ANÁLISE: Maze Runner – Correr ou Morrer

10 10 2014

Um elevador está subindo. Na escuridão plena, só o ruído de seu funcionamento é perceptível. Esse é um processo que se repete já há um bom tempo. O novato chega ao que chamam de Clareira e sua presença, recém-saída de um buraco no chão, é acompanhada de perto por inúmeros garotos, todos habitantes de uma espécie de vilarejo cercado por enormes e intransponíveis muralhas que protegem um labirinto de mesmas proporções.

Todos aqui presentes já passaram por isso: chegam desnorteados, desconhecendo seu passado e seus próprios nomes. Assim como os veteranos, o novato de agora leva algum tempo para lembrar o seu, Thomas (Dylan O’Brien, da série Teen Wolf e da comédia Os Estagiários). Em um sistema de camaradagem e cooperação (o grupo exige respeito um dos outros para a comunidade se manter nos eixos), Thomas passa a se familiarizar com o ambiente, toma ciência das regras e dos perigos que o cercam assim como o estranho fato da passagem para o labirinto se fechar ao entardecer. Antes que isso aconteça é preciso que membros do grupo, chamado de Corredores, retornem de sua jornada diária: mapear todo o labirinto durante o dia e voltar antes que a abertura se feche. Ninguém que, involuntariamente, tenha quebrado essa regra sobreviveu para contar a história. As únicas duas certezas que possuíam sobre o que se passava do outro lado da muralha ao cair da noite vinham do som das paredes internas da construção se rearranjando e os grunhidos das criaturas denominadas Verdugo.

A chegada de Thomas quebra o status quo do grupo comandado por Alby (Aml Ameen, O Mordomo da Casa Branca e Juventude Rebelde). Embora na comunidade todos cumprissem com os seus deveres, tal comportamento acabava vetando uma ousadia maior de seus membros, minguando qualquer possibilidade que os tirassem dali. Seria a desobediência às regras um mal necessário? E um mundo onde não houvesse infrações e nem autoritarismo não seria perfeito como a ideia nos parece? A ousadia e curiosidade de Thomas renderam muito mais – em poucos dias – do que o trabalho daqueles que estavam ali há anos e contentaram-se apenas em descobrir os limites do labirinto. Verdade que poucos sabiam para não acabar com a esperança de todos.

Alguns aspectos da trama de Maze Runner – Correr ou Morrer devem ser relevados, bem mais até do que o limite do aceitável para um filme ser considerado bom. Mesmo querendo levar a crer que todas as possibilidades tenham sido esgotadas anteriormente, não entendemos o porquê de nenhum deles ter usado a relva que cobre as paredes do labirinto para se esconder dos tais Verdugos e obter, assim, mais tempo para investigar o local. Ou até mesmo a existência inflada de personagens para funcionarem apenas como gatilho narrativo em certos momentos e serem totalmente ignorados no restante do filme – caso de Teresa (Kaya Scodelario, de Fúria de Titãs e Lunar) e Chuck (interpretado pelo novato Blake Cooper).

Nem mesmo com o ataque maciço dos Verdugos à Clareira, a história conseguiu eliminar todos os figurantes dispensáveis. Isso afeta diretamente as cenas de ações que empolgam pelo perigo imediato (principalmente aquelas que se passam dentro do labirinto), embora sejam poucas as pessoas com quem realmente nos preocupamos. Por isso, as sequências protagonizadas apenas por Thomas funcionem melhor do que as restantes, na medida em que o ator Dylan O’Brien realiza um bom trabalho naquilo que lhe concerne, construindo um líder admirável, crível, que transmite confiança e tenha facilidade para angariar apoio dos demais. A única exceção atende pelo implicante Gally (com Will Poulter, de Família do Bagulho e As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada, assumindo bem o papel de tirano), que tem as suas motivações para agir de tal modo.

Quem vai assistir a Maze Runner – Correr ou Morrer deve ter em mente a intenção clara do estúdio em incluir uma nova franquia de sucesso em seu catálogo e finais em aberto devem, necessariamente, fazer parte dessa receita. A esperança de uma continuação vem acompanhada de um bom desempenho de público e a liderança nas bilheterias americana e brasileira já garantiu a estreia da segunda parte para setembro de 2015. Entretanto, o longa dirigido por Wes Ball (se aventurando pela primeira vez na direção de um grande projeto de Hollywood) não cria um desejo desenfreado para a espera de uma continuação, nem mesmo com a revelação do mundo pós-apocalíptico por trás do labirinto. Na realidade há sim um certo receio em aguardar o que está por vir.

NOTA: 3/5





ANÁLISE: Se Eu Ficar

17 09 2014

O mal tempo típico do inverno no hemisfério norte fecha as escolas e altera o cotidiano de Mia (Chlöe Grace Moretz, A Invenção de Hugo Cabret e Carrie, A Estranha) possibilitando uma pequena viagem de carro dela com sua mãe (Mireille Enos, Guerra Mundial Z e Caça aos Gângsters), seu pai (Joshua Leonard, A Bruxa de Blair e Homens de Honra) e seu irmão caçula Teddy (Jakob Davies, de Uma Viagem Extraordinária e Guerra é Guerra!) . Muito mais do que uma simples alteração da rotina diária, essa mudança nos planos irá marcar definitivamente a vida da protagonista.

