E o indicado do Brasil ao Oscar 2015 é…

14 09 2014

Essa pergunta será respondida nessa próxima quinta-feira, dia 18/09. A ministra da Cultura, Marta Suplicy, em São Paulo, será a responsável pelo anúncio oficial do possível representante brasileiro na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar em 2015. No páreo estão 18 produções nacionais entre filmes e animações.

A comissão responsável pela escolha do nosso indicado é composta:

  • Pelo ministro do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores, George Torquato Firmeza;
  • Por Jeferson De, diretor, produtor e roteirista;
  • Por Luis Erlanger, jornalista;
  • Pelo presidente do conselho da Televisão América Latina (TAL), Orlando de Salles Senna e
  • Pela coordenadora-geral de Desenvolvimento Sustentável do Audiovisual do Ministério da Cultura, Sylvia Regina Bahiense Naves.

O Universo E! possui textos para três dos dezoitos filmes que compõe a lista: Dominguinhos (durante o Festival É Tudo Verdade), Praia do Futuro e o nosso franco favorito O Menino e o Mundo. E para você? Qual seria o nosso concorrente no Oscar 2015?

Os indicados:

 

A Grande Vitória

A Grande Vitória

A Oeste do Fim do Mundo

A Oeste do Fim do Mundo

Amazônia

Amazônia

Dominguinhos

Dominguinhos

Entre Nós

Entre Nós

O Exercício do Caos

O Exercício do Caos

Getúlio

Getúlio

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Jogo de Xadrez

Jogo de Xadrez

Minhocas

Minhocas

Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho

Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho

O Homem das Multidões

O Homem das Multidões

O Lobo Atrás da Porta

O Lobo Atrás da Porta

O Menino e o Mundo

O Menino e o Mundo

O Menino no Espelho

O Menino no Espelho

Praia do Futuro

Praia do Futuro

Serra Pelada

Serra Pelada

Tatuagem

Tatuagem

 

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VI Paulínia Film Festival | O Samba

25 07 2014
Troféu Menina de Ouro do Paulínia Film Festival

Troféu Menina de Ouro do Paulínia Film Festival

[SUIÇA, 2014] – O olhar estrangeiro sobre um dos mais autênticos ritmos musicais brasileiros. Para construi-lo o diretor francês Georges Gachot (Nana Caymmi em Rio Sonata e Maria Bethânia: Música é Perfume) utiliza duas vertentes do samba: o carnavalesco, apoiando-se nos preparativos para o carnaval da agremiação Unidos de Vila Isabel. Paralelamente, um dos entusiastas da escola de samba de primeira grandeza: Martinho da Vila (Isabel).

O barracão da Unidos de Vila Isabel reúne pessoas de todas as idades e gerações inteiras de várias famílias reunidas em torno de um único objetivo: realizar o desfile mais perfeito possível na Marquês de Sapucaí, a passarela do samba carioca. O que exige um trabalho árduo durante um ano inteiro: a preparação de fantasia, que na ocasião das filmagens do documentário vinham direto da Angola (uma espécie de reafirmação das origens africanas do ritmo), as estruturas complexas dos carros alegóricos e os inúmeros ensaios envolvendo toda a comunidade numa frequência quase que semanal.

Em contraponto ao samba característico do carnaval, sua euforia e suas batidas fortes, há aquele outro mais contido, de ritmo mais lento e fruto do cotidiano brasileiro em todas as suas frustrações e conquistas. Martinho da Vila é um legítimo representante desse gênero. O próprio cantor se declara um compositor das horas difíceis.

Ilustre componente da escola de samba representante da comunidade de Vila Isabel, Martinho também é vascaíno (outra paixão brasileira que ganha certo destaque em O Samba), amante da natureza – aquela em que “tudo cresce devagar” e um brasileiro genuíno, já que em suas mãos ao longo da projeção pode surgir um pandeiro ou uma caipirinha. Para o cantor, a maior alegria que o samba lhe proporciona é a diversidade de reações que suas canções provocam no público. Uma mesma música em uma mesma apresentação pode fazer alguém sorrir, outro chorar e um terceiro sambar. Ao mesmo tempo.

