Mostra Internacional de Cinema SP 2014 | parte 3

26 10 2014

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NABAT (Azerbaijão, 2014) – Antes de tudo, essa mulher é uma verdadeira guerreira. Com o marido Isgender adoentado, Nabat assume a tarefa que mantem a humilde casa em que vivem: ordenhar diariamente a vaca (a única posse expressiva que possuem) e levar o leite até a vila mais próxima (mas distante) para o responsável que fará a venda efetiva do produto. Essa é a tarefa retratada pelo longo e belíssimo plano-sequência que abre a produção, retratando uma tortuosa, íngreme, irregular e comprida estrada de terra percorrida todos os dias por esta senhora.

Se as circunstâncias dificultam e muito a vida de Nabat, barulhos incessantes de explosões ecoam do outro lado das montanhas que cercam o local, anunciando a proximidade de uma guerra. Os dois perderam o filho no conflito e pelo mesmo motivo também eles ficam totalmente isolados a medida que os moradores vão abandonando o vilarejo. Solidão que se agrava com a morte do marido. Emocionante acompanhar os esforços dela para enterrá-lo sob a chuva e, em seguida, notável a cena da silhueta negra de Nabat, da vaca e carroça ao horizonte num entardecer espetacularmente amarelo.

Nabat conta com elegantes movimentos de câmera enquanto testemunha o sofrimento de uma mulher que se mantem presa às atividades que se repetem, se repetem e se repetem: todos os dias a senhora percorre a mesma estrada para acender as lamparinas nas janelas das casas abandonadas, uma sugestão feita pelo finado marido para afastar os animais selvagens dali. Algo que faria e fez até o fim de sua vida.

NOTA: 5/5

JIA ZHANGKE, UM HOMEM DE FENYANG (Brasil, 2014) – O documentário brasileiro vai até a China revelar os bastidores e as inspirações de Jia Zhangke na produção de seus filmes, uma das mais importantes cinematografias chinesas.

Com a inclusão de várias cenas de seus longas (como Plataforma, Um Toque de Pecado, Em Busca da Vida, Dong, entre outros), a produção constrói um importante gancho para a realização das entrevistas que ocorrem no mesmo local das locações, trazendo amigos, familiares e parceiros dos sets de filmagem de longa data. O mesmo ocorre nos locais por onde o cineasta chinês cresceu (uma antiga prisão de Fenyang que foi transformada em uma série de moradias), viveu (um bairro inteiro a ser demolido devido ao ímpeto imobiliário da China) ou estudou (a admiração que os estudantes da Academia de Belas-Artes na China).

O documentário de Walter Salles capta muito bem a humildade de seu homenageado que não assume a áurea do estrelato mesmo ciente da sua importância para o Cinema, tanto chinês quanto mundial, e retorna com muita simplicidade às origens da sua vida, lidando novamente com as pessoas que o auxiliaram, artística e tecnicamente, em sua carreira. A produção, no entanto, ganharia mais ritmo se algumas cenas fossem encurtadas ou até mesmo excluídas da versão final.

NOTA: 3/5

ILUSÃO (Espanha, 2013) – Daniel Castro é um roteirista (ou um vendedor de ilusões) que ainda não emplacou nenhum projeto importante no cinema, dispensa qualquer trabalho que a televisão possa lhe oferecer devido à má qualidade dos programas ali apresentados e extremamente mimado! Sem nenhuma fonte de remuneração em vista, ele considera muito mais fácil pedir dinheiro emprestado para os pais (até a partir do momento em que estes se recusam a ajuda financeira) e prefere que sua namorada arque com as despesas do aluguel do apartamento em que vivem. Tudo em nome de sua liberdade criativa.

Liberdade que Daniel tem até demais, perdendo a noção do ridículo na hora de escrever e apresentar os seus trabalhos. Ilusão até que consegue fazer algumas graças como a implicância do protagonista com a filmografia de Michael Haneke ou ao citar a obsessão de James Cameron com 3D. Mas todas as outras piadas são tolas e provocam um risinho de canto de boca.

Nem a história em si que preenche os seus (felizmente) poucos 70 minutos atinge lá um grau de originalidade, previsível desde o seu segundo ato. A torcida durante a sessão é para que o filme seja objetivo o suficiente para resolver a sua história o mais breve possível. Pelo menos isso ele consegue.

NOTA: 2/5





VI Paulínia Film Festival | Neblina

26 07 2014
Troféu Menina de Ouro do Paulínia Film Festival

Troféu Menina de Ouro do Paulínia Film Festival

[BRASIL, 2014] – A essência primordial de um documentário é transmitir o maior número possível de informações sobre determinado assunto, reunindo para tanto: dados históricos, depoimentos de pessoas que conheceram ou vivenciaram o tópico em questão e pesquisa de imagens. Tudo de uma forma orgânica e funcional, e por que não, prazerosa de se assistir.

