E o indicado do Brasil ao Oscar 2015 é…

14 09 2014

Essa pergunta será respondida nessa próxima quinta-feira, dia 18/09. A ministra da Cultura, Marta Suplicy, em São Paulo, será a responsável pelo anúncio oficial do possível representante brasileiro na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar em 2015. No páreo estão 18 produções nacionais entre filmes e animações.

A comissão responsável pela escolha do nosso indicado é composta:

  • Pelo ministro do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores, George Torquato Firmeza;
  • Por Jeferson De, diretor, produtor e roteirista;
  • Por Luis Erlanger, jornalista;
  • Pelo presidente do conselho da Televisão América Latina (TAL), Orlando de Salles Senna e
  • Pela coordenadora-geral de Desenvolvimento Sustentável do Audiovisual do Ministério da Cultura, Sylvia Regina Bahiense Naves.

O Universo E! possui textos para três dos dezoitos filmes que compõe a lista: Dominguinhos (durante o Festival É Tudo Verdade), Praia do Futuro e o nosso franco favorito O Menino e o Mundo. E para você? Qual seria o nosso concorrente no Oscar 2015?

Os indicados:

 

A Grande Vitória

A Grande Vitória

A Oeste do Fim do Mundo

A Oeste do Fim do Mundo

Amazônia

Amazônia

Dominguinhos

Dominguinhos

Entre Nós

Entre Nós

O Exercício do Caos

O Exercício do Caos

Getúlio

Getúlio

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Jogo de Xadrez

Jogo de Xadrez

Minhocas

Minhocas

Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho

Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho

O Homem das Multidões

O Homem das Multidões

O Lobo Atrás da Porta

O Lobo Atrás da Porta

O Menino e o Mundo

O Menino e o Mundo

O Menino no Espelho

O Menino no Espelho

Praia do Futuro

Praia do Futuro

Serra Pelada

Serra Pelada

Tatuagem

Tatuagem

 

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Breves & Curtas #9: Festival É Tudo Verdade | Campinas

28 04 2014

A mais nova edição do Breves & Curtas traz a nossa cobertura especial do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade em sua itinerância por Campinas. A passagem do festival pela cidade do interior paulista e nessa semana por Brasília (de 30/04 a 04/05) e por Belo Horizonte em julho, traz os vencedores e os principais destaques produções das edições integrais do É Tudo Verdade que ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro no início do mês.

Os nossos textos durante os três dias em que estivemos na capital paulista pode ser visto nos links a seguir: dia 01, dia 02 e dia 03.

Vamos conferir agora o que vimos em Campinas:

etv2014

 

HOMEM COMUM (Brasil, 2013)  Vencedor do prêmio CPFL Energia / É Tudo Verdade: Janela para o Contemporâneo (melhor documentário brasileiro de longa/média-metragem

Utiliza das semelhanças de dois filmes – o dinamarquês Ordet (1955) e o americano Life, the Dream (2012) – para moldar o retrato de vida de um caminhoneiro e sua família durante quase 20 anos. Uma mescla interessante entre o que é real e o que é ficção.

NOTA: 4/5

SOBRE A VIOLÊNCIA (Suécia, EUA, Dinamarca e Finlândia, 2014) – Uma análise da violência a partir do colonialismo e, principalmente, quando esta surge com a descolonização. Aqui, países como Zimbábue, Moçambique, Angola, Guiné-Bissau são as grandes vítimas da opressão religiosa, militar, social e econômica dos países europeus, uma intervenção dizimadora de culturas.

Em troca de suas riquezas naturais, o povo explorado recebia miséria, pobreza, fome e desolação. Incisivo em suas denúncias, Sobre a Violência levanta outras questões interessantes: o prevalecimento de valores cristãos (tal como a supremacia do branco perante o negro) e do porquê as nações africanas não tiveram o seu devido ressarcimento tal qual as nações europeias após a expansão e extinção do nazismo no Velho Continente. Não se trata de uma questão financeira, mas sim de oferecimento de condições propícias ao próprio desenvolvimento da África: a lógica de menos comida e mais ferramentas.