Outros artistas, como Mart’Nália, ajudam com seus depoimentos a contar um pouco da história do samba. Leci Brandão relembra o quanto sambistas já foram perseguidos no passado por serem considerados malandros. Ney Matogrosso quando surge em tela demonstra o quanto o samba permite múltiplas interpretações sem perder  a sua autenticidade.

George Gachot em O Samba enaltece o gênero musical que lhe serve de título e constrói um documentário que ganha muito mais força ao depositar no carisma de Martinho da Vila a condução de sua narração que guarda ainda grandes preciosidades: a performance do compositor em versões acústicas de ‘Canta Canta, Minha Gente‘ e ‘Mulheres‘. Uma produção voltada para algo tão enraizado em nossa cultura ao ponto de ser corriqueiro a presença de pessoas fantasiadas andando pelo metrô carioca no período do carnaval.

NOTA: 5/5

6th PAULINIA FILM FESTIVAL: Acompanhe também a cobertura especial do evento em nosso Tumblr http://bit.ly/UnivTumblr





VI Paulínia Film Festival – programação de 22 a 27/07

17 07 2014

De 22 a 27 de julho, a cidade de Paulínia, na região de Campinas, realiza a 6ª edição de seu festival de cinema. Uma celebração inspirada em seu Pólo Cinematográfico que incentiva a produção de filmes na cidade, movimentando a economia e a população do município localizado a cerca de 100 km da capital paulista.

Fachada do Theatro Municipal de Paulínia, a casa do VI Paulínia Film Festival

Fachada do Theatro Municipal de Paulínia, a casa do VI Paulínia Film Festival

Alguns imbróglios políticos interromperam a realização do evento nos últimos anos, então o VI Paulínia Film Festival pode ser considerado a retomada definitiva da celebração, do apoio e da difusão da produção cinematográfica nacional pelo município. Com a política de ingressos gratuitos, o festival possibilita que o grande público tenha acesso às produções mais recentes do cinema mundial, já que sete filmes internacionais farão sua estreia no Brasil durante o evento.

Para a abertura, no dia 22, há a homenagem aos 25 anos da distribuidora brasileira Imovision e a exibição do longa Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho, uma cinebiografia do escritor brasileiro. No encerramento, dia 27, além da cerimônia de premiação, o festival homenageará o cineasta Cacá Diegues. No último dia também está programada a exibição do filme A Imigrante, o trabalho mais recente do diretor americano James Gray e estrelado por Marion Cotillard, Joaquin Phoenix e Jeremy Renner.

Além da competição de longas oficial, o VI Paulínia Film Festival terá uma competição paralela de curtas-metragens, debates com as equipes técnicas dos filmes exibidos e uma programação especialmente dedicada ao público infantil com sessões às 9h e 14h.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:

DIA 22/07 – ABERTURA

  • 19h00 – Homenagem aos 25 anos da distribuidora brasileira Imovision
  • 20h30 – Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho

DIA 23/07

  • 09h00 A Guerra dos Botões
  • 14h00 O Pequeno Nicolau
  • 16h00 MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS
  •                  Jessy / O Menino que Sabia Voar
  • 16h30Aprendi a Jogar com Você
  • 18h00O Samba
  • 19h30 – Neblina
  • 21h30 – Sinfonia da Necrópole

DIA 24/07

  • 09h00 – O Pequeno Nicolau
  • 10h00 DEBATE COM EQUIPE DOS CURTAS-METRAGENS*
  • 11h00 DEBATE COM EQUIPE DOS LONGAS-METRAGENS*
  • 14h00 – Minhocas: O Filme
  • 17h00 MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS
  •                 De Bom Tamanho / O Bom Comportamento
  • 18h00 – As Férias do Pequeno Nicolau
  • 20h00 – Boa Sorte
  • 21h30 – Castanha

DIA 25/07

  • 09h00 – Zarafa
  • 10h00 DEBATE COM EQUIPE DOS CURTAS-METRAGENS*
  • 11h00 DEBATE COM EQUIPE DOS LONGAS-METRAGENS*
  • 14h00 – Meu Pé de Laranja Lima
  • 17h00 MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS
  •                  190 / O Clube
  • 17h45 – A Pedra da Paciência
  • 19h30 – Casa Grande
  • 21h30 – Sangue Azul