Nessa viagem, Mia sofre um trágico acidente e passa por uma experiência além-corpo enquanto inconsciente no leito do hospital. Ela vivencia, em espírito, tudo o que ocorre ao seu redor e o que se passa com os seus outros familiares na emergência onde a trama, efetivamente, ocorre. Flashbacks ao longo do filme desenvolvem melhor a personagem principal contando sua vida em família, da sua paixão pelo violoncelo e do seu envolvimento amoroso com Adam (Jamie Blackley, Branca de Neve e o Caçador e O Quinto Poder).

Se Eu Ficar, porém, trata-se muito mais de uma tentativa forçosa de emocionar (em vão) e repleto de frases de efeito vazias– ou marcantes ou de autoajuda, aquelas típicas de legendas de imagens alto astral que infestam as redes sociais -, e que deveriam causar algum impacto, mas não soam verdadeiras quando ditas pelos seus respectivos atores, sejam eles os novatos ou até mesmo os veteranos. A única vez em que essa intenção é atingida, o filme já está em sua parte final, quando o avô (Stacy Keach, de A Outra História Americana e Nebraska) discorre a neta sobre as decisões tomadas por seu filho no passado e enumera a dura realidade que a garota virá a enfrentar caso sobreviva. Um único e efetivo discurso em meio a tantas outras frivolidades.

O diretor R.J. Cutler (produtor-executivo da série Nashville), inclusive, foca demais na abordagem juvenil e desinteressante da trama e desperdiça nuances e características que poderia torna-la bem mais marcante. Logo no início, momentos antes da fatalidade que atinge a família de Mia, a montagem inclui rápidas inserções da paisagem que permeia a estrada sem nenhum intuito narrativo. E este seria um momento ideal para a contemplação do longa e uma maior valorização de sua boa fotografia.

O próprio acidente (em seu instante e no momento imediatamente posterior) é ocultado, quando deveria ser mais bem abordado sem prejudicar, necessariamente, em sua classificação indicativa. Faixa etária que, certamente, foi a maior preocupação de seus produtores. A própria música clássica vira uma mera alegoria na trama. Mia poderia ter qualquer outro dom ou hobbie que não haveria nenhuma interferência na trama, o que é indesejável de onde se espera uma boa história. E soa risível quando a jovem afirma que o violoncelo seria, para ela, o seu lar, o seu refúgio. O instrumento musical surge em cena como um garfo deveria aparecer numa cena de jantar.

O relacionamento entre Mia e Adam, construído inteiramente através dos flashbacks, também apresenta mais do mesmo. A fase do flerte, adequação de um ao mundo do outro (aqui, o mundo do rock ao mundo da música clássica), as dificuldades do namoro à distância a partir do momento em que Adam começa a sair em turnês com a sua banda e Mia precisa ficar em casa e praticar para a sua audição no renomado instituto da Juilliard

A única coisa interessante de Se Eu Ficar é convergir a crise no relacionamento dos dois adolescentes com o desfecho do acidente.  E o faz satisfatoriamente. Da necessidade da presença de Adam no hospital para que Mia tenha uma chance real de sobrevivência, um motivo para que ela possa se apegar aqui na Terra. Mas com uma construção tão mesquinha e covarde oferecida até esse instante, a concretização fica muito aquém do ideal. E uma das razões para tanto seja a inexperiência do diretor em projetos para o cinema, já que possui uma carreira praticamente toda voltada para a televisão americana.

NOTA: 1/5





ANÁLISE: No Olho do Tornado

13 09 2014

Rua deserta em uma área residencial. Noite. Um grupo de amigos dentro de um automóvel. De repente, ao longe,  a iluminação pública vai se apagando progressivamente, extinguindo-se os pontos luminosos no alto dos postes até entendermos claramente o que está acontecendo. E os ocupantes do carro também o descobrem, só que tarde demais: um tornado se aproximava.

A cena inicial de No Olho do Tornado ilustra muito bem toda a sua esquemática. O que o roteiro do novato John Swetnam (Evidências e Ela Dança, Eu Danço 5) não apresenta em ousadia, o diretor Steven Quale (responsável pela direção de Premonição 5, além da parceria recorrente com James Cameron como assistente de direção 2ª unidade em Avatar e Titanic) compensa nos ótimos efeitos visuais das cenas de ação alucinantes. Gary (Richard Armitage, de Capitão América: O Primeiro Vingador, mas que também surge novamente como Thorin, Escudo de Carvalho nesse ano em O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos), viúvo, não tem um relacionamento considerado ideal com seus filhos, Donnie e Trey (respectivamente Max Deacon, de Reflexos da Inocência e da minissérie Hatfields & McCoys, e Nathan Kress, o Freddie Benson da série teen iCarly) . O três se preparam para o evento da formatura no colégio do qual o pai é o vice-diretor, enquanto os dois meninos serão responsáveis pela filmagem do evento. Pela parafernália eletrônica no quarto deles, sabe-se de antemão que filmar não é um mero hobbie para eles.

