Mostra Internacional de Cinema SP 2014 | parte 3

26 10 2014

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NABAT (Azerbaijão, 2014) – Antes de tudo, essa mulher é uma verdadeira guerreira. Com o marido Isgender adoentado, Nabat assume a tarefa que mantem a humilde casa em que vivem: ordenhar diariamente a vaca (a única posse expressiva que possuem) e levar o leite até a vila mais próxima (mas distante) para o responsável que fará a venda efetiva do produto. Essa é a tarefa retratada pelo longo e belíssimo plano-sequência que abre a produção, retratando uma tortuosa, íngreme, irregular e comprida estrada de terra percorrida todos os dias por esta senhora.

Se as circunstâncias dificultam e muito a vida de Nabat, barulhos incessantes de explosões ecoam do outro lado das montanhas que cercam o local, anunciando a proximidade de uma guerra. Os dois perderam o filho no conflito e pelo mesmo motivo também eles ficam totalmente isolados a medida que os moradores vão abandonando o vilarejo. Solidão que se agrava com a morte do marido. Emocionante acompanhar os esforços dela para enterrá-lo sob a chuva e, em seguida, notável a cena da silhueta negra de Nabat, da vaca e carroça ao horizonte num entardecer espetacularmente amarelo.

Nabat conta com elegantes movimentos de câmera enquanto testemunha o sofrimento de uma mulher que se mantem presa às atividades que se repetem, se repetem e se repetem: todos os dias a senhora percorre a mesma estrada para acender as lamparinas nas janelas das casas abandonadas, uma sugestão feita pelo finado marido para afastar os animais selvagens dali. Algo que faria e fez até o fim de sua vida.

NOTA: 5/5

JIA ZHANGKE, UM HOMEM DE FENYANG (Brasil, 2014) – O documentário brasileiro vai até a China revelar os bastidores e as inspirações de Jia Zhangke na produção de seus filmes, uma das mais importantes cinematografias chinesas.

Com a inclusão de várias cenas de seus longas (como Plataforma, Um Toque de Pecado, Em Busca da Vida, Dong, entre outros), a produção constrói um importante gancho para a realização das entrevistas que ocorrem no mesmo local das locações, trazendo amigos, familiares e parceiros dos sets de filmagem de longa data. O mesmo ocorre nos locais por onde o cineasta chinês cresceu (uma antiga prisão de Fenyang que foi transformada em uma série de moradias), viveu (um bairro inteiro a ser demolido devido ao ímpeto imobiliário da China) ou estudou (a admiração que os estudantes da Academia de Belas-Artes na China).

O documentário de Walter Salles capta muito bem a humildade de seu homenageado que não assume a áurea do estrelato mesmo ciente da sua importância para o Cinema, tanto chinês quanto mundial, e retorna com muita simplicidade às origens da sua vida, lidando novamente com as pessoas que o auxiliaram, artística e tecnicamente, em sua carreira. A produção, no entanto, ganharia mais ritmo se algumas cenas fossem encurtadas ou até mesmo excluídas da versão final.

NOTA: 3/5

ILUSÃO (Espanha, 2013) – Daniel Castro é um roteirista (ou um vendedor de ilusões) que ainda não emplacou nenhum projeto importante no cinema, dispensa qualquer trabalho que a televisão possa lhe oferecer devido à má qualidade dos programas ali apresentados e extremamente mimado! Sem nenhuma fonte de remuneração em vista, ele considera muito mais fácil pedir dinheiro emprestado para os pais (até a partir do momento em que estes se recusam a ajuda financeira) e prefere que sua namorada arque com as despesas do aluguel do apartamento em que vivem. Tudo em nome de sua liberdade criativa.

Liberdade que Daniel tem até demais, perdendo a noção do ridículo na hora de escrever e apresentar os seus trabalhos. Ilusão até que consegue fazer algumas graças como a implicância do protagonista com a filmografia de Michael Haneke ou ao citar a obsessão de James Cameron com 3D. Mas todas as outras piadas são tolas e provocam um risinho de canto de boca.