O documentário de Göran Hugo Olsson ainda é corajoso em sua conclusão ao defender uma nova organização social mais humana, distanciando-se o máximo possível daquela propagada pelos europeus. Algo muito mais complexo do que a simples substituição do capitalismo pelo socialismo.

NOTA: 5/5

UM HOMEM DESAPARECE (Japão, 1967) – Um conturbado, complicado, burocrático e confuso documentário sobre uma única questão: por que, num país pequeno como o Japão, tantas pessoas desaparecem? A produção de Shohei Imamura persegue os passos de um homem que abandonando sua família e sua noiva.

A investigação tenta reconstruir os passos do desaparecido com as limitações tecnológicas da época sem nenhum registro eletrônico – seja de imagens de câmera ou de informações bancárias confiáveis.

Tudo é baseado 100% em entrevistas de testemunhas que por ventura tenham visto tal pessoa muito tempo depois dos fatos ocorridos. Um tempo o suficiente para que a memória apague qualquer detalhe mais preciso.

Embora entremos em contato com um lado desconhecido da sociedade japonesa (como a traição e a prostituição), a base da narrativa enfraquece completamente Um Homem Desaparece. Tanto pela mudança constante de foco da “investigação”, quanto pela perda de um longo tempo com discussões irritantes e banais entre acusado e acusador.

NOTA: 1/5

JASMINE (França, 2013) – Vencedor do prêmio de melhor documentário internacional de longa/média-metragem

Não foi só na política que França e Irã se relacionaram diretamente, uma vez que Paris foi refúgio do aiatolá Ruhollah Khomeini durante as Revolução Iraniana de 1979. Na mesma época e envolvendo os mesmos países está a história de amor entre o francês Alain e a iraniana Jasmine.

Para documentar esse conturbado relacionamento, que evoluiu e definhou tal como o estado político do Irã, entram em cena a leitura de cartas trocadas entre os dois, a animação em stop-motion (e seus bonecos de argila) e imagens de arquivo para registrar outra história de amor impossível. Mais uma entre tantas outras, mas contada de forma inesperada.

NOTA: 3/5

20 CENTAVOS (Brasil, 2014) – Com a transformação de celulares e smartphones em pequenas centrais de mídia, os protestos de junho de 2013 puderam ser vistos e compartilhados pelas redes sociais, onde coube a cada manifestante registrar em seu aparelho os gritos, os excessos da polícia, o vandalismo irracional de delinquentes encapuzados de uma manifestação plural e de múltiplos objetivos e interesses.

O documentário de 53 minutos de Tiago Tambelli nada mais é do que um apanhado geral dessas imagens (com uma qualidade melhor do que a de um celular), com poucos efeitos gráficos e envolto por trilha sonora. Apesar do ineditismo, de ser o primeiro produto audiovisual finalizado a menos de um ano dos protestos, a produção não acrescenta nada de novo aos olhos mais atentos que acompanharam a cobertura da mídia tradicional. Cobertura que utilizou fartamente dos aparelhos portáteis dos manifestantes.

NOTA: 2/5





19º É Tudo Verdade | Campinas

18 04 2014

Após o sucesso das exibições de documentários no Rio de Janeiro e em São Paulo, o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade inicia sua itinerância pelo Brasil. Campinas, de 22 a 24 de abril, será a primeira cidade a recebê-la e depois, o festival ainda segue para Brasília (30/04 a 04/05) e Belo Horizonte (24 a 27/07).

etv2014

A cidade campineira receberá três sessões diárias no espaço Instituto CPFL | Cultura, incluindo os vencedores das mostras competitivas nacional e internacional, conforme a programação a seguir:

  • TERÇA-FEIRA (22/04)
    • 17h00 De Gravata e Unha Vermelha
    • 19h00 Homem Comum (vencedor da competição brasileira)*
    • 21h00 Ai Weiwei: O Caso Falso
  • QUARTA-FEIRA (23/04)
    • 17h00 Lugares: A Procura de Rusty James
    • 19h00 Sobre a Violência
    • 21h00 Um Homem Desaparece
  • QUINTA-FEIRA (24/04)
    • 17h00 Carmem Miranda: Bananas is my Business
    • 19h00 Jasmine (vencedor da competição internacional)
    • 21h00 20 Centavos

* Esta sessão contará com a presença do fundador e diretor do É Tudo Verdade, Amir Labaki.

 

 





19º Festival É Tudo Verdade | dia 03

12 04 2014

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BARDOT, A INCOMPREENDIDA (França, 2013) Brigitte Bardot considerada uma das dez atrizes mais lindas da história do Cinema. Símbolo sexual na década de 60, Bardot conseguiu quebrar a hegemonia das americanas, sendo a única europeia a ganhar destaque e espaço na mídia dos EUA.

Tanto sucesso e beleza, rivalizando inclusive com Marilyn Monroe, despertou a paixão (platônica) em muitos(as) fãs. David Teboul é um desses homens que foram fisgados pela estonteante Bardot, cuja admiração o levou a realizar este documentário.

Talvez essa seja o maior problema do documentário. Embora faça uma abordagem ampla e detalhada de toda a carreira da atriz francesa, com uma pesquisa longa em fotos e trechos em que a atriz atuou, David privilegia a sua visão passional para abordar o universo construído ao redor de Brigitte Bardot, onde a sua admiração ganha mais valor em tela do que a persona da artista. Um mal uso do acesso exclusivo que o diretor teve com os arquivos pessoais daquela que, desde que abandonou a carreira artística, dedica-se a uma vida reclusa e toda dedicada a causa animal.

NOTA: 1/5

DOMINGUINHOS (Brasil, 2014) –  Um pião rodando. Cactos. Bolinha de gude. Trote de cavalo. O movimento sincronizado com o som da respiração. Em imagens desgastadas, o documentário dirigido a seis mãos dos estreantes Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar vai apresentando aquilo que fez parte da infância de José Domingos de Morais, mais conhecido por Dominguinhos (o Neném do Acordeão) em Garanhuns, estado de Pernambuco.

A influência do pai (também músico) com quem teve o primeiro contato com a sanfona, a inspiração nos baiões românticos de Luiz Gonzaga. Foi inclusive com a sanfona dada por ele que Dominguinhos conseguiu se firmar no Rio de Janeiro para onde se mudou, se apresentando nas barcas que realizavam a travessia Rio-Niterói.

Ao contrário de outras personalidades, Dominguinhos teve um amplo arquivo em imagens e vídeos para ilustrar as várias passagens da trajetória de seu simpático homenageado. Não há como não se divertir com os causos contados pelo próprio Dominguinhos, por exemplo, o seu arrependimento por não estar presentes nas diversas homenagens que recebeu no exterior devido o medo de voar. Vê-se o reconhecimento (não só nacional) à um artista humilde e autodidata que transitou por todos os estilos musicais com muita desenvoltura. Não a toa que outra de suas alcunhas era ser o ‘sanfoneiro pop’.

NOTA: 5/5

A FAMÍLIA DE ELIZABETH TEIXEIRA / SOBREVIVENTES DA GALILEIA (Brasil, 2014)   Constituem mais dois bons motivos para você (assim como eu) que teve a ousadia de não ter assistido Cabra Marcado para Morrer. Feitos pelo documentarista Eduardo Coutinho para compor os extras do DVD de Cabra Marcado para Morrer, esses dois vídeos ganharam uma sessão especial na edição desse ano do festival É Tudo Verdade. Uma justíssima homenagem ao mestre dos documentários brasileiros, assassinado brutalmente no início desse ano.