Com muitos méritos, Neblina consegue preencher muito bem esses quesitos ao enfocar as ruínas ferroviárias da vila de Paranapiacaba, na região da Serra do Mar em São Paulo, distante 74 quilômetros da capital paulista. Frequentemente um denso nevoeiro encobre o cenário da região. O que certamente seria um charme a mais para a pacata vila em seu apogeu no passado, quando era o coração e um importante corredor de exportação do estado, hoje a neblina é sinônimo de depressão para os moradores.

Mas depressivo mesmo é o que a névoa esconde e o sol, em dias límpidos, escancara sem rancor. Todo o sítio ferroviário de Paranapiacaba (que, infelizmente, pode ser estendido a todo Brasil, salvas raríssimas exceções) estão em completo abandono. Vagões são grandes sucatas a céu aberto; as estações, os pátios de manobras e todo o conjunto arquitetônico voltado para o funcionamento da ferrovia estão em degradação perene. A própria vila sofre com a precariedade de suas estruturas antigas e a falta de investimentos necessários para a sua manutenção e conservação.

Como parte de um todo, o que aconteceu e tem acontecido em Paranapiacaba sofreu uma clara influência externa, muitas vezes contrária à vontade daqueles que a habitam. Desde a arquitetura de inspiração portuguesa e inglesa (os primeiros imigrantes que se estabeleceram na região), o humor econômico europeu que determinava o quê, como e de que forma as verbas seriam investidas ali ou decisões políticas internas, conjuntamente com a forte pressão financeira de montadoras de veículos, que foram minando, gradativamente, a importância das estradas de ferro brasileiras. Um grave equívoco para uma nação continental como o Brasil em apostar todas as suas ficha$ na malha rodoviária e relegar as ferrovias ao segundo, terceiro, sétimo plano.

O que se vê hoje em Paranapiacaba é um retrato fiel e melancólico do que se tornou a rede ferroviária no país. Uma sucessão de erros e má decisões que a deixou fragmentada, descontínua e deixou em ruínas um passado que será difícil reconstruir. Em Neblina, importante destacar a abrangência da visão adotada pelos diretores Daniel Pátaro e Fernanda Machado ao abordar essa decadência, que acaba interferindo um pouco no ritmo do documentário. Um campo de visão alicerçado em uma extensa seleção de imagens de arquivo preto-e-branco dos mais variados temas (que jamais suporíamos estarem presentes em um documentário sobre Paranapiacaba), mesclados com os depoimentos de seus moradores, que vivenciaram o tempo de esplendor da vila ou que simplesmente tentam, com muita dificuldade, preservar um pouco dessa história.

NOTA: 4/5  





VI Paulínia Film Festival | O Samba

25 07 2014
Troféu Menina de Ouro do Paulínia Film Festival

Troféu Menina de Ouro do Paulínia Film Festival

[SUIÇA, 2014] – O olhar estrangeiro sobre um dos mais autênticos ritmos musicais brasileiros. Para construi-lo o diretor francês Georges Gachot (Nana Caymmi em Rio Sonata e Maria Bethânia: Música é Perfume) utiliza duas vertentes do samba: o carnavalesco, apoiando-se nos preparativos para o carnaval da agremiação Unidos de Vila Isabel. Paralelamente, um dos entusiastas da escola de samba de primeira grandeza: Martinho da Vila (Isabel).

O barracão da Unidos de Vila Isabel reúne pessoas de todas as idades e gerações inteiras de várias famílias reunidas em torno de um único objetivo: realizar o desfile mais perfeito possível na Marquês de Sapucaí, a passarela do samba carioca. O que exige um trabalho árduo durante um ano inteiro: a preparação de fantasia, que na ocasião das filmagens do documentário vinham direto da Angola (uma espécie de reafirmação das origens africanas do ritmo), as estruturas complexas dos carros alegóricos e os inúmeros ensaios envolvendo toda a comunidade numa frequência quase que semanal.

Em contraponto ao samba característico do carnaval, sua euforia e suas batidas fortes, há aquele outro mais contido, de ritmo mais lento e fruto do cotidiano brasileiro em todas as suas frustrações e conquistas. Martinho da Vila é um legítimo representante desse gênero. O próprio cantor se declara um compositor das horas difíceis.

Ilustre componente da escola de samba representante da comunidade de Vila Isabel, Martinho também é vascaíno (outra paixão brasileira que ganha certo destaque em O Samba), amante da natureza – aquela em que “tudo cresce devagar” e um brasileiro genuíno, já que em suas mãos ao longo da projeção pode surgir um pandeiro ou uma caipirinha. Para o cantor, a maior alegria que o samba lhe proporciona é a diversidade de reações que suas canções provocam no público. Uma mesma música em uma mesma apresentação pode fazer alguém sorrir, outro chorar e um terceiro sambar. Ao mesmo tempo.

Outros artistas, como Mart’Nália, ajudam com seus depoimentos a contar um pouco da história do samba. Leci Brandão relembra o quanto sambistas já foram perseguidos no passado por serem considerados malandros. Ney Matogrosso quando surge em tela demonstra o quanto o samba permite múltiplas interpretações sem perder  a sua autenticidade.

George Gachot em O Samba enaltece o gênero musical que lhe serve de título e constrói um documentário que ganha muito mais força ao depositar no carisma de Martinho da Vila a condução de sua narração que guarda ainda grandes preciosidades: a performance do compositor em versões acústicas de ‘Canta Canta, Minha Gente‘ e ‘Mulheres‘. Uma produção voltada para algo tão enraizado em nossa cultura ao ponto de ser corriqueiro a presença de pessoas fantasiadas andando pelo metrô carioca no período do carnaval.

NOTA: 5/5

6th PAULINIA FILM FESTIVAL: Acompanhe também a cobertura especial do evento em nosso Tumblr http://bit.ly/UnivTumblr





ANÁLISE: Praia do Futuro

22 05 2014

Cabo Donato (Wagner Moura, Elysium e Tropa de Elite 1 e 2) trabalha como salva-vidas nas praias de Fortaleza até que, um dia, perde sua primeira vítima (um estrangeiro) para o mar. Tal fatalidade o aproxima do alemão Konrad (Clemens Schick, Círculo de Fogo [2001] e 007: Cassino Royale), amigo que viajava junto com o turista agora falecido.

Os dez dias de buscas que sucedem o ocorrido é o suficiente para a construção do relacionamento entre os dois homens. Uma construção rápida e brusca demais, já que uma simples carona já desencadeia a primeira transa entre os dois, mesmo logo após a fatalidade do afogamento. Por outro lado, a próxima cena traz o personagem de Wagner Moura observando as tatuagens do corpo do companheiro através da luz tênue do celular, suavizando o choque de transição entre os dois momentos. Enquanto isso, o diretor Karim Ainouz (diretor de O Céu de Suely e Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo)  utiliza do mesmo período para esmiuçar o relacionamento muito próximo que Donato possuía com seu irmão Ayrton (interpretado na infância pelo novato  Savio Ygor Ramos), abordando os momentos de descontração entre os dois.

Adotando uma questionável divisão em capítulos – que interfere levemente no ritmo e fluidez da história -, Praia do Futuro chega em um momento importante e decisivo para Donato: o retorno de Konrad para a Alemanha. Uma paixão que floresceu a partir de um infortúnio agora enfrenta novos desafios: abandonar ou não a família em Fortaleza? Seguir ou não o novo amor de sua vida, rumo à Europa? A resposta para essas duas questões vem no segundo ato elencado pelo roteiro, uma co-autoria de Karim com Felipe Bragança (que também assina o roteiro de Heleno e do documentário Girimunho). Primeiro, com as imagens de uma Berlim gélida e segundo, pela expressão contida de satisfação de Donato ao caminhar pelas ruelas da capital alemã numa atividade extremamente banal, corriqueira.

O que mais chama atenção no relacionamento entre os dois e que se intensificou ainda mais com a ida do brasileiro à Alemanha é a cumplicidade existente entre Konrad e Donato, méritos totais da atuação de seus respectivos atores Clemens Schick e Wagner Moura. Algo que nem a diferença de idiomas ou de cidades foi capaz de prejudicar, muito menos as mudanças de temperamento ou as discussões inerentes a qualquer namoro, seja ele homossexual ou não. Essa qualidade permite que tanto um quanto o outro se expressem muito sem dizer nada. Uma simples expressão, uma única troca de olhares é capaz de substituir uma sentença gramatical inteira. E o filme explora isso com muita eficiência, basta observar a escolha de locais vazios e silenciosos em que os dois discutem (um dia chuvoso em um parque, um almoço na cozinha ou um telhado), só existem eles ali e nada mais ou como Wagner Moura demonstra uma saudade do calor brasileiro ao parar por poucos segundos diante de frios raios solares berlinenses ao deixar determinado prédio.

Vale a pena destacar também outra cena que marca a desnecessidade que uma palavra seja dita, quando Donato resolve não desembarcar do metrô que o levaria para o aeroporto e daí de volta para o Brasil. Konrad só percebe a decisão quando o companheiro permanece imóvel e calado no banco. Uma decisão que assinala sua permanência definitiva no país europeu.

Se até aqui nada disso estava planejado para Donato, Ayrton, no Brasil, já tinha algo bem claro em mente: reencontrar o seu irmão. Uma determinação que ele coloca em prática muitos anos depois. Com a cara e coragem, Ayrton – agora mais velho e vivido por Jesuíta Barbosa (de Tatuagem e Serra Pelada) – chega a Berlim a procura de Donato, sabendo o básico da língua alemã e carregando consigo todo o ressentimento causado pela ‘fuga’ do irmão velho anos atrás. A raiva demonstrada no reencontro deles e o conhecimento exato do ano, meses e dias que se passaram desde a morte da mãe deles são a prova disso.

Revisitando e relembrando traumas de infância do caçula, Donato realiza seu desejo de mostrar ao irmão uma praia na cidade onde a maré recua para que Ayrton possa, assim, ‘entrar’ no mar sem temer a água e contando com o auxílio (leia-se reaproximação) de Konrad para amenizar a relação entre os ditos Aquaman e Speedracer – codinomes de uma brincadeira fraterna -, nada mais são do que alternativas para que Donato consiga, enfim, sentir-se realizado em Berlim, recompensando os erros cometidos no passado. O futuro? Será incerto, tal qual a neblina da cena final que esconde o prolongamento da autoestrada numa curva qualquer.

NOTA: 4/5





19º Festival É Tudo Verdade | dia 03

12 04 2014

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BARDOT, A INCOMPREENDIDA (França, 2013) Brigitte Bardot considerada uma das dez atrizes mais lindas da história do Cinema. Símbolo sexual na década de 60, Bardot conseguiu quebrar a hegemonia das americanas, sendo a única europeia a ganhar destaque e espaço na mídia dos EUA.

Tanto sucesso e beleza, rivalizando inclusive com Marilyn Monroe, despertou a paixão (platônica) em muitos(as) fãs. David Teboul é um desses homens que foram fisgados pela estonteante Bardot, cuja admiração o levou a realizar este documentário.

Talvez essa seja o maior problema do documentário. Embora faça uma abordagem ampla e detalhada de toda a carreira da atriz francesa, com uma pesquisa longa em fotos e trechos em que a atriz atuou, David privilegia a sua visão passional para abordar o universo construído ao redor de Brigitte Bardot, onde a sua admiração ganha mais valor em tela do que a persona da artista. Um mal uso do acesso exclusivo que o diretor teve com os arquivos pessoais daquela que, desde que abandonou a carreira artística, dedica-se a uma vida reclusa e toda dedicada a causa animal.

NOTA: 1/5

DOMINGUINHOS (Brasil, 2014) –  Um pião rodando. Cactos. Bolinha de gude. Trote de cavalo. O movimento sincronizado com o som da respiração. Em imagens desgastadas, o documentário dirigido a seis mãos dos estreantes Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar vai apresentando aquilo que fez parte da infância de José Domingos de Morais, mais conhecido por Dominguinhos (o Neném do Acordeão) em Garanhuns, estado de Pernambuco.

A influência do pai (também músico) com quem teve o primeiro contato com a sanfona, a inspiração nos baiões românticos de Luiz Gonzaga. Foi inclusive com a sanfona dada por ele que Dominguinhos conseguiu se firmar no Rio de Janeiro para onde se mudou, se apresentando nas barcas que realizavam a travessia Rio-Niterói.

Ao contrário de outras personalidades, Dominguinhos teve um amplo arquivo em imagens e vídeos para ilustrar as várias passagens da trajetória de seu simpático homenageado. Não há como não se divertir com os causos contados pelo próprio Dominguinhos, por exemplo, o seu arrependimento por não estar presentes nas diversas homenagens que recebeu no exterior devido o medo de voar. Vê-se o reconhecimento (não só nacional) à um artista humilde e autodidata que transitou por todos os estilos musicais com muita desenvoltura. Não a toa que outra de suas alcunhas era ser o ‘sanfoneiro pop’.

NOTA: 5/5

A FAMÍLIA DE ELIZABETH TEIXEIRA / SOBREVIVENTES DA GALILEIA (Brasil, 2014)   Constituem mais dois bons motivos para você (assim como eu) que teve a ousadia de não ter assistido Cabra Marcado para Morrer. Feitos pelo documentarista Eduardo Coutinho para compor os extras do DVD de Cabra Marcado para Morrer, esses dois vídeos ganharam uma sessão especial na edição desse ano do festival É Tudo Verdade. Uma justíssima homenagem ao mestre dos documentários brasileiros, assassinado brutalmente no início desse ano.

Aqui, Coutinho leva o espectador a revisitar os personagens que sofreram com a história real de João Pedro Teixeira, líder da Liga dos Camponeses, assassinado em uma emboscada, retratada em Cabra Marcado para Morrer. Revisitar sim, pois os mesmos personagens ganham uma retrospectiva de suas faces com o passar dos anos na tela, auxiliando aqueles que não viram a obra original dos quais esses extras originaram. Uma família cujos membros carregam consigo a dor da falta do convívio harmônico de seus entes após a perda de seu patriarca.

Desde então, alguns se dispersaram pelo país com cicatrizes há mais de trinta anos abertas, escrevendo novas histórias de vida, sentindo falta daquela união comum entre uma família; outros, tentam sobreviver e assim preservar a história (de geração em geração) escrita por seus antepassados e os palcos onde ela foi encenada.

Brilhantemente, Eduardo Coutinho conduz esse reencontro entre personagens/espectador com um carisma e companheirismo únicos, capazes de trazer momentos de bom humor à uma história marcada pela tragédia. Características de uma índole que poucos documentaristas no mundo podem afirmar possuir.

NOTA: 5/5

 

—> A nossa cobertura especial do festival internacional de documentários É Tudo Verdade 2014 ainda contará com dois textos especiais sobre duas produções que consideramos serem os grandes destaques em nossa estadia de três dias no evento. Aguardem!





19º Festival É Tudo Verdade | dia 02

8 04 2014

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EIXO ÓPTICO (Rússia, 2013) – Esse documentário russo é dos típicos casos em que a premissa é interessante, mas a execução deixa a desejar.

A ideia de retratar as diferenças culturais, sociais e tecnológicas entre os 100 anos que separam a Rússia atual daquela registrada pelo fotógrafo Maxim Dmitriev é interessante. Para tanto a diretora Marina Razbezhkina utiliza gigantescas fotos em preto-e-branco, e nos mesmos cenários com ajuda de personagens análogos, tenta reconstruir a mesma visão (mais contemporânea) da fotografia.

Só que ao invés de se limitar ao contraste entre as fotografias, o documentário passa a se focar mais e demoradamente nos novos e desconhecidos personagens tornando o projeto longo e cansativo em excesso.

NOTA: 1/5

BERNARDES (Brasil, 2013) O brasileiro Sérgio Bernardes foi um arquiteto, que pertencendo à mesma leva de profissionais de calibre como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, tinha uma visão e ambição muito além da época em que vivia. Com um talento nato para a arquitetura, um dom que desenvolvia desde pequeno, era tanto a sua criatividade que muitos de seus projetos (grande maioria deles residenciais no início da carreira) chegavam a ser confundidos com os de Niemeyer.

Além de criativo, Bernardes também era visionário. Evidências não faltam. Sejam aquelas espalhadas pelo território brasileiro (residências pelo estado carioca como a residência da família do arquiteto ou a do cirurgião-plástico Ivo Pitanguy), o Tropical Hotel Tambaú em João Pessoa (localizado no extremo oriente do litoral brasileiro e seus detalhes minuciosos únicos), o Pavilhão São Cristóvão no Rio (mesmo desfigurado sem a cobertura original, que exigia alto investimento em manutenção) ou no exterior, com o Pavilhão Brasil em Bruxelas cujo balão vermelho exercia diferentes funções conforme o clima. Mas muitos outros tesouros, fruto da mente de Bernardes, podem ser descoberta nos documentos deixados por seu extinto escritório.

Por outro lado, o documentário também retrata com propriedade os motivos pelos quais Sérgio Bernardes é um nome ignorado pela arquitetura contemporânea brasileira. Bernardes trabalhava com muito afinco, “inventando coisas sem parar”. Tinha em mente algo que falta a nossa política desde sempre: um planejamento em longo prazo em seus projetos, vislumbrando um Rio de Janeiro organizado em vários micros distritos e um Brasil futurista servido nacionalmente por grandes vias fluviais. O trabalho do arquiteto funcionava constantemente assim, em larga escala. E com o advento do golpe militar em 1964, havia um ambiente propício para a realização dessas grandes obras, o mais próximo possível que esse grande trabalho de Bernardes teve de sair dos papéis e virar algo, digamos, concreto.

Uma grande injustiça! O modo de viver intenso de Sérgio (que sabia aproveitar como ninguém a vida e oferecia isso em seus projetos residenciais de alto-padrão), não o permitia se entregar às picuinhas e burocracias que permeavam e ainda permeiam o nosso mundo político. Ele não tinha nenhuma vocação para isso. O que realmente  jogou contra o reconhecimento da genialidade de Sérgio Bernardes foi sua ambição desenfreada e sua ingenuidade política, que em conjunto, colocaram o arquiteto fora das quatro linhas do campo da arquitetura brasileira. Erro histórico que pesquisas acadêmicas em cima de seus milhares projetos e desenhos poderão corrigir e, assim, recolocar o nome de Sérgio Bernardes em destaque novamente.

NOTA: 5/5

AI WEIWEI: O CASO FALSO (Dinamarca, 2013) – Tem como protagonista Ai Weiwei, artista plástico e designer arquitetônico chinês, que viveu um inferno jurídico ao ser acusado pelo governo chinês de ser subversivo, principalmente por suas atividades virtuais e ser considerado um grande influenciador político.

Para exercer a sua censura, o governo chinês utiliza-se de várias artimanhas para prender Weiwei e assim calá-lo, já que respondia os processos em prisão domiciliar. Valia tudo, até acusações de algo que não existe na China (sonegação fiscal) ou pornografia em uma das fotos de nudez que tem a participação do artista. A perseguição política, inclusive, é algo recorrente na família dele. Seu pai sofreu a mesma pressão em 1957.

Conhecido pela sua participação na construção do Ninho de Pássaro, o Estádio Nacional, para as Olimpíadas de 2008, Weiwei contou com grande apoio popular de chineses e de seus amigos artistas e/ou da imprensa internacional nesse período. Ao mesmo tempo em que enfrentava o furor do maniqueísta poder judiciário chinês, o artista tratava de abordar artisticamente o que vivenciara. Enquanto era “perdoado” pela justiça, as peças que retratavam o interrogatório e sua breve passagem pela cadeia deixavam o país clandestinamente, rumo a Bienal de Veneza.

NOTA: 4/5

TUDO POR AMOR AO CINEMA (Brasil, 2014) O Cine Livraria Cultura no Conjunto Nacional em São Paulo, pelo festival É Tudo Verdade, sediou no último domingo (dia 06/04), a segunda exibição nacional do documentário Tudo por Amor ao Cinema, que foi a sessão de abertura do mesmo festival na cidade do Rio de Janeiro. A sessão contou com a participação do idealizador do evento, Amir Labaki, com o diretor Aurélio Michiles e parte de sua equipe (técnica e de elenco).

Amir Labaki (a esq), Aurélio Michiles (ao centro com microfone) e parte da equipe do doc Tudo pelo Amor ao Cinema

Amir Labaki (a esq), Aurélio Michiles (ao centro com microfone) e parte da equipe do doc Tudo pelo Amor ao Cinema

A missão era documentar a vida do amazonense Cosme Alves Netto, curador da Cinemateca do Museu de Arte Moderna carioca, que com o seu incansável trabalho tornou-se sinônimo de restauração, conservação e propagação da cultura cinematográfica, no Rio de Janeiro e em todo o Brasil. Algo construído a partir do seu garimpo nos arquivos censurados pela ditadura militar (e eram salvos da destruição por ele) e em outras cinematecas internacionais que por ventura poderiam conter qualquer obra brasileira que fosse.

Com seu poder de aglutinação, Cosme também criou um celeiro de novos cineastas brasileiros, frequentadores assíduos da Cinemateca gerenciada por ele e do Cine Paissandu, importante cinema de arte carioca. Sua atuação contribuiu de duas formas para o Cinema brasileiro: a histórica, com a preservação de filmes raros, e pelo fomento da produção nacional, já que seus amigos viriam a consolidar o mercado doméstico cinematográfico no Brasil com suas obras.

Um personagem de fundamental importância para o nosso Cinema, sem dúvidas.

NOTA: 5/5





Desabafo de um cinéfilo desiludido!

21 08 2013

Não sei mais o que fazer! Não sei mais para onde ir! Mas a situação dentro das salas de cinema é cada vez mais preocupante!

Mas mais do que isso: ficou muito grave ao atingir espaços, ditos, culturais. Foi o que ocorreu comigo na noite dessa quarta-feira, dia 21, no Instituto CPFL | Cultura em Campinas naquela que seria uma sessão às 21 horas para o documentário Alma do Osso. O que não foi uma experiência agradável.

Transcrevo aqui a mensagem que enviei, quase que imediatamente, ao perfil do espaço no Facebook. Confesso que a crítica não seja toda ela para a instituição em si e o desabafo seja um acúmulo das constantes frustrações vividas dentro das salas de cinema, ultimamente. Mas enfim, foi apenas uma gota d’água no copo que já estava para transbordar…

“Com uma grande tristeza que relato aqui a desagradável experiência que presenciei na CPFL Cultura hoje, na sessão das 21 horas do documentário Alma do Osso, o que me fez perder completamente as esperanças em se tratando de experiências audiovisuais.

Um murmúrio, um cochicho constante na sessão, que atrapalhou e muito, a minha imersão na obra que estava sendo exibida, uma produção crua, sem efeitos especiais e/ou sonoros, onde qualquer ruído emitido por seus espectadores poderia ser ouvido. Por mais que aquelas três pessoas no lado direito e aos fundos da sala insistissem em não acreditar nisso.

E nem entrarei no mérito se houve participação de funcionários ou não (embora tenha uma leve impressão que sim) no incidente. Porque não manifestei nenhum tipo de repúdio aquela situação (nenhum shiu!, pedido de silêncio ou qualquer coisa do gênero) e nem quis certificar de quem se tratavam aquelas pessoas. Não esperava encontrar esse infortúnio num espaço que leva Cultura ao nome ou numa sessão com apenas quatro/cinco presenças além da minha num auditório com mais de 100 lugares. Não estava num multiplex onde as pessoas vão para um mero entretenimento, onde estão mais preocupadas em comer os lanches do fast-food que compraram na praça de alimentação do que com o filme em si; que estão dispostas as desrespeitar, sem a maior cerimônia, aquele espaço coletivo cada vez mais sem regras e sem limites, onde o filme, ironicamente, é a menor das preocupações.

Para quê realizar uma exibição em uma sala fechada, com a iluminação apagada e com revestimento acústico? Digo isso em geral. Mais fácil projetar um filme no hall de entrada ou um corredor qualquer, elimina-se a necessidade de uma sala de cinema ou de um auditório. É muito mais fácil e muito mais econômico.

Mas o que aquelas três pessoas no lado direito e aos fundos da sala causaram? Algo inédito em quase doze anos de dedicação constante minha ao cinema: abandonar uma sessão pela metade. Mesmo que nesse tempo todo, tenha vivenciado a experiência de ficar cinco sessões numa sala em único dia em um festival (algo que pode ser facilmente comprovado se preciso), independente da boa ou má qualidade do material apresentado. E não digo isso para me vangloriar, muito pelo contrário, pois é algo que exerço por simples prazer e não há nenhum mérito nisso. Mas para deixar evidente o meu descontentamento, pois não seria um documentário de apenas 74 minutos que me faria desistir tão fácil assim.

Enfim, esse é apenas meu desabafo, pura e simplesmente. E sinceramente não sei mais o que esperar disso tudo, estando eu mais acostumado com os inúmeros retornos automáticos de pouco resultado dos serviços de atendimento das grandes redes de cinema do país a cada reclamação registrada. E que a cada dia se conforma com uma análise simples: o errado aqui sou eu, todos os outros estão certos!

Abraços cordiais!”





ANÁLISE: O Prisioneiro da Grade de Ferro

14 08 2013

No Brasil há aproximadamente 250.000 detentos distribuídos em poucos mais de 1.000 unidades prisionais. Mais da metade desses números citados encontram-se no estado de São Paulo. E não há melhor de se documentar esse mundo (embora também o podemos chamar de submundo) brasileiro do que aquele que foi o maior presídio da América Latina: o Carandiru.

O grande trunfo do documentário O Prisioneiro da Grade de Ferro não está em seus dados e números apresentados, mas sim em obter as informações numa visão singular e mais verdadeira, mais crua possível, um auto-retrato como o próprio subtítulo que os criadores intitulam sua produção: a visão dos presos. Foram eles com a câmera em mão que filmaram o cotidiano dos noves pavilhões da Casa de Detenção de São Paulo, o nome oficial do Carandiru, durante os setes meses que antecederam a sua desativação em 2002 e, portanto, dez anos após o emblemático episódio do Massacre do Carandiru.

Toda a responsabilidade de gravação e obtenção das imagens está nas mãos dos próprios reeducandos. Reeducandos é a forma que a palestra inicial para novos detentos nos ensina a chamá-los. Dessa forma é muito rica o nosso contato com um mundo completamente alheio ao que vivemos. Um mundo que ocorre atrás das grades e dos muros.

Prisioneiro, prontuário e o código do delito. É assim, como se fosse uma propaganda partidária política, que o documentário se inicia e poucos minutos de exibição são o suficientes para se notar que o ensino ou preparo para a reinserção na sociedade daqueles que ali se encontram atem-se apenas ao nome dados à eles. Qualquer outra tentativa de ocupação, trabalho e educação existente é absolutamente míngua e infelizmente não vinga. Ou não vingava. Foi o caso, por exemplo, da academia para os presos, extinta por falta de apoio da administração carcerária; o local destinado a escola era abominável e a biblioteca estava em más condições. As outras atividades que possibilitavam a remissão da pena através da mão-de-obra dos presos eram realizadas em ambientes precários sem maquinagem ou condições adequadas. Mesmo assim, muitos deles conseguiam executar, heroicamente, os seus serviços e com habilidade e criatividade eram produzidas ali bolas, pipas e outras peças artesanais. Entre todos os trabalhos se destacava as pinturas: nos quadros, a projeção da vida fora da cadeia e da idealização de momentos que o crime lhes tiraram; com o grafite expunham os seus pensamentos e ideologias e na pichação a sua indignação.

Claro que não se deve esquecer todos os delitos praticados na sociedade que motivaram a sua ida para a cadeia, mas sem nenhum incentivo e até mesmo esforço para que essas pessoas ocupassem suas mentes durante o cumprimento de suas penas só alimentava ainda mais o desgosto, a raiva e a indignação dos detentos para com o ‘sistema governamental’. Unindo-se ao tratamento desumano que recebiam (muitas doenças que eles adquiriam sequer eram tratadas), nada mais natural e elementar a velha máxima de que os presos saíam pior do quando entraram.

Fazendo jus a autodenominação de auto-retrato, o documentário apresenta com uma riqueza de detalhes todo o cotidiano e todos os nuances que mantinham o Carandiru em funcionamento: os maços de cigarro como a moeda oficial do presídio, comprando uma ampla gama de mercadorias, inclusive a maconha, o crack e a pinga produzidos por eles mesmos, cuja clandestinidade lhes garantiam um valor a peso de ouro; nos momentos de lazer prevaleciam o funk, o hip-hop, o samba e o pagode, além das partidas de futebol; a Alemanha, África do Sul, Congo, Nigéria e Argentina eram alguns dos países que possuíam presos ali; as cartas eram uma constante, um importante elo de comunicação com os familiares. Além da escrita, outro contato com o mundo exterior também foi abordado, a famosa e problemática ‘saidinha’ em dias festivos, atentando-se apenas aos raríssimos casos de retorno no prazo previsto; o trabalho coletivo de lavagem dos pavilhões antes do dia de visitação, quando o pátio externo era tomado por mães, esposas, filhos de detentos na maioria das vezes. Em outros casos, a visita era um simples conhecido, parceiro.

Outro assunto recorrente nesse meio é a espiritualidade dos detentos com adeptos de todos os credos, com destaque para os evangélicos e suas diversas vertentes, os católicos (com a Pastoral Carcerária), os espíritas, como também os praticantes do candomblé, da macumba e do satanismo. Uma ala em separado, denominada ‘Rua das Flores’, era destinada aos presos homossexuais, cujo alguns integrantes chegavam a realizar programa dentro da própria cadeia. Para os mais rebeldes, qualquer tipo de ferro era o suficiente para se confeccionar uma faca, prontos para matar ou morrer.

Após conferir tantas imagens chocantes é até um certo alívio saber que este local não existe mais. Pelo menos tudo o que foi mostrado não ocorre mais no Carandiru, já que tais mazelas podem e devem, infelizmente, perpetuar em outras cadeias Brasil afora. Não há mais aquelas ‘celas de castigo’ no Carandiru, onde presos que desrespeitaram as normas internas são amontoados, separados dos demais; não há mais o pátio externo do Carandiru infestado de ratos durante a noite; não há mais O Carandiru. Sua desativação mostra-se acertada ao vermos o claro descontentamento no depoimento daqueles que foram diretamente responsáveis por sua administração, no caso os ex-diretores e os ex-secretários de segurança pública do estado de São Paulo. Várias declarações e uma acusação em comum: a falta de investimento e de interesse do Estado em transformaram a Casa de Detenção de São Paulo nesse ambiente exaustivamente documentado. Uma falta de agir política causadora não só da degradação do Carandiru, mas a grande responsável também de todos os problemas de ordem pública enfrentados pelo Brasil atualmente.

NOTA: 5/5

“Esta crítica é parte integrante da mostra “Cine Doc” realizada durante o mês de agosto no Instituto CPFL | Cultura em Campinas”





Saul Bass homenageado pelo Google

8 05 2013

O americano Saul Bass pode ser, facilmente, considerado uma das mentes mais criativas da humanidade. Sua imaginação está presente nos logotipos de empresas como a United Airlines, AT&T ou Warner Communications

Mas foi através de suas ilustres aberturas de filmes que seu nome ficou conhecido realizando parcerias com renomados mestres da 7ª Arte: Alfred Hitchcock, Martin Scorsese, Stanley Kubrick, só para citarmos alguns… No ano de 1968 ganhou o Oscar de melhor curta-documentário pela produção Why Man Creates (Por Que o Homem Cria, em tradução literal).

Logos criados por Saul Bass e reconhecidos mundialmente!

Logos criados por Saul Bass e reconhecidos mundialmente!

E nesse dia 08 de maio, quando completaria 93 anos de vida, Saul Bass ganha uma homenagem a sua altura com um doodle (logo comemorativo) do Google. Essa homenagem só podia ser deles mesmo. Confira!





18º Festival Internacional de Documentários “É Tudo Verdade” | Campinas – 3º dia

26 04 2013

O terceiro dia do festival É Tudo Verdade no espaço CPFL Cultura em Campinas foi muito proveitoso. Teve o encerramento da ‘trilogia’ de documentários sobre a crise financeira de 2008. Depois de falar sobre a participação do banco federal americano e de como o estouro da bolha imobiliária mudou (para pior) a rotina de uma família milionária nos EUA, a visão de Comissário voltou-se para um dos primeiros países a sofrer terrivelmente com a crise: a Grécia.

Para entender tais dificuldades, o documentário acompanhou a dura rotina de trabalho de Olli Rehn, comissário para Assuntos Econômicos e Monetários da União Europeia, que teve que lidar com a quebra do país grego e tomar decisões severas para manter a zona de euro intacta.

O espaço CPFL Cultura abriga o festival É Tudo Verdade em Campinas!

O espaço CPFL Cultura abriga o festival É Tudo Verdade em Campinas!

Em seguida, embarcamos numa viagem a terras paulistanas numa verdadeira ode à cidade de São Paulo: Sinfonia Paulistana, Um Novo Olhar, que reconta a história dessa brilhante composição através do depoimento de seu autor, cantor e compositor, mas também arquiteto e escritor, Billy Blanco, cuja participação no documentário se deu três meses antes de seu falecimento.

Após a sessão, houve um interessante bate-papo com o diretor e produtor executivo Rogério Zagallo, que contou mais história de bastidores da produção e também mais detalhes sobre a excelente montagem e edição de imagens e recortes da cidade de São Paulo que acompanharam a sinfonia paulistana em sua totalidade, que é muito mais do que a vinheta “Vambora, vambora. Tá na hora, vambora, vambora!” do noticiário matinal da rádio Jovem Pan.








PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2017

Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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