Aproximando-se da cidade está um grupo de caçadores de tornados em uma má fase profissional, pois já há algum tempo que não registram nenhuma tempestade substancial. O líder deles, Pete (Matt Walsh, Se Beber Não Case e Ted) deposita a culpa desse infortúnio em Allison (Sarah Wayne Callies, de Visões de um Crime, mas mundialmente reconhecida pelo trabalho em The Walking Dead), a graduada da equipe responsável por prever os fenômenos e, de preferência, o local exato onde eles ocorrerão. Para auxiliá-los,  Titus, um veículo robusto anti-tornado, capaz de resistir às maiores rajadas de vento já registradas pelo homem para colocar os seus ocupantes, literalmente, dentro do olho do tornado. Fechando as três linhas principais da história temos os amigos de Donk (Kyle Davis, A Morte Pede Carona e Prenda-me se For Capaz), que não sentem nenhum receio de estarem próximos de um furacão de grandes proporções.

Para justificar os pontos de vista exibidos, No Olho do Tornado recorre a mania mundial de todos filmarem tudo a todo momento. Um simples celular já é o suficiente para captar algo, não sendo necessário nenhum outro equipamento profissional. Natural, portanto, que ao longo do filme o foco transite entre o tradicional em terceira pessoa e as câmeras que os personagens portam, passando inclusive pelo uso de câmeras de segurança e até por um enfoque jornalístico fictício.

Essa alternância é o que longa tem de mais cativante, exigindo uma preocupação maior com os efeitos digitais, pois muitas vezes o espectador se vê muito próximo das áreas de destruição e de suas consequências e nesse aspecto o diretor não decepciona. Podemos até não gostar das decisões triviais dos personagens que conduzem fracamente a trama – como aquela que põe Donnie e sua nova colega Kaitlyn (Alycia Debnam Carey) para longe da escola -, mas No Olho do Tornado chega, com muita competência, a um novo patamar no que se refere às cenas de destruição em um filme-catástrofe, criando aqui algumas sequências emblemáticas, memoráveis e de tirar o fôlego. O longa também se beneficia ao se preocupar menos com as questões científicas e mais em convencer e impactar quem o assiste, em tornar crível aquilo que é evidenciado, independentemente das suas possibilidades aqui no mundo real.

Dentre outras virtudes, John Swetnam tem a boa vontade de não se contentar com apenas um, mas incluir três clímax em sua conclusão, uma adição muito bem vinda e muito bem executada de adrenalina. Para não dizer que tudo é perfeito, além das motivações fracas de alguns de seus personagens principais já citadas, No Olho do Tornado falha nas (poucas) inserções de humor na história e não consegue desvencilhar do batido e velho altruísmo americano, o clichê dos clichês em filmes do gênero. Mas com a intensa dose de aflição com que se sai da sala de projeção, isso é facilmente relevado.

NOTA: 4/5





Breves & Curtas #13

24 08 2014
Quando a simplicidade é o bastante para transmitir algo essencial: respeito!

Quando a simplicidade é o bastante para transmitir algo essencial: respeito!

WHITE FROG – Nick Young (Booboo Stewart, a saga Crepúsculo e X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido) sofre de síndrome de Asperger, que lhe causa uma timidez fora do comum, além de uma preferência exclusiva por camisetas azuis. Extremamente antissocial, mas inteligente. Não é a toa que seu irmão Chaz (Harry Shum Jr, Ela Dança Eu Danço e da série Glee) aproveita-se dessa habilidade para que Nick faça o seu dever de casa.

Não veja isso como uma maldade. Chaz é a única pessoa com quem Nick sinta-se normal, sempre ávido por compartilhar bons momentos com o irmão, a ponto de esperá-lo ansiosamente na janela. Um conforto que não encontra em seus pais omissos e conservadores e nem na psiquiatra contratada para melhorar o seu comportamento.

Numa das frequentes saídas para curtir a noite de sexta-feira, Chaz acaba perdendo a vida precocemente. Uma tragédia muito grande para Nick assimilar. Inconformado, ele passa a trilhar os mesmos caminhos que o irmão percorrera, aproximando-se de seu grupo de amigos e descobrindo histórias, detalhes e segredos da vida que desconhecia do seu irmão.

Uma história emocionante e comovente que incentiva e reforça a aceitação das diferenças entre as pessoas, afinal somos todos diferentes e a vida é uma eterna estrada de mão dupla. Também com as participações de Gregg Sulkin (Os Feiticeiros de Waverly Place), Tyler Posey (da série Teen Wolf e Efeito Colateral), Justin Martin (O Voo e O Solista) e Manish Dayal (O Aprendiz de Feiticeiro e do inédito A 100 Passos de um Sonho).

NOTA: 4/5

Nada mais do que: TUDO É INCRÍVEL!!! TUDO É INCRÍVEL!!!

Nada mais do que: TUDO É INCRÍVEL!!! TUDO É INCRÍVEL!!!

UMA AVENTURA LEGO – “Tudo é incrível! Tudo é incrível!” Realmente essa música gruda na cabeça e com ela o senhor Negócios controla todos os habitantes de Blocópolis, um dos diversos mundos temáticos feitos apenas de blocos Lego.

Aqui o monopólio é generalizado e todos seguem as mesmas regras, possuem os mesmos comportamentos, gostam das mesmas coisas. Mas isso não basta para o senhor Negócios que crê que seus comandados teimam em estragar todas as coisas boas que constrói. Agora ele planeja acabar com essa interferência de uma vez por todas.

Aí entra Emmet, um rapaz de mente prodigiosamente vazia (e extremamente manipulável), que se encaixa razoavelmente bem em uma profecia que elege aquele que irá combater os planos maléficos do senhor Negócios.