Aqui, Coutinho leva o espectador a revisitar os personagens que sofreram com a história real de João Pedro Teixeira, líder da Liga dos Camponeses, assassinado em uma emboscada, retratada em Cabra Marcado para Morrer. Revisitar sim, pois os mesmos personagens ganham uma retrospectiva de suas faces com o passar dos anos na tela, auxiliando aqueles que não viram a obra original dos quais esses extras originaram. Uma família cujos membros carregam consigo a dor da falta do convívio harmônico de seus entes após a perda de seu patriarca.

Desde então, alguns se dispersaram pelo país com cicatrizes há mais de trinta anos abertas, escrevendo novas histórias de vida, sentindo falta daquela união comum entre uma família; outros, tentam sobreviver e assim preservar a história (de geração em geração) escrita por seus antepassados e os palcos onde ela foi encenada.

Brilhantemente, Eduardo Coutinho conduz esse reencontro entre personagens/espectador com um carisma e companheirismo únicos, capazes de trazer momentos de bom humor à uma história marcada pela tragédia. Características de uma índole que poucos documentaristas no mundo podem afirmar possuir.

NOTA: 5/5

 

—> A nossa cobertura especial do festival internacional de documentários É Tudo Verdade 2014 ainda contará com dois textos especiais sobre duas produções que consideramos serem os grandes destaques em nossa estadia de três dias no evento. Aguardem!





19º Festival É Tudo Verdade | dia 02

8 04 2014

etv2014

EIXO ÓPTICO (Rússia, 2013) – Esse documentário russo é dos típicos casos em que a premissa é interessante, mas a execução deixa a desejar.

A ideia de retratar as diferenças culturais, sociais e tecnológicas entre os 100 anos que separam a Rússia atual daquela registrada pelo fotógrafo Maxim Dmitriev é interessante. Para tanto a diretora Marina Razbezhkina utiliza gigantescas fotos em preto-e-branco, e nos mesmos cenários com ajuda de personagens análogos, tenta reconstruir a mesma visão (mais contemporânea) da fotografia.

Só que ao invés de se limitar ao contraste entre as fotografias, o documentário passa a se focar mais e demoradamente nos novos e desconhecidos personagens tornando o projeto longo e cansativo em excesso.

NOTA: 1/5

BERNARDES (Brasil, 2013) O brasileiro Sérgio Bernardes foi um arquiteto, que pertencendo à mesma leva de profissionais de calibre como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, tinha uma visão e ambição muito além da época em que vivia. Com um talento nato para a arquitetura, um dom que desenvolvia desde pequeno, era tanto a sua criatividade que muitos de seus projetos (grande maioria deles residenciais no início da carreira) chegavam a ser confundidos com os de Niemeyer.

Além de criativo, Bernardes também era visionário. Evidências não faltam. Sejam aquelas espalhadas pelo território brasileiro (residências pelo estado carioca como a residência da família do arquiteto ou a do cirurgião-plástico Ivo Pitanguy), o Tropical Hotel Tambaú em João Pessoa (localizado no extremo oriente do litoral brasileiro e seus detalhes minuciosos únicos), o Pavilhão São Cristóvão no Rio (mesmo desfigurado sem a cobertura original, que exigia alto investimento em manutenção) ou no exterior, com o Pavilhão Brasil em Bruxelas cujo balão vermelho exercia diferentes funções conforme o clima. Mas muitos outros tesouros, fruto da mente de Bernardes, podem ser descoberta nos documentos deixados por seu extinto escritório.

Por outro lado, o documentário também retrata com propriedade os motivos pelos quais Sérgio Bernardes é um nome ignorado pela arquitetura contemporânea brasileira. Bernardes trabalhava com muito afinco, “inventando coisas sem parar”. Tinha em mente algo que falta a nossa política desde sempre: um planejamento em longo prazo em seus projetos, vislumbrando um Rio de Janeiro organizado em vários micros distritos e um Brasil futurista servido nacionalmente por grandes vias fluviais. O trabalho do arquiteto funcionava constantemente assim, em larga escala. E com o advento do golpe militar em 1964, havia um ambiente propício para a realização dessas grandes obras, o mais próximo possível que esse grande trabalho de Bernardes teve de sair dos papéis e virar algo, digamos, concreto.