DIA 26/07

  • 10h00 DEBATE COM EQUIPE DOS CURTAS-METRAGENS*
  • 11h00 DEBATE COM EQUIPE DOS LONGAS-METRAGENS*
  •             Amazônia
  • 15h00 – Paraíso
  • 17h00 MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS
  •                  Recordação / Edifício Tatuapé Mahal
  • 17h30 – Geronimo
  • 19h30 – A Hsitória da Eternidade
  • 21h30 – Infância

DIA 27/07

  • 10h00 DEBATE COM EQUIPE DE CURTAS-METRAGENS*
  • 11h00 DEBATE COM EQUIPE DE LONGAS-METRAGENS*
  • 15h00 – A Imigrante
  • 17h00 – O Casamento de May
  • 19h30 CERIMÔNIA DE ENCERRAMENTO
  •                  Homenagem ao cineasta Cacá Diegues
  • 21h00 – Bem Vindo a Nova York

* Os debates serão realizados no auditório do Paço Municipal e as sessões no Theatro Municipal Paulo Gracindo, ambos localizados no Parque Brasil 500: Avenida Prefeito José Lozano Araújo, 1551, ao lado do RodoShopping de Paulínia.

 

 





19º É Tudo Verdade | Campinas

18 04 2014

Após o sucesso das exibições de documentários no Rio de Janeiro e em São Paulo, o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade inicia sua itinerância pelo Brasil. Campinas, de 22 a 24 de abril, será a primeira cidade a recebê-la e depois, o festival ainda segue para Brasília (30/04 a 04/05) e Belo Horizonte (24 a 27/07).

etv2014

A cidade campineira receberá três sessões diárias no espaço Instituto CPFL | Cultura, incluindo os vencedores das mostras competitivas nacional e internacional, conforme a programação a seguir:

  • TERÇA-FEIRA (22/04)
    • 17h00 De Gravata e Unha Vermelha
    • 19h00 Homem Comum (vencedor da competição brasileira)*
    • 21h00 Ai Weiwei: O Caso Falso
  • QUARTA-FEIRA (23/04)
    • 17h00 Lugares: A Procura de Rusty James
    • 19h00 Sobre a Violência
    • 21h00 Um Homem Desaparece
  • QUINTA-FEIRA (24/04)
    • 17h00 Carmem Miranda: Bananas is my Business
    • 19h00 Jasmine (vencedor da competição internacional)
    • 21h00 20 Centavos

* Esta sessão contará com a presença do fundador e diretor do É Tudo Verdade, Amir Labaki.

 

 





Festival Varilux de Cinema Francês | parte 01

12 04 2014

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UMA JUÍZA SEM JUÍZO (França, 2012) O nome (pelo menos o traduzido) não despertava a maior das curiosidades. O início do filme também não, quando optava por escolhas típicas da comédia besteirol ao forçar o riso com caretas, gestos bruscos e o velho clichê de utilizar a gagueira em um advogado que precisa discursar em defesa de seu cliente. Mas, para o seu bem, a trama se desenvolve e o nível de seu humor melhora.

Ariane Felder (Sabrine Kiberlain, O Pequeno Nicolau e Políssia) é uma workaholic assumida. Trabalha de 15 a 16 horas no Supremo tribunal francês. Muito trabalho, pouca diversão e uma solteirona convicta. Aí vem o Réveillon de 2013 e muda a história da doutora Felder que, seis meses depois, descobre estar grávida. Algo inacreditável, inconcebível!

A busca pelo pai da criança (que a bebida da noite da virada não a permitia lembrar) a aproxima de Bob Nolan (Albert Dupontel, de Irreversível e Bernie, mas que também dirige o longa), um sujeito tão desajeitado quanto ela e que é acusado de um crime bárbaro do qual não é culpado. E o álibi perfeito é exatamente a juíza, pois quando o crime ocorreu, os dois estavam juntos.

Entre deixar o pai de seu filho ser preso injustamente e testemunhar a favor dele e perder a sua promoção à Corte de Apelação, a doutora Felder ainda encontrará muitas pessoas excêntricas pelo caminho. Melhor para Uma Juíza Sem Juízo em sua metade final que deixa de enveredar pelo humor óbvio (mesmo restando alguns resquícios desse aqui e ali) e adota um humor mais discreto e indireto, utilizando-se mais das situações e do roteiro em si.