Nem a história em si que preenche os seus (felizmente) poucos 70 minutos atinge lá um grau de originalidade, previsível desde o seu segundo ato. A torcida durante a sessão é para que o filme seja objetivo o suficiente para resolver a sua história o mais breve possível. Pelo menos isso ele consegue.

NOTA: 2/5





Mostra Internacional de Cinema SP 2014 | parte 2

25 10 2014

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O CÍRCULO (Suíça, 2014) – Às sombras do nazismo e sua repreensão sexual, um grupo de homossexuais consegue manter por mais de 25 anos um grupo fechado em Zurique, na Suíça, onde pudessem reunir-se naturalmente sem serem desrespeitados. Além de servir como ponto de apoio aos gays, O Círculo também possuía como principal atividade a manutenção de uma publicação homoerótica voltada para os membros (cujos endereços cadastrados eram requisitados pela polícia a todo o momento) e organização de um baile anual gay.

Entre seus membros estavam Ernst Ostertag, professor de uma escola para meninas e filho de pais extremamente conservadores e o cabeleireiro e drag queen Röbi Rapp, que tinha uma ótima aceitação por parte de sua mãe. O relacionamento entre os dois sobreviveu ao fim de O Círculo e do nazismo, ao mesmo tempo em que a união incentivou a criação de um novo grupo: Club 68.

A inclusão dos depoimentos dos verdadeiros personagens que inspiraram o longa o enriquece bastante, tendo o espectador uma mescla entre ficção baseada em fatos reais e documentário, o que também abrange a utilização de fotografias reais da época em P&B ou de fotos dos próprios Ernst Ostertag e Röbi Rapp com seus respectivos atores.

Quanto a dura realidade que enfrentaram nas décadas de 50 e 60, pouca se altera ao que é visto em pleno século XXI, principalmente no que se refere à Ernst que só veio assumir a sua condição após a morte de sua mãe, assim como os dois realizaram o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo da Suíça em 2003.

NOTA: 4/5

PAIXÃO MÓRBIDA (Japão, 1964) – Cores primárias vivas iluminam rostos de mulheres japonesas. Naquele beco escuro iluminado apenas pelas luzes de propagandas, elas esperam pelo próximo cliente, estáticas num canto qualquer. A inocente Yoshie de 19 anos caiu no mundo da prostituição meio que pelo acaso após conhecer Eiji num bar onde ela fazia o turno da noite.

A violência do homem a forçava a se prostituir para ajuda-lo a pagar uma dívida de jogos com a Yakuza. O amor que criava nela uma fidelidade irracional por Eiji (apesar de toda a estupidez dele) mais a truculência na forma de agir e cobrar da máfia japonesa impedia que ela pudesse abandonar essa sobrevivência humilhante. Nem mesmo com o surgimento de Fujii, um arquiteto bem sucedido e um cliente recorrente em busca de seus serviços sexuais disposto a quase tudo para tirá-la daquele beco.

A indecisão entre o desejo de uma nova vida próspera que tanto almejou e o sentimento de traição com um possível abandono de Eiji à sua própria sorte não é uma decisão fácil para Yoshie, um dilema que se repete várias vezes. Nem mesmo uma terceira escolha possível apresentada pelo desfecho demonstra alguma possibilidade de felicidade.

NOTA: 2/5

AS PONTES DE SARAJEVO (França, Bósnia, Suíça, Itália, Alemanha, Portugal, Bulgária) – Sarajevo, capital da atual Bósnia, foi o palco do gatilho inicial da Primeira Grande Guerra, conflito mundial cujo início completou 100 anos recentemente e que matou mais 19 milhões de pessoas.

Para realizar uma homenagem não oficial desta data, As Pontes de Sarajevo é constituído por treze recortes relacionados à cidade, direta ou indiretamente, a partir da visão de diretores diferentes. Exatamente por isso, os protagonistas desses microfilmes são tão diversos entre si: os militares são a grande maioria; a observação do cotidiano de Sarajevo sobreposta por imagens de homens armados possivelmente mortos; a discussão de um casal de certa idade sobre a Europa como um todo a partir da leitura de um livro ou narrações em primeira pessoa.