Uma grande injustiça! O modo de viver intenso de Sérgio (que sabia aproveitar como ninguém a vida e oferecia isso em seus projetos residenciais de alto-padrão), não o permitia se entregar às picuinhas e burocracias que permeavam e ainda permeiam o nosso mundo político. Ele não tinha nenhuma vocação para isso. O que realmente  jogou contra o reconhecimento da genialidade de Sérgio Bernardes foi sua ambição desenfreada e sua ingenuidade política, que em conjunto, colocaram o arquiteto fora das quatro linhas do campo da arquitetura brasileira. Erro histórico que pesquisas acadêmicas em cima de seus milhares projetos e desenhos poderão corrigir e, assim, recolocar o nome de Sérgio Bernardes em destaque novamente.

NOTA: 5/5

AI WEIWEI: O CASO FALSO (Dinamarca, 2013) – Tem como protagonista Ai Weiwei, artista plástico e designer arquitetônico chinês, que viveu um inferno jurídico ao ser acusado pelo governo chinês de ser subversivo, principalmente por suas atividades virtuais e ser considerado um grande influenciador político.

Para exercer a sua censura, o governo chinês utiliza-se de várias artimanhas para prender Weiwei e assim calá-lo, já que respondia os processos em prisão domiciliar. Valia tudo, até acusações de algo que não existe na China (sonegação fiscal) ou pornografia em uma das fotos de nudez que tem a participação do artista. A perseguição política, inclusive, é algo recorrente na família dele. Seu pai sofreu a mesma pressão em 1957.

Conhecido pela sua participação na construção do Ninho de Pássaro, o Estádio Nacional, para as Olimpíadas de 2008, Weiwei contou com grande apoio popular de chineses e de seus amigos artistas e/ou da imprensa internacional nesse período. Ao mesmo tempo em que enfrentava o furor do maniqueísta poder judiciário chinês, o artista tratava de abordar artisticamente o que vivenciara. Enquanto era “perdoado” pela justiça, as peças que retratavam o interrogatório e sua breve passagem pela cadeia deixavam o país clandestinamente, rumo a Bienal de Veneza.

NOTA: 4/5

TUDO POR AMOR AO CINEMA (Brasil, 2014) O Cine Livraria Cultura no Conjunto Nacional em São Paulo, pelo festival É Tudo Verdade, sediou no último domingo (dia 06/04), a segunda exibição nacional do documentário Tudo por Amor ao Cinema, que foi a sessão de abertura do mesmo festival na cidade do Rio de Janeiro. A sessão contou com a participação do idealizador do evento, Amir Labaki, com o diretor Aurélio Michiles e parte de sua equipe (técnica e de elenco).

Amir Labaki (a esq), Aurélio Michiles (ao centro com microfone) e parte da equipe do doc Tudo pelo Amor ao Cinema

Amir Labaki (a esq), Aurélio Michiles (ao centro com microfone) e parte da equipe do doc Tudo pelo Amor ao Cinema

A missão era documentar a vida do amazonense Cosme Alves Netto, curador da Cinemateca do Museu de Arte Moderna carioca, que com o seu incansável trabalho tornou-se sinônimo de restauração, conservação e propagação da cultura cinematográfica, no Rio de Janeiro e em todo o Brasil. Algo construído a partir do seu garimpo nos arquivos censurados pela ditadura militar (e eram salvos da destruição por ele) e em outras cinematecas internacionais que por ventura poderiam conter qualquer obra brasileira que fosse.