Na empreitada, Emmet contará com a ajuda de Megaestilo, namorada do – ninguém mais ninguém menos – Batman e ainda uma penca de personagens do mundo pop atual: Dumbledore e Gandalf, por exemplo, protagonizam a cena mais hilária da animação; mais há ainda espaço para Milhouse de Os Simpsons, Star Wars, As Tartarugas Ninjas, o presidente Lincoln, Saquille O’Neal,  Cleópatra e por aí vai.

Uma animação divertidíssima e despretensiosa até mesmo em sua resolução onde o ‘cara lá de cima’ torna-se, na realidade, o adulto pai de uma criança que mantem no porão de casa um mundo montado de brinquedo Lego. Ele era, portanto, literalmente o cara lá de cima. Assim como a coleção de blocos montáveis, Uma Aventura Lego aproveita-se muito bem de uma característica inerente à esses brinquedos: a de se moldar a qualquer história.

NOTA: 5/5

Ryan Gosling sabe escolher bem os seus trabalhos. Outro grande filme!

Ryan Gosling sabe escolher bem os seus trabalhos. Outro grande filme!

O LUGAR ONDE TUDO TERMINA – Um motociclista acrobata, cuja vida é itinerante tal qual o parque de diversões em que trabalha, resolve se fixar numa pequena cidade do estado de Nova York após descobrir ter um filho com quem teve um caso rápido e agora vive junto com outro homem.

Sem emprego, sem um local para ficar e sem condições de assumir a nova família, ele decide então, com a ajuda do único amigo na nova localidade, entrar para o mundo do crime. Com o dinheiro de assalto a bancos que ele quer convencer (a si próprio e a mãe de seu filho) que os dois juntos podem si dar certo. Só que tudo não sai como o planejado…

Entra na história o policial vivido por Bradley Cooper (Trapaça e O Lado Bom da Vida), que se torna um herói no vilarejo ao matar o Bandido da Moto, como o personagem de Ryan Gosling (Drive e Tudo pelo Poder) passa a ser conhecido. A vida do agora herói também vai do paraíso ao inferno ao cair nas engrenagens da parte corrupta da polícia.

Até que quinze se passam e o destino se encarrega de aproximar os filhos do assaltante e do policial: o primeiro levando até então uma vida, na medida do possível, tranquila e o segundo tornando-se um filho problemático e rebelde, cujo pai se encontra no meio de uma disputa política. Uma inversão dos papéis em relação aos seus respectivos pais quinze anos atrás.

Mas a vida acaba, injustamente, castigando aquele que perdeu o pai precocemente, aquele que sofreu as piores consequências do rápido e repentino envolvimento com o ‘colega’ problemático, enquanto este sempre terá a proteção do cargo público que o pai conquista!

NOTA: 5/5





Adeus, Homem Bicentenário!

11 08 2014

No site IMDB (Internet Movie Database) são 107 títulos em que atuou, entre produções para TV, filmes ou como dublador. Com uma lista de trabalhos tão extensa, com o primeiro registro datado de 1977 em Óculos? Para quê? e terminando em 2014 com cinco produções inéditas em território brasileiro: a continuação Uma Noite no Museu 3, O Que Fazer?, Merry Friggin’ Christmas, Boulevard e Absolutely Anything.

Bom Dia, Vietnã!

Bom Dia, Vietnã!

Assim como a lista de trabalhos realizados, a lista de filmes memoráveis de Robin Williams é igualmente extensa: Bom Dia Vietnã, Sociedade dos Poetas Mortos, Aladdin (no qual o ator era responsável pela dublagem do gênio na versão original), Uma Babá Quase Perfeita, Gênio Indomável, Amor Além da Vida, Patch Adams – O Amor é Contagioso, O Homem Bicentenário, A.I. – Inteligência Artificial, Happy Feet: O Pinguim, Uma Noite no Museu, O Som do Coração e O Mordomo da Casa Branca. Na TV, teve participação recorrente na série The Crazy Ones e participações esporádicas/especiais em Louie, Wilfred e Law & Order: Special Victim Unit, para ficarmos apenas nas mais recentes.

Patch Adams - O Amor é Contagioso

Patch Adams – O Amor é Contagioso

Robin McLaurin Williams, vencedor do Oscar de melhor ator por Gênio Indomável e nomeado outras três vezes, sempre foi um nome marcado pelas comédias em que protagonizou, sejam elas de gosto duvidoso ou não. Mas o bom humor era uma constante.

gindoma

Gênio Indomável

Talvez por isso, a sua morte nesse dia 11 de agosto de 2014, aos 63 anos, seja ainda mais dolorosa do que de costume, pois ela ocorreu na contramão de tudo aquilo que foi registrado e foi deixado por sua carreira. O corpo do ator foi encontrado em sua casa, já inconsciente e sem sinais vitais, com sinais de asfixia, indício de um provável suicídio. A causa certa da morte dependerá de uma investigação mais completa nessa terça, incluindo exames toxicológicos.

O Homem Bicentenário

O Homem Bicentenário

Só nos resta dizer: ADEUS, HOMEM BICENTENÁRIO! ADEUS, ROBIN WILLIAMS! Obrigado pelos bons momentos cinematográficos deixados para a posterioridade!