No entanto, a angústia e a tristeza são uma constante em todas as visões apresentadas. Mesmo nos dois últimos trechos que utilizam mais o humor em sua narração. Um belo apanhado de imagens a se contemplar.

NOTA: 4/5

A MOÇA, A BABÁ, O NETO BASTARDO E EMMA SUÁREZ (Espanha, 2014)– O filme espanhol de título quilométrico justifica o motivo de seu nome, já que cada personagem ali citado ganha a sua importância e possui o seu arco dramático, sendo todos protagonistas, exceto Emma Suárez, cuja citação funciona apenas como homenagem (e uma pequena participação) à atriz espanhola de extenso currículo.

A “moça” Júlia possui um bebê de menos de 1 ano de idade fruto de um estupro. Como trabalha todo o dia fora, ela tem confiança em Carol, a “babá”, uma jovem atriz em início de carreira que ainda enfrenta problemas de autoestima para se entregar por inteira em cima dos palcos. Com o nascimento do neto, a avó começa a visitar a filha com mais frequência. Uma aproximação que incomoda e muito Júlia, pois foi a justamente a ‘ausência’ da mãe que causou tantas mágoas ainda não superadas.

O filme espanhol funciona muito bem como uma contemplação dessas personagens e as suas respectivas buscas por uma resolução para os seus problemas. Mesmo quando não há uma. Em certos momentos, isso ocorre embrulhado por um silêncio absoluto. Também impressiona a forma que a produção atinge seus ápices dramáticos (sempre envolvendo mãe e filha) que ocorre de forma rápida e pungente.

NOTA: 4/5

AS NOITES BRANCAS DO CARTEIRO (Rússia, 2014) – A profissão de Lyokha proporciona um contato direto e diário com seus vizinhos, todos habitando às margens de um lago, ao norte da Rússia, que os separam do restante do mundo.

Em sua rotina, o carteiro atravessa esse lago constantemente em busca das correspondências e de outros produtos que alguém daqui venha precisar. Além de um mero entregador de cartas, esse senhor torna-se um grande amigo para todos aqueles que visita, principalmente com uma de suas ex-colegas de escola (sua eterna antiga paixão) e seu filho.

A partir do momento em que o motor de seu barco é furtado, Lyokha estreita ainda mais a sua relação com o garoto, numa das raras ocasiões em que algo se altera nessa distante comunidade. O carteiro ainda terá que enfrentar outra mudança mais significativa (ao menos para ele) por ali, quando então tudo continuará no mesmo ritmo. E este filme russo consegue retratar tais passagens sem se tornar entendiante.

NOTA: 3/5





Mostra Internacional de Cinema SP 2014 | parte 1

19 10 2014

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15 ANOS + 1 DIA (Espanha)– A rebeldia comportada de Jon (vamos admitir, as suas ‘travessuras’ nem são tão graves assim para justificar a sua suspensão de 3 meses na escola) o leva a passar uma temporada na casa de seu avô, longe de qualquer apetrecho eletrônico.

Por mais problemático que seja, Jon (Arón Piper, de Maktub) tem um bom relacionamento com sua mãe (Maribel Verdú, do inesquecível O Labirinto do Fauno e E Sua Mãe Também), uma atriz que poderia ser veterana, mas não é. A dificuldade para ela conseguir um trabalho qualquer é tanta que até a própria mãe dela admite que a situação só não é pior devido ao bom patrimônio deixado pelo pai de Jon, cuja morte ocultada vira um dos escopos da trama.

E esse é o grande problema de 15 Anos + 1 Dia – a quantidade excessiva de temas abordados –, que acaba enfraquecendo-o como um todo narrativamente falando. Uma hora são problemas inerentes a qualquer adolescência comum, depois são os problemas familiares do passado que ainda ecoam no presente, uma discussão tola envolvendo uma desnecessária briga de vizinhos e, por fim, uma questão policial que ocupa toda a sua metade final. Tudo desenvolvido sem um aprofundamento apropriado e sem despertar o interesse necessário.