Com seu poder de aglutinação, Cosme também criou um celeiro de novos cineastas brasileiros, frequentadores assíduos da Cinemateca gerenciada por ele e do Cine Paissandu, importante cinema de arte carioca. Sua atuação contribuiu de duas formas para o Cinema brasileiro: a histórica, com a preservação de filmes raros, e pelo fomento da produção nacional, já que seus amigos viriam a consolidar o mercado doméstico cinematográfico no Brasil com suas obras.

Um personagem de fundamental importância para o nosso Cinema, sem dúvidas.

NOTA: 5/5





19º Festival É Tudo Verdade | dia 01

6 04 2014

etv2014

CONTINUO SENDO (Peru e Espanha, 2013) – A música típica peruana sobrevive ao mundo globalizado com os acordes de seu violino; com a sua harpa estilizada; com o instrumento da tesoura em sincronia com os passos de dança; com os movimentos do seu sapateado, mais acostumado a poeira do chão de terra do que com o tablado dos palcos e com as vozes potentes de suas mulheres, que destacam mais que os homens.

Natural que essa música sobreviva a globalização. O povoado, isolado aos pés dos Andes, não há interferência do rádio, da televisão e muito menos da internet, o principal meio de comunicação da atualidade que aplaca a cultura local e universaliza a ocidental e seu viés pop.

Mas interessante observar que essa veia artística não se apaga nos filhos e netos que deixam o distante lugarejo e vão à capital, Lima, em busca daquilo que falta no local em que nasceram: comida, água e condições melhores de vida. Mesmo tendo contato com as diferentes facetas que a cidade grande possui, eles já adultos retornam à comunidade para celebrar as tradicionais celebrações e sua musicalidade marcante. Se a idade avançada prejudicar o deslocamento, uma reunião entre eles em um beco qualquer de Lima é capaz de reconstruir a atmosfera interiorana em que nasceram.

Uma riqueza de movimentos, tonalidades, passos e acordes que sobrevivem arduamente pelo isolamento geográfico e pela perseverança daqueles que o praticam.

NOTA: 3/5

A CORRIDA DA ARTE (França, 2013) O mundo da Arte já não é mais o mesmo. Numa economia onde os novos ricos surgem em larga escala e querem, a todo o momento, ostentar a sua fortuna, o mistério da venda inflacionada de quadros em leilões internacionais é o que o documentário francês A Corrida da Arte pretende desconstruir.

Em seus momentos iniciais vemos uma típica cena desse lucrativo mercado: uma pintura é oferecida em um leilão e os lances surgem: 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24,  25, até o arremate final de 26 milhões de euros. Mas o que não é revelado é o que há por trás disso. Uma especulação sem limites que vem de todos os lados: de quem vende, de quem organiza as feiras de arte e os leilões e até mesmo de quem compra. Certos nomes desse mundo tem o poder (incompreensível) de inflacionar o valor de uma obra que pode chegar até mais de um milhão de dólares por ano.

A Arte saiu do Velho Continente e tornou-se um negócio global e ainda mais rentável. A Arte Contemporânea atinge novos mercados – asiáticos (China, Hong Kong, Cingapura), americano, árabe (Dubai) e, inclusive, brasileiro. Feiras internacionais de arte ocorrem no mundo inteiro a todo instante, atraindo excêntricos compradores dispostos a pagar qualquer preço apenas pelo prazer de possuir uma pintura de grife. Inclui-se aqui compradores individuais e até instituições.

O que mais impressiona, no entanto, é que muitas vezes o bom gosto é posto de lado nessas transações.

NOTA: 4/5





19º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade

26 03 2014

A 19ª edição do Festival Internacional É Tudo Verdade ocorrerá simultaneamente entre Rio de Janeiro e São Paulo. Na capital paulista a sessão de abertura ocorre no dia 03 de abril e na fluminense um dia depois, dia 04, e ambas seguem até o dia 13 de abril.

Os espaços reservados para as sessões do festival (todas gratuitas) serão os seguintes:

São PauloCentro Cultural Banco do Brasil, Cine Livraria Cultura, Espaço Itaú de Cinemas – Augusta e Reserva Cultural. Todos na região da Avenida Paulista.