Destaque para a participação especial de Jean Dujardin (O Artista e O Lobo de Wall Street) como intérprete de sinais no filme.

NOTA: 3/5

ANTES DO INVERNO (França, 2012) O senhor Paul Natkinson (Daniel Auteuil, A Filha do Pai e Atirador de Elite) é um neurocirurgião com uma carreira profissional já estabelecida. Ele divide uma bela mansão com a esposa Lucie (a bela Kristin Scott Thomas, O Paciente Inglês e Assassinato em Gosford Park) e os momentos alegres de família reunida ocorrem aos finais de semana nos parques da cidade ao lado do filho, da nora e do neto.

Nada poderia abalar esse cotidiano familiar muito bem constituído. Uma certeza abalada apenas quando a jovem Lou (Leila Bekhti, Satã e Paris, Te Amo) surge na vida do médico. Alegando ter sido operada por ele quando criança, a garçonete/universitária/prostituta Lou passa a cruzar, frequentemente, o caminho do neurocirurgião. Fato esse sucedido por buquês de rosas que passam a aparecer no hospital onde ele trabalha, no consultório em que atende seus clientes particulares e até no portão de sua casa.

Intrigado e desconfiado, ele logo associa essas estranhas ocorrências à Lou, que consegue se explicar satisfatoriamente toda vez em que é acusada pelo doutor. Entre idas e vindas conturbadas e um afastamento involuntário de Paul de seu exercício profissional, os dois acabam se aproximando. Um inesperado relacionamento (não amoroso por parte dele) que distancia o doutor Natkinson da família e principalmente de sua esposa. Lucie, que por sua vez, sempre agiu fielmente e sempre foi uma grande admiradora do marido.

Tais acontecimentos são uma excelente oportunidade para Paul refletir sobre tudo o que levou a ser o excelente profissional que é e a forma com vinha lidando com sua família. Ao admitir que não sonhara com nada daquilo que conquistara, percebemos o quanto sua vida vinha sendo vivida no piloto automático. Um exemplo que sucesso nem sempre vem acompanhado de felicidade.

Mas suas atuais escolhas, que julgava serem sinceras, acabam o levando para um caminho perigoso. Lou, sempre presente de repente desaparece. E em busca de seu paradeiro, doutor Natkinson se vê vítima de uma trama que jamais imaginaria estar envolvido. Um choque que talvez o auxilie a melhorar o relacionamento com os seus familiares e, quem sabe, ser mais grato com tudo o que conseguiu construir.

NOTA: 5/5





19º Festival É Tudo Verdade | dia 03

12 04 2014

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BARDOT, A INCOMPREENDIDA (França, 2013) Brigitte Bardot considerada uma das dez atrizes mais lindas da história do Cinema. Símbolo sexual na década de 60, Bardot conseguiu quebrar a hegemonia das americanas, sendo a única europeia a ganhar destaque e espaço na mídia dos EUA.

Tanto sucesso e beleza, rivalizando inclusive com Marilyn Monroe, despertou a paixão (platônica) em muitos(as) fãs. David Teboul é um desses homens que foram fisgados pela estonteante Bardot, cuja admiração o levou a realizar este documentário.

Talvez essa seja o maior problema do documentário. Embora faça uma abordagem ampla e detalhada de toda a carreira da atriz francesa, com uma pesquisa longa em fotos e trechos em que a atriz atuou, David privilegia a sua visão passional para abordar o universo construído ao redor de Brigitte Bardot, onde a sua admiração ganha mais valor em tela do que a persona da artista. Um mal uso do acesso exclusivo que o diretor teve com os arquivos pessoais daquela que, desde que abandonou a carreira artística, dedica-se a uma vida reclusa e toda dedicada a causa animal.

NOTA: 1/5

DOMINGUINHOS (Brasil, 2014) –  Um pião rodando. Cactos. Bolinha de gude. Trote de cavalo. O movimento sincronizado com o som da respiração. Em imagens desgastadas, o documentário dirigido a seis mãos dos estreantes Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar vai apresentando aquilo que fez parte da infância de José Domingos de Morais, mais conhecido por Dominguinhos (o Neném do Acordeão) em Garanhuns, estado de Pernambuco.