Lição de casa: os Star’s da vida

25 06 2014

Até pouco tempo atrás não dava muita bola para as sagas Star’s do entretenimento: nem Star Wars e nem Star Trek.

Aí veio J. J. Abrams (da série Lost e do longa Super 8) e mudou completamente essa história. Primeiro, com Star Trek, de 2009, mas que vim assistir apenas no ano passado, estrelado por Chris Pine como o capitão James Kirk e Zachary Quinto como Spock. E daí pr’ótimo Além da Escuridão – Star Trek foi um pulo.

Agora com o Abrams a frente do novo episódio de Star Wars (o VII) previsto para o ano que vem, os seis primeiros filmes da franquia de George Lucas já estão na minha lista dos próximos filmes a serem vistos.

Mas quem saiu dessa lista é a série retratada pela imagem aí embaixo, a série original de Star Trek, de 1966. Nesse último fim de semana comecei a assistir (pelo Netflix) o episódio-piloto que foi ao ar em 08 de setembro de 1966 estrelado pelos excepcionais Leonard Nimoy (Spock), William Shatner (capitão James Kirk) e DeForest Kelley (doutor McCoy).

Além de descobrir como tudo começou há quase 50 anos, a produção clássica serve como um ótimo aperitivo até a chegada do terceiro filme com estreia prevista para 2016, agora sob a direção de Roberto Orci, que tem no currículo uma infinidade de projetos bacanas, seja como criador, roteirista ou até mesmo produtor executivo: as séries Alias: Codinome Perigo, Xena, Fringe, Hawaii Five-O e Sleepy Hollow e os filmes Missão Impossível 3, Transformers, Truque de Mestre e o recente O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro são alguns exemplos.

O trio parada dura da série clássica de Star Trek: Leonard Nimoy, William Shatner e DeForest Kelley

O trio parada dura da série clássica de Star Trek: Leonard Nimoy, William Shatner e DeForest Kelley





ANÁLISE: Praia do Futuro

22 05 2014

Cabo Donato (Wagner Moura, Elysium e Tropa de Elite 1 e 2) trabalha como salva-vidas nas praias de Fortaleza até que, um dia, perde sua primeira vítima (um estrangeiro) para o mar. Tal fatalidade o aproxima do alemão Konrad (Clemens Schick, Círculo de Fogo [2001] e 007: Cassino Royale), amigo que viajava junto com o turista agora falecido.

Os dez dias de buscas que sucedem o ocorrido é o suficiente para a construção do relacionamento entre os dois homens. Uma construção rápida e brusca demais, já que uma simples carona já desencadeia a primeira transa entre os dois, mesmo logo após a fatalidade do afogamento. Por outro lado, a próxima cena traz o personagem de Wagner Moura observando as tatuagens do corpo do companheiro através da luz tênue do celular, suavizando o choque de transição entre os dois momentos. Enquanto isso, o diretor Karim Ainouz (diretor de O Céu de Suely e Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo)  utiliza do mesmo período para esmiuçar o relacionamento muito próximo que Donato possuía com seu irmão Ayrton (interpretado na infância pelo novato  Savio Ygor Ramos), abordando os momentos de descontração entre os dois.

Adotando uma questionável divisão em capítulos – que interfere levemente no ritmo e fluidez da história -, Praia do Futuro chega em um momento importante e decisivo para Donato: o retorno de Konrad para a Alemanha. Uma paixão que floresceu a partir de um infortúnio agora enfrenta novos desafios: abandonar ou não a família em Fortaleza? Seguir ou não o novo amor de sua vida, rumo à Europa? A resposta para essas duas questões vem no segundo ato elencado pelo roteiro, uma co-autoria de Karim com Felipe Bragança (que também assina o roteiro de Heleno e do documentário Girimunho). Primeiro, com as imagens de uma Berlim gélida e segundo, pela expressão contida de satisfação de Donato ao caminhar pelas ruelas da capital alemã numa atividade extremamente banal, corriqueira.

O que mais chama atenção no relacionamento entre os dois e que se intensificou ainda mais com a ida do brasileiro à Alemanha é a cumplicidade existente entre Konrad e Donato, méritos totais da atuação de seus respectivos atores Clemens Schick e Wagner Moura. Algo que nem a diferença de idiomas ou de cidades foi capaz de prejudicar, muito menos as mudanças de temperamento ou as discussões inerentes a qualquer namoro, seja ele homossexual ou não. Essa qualidade permite que tanto um quanto o outro se expressem muito sem dizer nada. Uma simples expressão, uma única troca de olhares é capaz de substituir uma sentença gramatical inteira. E o filme explora isso com muita eficiência, basta observar a escolha de locais vazios e silenciosos em que os dois discutem (um dia chuvoso em um parque, um almoço na cozinha ou um telhado), só existem eles ali e nada mais ou como Wagner Moura demonstra uma saudade do calor brasileiro ao parar por poucos segundos diante de frios raios solares berlinenses ao deixar determinado prédio.

Vale a pena destacar também outra cena que marca a desnecessidade que uma palavra seja dita, quando Donato resolve não desembarcar do metrô que o levaria para o aeroporto e daí de volta para o Brasil. Konrad só percebe a decisão quando o companheiro permanece imóvel e calado no banco. Uma decisão que assinala sua permanência definitiva no país europeu.