Rio de JaneiroCentro Cultural Banco do Brasil, Espaço Itaú de Cinemas Botafogo, Instituto Moreira Salles e Oi Futuro Ipanema.

Depois das duas maiores cidades brasileiras, o É Tudo Verdade 2014 segue para a cidade de Campinas (de 22 a 24 de abril no Instituto CPFL Cultura), para Brasília (de 30 de abril a 04 de maio no Centro Cultural Banco do Brasil) e, finalmente, para Belo Horizonte (de 24 a 27 de julho no Oi Futuro BH).

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A programação do festival engloba 77 produções (entre longas e curtas) oriundas de 26 países. Além da retrospectiva especial homenageando a trajetória documental do cineasta japonês Shohei Imamura, É Tudo Verdade apresenta outros grandes destaques:

  • O relançamento em formato de bolso do livro O Cinema do Real, organizado por Maria Dora Mourão e Amir Labaki, diretor e fundador do É Tudo Verdade
  • Com uma Câmera na Mão e uma Máscara de Gás na Cara e 20 Centavos, que abordam as grandes manifestações populares no Brasil em junho do ano passado.
  • Batalha pelo Rio, do uruguaio Gonzalo Arijón e o ponto de vista estrangeiro em relação a implementação das UPP (Unidades de Polícia Pacificadora) no Rio de Janeiro desde 2008.
  • Los Hermanos – Esse é o Começo do Fim de Nossa Vida, sobre a retomada de shows após uma pausa de cinco anos da banda.
  • A celebração da obra do cineasta brasileiro Eduardo Coutinho, assassinado no início desse ano pelo próprio filho, com exibições especiais de Sobrevivente de Galileia e A Família de Elizabeth Teixeira.
  • Os Cavalos de Fukushima, com os vinte e três cavalos símbolos da sobrevivência em meio ao tsunami e o acidente nuclear de Fukushima em 2011.
  • A Mentira de Armstrong, e os dois lados da carreira do ciclista Lance Armstrong: o de sete vezes vencedor do Tour de France e o do esportista banido da modalidade por uso de doping.




Abril: os festivais

25 03 2014

Finalmente podemos declarar que o ano de 2014 começou. Como todo bom cinéfilo, o ano só se inicia depois da cerimônia do Oscar, que nesse ano premiou Gravidade e 12 Anos de Escravidão. Depois de uma intensa maratona para conferir todos os indicados e comentá-los aqui no Universo E!, na medida do possível, veio as merecidas férias.

Um período de descanso que não necessariamente quer dizer que ficamos afastados do cinema. Ainda pude conferir a última animação de Hayao Miyazaki, Vidas ao Vento, que fez dobradinha com outra animação, dessa vez a brasileira: O Menino e o Mundo. O início de 2014, aliás, começou na base das sessões duplas, já que Alemão e Ninfomaníaca – Volume 2 foram vistos em seguida também no mesmo dia.

Passada a ressaca, março se encerra daqui a poucos dias e já podemos vislumbrar um abril recheado de atrações. Dois grandes festivais tradicionais aqui no Universo E! chegam no mês de Tiradentes e do dia da mentira: o festival internacional de documentários É Tudo Verdade e o Festival Varilux de Cinema Francês 2014.

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Amanhã publicaremos aqui a programação da edição de número 19 do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade e o que destacamos de mais importante na extensa programação do maior festival latino-americano destinado às produções não-ficcionais. E no fim de semana, chegará a vez dos principais lançamentos que ocorreram no berço cinematográfico nos últimos meses e desembarcam no Brasil no Festival Varilux. Aguardem!

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18º Festival Internacional de Documentários “É Tudo Verdade” | Campinas – 3º dia

26 04 2013

O terceiro dia do festival É Tudo Verdade no espaço CPFL Cultura em Campinas foi muito proveitoso. Teve o encerramento da ‘trilogia’ de documentários sobre a crise financeira de 2008. Depois de falar sobre a participação do banco federal americano e de como o estouro da bolha imobiliária mudou (para pior) a rotina de uma família milionária nos EUA, a visão de Comissário voltou-se para um dos primeiros países a sofrer terrivelmente com a crise: a Grécia.

Para entender tais dificuldades, o documentário acompanhou a dura rotina de trabalho de Olli Rehn, comissário para Assuntos Econômicos e Monetários da União Europeia, que teve que lidar com a quebra do país grego e tomar decisões severas para manter a zona de euro intacta.

O espaço CPFL Cultura abriga o festival É Tudo Verdade em Campinas!

O espaço CPFL Cultura abriga o festival É Tudo Verdade em Campinas!

Em seguida, embarcamos numa viagem a terras paulistanas numa verdadeira ode à cidade de São Paulo: Sinfonia Paulistana, Um Novo Olhar, que reconta a história dessa brilhante composição através do depoimento de seu autor, cantor e compositor, mas também arquiteto e escritor, Billy Blanco, cuja participação no documentário se deu três meses antes de seu falecimento.

Após a sessão, houve um interessante bate-papo com o diretor e produtor executivo Rogério Zagallo, que contou mais história de bastidores da produção e também mais detalhes sobre a excelente montagem e edição de imagens e recortes da cidade de São Paulo que acompanharam a sinfonia paulistana em sua totalidade, que é muito mais do que a vinheta “Vambora, vambora. Tá na hora, vambora, vambora!” do noticiário matinal da rádio Jovem Pan.





18º Festival Internacional de Documentários “É Tudo Verdade” | Campinas – 2º dia

25 04 2013

No dia de abertura da mostra É Tudo Verdade, seu diretor e fundador Amir Labaki revelou que a edição desse ano do festival traria uma espécie de trilogia de documentários a respeito da crise financeira mundial de 2008. No primeiro dia tivemos Dinheiro à Toa: Nos Bastidores da Reserva Federal, contando a responsabilidade do banco central dos EUA sobre o estouro da bolha da especulação imobiliária.

Se aqui no Brasil os efeitos dessa crise não passou de uma ‘marolinha’, a afirmação do então presidente Lula passa a ser confirmada pelo documentário A Rainha de Versailles, que mostra David Siegel e sua família como o grande símbolo do impacto da crise no mercado americano. David, de origem humilde, conseguira construir o maior império de resorts (um total de 28 hotéis em operação em seu auge): o Westgate Resorts.

Através desse empreendimento que David construiu um dos edifícios símbolos de Las Vegas. A prosperidade era tanta que os Siegel estavam construindo aquela que seria a maior residência dos EUA: entre outros números podemos destacar os seus 8.400 m² de área construída e os US$ 5 milhões em mármore que jamais foram assentados na nova mansão.

A crise atingiu em cheio os negócios de David Siegel, que proclamando-se como o responsável pela eleição de Bush, viu os empréstimos baratos dos bancos acabarem e para acabar com déficit por cima de déficit orçamentário, foi obrigado a demitir milhares de funcionários da Westgate e diminuir de 25 para uma única governanta para cuidar de uma casa com 7 crianças e mais sua esposa, a Miss Flórida de 1993, Jackie Siegel, que sente dificuldades em se adequar a uma nova realidade menos farta. 5/5

Para encerrar a cobertura desse segundo dia, houve a exibição do mediano A Máquina que Faz Tudo Sumir, uma reunião de jovens cidadãos da Geórgia revelando seus sonhos, desejos, aflições em depoimentos sobre a dura realidade (seja no campo ou na cidade grande) dessa república ex-soviética. 2/5

Amanhã, o terceiro dia de exibições do É Tudo Verdade em Campinas se encerra com a participação especial do diretor Rogério Zagallo após a sessão de seu documentário Sinfonia Paulistana, Um Novo Olhar.

 








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Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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