NOTA: 2/5

PÁSSARO BRANCO NA NEVASCA (EUA/França)– Podemos dizer que Kat (mas a não a Katniss de Jennifer Lawrence em Jogos Vorazes e sim Katrina Connor, vivida pela igualmente linda Shailene Woodley – vista recentemente em produções de grande apelo público como Divergente e A Culpa é das Estrelas) amadureceu bem apesar de todo o estranho ambiente familiar que a cercava.

Seus pais viviam um autêntico casamento de fachada, um relacionamento onde imperava a infelicidade. Eva Green (de Cruzada e Sin City: A Dama Fatal), que interpreta a mãe da adolescente, Eve Connor, encarna maravilhosamente bem todas as fases e temperamentos de sua personagem: desde a esposa dedicada e ideal no início de casamento até chegar ao ápice de uma mulher a beira da loucura, consumida pelo tédio que a união com Brock Connor (Christopher Meloni, Noites de Tormenta e O Homem de Aço) despertou.

Estar na pele de Kat não era mesmo uma tarefa fácil, que ouvia quase a todos os instantes as lamentações da mãe pelo casamento até o momento em que essa desaparece em 1988, quando a garota tinha então 17 anos. Pode até parecer estranho, mas o sumiço repentino da mãe pouco alterou a rotina da filha: continuava saindo com seus melhores amigos Beth (Gabourey Sidibe, que surgiu no filme Preciosa: Uma História de Esperança e da série The Big C) e Mickey (Mark Indelicato, da série americana Uggly Betty); tinha que conviver com um pai apático e apenas o seu relacionamento com Phil (Shiloh Fernandez, A Morte do Demônio e A Garota da Capa Vermelha) vinha esfriando desde então.

Embora não consiga desenvolver suas subtramas (caso de Kat com o detetive que investiga o sumiço de sua mãe) com a mesma qualidade vista no plot principal, Pássaro Branco na Nevasca melhora sempre quando volta para o seu foco primordial: desvendar o que de fato ocorreu com Eve. O longa de Gregg Araki (também diretor de Mistérios da Carne) não assume as características de um thriller policial, mas se sai bem na parte investigativa utilizando-se de pistas soltas ao longo da história. Não podemos deixar de citar a boa trilha sonora com músicas da época e o carisma demonstrado por seu elenco de coadjuvantes.

Nada disso, porém, preparou ou indicou o caminho para o seu desfecho e suas motivações.

NOTA: 4/5

FILHO DE TRAUCO (Chile) – No Chile há uma lenda que diz que crianças cujos pais são desconhecidos e são criadas por mães solteiras acabam sendo chamadas de ‘filhos de Trauco’. Uma crendice muito popular em vilarejos afastados dos grandes centros urbanos, encravados no interior do país. Crendice que ganha ainda mais força em uma comunidade instalada numa ilha isolada da parte continental do país.

O protagonista do filme, Jaime (o novato Xabier Usabiaga), se enquadra parcialmente nessa descrição.  O jovem de 14 anos desconhece a sua paternidade, mas mesmo sendo habitante da ilha, não cai facilmente nos contos criados pelos seus conterrâneos. O seu espírito poético é libertador (que mais tarde o longa revela ser um dom herdado de seu pai), o que invoca nele uma imensa vontade de deixar a ilha e seguir para o norte do Chile, rumo à uma cidade maior. Uma ideia que ganha mais força ao ser suspenso injustamente pela direção de sua escola em um caso de plágio.

Filho de Trauco é o primeiro longa-metragem do diretor Alan Fischer, que a partir de uma lenda urbana, cria uma aventura juvenil com Jaime em busca da verdade sobre a identidade de seu pai, deparando-se com uma nova versão sobre a identidade do seu pai e o que lhe ocorreu a cada passo dado. Tudo envolto por uma atmosfera híbrida meio fantástica, meio real, criada habilmente através de criativos créditos iniciais (que acabam nos apresentando a ilha onde a trama se passa) e as recriações digitais de visões de Violeta (a estreante Ignacia Tellez), o primeiro interesse amoroso de Jaime. Mas nada muito além disso.

NOTA: 3/5

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ATENÇÃO: Esse post inicial é apenas um aperitivo. A cobertura do Universo E! na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo continua no próximo fim-de-semana, onde dedicaremos, no total, 5 dias ao festival.





Vai ter Copa sim! (E nos cinemas ainda)

6 06 2014

Ah, você fanático por futebol, mas igualmente alucinado por cinema, achou que ia ficar distante das salas escuras e suas telonas durante a realização da Copa do Mundo aqui no Brasil, não é mesmo?

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Pois saiba que você está redondamente (perdão pelo trocadilho) enganado. O site Ingresso.com, a Cinelive (empresa pioneira na distribuição de conteúdo digital via satélite para os cinemas), juntamente com as redes de cinema Cinemark, Kinoplex, UCI, Cinépolis, Moviecom e GNC serão responsáveis por trazer as emoções das partidas da Copa para dentro dos cinemas de todo o Brasil.

E o melhor: o foco das transmissões não se limitará apenas aos jogos da seleção brasileira. Para a cidade de Campinas, por exemplo, já está disponível a venda de ingressos para os jogos do Brasil contra Croácia (quinta, dia 12) e contra o México (terça, dia 17), mas também há opções de compra para os confrontos:

– Espanha x Holanda (sexta, dia 13);

– Inglaterra x Itália (sábado, dia 14) e

– Alemanha x Portugal (segunda, dia 16)

As capitais como São Paulo e Rio de Janeiro oferecem mais opções. No momento em que este post é escrito, ambas as cidades tinham 9 jogos habilitados para compra de ingressos. Então, para maiores informações sobre preços e outros jogos disponíveis na sua cidade consulte o hotsite do Ingresso.com para a Copa e divirta-se!





19º Festival É Tudo Verdade | dia 01

6 04 2014

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CONTINUO SENDO (Peru e Espanha, 2013) – A música típica peruana sobrevive ao mundo globalizado com os acordes de seu violino; com a sua harpa estilizada; com o instrumento da tesoura em sincronia com os passos de dança; com os movimentos do seu sapateado, mais acostumado a poeira do chão de terra do que com o tablado dos palcos e com as vozes potentes de suas mulheres, que destacam mais que os homens.

Natural que essa música sobreviva a globalização. O povoado, isolado aos pés dos Andes, não há interferência do rádio, da televisão e muito menos da internet, o principal meio de comunicação da atualidade que aplaca a cultura local e universaliza a ocidental e seu viés pop.

Mas interessante observar que essa veia artística não se apaga nos filhos e netos que deixam o distante lugarejo e vão à capital, Lima, em busca daquilo que falta no local em que nasceram: comida, água e condições melhores de vida. Mesmo tendo contato com as diferentes facetas que a cidade grande possui, eles já adultos retornam à comunidade para celebrar as tradicionais celebrações e sua musicalidade marcante. Se a idade avançada prejudicar o deslocamento, uma reunião entre eles em um beco qualquer de Lima é capaz de reconstruir a atmosfera interiorana em que nasceram.

Uma riqueza de movimentos, tonalidades, passos e acordes que sobrevivem arduamente pelo isolamento geográfico e pela perseverança daqueles que o praticam.

NOTA: 3/5

A CORRIDA DA ARTE (França, 2013) O mundo da Arte já não é mais o mesmo. Numa economia onde os novos ricos surgem em larga escala e querem, a todo o momento, ostentar a sua fortuna, o mistério da venda inflacionada de quadros em leilões internacionais é o que o documentário francês A Corrida da Arte pretende desconstruir.

Em seus momentos iniciais vemos uma típica cena desse lucrativo mercado: uma pintura é oferecida em um leilão e os lances surgem: 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24,  25, até o arremate final de 26 milhões de euros. Mas o que não é revelado é o que há por trás disso. Uma especulação sem limites que vem de todos os lados: de quem vende, de quem organiza as feiras de arte e os leilões e até mesmo de quem compra. Certos nomes desse mundo tem o poder (incompreensível) de inflacionar o valor de uma obra que pode chegar até mais de um milhão de dólares por ano.

A Arte saiu do Velho Continente e tornou-se um negócio global e ainda mais rentável. A Arte Contemporânea atinge novos mercados – asiáticos (China, Hong Kong, Cingapura), americano, árabe (Dubai) e, inclusive, brasileiro. Feiras internacionais de arte ocorrem no mundo inteiro a todo instante, atraindo excêntricos compradores dispostos a pagar qualquer preço apenas pelo prazer de possuir uma pintura de grife. Inclui-se aqui compradores individuais e até instituições.

O que mais impressiona, no entanto, é que muitas vezes o bom gosto é posto de lado nessas transações.

NOTA: 4/5





‘Senna’ ganha prêmio em Los Angeles

3 07 2011

O documentário Senna dirigido pelo inglês Asif Kapadia que narra a trajetória do piloto brasileiro de Fórmula 1, Ayrton Senna, de sua ascensão nas pistas, passando pela conquista do tricampeonato até a sua trágica morte no GP de Ímola em 1994, ganhou o prêmio de melhor filme estrangeiro, no domingo passado (dia 26/06) pelo júri popular no Festival de Cinema de Los Angeles.

O mesmo longa já conquistara, no início do ano, o prêmio de melhor documentário, também pelo júri popular do Festival Sundance.

De acordo com a editoria de cinema do portal Terra, o documentário vem sendo lançado comercialmente nos países presentes no circuito mundial de Fórmula 1: caso de Alemanha, Espanha, França, Itália, Japão, Turquia, além é claro, do Brasil. Por aqui, o documentário pode ser encontrado disponível em DVD e blu-ray para venda ou locação.





RETROSPECTIVA 2010 – parte 2

6 01 2011

O Universo E! traz agora a segunda e última parte de sua RETROSPECTIVA 2010, relembrando os momentos mais marcantes do ano que passou para a indústria do entretenimento em suas várias formas: música, filmes, artes, animação…

JULHO

Julho, mês de férias. O mês onde os 31 dias podem ser traduzidos em uma única palavra: diversão. Mas as distribuidoras brasileiras conseguem provocar ainda mais risos nos fãs que adquirem os boxes de suas séries favoritas. Como no caso retratado pelo post de 02 de julho: a série Fringe, de J. J. Abrams, com o único título em inglês. Óbvio. Mas essa certeza não se aplica na versão brasileira do seriado. Fringe recebe, na arte de capa da embalagem o subtítulo A Grande Conspiração. Já na abertura dos episódios em versão legendada, o título e subtítulo desaparecem para serem substituídos por, simplesmente, Fronteiras. Agora não sei mais de qual série sou fã: Fringe? Fringe – A Grande Conspiração? Fronteiras?!!!

Em julho chegou ao fim mais uma edição da Copa do Mundo onde a Espanha sagrou-se campeã. Além do fracasso da seleção brasileira (que pegou carona no voo de volta com a Argentina), a Copa de 2010 ficou marcada pelo som. E não apenas o das vuvuzelas. Teve K’naan cantando ‘The Waving Flag’; Skank cantando a versão brasileira utilizada na propaganda da Coca-Cola e Shakira cantarolando ‘Waka Waka’.

Taí. A grande responsável pela falta de atualizações do blog durante os meses de junho e julho foi o Mundial da África do Sul, emendando com o início de merecidas férias.

AGOSTO

Este mês começou com um resumo superficial de minhas férias: leituras, revendo séries e muito descanso. Agosto também marca a época em que o friozinho na barriga começa nos fanáticos por séries porque o mês seguinte traz grandes retornos e estréias no fall season da televisão americana.

Na primeira sexta-feira desse mês estreou nos cinemas o longa A Origem. Uma estréia que quebrou uma tradição da Sétima Arte: de reservar sempre os seus melhores filmes para época de final de ano, onde uma produção está mais visível para a corrida do Oscar. E não há mais o que falar, A Origem é, continua sendo e provavelmente será o melhor filme apresentado em 2010, como disse antes: “Agora dificilmente algum filme poderá retirar o título de melhor filme de 2010 de A Origem e das mãos de Christopher Nolan”. Espere e veremos!

Uma pausa para reflexão? Também tivemos nesse post!