Se até aqui nada disso estava planejado para Donato, Ayrton, no Brasil, já tinha algo bem claro em mente: reencontrar o seu irmão. Uma determinação que ele coloca em prática muitos anos depois. Com a cara e coragem, Ayrton – agora mais velho e vivido por Jesuíta Barbosa (de Tatuagem e Serra Pelada) – chega a Berlim a procura de Donato, sabendo o básico da língua alemã e carregando consigo todo o ressentimento causado pela ‘fuga’ do irmão velho anos atrás. A raiva demonstrada no reencontro deles e o conhecimento exato do ano, meses e dias que se passaram desde a morte da mãe deles são a prova disso.

Revisitando e relembrando traumas de infância do caçula, Donato realiza seu desejo de mostrar ao irmão uma praia na cidade onde a maré recua para que Ayrton possa, assim, ‘entrar’ no mar sem temer a água e contando com o auxílio (leia-se reaproximação) de Konrad para amenizar a relação entre os ditos Aquaman e Speedracer – codinomes de uma brincadeira fraterna -, nada mais são do que alternativas para que Donato consiga, enfim, sentir-se realizado em Berlim, recompensando os erros cometidos no passado. O futuro? Será incerto, tal qual a neblina da cena final que esconde o prolongamento da autoestrada numa curva qualquer.

NOTA: 4/5





ANÁLISE: Clube de Compras Dallas

14 03 2014

Difícil afirmar o que Ron Woodroof gostava mais em sua vida: os rodeios, as mulheres, as drogas ou o dinheiro. Mas esse eletricista vivia seus dias intensamente e em nenhum deles faltava esses quatros itens. Entre o consumo de cocaína, a noitada com os amigos, a presença em touradas ou fugindo de quem lhe cobrava dívidas, a tosse sempre estava presente. Um sintoma que, juntamente com a magreza e os desmaios frequentes indicavam que algo não estava bem com Ron.

Num desses desmaios, os médicos confirmam o que já se suspeitava: Ron Woodroof era portador do vírus HIV, causador da Aids. Para um homem que a todo momento  reafirmava a sua virilidade e masculinidade, esse diagnóstico não era facilmente assimilado por um cidadão típico do estado americano do Texas reconhecido pelo seu ideal conservador. Não é a toa que Ron acha inadmissível ser portador de uma doença que se julgava atingir apenas os homossexuais e sua promiscuidade, afinal estamos falando da década de 80, mais precisamente do ano de 1985.

Não bastando o grave problema de ser portador de uma doença autoimune que abala o sistema imunológico humano, anulando-o quase que totalmente, a confirmação da doença veio em um momento complicado para quem era soro positivo. Naquela época, as pesquisas na luta contra a Aids ainda engatinhavam e os coquetéis, tão comumente utilizados nos dias atuais e que garantem uma vida praticamente normal para aqueles que os utilizam, ainda não estavam cientificamente estabelecidos.

Talvez seja por seu perfil irrequieto que Ron tenha conseguido ultrapassar tantos os 30 dias restantes de vida dado à ele como previsão inicialmente. Com muita garra e num trabalho excepcional e vencedor do Oscar de melhor ator de Matthew McCounaghey (da comentada série da HBO True Detective e Magic Mike), que o eletricista, por investimento e empenhos próprios, conseguiu trazer aos EUA novos ‘tratamentos’, para não ficar dependente da pouca eficaz ‘terapia em grupo’ oferecida até então pelo governo. Felizmente, Ron Woodroof acabou moldando definitivamente a forma como a saúde pública tratava os portadores de vírus HIV.

Lutar contra o sistema governamental não foi uma tarefa fácil. As outras drogas desenvolvidas mundo a fora para tratar a doença só chegavam em suas mãos através de contrabando, ou seja, ilegalmente. A sede de viver de Ron não o permitia aguardar o lento desenvolvimento das pesquisas americanas. Com essa brecha, ele via uma oportunidade de expandir o seu tratamento particular para as outras pessoas que sofriam do mesmo mal – desde que pagassem (claro!) por isso. Ron deixava claro que não fazia e nem queria fazer caridade. Nascia assim o Clube de Compras Dallas do título.

Esse novo negócio lucrativo o aproximou do grupo que ele mais detestava: o dos homossexuais, que acabaram se tornando os seus principais (se não únicos) clientes.Para vencer o seu preconceito e atingir o público-alvo desejado, Ron contou com o auxílio da “senhorita Homem”, Rayon (Jared Leto, vocalista da banda 30 Seconds to Mars, mas que já trabalhou em outros filmes como O Senhor das Armas e Réquiem para um Sonho), transexual vivido pelo igualmente magro e com a mesma performance excepcional de Jared Leto. Um trabalho também reconhecido pelo prêmio de melhor ator coadjuvante no Oscar.

Para manter o clube de compras em plena atividade, Ron estava disposto a (quase) tudo. Se passar por um (hilário) padre para atravessar ilegalmente a fronteira entre EUA e o México; falsificar documentos para conseguir novas drogas no Japão, China, Israel ou onde quer que elas sejam feitas; enfrentar a ferocidade da receita federal por faturar em um ramo econômico ainda não regulamentado; frequentar boates GLS junto com Rayon para conseguir novos clientes. Mesmo ciente da gravidade de sua doença, Ron mantinha com a mesma prática, intensidade e frequência, os péssimos hábitos vistos no início do longa: as mulheres, o dinheiro, a trambique e as drogas. A vida desregrada continuava a mesma.