A influência do pai (também músico) com quem teve o primeiro contato com a sanfona, a inspiração nos baiões românticos de Luiz Gonzaga. Foi inclusive com a sanfona dada por ele que Dominguinhos conseguiu se firmar no Rio de Janeiro para onde se mudou, se apresentando nas barcas que realizavam a travessia Rio-Niterói.

Ao contrário de outras personalidades, Dominguinhos teve um amplo arquivo em imagens e vídeos para ilustrar as várias passagens da trajetória de seu simpático homenageado. Não há como não se divertir com os causos contados pelo próprio Dominguinhos, por exemplo, o seu arrependimento por não estar presentes nas diversas homenagens que recebeu no exterior devido o medo de voar. Vê-se o reconhecimento (não só nacional) à um artista humilde e autodidata que transitou por todos os estilos musicais com muita desenvoltura. Não a toa que outra de suas alcunhas era ser o ‘sanfoneiro pop’.

NOTA: 5/5

A FAMÍLIA DE ELIZABETH TEIXEIRA / SOBREVIVENTES DA GALILEIA (Brasil, 2014)   Constituem mais dois bons motivos para você (assim como eu) que teve a ousadia de não ter assistido Cabra Marcado para Morrer. Feitos pelo documentarista Eduardo Coutinho para compor os extras do DVD de Cabra Marcado para Morrer, esses dois vídeos ganharam uma sessão especial na edição desse ano do festival É Tudo Verdade. Uma justíssima homenagem ao mestre dos documentários brasileiros, assassinado brutalmente no início desse ano.

Aqui, Coutinho leva o espectador a revisitar os personagens que sofreram com a história real de João Pedro Teixeira, líder da Liga dos Camponeses, assassinado em uma emboscada, retratada em Cabra Marcado para Morrer. Revisitar sim, pois os mesmos personagens ganham uma retrospectiva de suas faces com o passar dos anos na tela, auxiliando aqueles que não viram a obra original dos quais esses extras originaram. Uma família cujos membros carregam consigo a dor da falta do convívio harmônico de seus entes após a perda de seu patriarca.

Desde então, alguns se dispersaram pelo país com cicatrizes há mais de trinta anos abertas, escrevendo novas histórias de vida, sentindo falta daquela união comum entre uma família; outros, tentam sobreviver e assim preservar a história (de geração em geração) escrita por seus antepassados e os palcos onde ela foi encenada.

Brilhantemente, Eduardo Coutinho conduz esse reencontro entre personagens/espectador com um carisma e companheirismo únicos, capazes de trazer momentos de bom humor à uma história marcada pela tragédia. Características de uma índole que poucos documentaristas no mundo podem afirmar possuir.

NOTA: 5/5

 

—> A nossa cobertura especial do festival internacional de documentários É Tudo Verdade 2014 ainda contará com dois textos especiais sobre duas produções que consideramos serem os grandes destaques em nossa estadia de três dias no evento. Aguardem!





19º Festival É Tudo Verdade | dia 02

8 04 2014

etv2014

EIXO ÓPTICO (Rússia, 2013) – Esse documentário russo é dos típicos casos em que a premissa é interessante, mas a execução deixa a desejar.

A ideia de retratar as diferenças culturais, sociais e tecnológicas entre os 100 anos que separam a Rússia atual daquela registrada pelo fotógrafo Maxim Dmitriev é interessante. Para tanto a diretora Marina Razbezhkina utiliza gigantescas fotos em preto-e-branco, e nos mesmos cenários com ajuda de personagens análogos, tenta reconstruir a mesma visão (mais contemporânea) da fotografia.

Só que ao invés de se limitar ao contraste entre as fotografias, o documentário passa a se focar mais e demoradamente nos novos e desconhecidos personagens tornando o projeto longo e cansativo em excesso.

NOTA: 1/5

BERNARDES (Brasil, 2013) O brasileiro Sérgio Bernardes foi um arquiteto, que pertencendo à mesma leva de profissionais de calibre como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, tinha uma visão e ambição muito além da época em que vivia. Com um talento nato para a arquitetura, um dom que desenvolvia desde pequeno, era tanto a sua criatividade que muitos de seus projetos (grande maioria deles residenciais no início da carreira) chegavam a ser confundidos com os de Niemeyer.

