Gravidade e um fato raro nos cinemas brasileiros

20 10 2013

Além de um espetáculo em termos de filme (com uma narrativa inovadora e angustiante), o longa de Alfonso Cuáron ainda trouxe um outro aspecto interessante, que deixa qualquer cinéfilo extasiado com uma lágrima escorrendo pelo olho: há muito tempo, considerando os primórdios das minhas idas constantes ao cinema (o longínquo ano de 2001), que não via esse fato ocorrer.

Gravidade chegou aos cinemas brasileiros apenas com cópias LEGENDADAS. E isso quase passou despercebido por mim. A primeira constatação foi realizada no multiplex do Cine Araújo do Shopping Parque das Bandeiras aqui em Campinas. Recém-inaugurado (menos de um ano) passou a ser um novo endereço para os filmes dublados da cidade. Mas de algumas semanas pra cá, o próprio perfil do shopping no Facebook vinha noticiando a existência de uma única sessão legendada no empreendimento com a divertida temática do “Dubladofobia“. E sim, eu sofro desse bem (dubladofobia não é um mal), de não tolerar a existência de sessões dubladas para o público adulto (classificação de 12 anos em diante). Então achei que as sessões legendadas de Gravidade fizessem parte desse programa.

Mas na segunda semana de Gravidade em cartaz, fui conferir a programação de outro cinema de Campinas: o caçula da cidade, o Cinesercla no Spazio Ouro Verde. Assim como o primeiro, também tornou-se outro complexo para os dublados por aqui. Mas qual não foi a minha surpresa ao me deparar com as únicas duas sessões de Gravidade legendadas? Embora não tenha acompanhado a programação desse cinema desde sua inauguração, mas acredito que seja o primeiro filme “com letrinhas” a ser exibido por ali. Por outro lado, nos cinemas Moviecom no Shopping Unimart não realiza exibições de Gravidade, mantendo sua programação 100% dublada.

A partir de então procurei a fazer uma pesquisa em várias cidades e vários cinemas e a história se repetia: Gravidade exibido legendado ou deixando de ser exibido naquelas redes que se curvam a mutilação que a dublagem faz nas obras originais. Isso até chegar numa pesquisa nacional por Gravidade no site da maior empresa exibidora do país: a rede Cinemark. E não deu outra: Gravidade APENAS legendado em todo o Brasil (inclusive na única sala da rede que exibe Gravidade no formato convencional (2D) no Shopping Aricanduva, sendo aqui o único filme legendado nas 14 salas do multiplex).

Um fato surpreendente a se comemorar e muito! Por isso faço um apelo aos meus leitores: se esforcem (se ainda não o fizeram) a assistir Gravidade onde estiver disponível aí na sua cidade e mostrem aos exibidores e distribuidoras que o filme legendado tem sim público aqui no Brasil. E se puderem, façam ainda mais: assistam novamente, levem amigos juntos! Eu, por exemplo, aproveitarei essa rara oportunidade para conhecer os complexos aqui citados (o Cinesercla que não conheço e o Cine Araújo, onde já fui, mas não ainda na sala VIP onde Gravidade está sendo exibido).

E não há melhor filme para essa corrente ser feita nesse momento do que Gravidade, que merece muito nossa audiência!

P.S.: Por último e igualmente importante, deixo aqui meu testemunho de ter uma sessão exemplar de Gravidade na sala XD do Cinemark Iguatemi Campinas na última quarta-feira (16). Desde o público, que se comportou à altura do filme e à altura da educação que uma sala de cinema exige até a decisão do complexo em acender as luzes da sala apenas após o fim dos créditos finais! São de mais sessões assim que precisamos e necessitamos!

P.S.2: Se por acaso você souber da (infeliz) existência de uma sessão de Gravidade dublado nas suas redondezas, por favor me informei através dos comentários, que com pesar, atualizarei as informações nesse post! E se for possível me passe o nome/site do cinema para serem incluídos aqui!

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ANÁLISE: Xingu

24 12 2012

Abandonar todo o conforto de São Paulo e se aventurar por regiões não exploradas do território brasileiro através da Marcha para o Oeste. Há quem achasse que essa seria “uma ideia irresistível”.

Com essa mentalidade, o trio de irmãos da família Villas-Boas foram os pioneiros pela exploração da região noroeste do país. Nas primeiras incursões àquelas matas virgens, já vemos o grupo de aventureiros realizando o contato inicial com os indígenas, que até então, não haviam tido contato com o homem branco. A expedição em sua totalidade contou com a liderança de Cláudio Villas-Boas (João Miguel, O Céu  de Suely e Cinema, Aspirinas e Urubus), líder nato entre os irmãos Orlando (Felipe Camargo, Som e Fúria – O Filme) e Leonardo Villas-Boas (Caio Blat, As Melhores Coisas do Mundo e As Mães de Chico Xavier) e, por conseguinte, dos exploradores. E naturalmente, passou a conquistar a confiança dos indígenas, o que ocorria de um modo extremamente respeitoso e diplomático.

Sob as mãos de Cláudio, ocorreu a maior e melhor infiltração daquelas terras conquistando o respeito das autoridades na época por realizar o seu trabalho, ao mesmo tempo que atingia os objetivos governamentais sem nenhuma vítima indígena.

Tanto esforço, entretanto, não impossibilitou a expansão massificada do dito ‘homem branco’ com sua fronteira agrícola, com a sua criação de gado para o corte e a sua exploração madeireira desenfreada. Lutando para interferir o mínimo possível nas matas e no dia-a-dia dos índios, Cláudio se viu obrigado a barganhar a sua melhor habilidade (de entrar nos confins do Brasil) por uma imensa área que fosse doada aos indígenas, isolando-os assim de um ataque gratuito dos ‘doutores’ que voltavam seus olhos ambiciosos para a região.

Com seu elenco habilidoso e competente em suas atuações e mais uma equipe de apoio indígena tão talentosa quanto, Cao Hamburger (Castelo Rá-Tim-Bum, O Filme e O Ano que meus Pais Saíram de Férias) consegue construir uma história com uma boa fluência dos fatos, mesmo contando com diversas passagens de tempo ao longo do roteiro.

Na sua relativa pouca duração, Xingu consegue retratar vários momentos importantes e memoráveis dessa aventura sem perder o seu foco – não exagerando, por exemplo, nas abordagens de suas subtramas e/ou na inclusão pontual do humor . A fotografia pálida foi muito bem utilizada para a criação da atmosfera de sua narração, o que oferece um mergulho convincente no filme, mostrando-se assim a sua eficiência, pois transporta o espectador para as clareiras no meio da mata, para as redes amarradas entre as árvores e até mesmo para o recém-criado Parque Nacional do Xingu.

NOTA: 5/5





RETROSPECTIVA 2010 – parte 1

4 01 2011
Fugindo do tradicional que é lançar essa tal retrospectiva ainda no ano que se pretende rever, aqui vamos nós…

Chegou o momento do Universo E! relembrar os fatos que marcaram o universo do entretenimento durante os 365 dias de 2010. As estréias que fizeram história nesse ano, as personalidades que alcançaram ou mantiveram o estrelato esse ano. As premiações, os falecimentos, as músicas, tudo o que moldou o ano de 2010.

Ao longo de toda narração, você será convidado a (re)visitar os posts que deram origem à passagem do texto.

 

SEJAM TODOS BEM-VINDOS A RETROSPECTIVA 2010 DO UNIVERSO E!

JANEIRO

O primeiro mês do ano começou com o fenômeno mundial de bilheteria do finalzinho de 2009. O longa de James Cameron, Avatar, nos apresentou ao mundo de Pandora e seus habitantes Na’vi.

Em 2010, depois de conferir a pré-estréia legendada, o filme dublado e em 3D, fui assistir pela QUINTA vez Avatar. Só que um pouco longe de casa e numa versão, digamos, gigante! Fui até São Paulo conferir a versão IMAX do longa no Espaço Unibanco de Cinemas no Shopping Bourbon no bairro da Pompéia.

O sucesso era tão estrondoso que no primeiro dia que fui, toda as sessões estavam esgotadas e me forçaram a adquirir um ingresso para um outro dia, ou seja, tive que retornar a São Paulo. O que não é difícil, pois Sampa é uma cidade magnífica.

Para não perder a viagem, no primeiro dia conferi o longa mediano Sempre ao Seu Lado, rodeado por um número considerável de japoneses.

MAIS AVATAR – Apenas três semanas em cartaz foram suficientes para Avatar alcançar a marca de 1 bilhão de dólares em bilheterias e entrar no seleto grupo de filmes de Hollywood que ultrapassaram essa barreira.

LANÇAMENTOS – Foi em janeiro que pudemos conferir, no cinema, os longas Sherlock Holmes e Onde Vivem os Monstros (e esse último exigiu uma certa paciência do espectador com o lançamento restrito a poucas cópias). Já em DVD, dia 27, chegou o documentário-show de Michael Jackson’s This is It!

SUSTO – Ao descobrir que Michael C. Hall, da série Dexter, enfrentava um câncer. Mas como Michael é forte como seu personagem, a doença não o impediu de presenciar e ganhar o seu merecido Globo de Ouro de melhor personagem de série dramática, na cerimônia realizada no dia 17 desse mês.

NASCIMENTO – Minha família ganha um novo membro com a chegada do meu sobrinho Gustavo!!!

FEVEREIRO

Fevereiro de 2010 foi um mês marcante para a televisão americana e para muitos aficionados em séries. No dia 02 desse mês teve início a saga da 6ª temporada de Lost, o último ano da produção de J. J. Abrams que arrastou uma legião de fãs pela internet afora, que compartilharam suas teorias e conspirações a respeito da ilha misteriosa. No mesmo dia 02 foram anunciados os indicados para o Oscar 2010, apresentado no dia 07 do mês seguinte.

Na televisão americana, a CBS anunciava a produção de uma série baseada em um perfil do Twitter: era o início das filmagens de S***t My Dad Says. Vencedora do Globo de Ouro de melhor série cômica/musical, Glee encantava o público com os episódios iniciais de sua primeira temporada que vinha com uma audiência ascendente.

Um dos favoritos ao Oscar desse ano, Guerra ao Terror chegava a selecionados cinemas brasileiros, mas ficava de fora da rede Cinemark. Motivo? Um mês antes, desacreditado pela distribuidora Imagem Filmes, o longa da diretora Kathryn Bigelow fora lançado diretamente em DVD no final de 2009. Uma decisão equivocada percebida apenas quando o drama foi conquistando a crítica e algumas premiações pré-Oscar. Na época, por exemplo, eu já havia comprado o DVD.

MARÇO

Preparando terreno para o lançamento de Toy Story 3, a Pixar relançava Toy Story 1 e 2 em 3D nos cinemas.

Em março foi realizado a 82ª edição da grande festa do cinema mundial. Na festa onde “Guerra ao Terror sai coroado do Oscar 2010”, a Argentina viu o Segredo dos seus Olhos vencer na categoria de filme estrangeiro; Kathryn Bigelow, foi a primeira diretora a faturar o prêmio de direção; Avatar conquistando apenas os prêmios técnicos de efeitos visuais; a supremacia da Pixar, produtora de Up – Altas Aventuras, na animação, a vitória merecida de Mo’Nique, melhor atriz coadjuvante, por Preciosa.

E não podemos deixar de destacar Sandra Bullock, que conseguiu a proeza de ser a melhor e a pior atriz num mesmo ano!

No Dia Internacional da Mulher, Hebe retornava ao seu programa de toda segunda pelo SBT, comemorando o seu aniversário de 81 anos e sua vitória após lutar contra um tumor no estômago.

No dia 16, o Parque Dom Pedro Shopping, em Campinas, presenteou os cinéfilos com a apresentação da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, que trouxe as clássicas trilhas sonoras do cinema.

Já o CQC dava o que falar após ser censurado. Nesse mês o programa exibido as segundas pela Band, trazia um embróglio envolvendo a Prefeitura de Barueri e o misterioso sumiço de um televisor LCD de uma escola da cidade. O aparelho doado pela atração á Secretaria de Educação de Barueri foi parar na casa de um funcionário da prefeitura. Impedidos pela Justiça de exibir a matéria na estréia da 3ª temporada, o caso foi ar pelo CQC na semana seguinte, cuja edição alcançou a vice-liderança em alguns momentos com 10 pontos no Ibope.

ABRIL

O Universo E! completou o seu primeiro ano de existência, que passou despercebido por esse que vos bloga, por ter problemas na conexão. E daí para insônia, assistir o SBT de madrugada e fazer comparações entre as séries Oz e Dexter foi um pulo.

Foi reservado também para o mês de abril um dos casos mais vergonhosos envolvendo o cinema em 2010. O lançamento de uma versão medíocre de Avatar no dia 22 e viria a ficar ultrapassada em novembro com o lançamento de edição de colecionador do MESMO filme. Uma atitude vergonhosa da FOX.

O ano de 2010 foi o ano do cinema brasileiro. E isso já desdobrava-se em abril – primeiro veio o trailer do documentário Uma Noite em 67 e depois com análise do longa As Melhores Coisas do Mundo.

MAIO

Este mês ficará marcado na história da televisão norte-americana e no coração de vários fãs: em maio de 2010 foi ar o último episódio de Lost, que comoveu e instigou muitas pessoas ao longo de seus seis anos de existência.

O fenômeno atual da televisão versus o fenômeno atual da música pop. O elenco de Glee, através de suas homenagens aos artistas da indústria musical com suas versões, não garantia e nem pretendia em fazer o mesmo com o Justin Bieber. E isso realmente até agora não ocorreu.

Mais cinema brasileiro pela frente. Foi postado no Universo E! os trailers do já comentado Antes que o Mundo Acabe e do ainda inédito Capitães de Areia. Em maio fomos conferir também o longa baseado na vida do espírita Chico Xavier.

Foi levantada a questão sobre como as produtoras e distribuidoras de cinema estavam explorando o formado 3D em seus filmes. Atrás de alguns dólares a mais nas bilheterias, muitos filmes eram convertidos ‘às pressas’ para a terceira dimensão em vez de serem produzidos de fato na nova tecnologia. O post original que originou a discussão também indicava quais títulos eram falsamente vendidos em 3D.

JUNHO

No início de junho foi realizado a maior premiação da MTV voltada para o cinema mundial: o MTV Movie Awards, que sucesso em 2009 não pode ter a cobertura in loco do Universo E! no ano passado.





XI Projeta Brasil Cinemark

7 11 2010

Nessa segunda, dia 08, a rede de cinemas Cinemark reservas todas as suas salas no país para acomodar os melhores filmes nacionais nesse último ano no Projeta Brasil Cinemark em sua 11ª edição.

E ao contrário das edições anteriores, em 2010 deve faltar espaço para abrigar tantas boas produções brasileiras lançadas nos últimos 12 meses. Os brasileiros campeões de bilheteria – Chico Xavier, Nosso Lar e Tropa de Elite 2 – estarão em cartaz a preços promocionais, R$ 2. Se os vazios das edições anteriores eram preenchidos pelos duvidosos longas de Xuxa e Didi, esse ano para o bem do nosso cinema, isso vai acontecer, mas em menor escala.

Com  amadurecimento da produção de filmes no Brasil, que atraem cada vez mais espectadores aos cinemas e que até recentemente eram a maioria em cartaz nos cinemas brasileiros, nada mais justo reservar um dia para a produção nacional na maior rede de cinemas (428 salas) do Brasil.

Veja a seguir, os filmes a serem exibidos no Cinemark Iguatemi Campinas, dia 8:

  • 400 contra 1 – Uma História do Crime Organizado (6 sessões);
  • As Melhores Coisas do Mundo (5 sessões);
  • Chico Xavier (5 sessões);
  • Lula, o Filho do Brasil (5 sessões);
  • Nosso Lar (6 sessões);
  • O Bem Amado (6 sessões);
  • Quincas Berro D’Água (4 sessões);
  • Tropa de Elite 2 (5 sessões);
  • Xuxa em O Mistério da Feiúrinha (2 sessões).




Tropa de Elite 2 e a boa fase do cinema brasileiro

10 10 2010

A nossa produção nacional de filmes vem consolidando e amadurecendo sua base, cativando cada vez mais público, não só em quantidade, mas também em qualidade.

Prova disso são os resultados dos três primeiros dias de estreia da continuação de Tropa de Elite, de José Padilha, com o subtítulo O Inimigo Agora é Outro: possui o melhor fim de semana de estreia de produção brasileira desde o período da Retomada (início da década de 90); possui o maior público de ingressos vendidos na estreia em 2010 e ainda possui uma ótima ocupação média de sala de cinema num fim de semana de estreia.

Para esses dados temos: com a quinta posição no ranking de melhor estreia no ranking histórico brasileiro, superou em muito a melhor abertura de produções brasileiras de Chico Xavier (585) mil ingressos: forma vendidos 1,25 milhão de ingressos para Tropa de Elite 2 nos últimos três dias; esse ano passou dos 1,185 milhão de espectadores e também da 1.367 pessoas de ocupação média de Saga Crepúsculo: Eclipse, alcançando 1.800 pessoas de média por sala. Tais dados ainda podem impressionar mais, pois desconsideram ainda o resultado de domingo (dia 10) a noite e de alguns cinemas que consolidam suas vendas só na segunda-feira.

imageOutra evidência dessa boa fase do cinema do Brasil é que pela primeira vez, desde de 1990, que as produções nacionais ocupam mais da metade das salas exibidoras no país. Impulsionada pelas 683 salas ocupadas por Tropa de Elite 2, ainda há exibição de Nosso Lar, 5x Favela, Eu e meu Guarda Chuva, entre outros.

O cenário favorável à produção brasileira também ocorre na lista pessoal de filmes assistidos. Desde 2001, o máximo que assisti de filmes nacionais por ano foi de dois longas em 2004 (Cazuza – O Tempo não Para e Olga); nos anos de 2002 (Deus é Brasileiro), 2006 (Se Eu Fosse Você), 2007 (Primo Basílio) e 2009 (A Deriva) foi apenas um longa nacional. Em 2003, 2005 e 2008 o cinema brasileiro passou em branco para mim.

Mas já em 2010, o Brasil também bate recorde na minha lista. Só esse ano foram seis produções nacionais: Chico Xavier, As Melhores Coisas do Mundo, Uma Noite em 67, Nosso Lar, Antes que o Mundo Acabe e Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro. Uma porcentagem de 40% em relação aos 15 filmes assistidos até aqui.

COM INFORMAÇÕES DO UOL CINEMA




Euforia, euforia…

17 09 2010

Nesse instante estou extremamente eufórico!

Algum tempo atrás, quando conferi As Melhores Coisas do Mundo, informei que estava prestes a estrear Antes que o Mundo Acabe, com temática semelhante. Desde então, o longa sequer chegou a passar perto de casa.

Semana passada tinha uma única sessão, no domingo, no Cinemark Iguatemi Campinas. O trabalho, entretanto, me impediu de ir.

Mas agora o longa chegou ao simpático e aconchegante Topázio Cinemas e com duas sessões mais acessíveis. Não hesitarei em ir nessa semana!

Para finalizar esse post eufórico fiquem com o trailer:

ANTES QUE O MUNDO ACABE – EM BREVE EM ‘ANÁLISE’ AQUI NO UNIVERSO E!





Um novo cinema brasileiro

16 05 2010

O cinema brasileiro vem se rejuvenescendo, a procura de novos caminhos, novas temáticas. O que nós, espectadores, somos extremamente gratos. Afinal, já não se aguenta mais filmes com o padrão Globo de televisão. Embora a Globo Filmes seja ainda um grande apoiador da produção cinematográfica brasileira, seja produzindo-a ou distribuindo-a pelo território nacional, nosso cinema não pode mais ser um capítulo estendido de uma telenovela.

Desde o mês passado, por exemplo, temos visto essa nova fase do cinema nacional. Começou com o ótimo As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky, quando nossas produções se distanciam da miséria, da pobreza, da violência ou da comédia digna de um sábado a noite que dominava nosso cinema.

O longa de Laís abre um novo caminho a ser percorrido por nossos cineastas, já que a temática juvenil (ou histórias protagonizadas por jovens e desconhecidos talentos) já embasa produções que terão suas estreias muito em breve nos cinemas. Se em ‘As Melhores…’ temos um quadro da juventude típica da metrópole, conectada e baladeira, poderemos conferir adolescente em um outro cenário, menos corriqueiro, mas ainda assim fascinante, pertencente às cidades do interior brasileiro, a ser visto em Antes que o Mundo Acabe que traz a história de jovens do interior do Rio Grande do Sul como podemos ver no trailer a seguir.

Além desses dois filmes, temos a adaptação literária de Jorge Amado, Capitães da Areia, que também traz mais produto nacional diversificado, que junto, traz, positivamente, mais renovação para o casting brasileiro.

O longa nos distancia do contemporâneo e, nos anos 50, constata mais uma das várias regionalizações brasileiras – agora a do Nordeste, mas precisamente Salvador. E mais uma vez, jovens atores encarregados de dar vida a um arco narrativo.

É o cinema nacional descobrindo novos filões, novos caminhos, novas formas de entreter. Afinal, a Sétima Arte abrange um leque infinito de variedades, e os filmes do Brasil não pode ficar marcado por apenas uma das dobras desse leque.





ANÁLISE – As Melhores Coisas do Mundo

28 04 2010

Se pudéssemos resumir o filme em uma única palavra essa seria amadurecimento. A história ronda a adolescência de Mano, que além de todas os problemas e dificuldades dessa fase da vida, ainda tem que enfrentar a separação dos pais. Uma separação com um ‘agravante’ para torná-la ainda pior.

Em quase suas duas horas de duração, tudo que um adolescente passa está por ali na telona: o primeiro amor, a primeira transa, os preconceitos, a panelinha dos melhores amigos, as azarações nas festas… muita coisa a se pensar e a se fazer, mas afinal, tudo isso faz parte do amadurecimento, pertence à passagem da infância para a vida adulta.

E nesse turbilhão de acontecimentos, Mano felizmente tem os seus pontos de apoio: sua mãe (papel da sempre excelente Denise Fraga), sua amiga Carol, o irmão mais velho e reservado e o seu professor de violão. Sempre que Mano se depara com um dilema, uma situação difícil na sua vida, ele procura um desses portos seguros, que lhe ajudam e lhe acolhem com conselhos e sugestões quando necessário.

Boa parte do filme se passa num colégio para classe média alta. Dotado de quase que um sistema oficial de boatos e fofocas, cujo expoente máximo encontra-se na paparazzi-mirim Dri Novaes e o seu temido blog, que massacra sempre a vítima da vez: a homossexual da escola, a gostosa popular da escola que teve a foto nua divulgada, o polêmico envolvimento de uma aluna com um professor ou a separação dos pais de um aluno com o tal ‘agravante’.

Sim, Mano caiu na ardilosa rede de humilhação do colégio, o que exige do jovem uma paciência absurda e muito jogo de cintura para lidar com a situação. E uma das formas encontradas por ele para resolver a situação é, junto com os difamados, criar uma chapa para o grêmio estudantil e ser uma oposição (opção) racional contra as chapas triviais que até então concorriam na eleição interna do colégio, praticamente nulas em suas propostas.

E esses são só exemplos da ponta do iceberg de problemas que Mano vivencia. E cada conflito solucionado é um passo dado em direção à vida adulta, ao amadurecimento enfim.

Baseado principalmente em seu jovem elenco, As Melhores Coisas do Mundo cativa principalmente pelo grande entrosamento de seus atores que criam uma atmosfera incrivelmente verossímil, sendo impossível o espectador não mergulhar fundo junto com eles na história (embalado pela ótima trilha sonora) e lamentar quando as luzes do cinema se acendem, anunciando o fim desse espetáculo de interpretações, tanto da parte dos jovens quanto da dos atores veteranos. E melhor ainda, esse gostinho de quero mais ser despertado em você por um produto genuinamente brasileiro.

COTAÇÃO: 5/5








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Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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