Passou pelo cinema…

28 09 2013

O objetivo desse post é retirar o Universo E! um pouco do atraso de suas atualizações em relação ao cinema. Você poderá ver, por exemplo, que os filmes destacados e comentados aqui já saíram há uns bons dias dos cinemas e não gostaria de perder as anotações que fiz na época sobre cada um deles.

O que está posto a seguir não são as “Análises” propriamente ditas, a sessão mais frequentada e mais buscada por quem nos lê, mas acho válido elencar aqui os aspectos gerais das produções que estiveram em cartaz de meados de julho para cá, que será justamente o tema desse e dos próximos posts a seguir, comentados em geral ou em particular na sessão “Análises”.

Espero que gostem!

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CÍRCULO DE FOGO – Guillermo Del Toro (Hellboy e O Labirinto do Fauno) nos confirma que um típico filme blockbuster pode sim ter uma boa história e não basear-se apenas em ação e explosões.

Ciente do público alvo de sua história, a introdução consegue posicionar os seus personagens na trama e apresentar sua mitologia de forma rápida e sucinta. O surgimento dos Kaiju, monstros gigantes que surgiram das profundezas do Pacífico; a dificuldade da humanidade em derrotá-los em suas primeiras aparições até a criação dos Jaegers, um programa de defesa baseados em robôs gigantes, tal qual o seu adversário.

Tamanha dificuldade em controlá-los que eram precisos dois pilotos para guiar os robôs gigantes em ataque, o que só era possível através de neuro-conexão entre eles. Essa divisão de memórias cria um bom conflito emocional em seu ato principal, onde Raleigh (Charlie Hunnam, Filhos da Esperança e da série Sons of Anarchy) precisa ensinar a sua nova parceira, Mako Mori (Rinko Kikuchi, de Vigaristas, Como na Canção dos Beatles: Norwegian Wood e do ainda inédito Os 47 Ronins), a dominar as suas lembranças para que, juntos, possam mostrar o verdadeiro valor dos Jaegers. Os robôs passaram a ser desacreditados após uma fatalidade ocorrer com o irmão de Raleigh, Yancy Becket (Diego Klattenhoff, Depois da Terra e Xeque-Mate).

Se toda a trama principal tem o seu valor e consegue despertar o interesse do espectador, por outro lado, o núcleo utilizado como alívio cômico não é bem sucedido em seu propósito. Sempre que esse recurso é utilizado em cena, surge em tela momentos que destoam do bom grau de verossimilhança atingido pela trama principal. Entretanto, alguns desses mesmos personagens apresentam um valor narrativo, pois é justamente a partir deles que a história adquire um ritmo de urgência ainda maior com uma experiência para obter um conhecimento mais amplo sobre os monstros das profundezas oceânicas, mas que acabam fortalecendo-os inesperadamente.

Desvendando mais alguns segredos que se encaixam perfeitamente na mitologia estabelecida, o desfecho final  só não empolga mais ao trespassar o limite do aceitável ao se aproximar inconsequentemente do megalomaníaco, diminuindo (assim como o dito núcleo cômico) toda a natureza real criada habilmente até aqui.

P.S.: um acréscimo importante – o compositor indiano Ramin Djawadi (responsável pelas trilhas sonoras de Game of Thrones e Prison Break) realiza um trabalho excepcional na trilha sonora. Canções que lembram muito as trilhas de Transformers, Avatar e da trilogia O Senhor dos Anéis, sem perderem, contudo, os seus traços originais numa mistura gostosa e eclética entre a guitarra, a batida eletrônica e a música clássica. Ramin merece toda uma maior atenção maior em seus trabalhos futuros.

NOTA: 4/5

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O HOMEM DE AÇO – Os filmes sobre super-heróis tendem a fracassar como estrutura e como filmes relevantes num futuro não muito distante. E o fracasso virá ainda mais rápido se os estúdios continuarem a apostar nessa fórmula de reboot com o foco apenas em bilheteria.