Além de criativo, Bernardes também era visionário. Evidências não faltam. Sejam aquelas espalhadas pelo território brasileiro (residências pelo estado carioca como a residência da família do arquiteto ou a do cirurgião-plástico Ivo Pitanguy), o Tropical Hotel Tambaú em João Pessoa (localizado no extremo oriente do litoral brasileiro e seus detalhes minuciosos únicos), o Pavilhão São Cristóvão no Rio (mesmo desfigurado sem a cobertura original, que exigia alto investimento em manutenção) ou no exterior, com o Pavilhão Brasil em Bruxelas cujo balão vermelho exercia diferentes funções conforme o clima. Mas muitos outros tesouros, fruto da mente de Bernardes, podem ser descoberta nos documentos deixados por seu extinto escritório.

Por outro lado, o documentário também retrata com propriedade os motivos pelos quais Sérgio Bernardes é um nome ignorado pela arquitetura contemporânea brasileira. Bernardes trabalhava com muito afinco, “inventando coisas sem parar”. Tinha em mente algo que falta a nossa política desde sempre: um planejamento em longo prazo em seus projetos, vislumbrando um Rio de Janeiro organizado em vários micros distritos e um Brasil futurista servido nacionalmente por grandes vias fluviais. O trabalho do arquiteto funcionava constantemente assim, em larga escala. E com o advento do golpe militar em 1964, havia um ambiente propício para a realização dessas grandes obras, o mais próximo possível que esse grande trabalho de Bernardes teve de sair dos papéis e virar algo, digamos, concreto.

Uma grande injustiça! O modo de viver intenso de Sérgio (que sabia aproveitar como ninguém a vida e oferecia isso em seus projetos residenciais de alto-padrão), não o permitia se entregar às picuinhas e burocracias que permeavam e ainda permeiam o nosso mundo político. Ele não tinha nenhuma vocação para isso. O que realmente  jogou contra o reconhecimento da genialidade de Sérgio Bernardes foi sua ambição desenfreada e sua ingenuidade política, que em conjunto, colocaram o arquiteto fora das quatro linhas do campo da arquitetura brasileira. Erro histórico que pesquisas acadêmicas em cima de seus milhares projetos e desenhos poderão corrigir e, assim, recolocar o nome de Sérgio Bernardes em destaque novamente.

NOTA: 5/5

AI WEIWEI: O CASO FALSO (Dinamarca, 2013) – Tem como protagonista Ai Weiwei, artista plástico e designer arquitetônico chinês, que viveu um inferno jurídico ao ser acusado pelo governo chinês de ser subversivo, principalmente por suas atividades virtuais e ser considerado um grande influenciador político.

Para exercer a sua censura, o governo chinês utiliza-se de várias artimanhas para prender Weiwei e assim calá-lo, já que respondia os processos em prisão domiciliar. Valia tudo, até acusações de algo que não existe na China (sonegação fiscal) ou pornografia em uma das fotos de nudez que tem a participação do artista. A perseguição política, inclusive, é algo recorrente na família dele. Seu pai sofreu a mesma pressão em 1957.

Conhecido pela sua participação na construção do Ninho de Pássaro, o Estádio Nacional, para as Olimpíadas de 2008, Weiwei contou com grande apoio popular de chineses e de seus amigos artistas e/ou da imprensa internacional nesse período. Ao mesmo tempo em que enfrentava o furor do maniqueísta poder judiciário chinês, o artista tratava de abordar artisticamente o que vivenciara. Enquanto era “perdoado” pela justiça, as peças que retratavam o interrogatório e sua breve passagem pela cadeia deixavam o país clandestinamente, rumo a Bienal de Veneza.

NOTA: 4/5

TUDO POR AMOR AO CINEMA (Brasil, 2014) O Cine Livraria Cultura no Conjunto Nacional em São Paulo, pelo festival É Tudo Verdade, sediou no último domingo (dia 06/04), a segunda exibição nacional do documentário Tudo por Amor ao Cinema, que foi a sessão de abertura do mesmo festival na cidade do Rio de Janeiro. A sessão contou com a participação do idealizador do evento, Amir Labaki, com o diretor Aurélio Michiles e parte de sua equipe (técnica e de elenco).

Amir Labaki (a esq), Aurélio Michiles (ao centro com microfone) e parte da equipe do doc Tudo pelo Amor ao Cinema

Amir Labaki (a esq), Aurélio Michiles (ao centro com microfone) e parte da equipe do doc Tudo pelo Amor ao Cinema

A missão era documentar a vida do amazonense Cosme Alves Netto, curador da Cinemateca do Museu de Arte Moderna carioca, que com o seu incansável trabalho tornou-se sinônimo de restauração, conservação e propagação da cultura cinematográfica, no Rio de Janeiro e em todo o Brasil. Algo construído a partir do seu garimpo nos arquivos censurados pela ditadura militar (e eram salvos da destruição por ele) e em outras cinematecas internacionais que por ventura poderiam conter qualquer obra brasileira que fosse.

Com seu poder de aglutinação, Cosme também criou um celeiro de novos cineastas brasileiros, frequentadores assíduos da Cinemateca gerenciada por ele e do Cine Paissandu, importante cinema de arte carioca. Sua atuação contribuiu de duas formas para o Cinema brasileiro: a histórica, com a preservação de filmes raros, e pelo fomento da produção nacional, já que seus amigos viriam a consolidar o mercado doméstico cinematográfico no Brasil com suas obras.

Um personagem de fundamental importância para o nosso Cinema, sem dúvidas.

NOTA: 5/5





19º Festival É Tudo Verdade | dia 01

6 04 2014

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CONTINUO SENDO (Peru e Espanha, 2013) – A música típica peruana sobrevive ao mundo globalizado com os acordes de seu violino; com a sua harpa estilizada; com o instrumento da tesoura em sincronia com os passos de dança; com os movimentos do seu sapateado, mais acostumado a poeira do chão de terra do que com o tablado dos palcos e com as vozes potentes de suas mulheres, que destacam mais que os homens.

Natural que essa música sobreviva a globalização. O povoado, isolado aos pés dos Andes, não há interferência do rádio, da televisão e muito menos da internet, o principal meio de comunicação da atualidade que aplaca a cultura local e universaliza a ocidental e seu viés pop.

Mas interessante observar que essa veia artística não se apaga nos filhos e netos que deixam o distante lugarejo e vão à capital, Lima, em busca daquilo que falta no local em que nasceram: comida, água e condições melhores de vida. Mesmo tendo contato com as diferentes facetas que a cidade grande possui, eles já adultos retornam à comunidade para celebrar as tradicionais celebrações e sua musicalidade marcante. Se a idade avançada prejudicar o deslocamento, uma reunião entre eles em um beco qualquer de Lima é capaz de reconstruir a atmosfera interiorana em que nasceram.

Uma riqueza de movimentos, tonalidades, passos e acordes que sobrevivem arduamente pelo isolamento geográfico e pela perseverança daqueles que o praticam.

NOTA: 3/5

A CORRIDA DA ARTE (França, 2013) O mundo da Arte já não é mais o mesmo. Numa economia onde os novos ricos surgem em larga escala e querem, a todo o momento, ostentar a sua fortuna, o mistério da venda inflacionada de quadros em leilões internacionais é o que o documentário francês A Corrida da Arte pretende desconstruir.

Em seus momentos iniciais vemos uma típica cena desse lucrativo mercado: uma pintura é oferecida em um leilão e os lances surgem: 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24,  25, até o arremate final de 26 milhões de euros. Mas o que não é revelado é o que há por trás disso. Uma especulação sem limites que vem de todos os lados: de quem vende, de quem organiza as feiras de arte e os leilões e até mesmo de quem compra. Certos nomes desse mundo tem o poder (incompreensível) de inflacionar o valor de uma obra que pode chegar até mais de um milhão de dólares por ano.

A Arte saiu do Velho Continente e tornou-se um negócio global e ainda mais rentável. A Arte Contemporânea atinge novos mercados – asiáticos (China, Hong Kong, Cingapura), americano, árabe (Dubai) e, inclusive, brasileiro. Feiras internacionais de arte ocorrem no mundo inteiro a todo instante, atraindo excêntricos compradores dispostos a pagar qualquer preço apenas pelo prazer de possuir uma pintura de grife. Inclui-se aqui compradores individuais e até instituições.

O que mais impressiona, no entanto, é que muitas vezes o bom gosto é posto de lado nessas transações.

NOTA: 4/5





Festival Varilux de Cinema Francês 2014

30 03 2014

Considerado o berço do cinema, afinal foi na França que os irmãos Auguste e Louis Lumière desenvolveram a câmera e realizaram a primeira projeção pública de um filme, a cinematografia francesa é uma das mais agradáveis e contagiantes de se acompanhar, sempre produzindo bons e inesquecíveis filmes.

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Se tais obras não possuem o apelo comercial necessário para figurar entre as sessões de nossas milhares de salas de cinema, o Festival Varilux de Cinema Francês traz a nata da produção do cinema da França para as terras tupiniquins. Em 2014 o festival ocorrerá em todo o Brasil entre os dias 09 e 16 de abril. Confirmado até agora (porque a programação oficial ainda não saiu) está Campinas, que a exemplo dos anos anteriores, terá dois espaços destinados ao festival: o Topázio Cinemas no Shopping Prado e o Cineflix, no Galleria Shopping.

Ao todo, serão 15 filmes em exibição:

  • Um Amor em Paris
  • O Amor é um Crime Perfeito
  • Antes do Inverno
  • Um Belo Domingo
  • Eu, Mamãe e os Meninos
  • A Grande Volta
  • Grandes Garotos
  • Os Incompreendidos – Homenagem a Truffaut
  • Uma Juíza sem Juízo
  • Lulu, Nua e Crua
  • O Passado
  • Um Plano Perfeito
  • Uma Relação Delicada
  • Suzanne
  • Uma Viagem Extraordinária

 

EDIT 03/04/2014: Para quem nos lê de Campinas, nossa página no Facebook traz a programação completa da cidade nos dois endereços onde o  Festival ocorre! Aproveite e curta-nos por lá!

https://www.facebook.com/pages/Universo-Entretenimento/338265649547996





Rock in Rio 2013 – 1º dia

13 09 2013

Aproveite para curtir o Rock in Rio com o Universo E! Os shows da edição 2013 do maior evento de rock/pop do calendário serão comentados através de nosso perfil no Twitter (@universo_e). Contando sempre, é claro, com o bom e perfeito funcionamento da santa internet por aqui.

E nossas considerações gerais serão postadas ao longo desses sete dias de evento aqui mesmo no Universo E! no WordPress.

Por conflitos de horários não conseguimos acompanhar o início do Rock in Rio que começou em grande estilo. Uma justa homenagem a Cazuza com uma interpretação emocionante de Ney Matogrosso cantando “Codinome Beija-Flor”. Já o sucesso “Pro Dia Nascer Feliz” foi cantado em coro pelos convidados do tributo: o próprio Ney, Rogério Flausino (vocalista do Jota Quest), Frejat, Maria Gadú, entre outros.

Em seguida, que dominou o Palco Mundo, o principal do festival, foi Ivete Sangalo que tirou a galera do chão com seus maiores sucessos! A musa se emocionou bastante ao cantar “Love of my Life” do Queen. Mas isso foi só o início: pois ainda vem por aí David Guetta e Beyoncè para encerrar a noite!

David Guetta também empolgou o público com seus sucessos que embalam as pistas das casas noturnas do mundo inteiro. Mas limitado por suas pick-ups, o show em si não apresentou nada diferente. Mas o grande destaque desse 1º dia ficou reservado para o último show: Beyonce subiu um palco e reservou aos seus fãs e ao público presente na Cidade do Rock um verdadeiro show, muito bem coreografado e ensaiado, se apoiando na versatilidade da cantora e suas inúmeras trocas de figurino, sempre intercalado com os vídeos apresentados no telão do palco.

Entre todas as atrações, Beyonce definitivamente parece ter feito parte de um festival a parte, embalados pelos sucessos “Who Run the World”, “Single Ladies”, “Irreplaceable” e “Halo”. Essa última canção, aliás, veio acompanhada de um medley com “I Will Always Love You”, imortalizada por Whitney Houston e levou Beyonce de cima do palco para o meio da multidão. Sem a menor sombra de dúvidas, o melhor show da noite!

 








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