Os brasileiros especialistas em séries deram seus palpites sobre as melhores séries em exibição, em um aquecimento para o Emmy 2010. Especialista ou não, se você assiste à muitas séries, demos uma dica de como se organizar utilizando o site o Orangotag. As exibições em 3D novamente dando o que falar: dessa vez ocorreu com as cópias de O Último Mestre do Ar, que fez muita gente economizar uma graninha e desistir de conferi-lo nos cinemas.

E informamos também no finalzinho do mês, um vídeo com a prévia do ainda não-fenômeno The Walking Dead.

SETEMBRO

No mês em que o Universo E! mudou para o visual atual, também foi reservado por grandes informações que você viu primeiro aqui. Fomos conferir a refilmagem do Karate Kid (e não é que gostei?). Revelamos o fim de ano azul que Avatar (e Fox, e James Cameron) teria em 2010… começaram, com um mês de antecedência, as vendas para a estréia de Tropa de Elite 2… o Ministério da Cultura inicou uma votação em seu site sobre a escolha do representante brasileiro na categoria de filme estrangeiro do Oscar 2011… Jim Parsons, Sheldon de The Big Bang Theory revelou a sua homossexualidade… Justin Bieber invadindo telonas e telinhas: trilha de Karate Kid, participação na temporada atual de CSI, e mais cinebiografia…

Ufa! Muita coisa aconteceu em setembro. Mas não acabou por aqui: finalmente comentamos sobre Antes que o Mundo Acabe. Sessenta (!) séries (re)estrearam em uma única semana de setembro! E o Google Street View chegou ás ruas das principais cidades brasileiras.

OUTUBRO

Consolidou o cinema brasileiro pra o ano de 2010 com a chegada triunfal de Tropa de Elite 2 aos cinemas. Com a ajuda do Capitão Nascimento, o Brasil ocupou mais da metade das salas de cinema com suas produções

Mas em meio á uma onda verde e amarela, conseguimos ver Resident Evil 4: Recomeço e noticiar o lançamento da segunda temporada de Fringe.

Para os fãs da saga do Um Anel pela Terra-Média, outubro foi um mês especial: primeiro a eliminação das pendências envolvendo MGM e Warner Bros que impediam o início das filmagens de O Hobbit. E segundo, a chegada ao mercado brasileiro da edição de luxo da trilogia O Senhor dos Anéis em suas versões estendidas.

Enquanto informações eram liberadas para o lançamento da edição de colecionador de Avatar, o CQC chegava na era 3.0, com o programa ganhando mais meia hora em sua duração com transmissão ao vivo pela internet.

Mas de especial nesse mês mesmo teve a estréia, no dia 31, da série The Walking Dead!!!

NOVEMBRO

Chegando ao fim o ano de 2010. E novembro traz consigo notícias e nem tão boas assim…

Era levantada a hipótese real (e até a publicação desse post, essa informação não está descartada) do cancelamento do seriado Fringe após o seu terceiro ano. E logo seguida, a Fox americana informava a mudança de horário da produção das quintas para as temidas sextas-feiras. E mais, se o fenômeno de The Walking Dead ganhava fãs ao redor do mundo com tão pouco tempo de vida, o canal Fox brasileiro tratava de afasta-los com a exibição de episódios dublados e retalhados por aqui.

A rede Cinemark realizava a 11ª edição do seu projeto Projeta Brasil Cinemark. O YouTube também programava uma edição do YouTube Live no Brasil, reunindo os grandes nomes da música sertaneja.

Também em novembro revivemos (ou para alguns, conferiram pela primeira vez) as habilidades fantásticas do piloto Ayrton nas corridas de Fórmula 1 no documentário Senna. E no despedimos de uma das mais importantes figuras do humor em Hollywood: Leslie Nielsen.

DEZEMBRO

No último mês do ano as novidades voltaram a ficar escassas por aqui. Teve o trailer do quarto Piratas do Caribe.

E enquanto essa RETROSPECTIVA estava constrangedoramente atrasada, publicamos uma produzida pelo Google, para 2010 não passar em branco por aqui.

– * – * – * –

Agora sim! Missão dada é missão cumprida! Realizamos aqui a primeira retrospectiva do Universo E! Podemos agora, finalmente, fincar os pés no ano de 2011 e que ele venha repleto de atrações especiais por aqui. Até lá!








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Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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