A todo o momento, eles apostam em um novo super lançamento de um determinado personagem, num looping interno, mesmo com poucos anos (cinematograficamente falando) entre a antiga e a nova franquia. É o que se constata nesse novo O Homem de Aço; é o que se viu no lançamento recente do último O Espetacular Homem-Aranha e é o que se verá no novo Super-Homem com a participação de Ben Affleck (re)vivendo o homem-morcego no Batman vs Superman, previsto para 2015.

Até quando o fôlego e o entusiasmo dos fãs manterá essa nova tendência da indústria de Hollywood? Torçamos, para o bem dela, que seja por pouco tempo. Não quero ver uma nova leva de filmes baseados nos componentes de Os Vingadores, a partir de 2025 por exemplo.

Esse é o mal que sofre O Homem de Aço. Pouco adianta acrescentar novos detalhes no mundo de Krypton; criar novas explanações para o S no peito de Clark Kent, encarnado agora pelo apenas regular Henry Cavill (Imortais e Stardust – O Mistério da Estrela); inserir novos detalhes em paisagens e cenários já largamente usados em todas as outras mídias em que a história dele foi contada.

O desânimo geral aumenta ainda mais com a relativamente longa de introdução do longa de Zack Snyder (diretor de 300 e Sucker Punch: Mundo Surreal). O envio do último cidadão de Krypton à um planeta distante devido as circunstâncias nada promissoras em sua terra natal, todos já sabem de cor e salteado. Seria preciso muita criatividade para acrescentar algo de interessante aqui e em O Homem de Aço, claramente, não a temos! E a suposta traição de seus pais – vividos por Russell Crowe (Os Miseráveis e Gladiador) e Antje Traue (Pandorum e 5 Dias de Guerra) – para com Krypton ao enviar o recém-nascido Kal-El para cá é o combustível para a vingança do general Zod (Michael Shannon, de O Abrigo e Vanilla Sky) e o motivo pelo qual o vilão volta suas preocupações para a Terra.

A longa permanência da história em Krypton em seu início obriga os responsáveis pelo roteiro – escrito por Daniel S. Goyer e Christopher Nolan, dupla também responsável pelo roteiro da trilogia de O Cavaleiro das Trevas – a abordarem a infância e juventude do agora Clark, assim como o seu convívio com os Kent’s -Kevin Costner (Os Intocáveis e O Mistério da Libélula) e Diane Lane (Jumper e Mar em Fúria) – ao longo do filme através de flashbacks. O início do relacionamento dele com Lois Lane, a apagada Amy Adams (O Vencedor e Prenda-me se for Capaz), sua batalha na Terra contra Zod (que realmente impressiona com a magnitude e ritmo alcançados) carecem de algo novo que possa verdadeiramente despertar uma atenção maior do espectador. Não há algo novo ou surpreendente que torne  O Homem de Aço inesquecível. Ou até mesmo um bom passatempo.

NOTA: 2/5

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SEM DOR, SEM GANHO – A maior surpresa dessa nova produção de Michael Bay (dos Transformers e Armageddon) é não se situar num gênero específico. Você sai da sala de cinema sem compreender se o que acabou de assistir é uma comédia, um drama ou um filme de ação/suspense. E, possivelmente, desmantela qualquer concepção que alguém possa ter feito antes de assisti-lo.

O drama está aí. A ação e o suspense também. A comédia ainda mais: desde aquela cena sucinta ou criativamente elaborada até a mais escatológica das cenas típicas dos besteróis que só Hollywood tem capacidade de fazer, sem desmerecer em nenhum momento a história que vem sendo contada. Em meio a tudo isso, Sem Dor, Sem Ganho ainda consegue construir com propriedade sua própria tese política sobre a sociedade americana, em particular, e a ocidental como um todo, mesmo que esse não seja um dos seus principais objetivos.

Se essa descrição pura e simplesmente consegue resumir a receita para um fracasso total de uma realização para o cinema, é justamente a junção de aspectos tão contraditórios entre si que fazem este filme valer a pena.

A começar pelo trio de protagonistas com Daniel Lugo (Mark Wahlberg, Um Olhar do Paraíso e Ted), Paul Doyle (Dwayne Johnson, Velozes e Furiosos 5, 6 e do próximo 7 e O Escorpião Rei) e Adrian Doorbal (Anthony Mackie, Guerra ao Terror e Os Agentes do Destino), onde seus atores encontram-se inspiradíssimos em suas atuações ao retratar o inconformismo de seus personagens com suas respectivas vidas, grande parte delas dentro de uma academia de ginástica. Esse é o grande motim que desencadeia tantas situações hilárias e absurdas.

Assim passam a arquitetar uma forma de sequestrar um milionário frequentador dessa academia e aluno do Daniel Lugo, Victor Kershaw (Tony Shalhoub, o eterno Monk), e se apossar de toda sua fortuna. Sem muita experiência no ‘ramo’, o plano infalível do trio parada dura segue aos trancos e barrancos, baseando-se sempre no esquema tentativa-e-erro. Mais erros do que tentativa propriamente dita, que por uma série de fatos insanos, tal trambique consegue funcionar milagrosamente.

Mas por não saberem o exato ponto onde parar e a ambição põe tudo o que conquistaram (criminosamente) a perder.

NOTA: 4/5

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Vazio criativo

18 07 2012

Acho que todo mundo que possui um blog e gosta de compartilhar suas ideias pelas ondas da web sofre algumas vezes desse tal ‘vazio criativo’. Período onde nenhum bom post aparece e o seu site fica às moscas. Mais uma vez, o Universo E! passa por esse período.

Isso porque já faz um longo tempo (três semanas mais precisamente) sem entrar numa sala de cinema. Abstinência curada essa semana após conferir O Espetacular Homem-Aranha, que ganhará em breve sua análise aqui. Um bom sinal, mais um post a vista.

Em seguida, temos a imensa ansiedade referente a uma estreia de Christopher Nolan nos cinemas e a concretização de sua trilogia do Batman, cuja ingresso para conferir esse espetáculo na sala IMAX em São Paulo já está garantido. E mais vez, isso exige uma (re)visita aos filmes anteriores: o Batman Begins que ainda não vi, mas já está aqui locado; e rever O Cavaleiro das Trevas. Aí é só assistir o que provavelmente será o final épico do homem-morcego.

Mas, enquanto essas atualizações não surgem por aqui, recorro à uma das soluções que encontrei para retirar o Universo E! do marasmo: a música.

* * *

1) Indico a seguir o clipe de uma jovem cantora, que se você a essa altura do campeonato ainda não conhece, vai conhecer e ainda ouvi-la muito pela frente. A canadense Carly Rae Jepsen, cujo sucesso repentino explodiu com o hit ‘Call me Maybe’. O clipe a seguir é divertidíssimo e toda vez que ouço a canção não consigo segurar o riso:

Carly Rae Jepsen, Call Me Maybe

2) Se você é baladeiro, o que por incrível que pareça, tornou-se um dos meus últimos ofícios nos últimos trinta dias, provavelmente já dançou ao ritmo dessa música. Se isso ainda não ocorreu, então precisa urgentemente trocar de casa noturna. Fica a dica:

Rihanna, Where Have You Been

3) E por último, indico também mais um recente sucesso nas rádios hoje. E parece que a moda agora é a criação de boyband, provavelmente passageira até que os egos inflados dos componentes impeçam a união. E tento sair do lugar-comum aqui, indicando uma música que faz parte da trilha sonora da animação A Era do Gelo 4 que ainda não vi.

The Wanted, Chasing the Sun

Aqui, um clipe alternativo da banda, sem a temática do filme – http://youtu.be/RFS5N_yAGTo








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Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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