção negativa dos fãs com o anúncio de Affleck como Batman. Por isso, além da alteração da data de estreia, possivelmente haverá no futuro um ‘desentendimento criativo’ entre o ator e o diretor Zack Snyder.

Toda uma desculpa para diminuir a importância dos fãs nessas alterações e nem deixar transparecer que um grande estúdio como a Warner Bros deixe-se influenciar tão fácil assim!





Os preparativos para o Oscar 2013

22 02 2013

Antes mesmo da cerimônia ocorrer nesse domingo, o Universo E! já está fazendo a sua maior cobertura de um Oscar. A festa desse domingo irá começar depois de não só conferirmos praticamente todos os indicados a melhor filme, como também todos contarem com suas respectivas análises por aqui. Ocorreu com Argo, Lincoln, Amor, Django Livre e O Lado Bom da Vida. Os Miseráveis (em andamento) e A Hora mais Escura (em breve) receberão as suas análises. As Aventuras de Pi foi visto mas não será comentado e Indomável Sonhadora ficará pendente, podendo ser visto e criticado antes do domingo ou não.

Um esquema especial será montado ao longo do domingo e especialmente já no finalzinho da tarde. O nosso Facebook e nosso Tumblr farão a pré-cobertura ou de qualquer novidade que surja ao longo do dia e o Twitter, como sempre, ficará responsável pela cobertura completa da festa durante o seu andamento (aproveite para seguir e curtir nossas páginas nas redes sociais). As repercussões, é claro, ficarão nos post pós-Oscar 2013. As atualizações ao vivo dos tweets estarão disponíveis na coluna a direita do site, que ganhará destaque com maior espaço para a facilitar a leitura.

oscars

A empolgação está a mil. Só precisaremos contar com a sorte de não ocorrer nenhum dilúvio domingo a noite e internet e energia elétrica estejam 100%. Estamos preparando aquilo que será a maior cobertura já feita por aqui!

E claro, mais uma vez, contamos com a sua participação e os seus comentários. O Universo E! na maior celebração do cinema mundial!!!

Até breve!





ANÁLISE: Argo

11 02 2013

CORRIDA DE OURO – OSCAR 2013

O terceiro longa-metragem dirigido por Ben Affleck (Atração Perigosa e Medo da Verdade foram o anteriores) inicia-se com uma retrospectiva política da região onde o império Persa prosperara e que hoje abriga a República Islâmica do Irã. Um contexto histórico importante para situar o espectador nessa narração baseada em fatos reais.

O Argo do título refere-se a produção fictícia de Hollywood concebida apenas para ajudar o governo dos EUA a resgatar um grupo de seus diplomatas em solo iraniano. A premissa do filme de ser uma ficção científica justificaria a necessidade de se usar as paisagens iranianas como pano de fundo para a sua história, sendo esse o plano de resgate dos seis diplomatas lá isolados, o único com remotas chances de sucesso. O risco de morte desses profissionais era iminente, uma vez que os EUA cedera asilo político ao religioso xiita, aiatolá Sayyid Khomeini, desencadeando uma grande onda de protestos civis dos iranianos, tendo tais funcionários da embaixada como alvo.

Toda a introdução de Argo ocorre com uma mescla de cenas próprias do filme e imagens de arquivo perceptíveis não só pela clara diferença de qualidade entre elas, mas também pelo aspecto de formato da tela que se altera entre o uso delas. Interessante observar esse contraste entre as imagens históricas e aquela de ficção onde notamos um bem-vindo preciosismo da direção de Ben Affleck, o que confere claramente uma notável verossimilhança de sua produção.

Enquanto o longa sustenta esse lado político, sua história ainda consegue flertar com o lado comercial de Hollywood fazendo críticas moderadas ao modus-operandi dos grandes estúdios, desde aquela época e se estendendo até os dias de hoje. Se há uma grande burocracia antes de dar o ponta-pé inicial das filmagens, passando pelo crivo dos grandes executivos, ainda podemos notar o lado mesquinho da imprensa especializada em criar um grande burburinho em torno de um evento qualquer para fins estritamente comerciais como algumas cifras vultuosas envolvidas. Se temos tal comportamento para promover um filme fictício em todos os seus sentidos, imagina-se o que ocorre nas reais produções hollywoodianas…

Sendo asilados na casa do embaixador canadense, os seis americanos alvos do resgate vivem continuamente o medo de serem descobertos a qualquer momento. Seja pela desconfiança dos rebeldes que, desde que invadiram a embaixada dos EUA, tentam remontar um verdadeiro quebra-cabeças dos arquivos sigilosos destruídos pelos funcionários antes da invasão; seja também pela desconfiança dos empregados do embaixador canadenses onde eles estão confinados com comentários do tipo: “parece que eles não saem nunca de lá!” ou ainda a falha na tentativa de resgatá-los, que a todo momento parece prestes a desmoronar.

Com um ritmo que não empolga em quase toda a sua duração, mesmo testemunhando um plano deveras engenhoso, Argo só assume seu perfil de thriller político a partir do momento em que a equipe cinematográfica adentra no Irã. Aí sim somos acometidos por uma angústia sem fim com o cerco se fechando sobre os diplomatas porque os rebeldes vão amarrando as pontas soltas e passam a evitar a fuga dos americanos a qualquer custo. E esse suspense só termina quando o avião em que todos embarcaram deixa o espaço aéreo iraniano.

Além de adotar a fascinante estrutura do filme dentro do filme (embora isso ocorra aqui em menor grau), Argo também abre espaço para grandes talentos das telonas e telinhas: John Goodman impecável em todos os seus trabalhos com grande destaque para a série da HBO, Treme; Alan Arkin que tem uma lista repleta de bons trabalhos – Marley & Eu, Pequena Miss Sunshine, entre outros; e o competente Kyle Chandler das séries Early Edition e Friday Night Lights e dos filmes Super 8 e do inédito A Hora mais Escura.

NOTA: 3/5








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Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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