Em ao meio ao redemoinho de acontecimentos que marcaram os últimos meses de vida de Ron Woodroof desde que foi diagnosticado com Aids, a única ‘ajuda oficial’ que ele teve foi da doutora Eve (Jennifer Garner, da série Alias: Codinome Perigo e dos filmes Elektra e Juno). Embora a pesquisa dela no hospital fosse diretamente afetada pela automedicação dos pacientes que se tornavam clientes do clube de compras, a doutora via o potencial do trabalho a parte realizado por Ron e sua pesquisa desenfreada na tentativa de obter a cura, mesmo que as autoridades e os médicos americanos não o percebessem.

De 1985 (quando soube da doença) até 1992, foram 2.557 dias em que Ron conviveu com a Aids. Dias que não só prolongou a sua vida muito, mas muito além mesmo dos 30 dias previstos inicialmente, mas permitiu alterar drasticamente a forma de tratamento contra o vírus HIV. O modelo atual de tratamento das pessoas portadoras da doença é fortemente inspirado na obsessão real que Ron Woodroof teve, à sua própria maneira, de aliviar o seu prognóstico mortal há quase trinta anos atrás. Uma história verdadeira que encontrou no premiado par de atores, Matthew McCounaghey e Jared Leto, a coragem e a entrega essencial para se reconstruir essa dura trajetória.

NOTA: 5/5





Breves & Curtas #6

11 01 2014

Ano novo, ideias novas. Para manter o Universo E! sempre com postagens pelo menos uma vez a cada quinze dias, decidimos repaginar a edição do Breves & Curtas, que era destinado a pequenas notas e notícias sobre o cinema (cuja última edição foi postada em 2010) e adaptá-lo para resenhas sobre diversos filmes existentes, sem se apeguar ao fato de ser estreia, recente ou não.

Aqui tudo será válido: filme em DVD/blu-ray, nos cinemas, na Netflix, ou se estiver apenas disponível internet a fora. Cada edição trará três longas com a minha opinião e sua respectiva nota. Me parece ser um formato promissor dada a minha empolgação e espero que vocês aproveitem para discutir, comentar, opinar e discordar, afinal esse espaço também é de vocês.

Boa leitura!

Zelando pela boa noite de sono do namorado!

Zelando pela boa noite de sono do namorado!

ATIVIDADE PARANORMAL – Depois de muito tempo finalmente tive a oportunidade de conferir o primeiro longa dessa já famosa franquia do cinema de terror. A opinião daqueles que conheço e o tinham visto estava bem dividida: alguns se apavoraram com esse exemplar e outros não sentiram tanto pavor assim.

Tenho que concordar com esses últimos. Mas acrescento que não podemos deixar de elogiar a eficácia que esse primeiro Atividade Paranormal carrega consigo. Primeiro pelo casal de atores (os novatos Katie Featherston e Micah Sloat) que convencem como duas pessoas próximas entre si, que possuem um cotidiano em comum, convencimento que se estende ao ponto de ambos emprestarem os seus nomes reais aos seus respectivos personagens. Segundo, pela decisão do inexperiente (até então) diretor Oren Peli (responsável pelo roteiro do igualmente eficiente Chernobyl: Sinta a Radiação) em abandonar as características comuns dos filmes, optando por excluir os créditos iniciais e finais aqui, aproximando essa obra de ficção da realidade.

Com seus defeitos ao não explicar o motivo pelo qual o casal vive completamente isolado – isolamento pelo qual a narrativa se beneficia – e suas virtudes, ao moldar as características da “criatura” da vez num crescente de terror e ação entre sons e imagens, Atividade Paranormal não chega a ser um épico e singular exemplar do terror, mas funciona o suficiente para ocupar um lugar de destaque do gênero (repleto de porcarias) em desencadear uma franquia em massa nos cinemas. Espero apenas que a quantidade não resulte na queda de sua qualidade, tal qual Jogos Mortais.

NOTA: 4/5

Chama o Dexter, tenente Debra Morgan.

Chama o Dexter, tenente Debra Morgan.

QUARENTENA – Bebeu a água da mesma fonte de Atividade Paranormal. Um enredo sombrio contado do ponto de vista de uma câmera, mas não convence como o filme que o inspirou. Dessa vez é uma matéria sobre o dia-a-dia do Corpo de Bombeiros de Los Angeles para a TV que é a espinha dorsal da narrativa. Na frente da câmera temos a repórter Angela Vidal que está guiando a narrativa para o espectador, papel da eterna irmã de Dexter, Jennifer Carpenter (que também pode ser vista em O Exorcismo de Emily Rose).

Numa das ocorrências, as equipes de bombeiro e de reportagem, chegam a um edifício onde gritos aterrorizantes assustam os seus moradores. No local, uma senhora revela ser o motivo de tanta preocupação onde, inesperadamente, ataca um dos policiais que atendiam a ocorrência. Com a mesma rapidez, o Centro de Controle de Doenças americano isola o prédio do ambiente externo, entregando os seus ocupantes à lenta e certeira morte.

O maior defeito de Quarentena é que seu roteiro não consegue embasar a sua premissa apresentando-nos uma narrativa falha e colocando uma pesquisa de um veterinário como responsável por todo esse caos não é o suficiente, assim como outras ações e atitudes de seus personagens não condizem com a realidade ou com o quê se esperava de alguém numa situação dessas, sem citar os vários clichês onde a grande maioria do elenco se entrega ‘inocentemente’ às criaturas vis.

De bom temos as performances dos atores. Jamais imaginei que Jennifer Carpenter pudesse tremer e gritar tanto, assim como Jay Hernandez (O Albergue e O Pagamento Final: Rumo ao Poder) que sempre se sai bem em seus muitos papéis coadjuvantes ou o experiente Doug Jones (O Labirinto do Fauno e Hellboy) que se especializou (tal como Andy Sarkis) em dar vida digital a criaturas nada bonitas.

NOTA: 2/5

oterminal

É, a vida não tá fácil Hanks.

O TERMINAL – Viktor Navorski (Tom Hanks, O Código da Vinci e À Espera de um Milagre) teve a infelicidade de chegar aos EUA justamente quando seu país fictício do Leste Europeu, Krakozhia, sofre um terrível golpe de estado e entra numa grande crise diplomática onde passa a não ser reconhecido pelo governo americano. Resultado: Navorski fica impedido de entrar em solo americano, sendo obrigado a vagar pelo salão internacional do aeroporto JKF até que sua situação seja resolvida. Só que não tão rápido quanto se esperava.

Durante os nove meses em que fixou, forçadamente, residência no aeroporto, Navorski improvisou um curso instantâneo de inglês, idioma que não dominava causando-lhe grandes dificuldades e proporcionando divertidas cenas. Criou novas amizades com os trabalhadores do local, auxiliando-os e sendo auxiliados por eles a todo instante. Tornou-se um grande empecilho para Frank Dixon (Stanley Tucci, da franquia Jogos Vorazes e O Diabo Veste Prada) que se aproximou e muito de uma promoção a diretor responsável pelo gerenciamento de segurança do aeroporto, o que não ocorreu por não saber lidar com o peculiar caso do cidadão de Krakozhia. Mal sucedido no campo profissional passa a alimentar uma vingança infantil contra Viktor.

Entre as muitas idas e vindas dos passageiros, Navorski se apaixona por uma comissária de bordo, interpretada por Catherine Zeta-Jones (Chicago e Doze Homens e Outro Segredo), que tal como a inconstante rotina de seu trabalho apresentava uma tumultuada vida amorosa, que nem os conselhos e o interesse de Navorski foram capazes de modificar o seu comportamento.

Mesmo com um fraco anti-herói cuja motivação para atrapalhar a vida do protagonista soa mais como uma rixa entre crianças, O Terminal constrói um fascinante cotidiano de um aeroporto real, com grandes planos abertos que descrevem esse ambiente amplo (mas fechado) e com diversos personagens coadjuvantes cujas histórias inevitavelmente cruzam com a do protagonista, ao mesmo tempo que cria uma poderosa verossimilhança para a situação narrada ao abrir oportunidades para acompanhar os bastidores de um aeroporto muito semelhante à um shopping center. Isso sem levarmos em conta o evidente carisma de Tom Hanks nos idos de 2004, que dá traços marcantes e simpáticos a esse atrapalhado cidadão sem país, em busca da realização de um sonho pessoal que nem o inesperado cativeiro num saguão de aeroporto foi capaz de impedir.

NOTA: 4/5





Círculo de Fogo encerrando a atual temporada de blockbusters

13 07 2013

Guillermo del Toro (de O Labirinto do Fauno e Hellboy) é o diretor responsável por finalizar a temporada 2013 de blockbusters no cinema, que compreende os meses de maio, junho e julho, período que marca a proximidade das férias de verão para os nossos amigos no hemisfério norte, do Canadá e EUA até a Europa.

Diversas animações foram reservadas para essa época:  já vieram as continuações Universidade Monstros pela Disney/Pixar, e Meu Malvado Favorito 2 pela Universal (que também desbancou O Cavaleiro Solitário com Johnny Depp da liderança das bilheterias americanas na sua estreia). Há ainda a estreia programada de Turbo da DreamWorks Animation para esse período. Na categoria de filmes de heróis, Homem de Ferro 3, O Homem de Aço e Wolverine – Imortal também desembarcam(ram) nesse período. Já a produção de del Toro compete juntamente com os pós-apocalípticos Depois da Terra (com Will Smith e sua prole) e Guerra Mundial Z (com Brad Pitt).

Apesar de estrear por aqui no início de agosto (dia 09 para ser mais específico), Círculo de Fogo faz parte do grupo formado pelos blockbusters já citados. E ao contrário destes, não há nenhuma grande estrela no elenco, que conta com muitos rostos oriundos de séries televisivas para mostrar a batalha entre monstros alienígenas e robôs gigantes.

E muito antes da estreia já há comentários rondando a web e as redes sociais sobre as semelhanças desse filme com o animê/mangá Evangelion, sem mencionar o fato de que robôs gigantes já foram utilizados na narrativa de Gigantes de Aço ano passado.

Enquanto Círculo de Fogo não estreia por aqui, confira o trailer logo abaixo e mate ansiedade conferindo os outros blockbusters em cartaz nos cinemas brasileiros. Opção é o que não falta!

 








PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2017

Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Site com atividades e informações sobre a associação que reúne profissionais da crítica cinematográfica de todo o Brasil

Sinfonia Paulistana

um novo olhar

%d blogueiros gostam disto: