Mostra Internacional de Cinema SP 2014 | parte 2

25 10 2014

38-mostra-cinema-sp-300x194

O CÍRCULO (Suíça, 2014) – Às sombras do nazismo e sua repreensão sexual, um grupo de homossexuais consegue manter por mais de 25 anos um grupo fechado em Zurique, na Suíça, onde pudessem reunir-se naturalmente sem serem desrespeitados. Além de servir como ponto de apoio aos gays, O Círculo também possuía como principal atividade a manutenção de uma publicação homoerótica voltada para os membros (cujos endereços cadastrados eram requisitados pela polícia a todo o momento) e organização de um baile anual gay.

Entre seus membros estavam Ernst Ostertag, professor de uma escola para meninas e filho de pais extremamente conservadores e o cabeleireiro e drag queen Röbi Rapp, que tinha uma ótima aceitação por parte de sua mãe. O relacionamento entre os dois sobreviveu ao fim de O Círculo e do nazismo, ao mesmo tempo em que a união incentivou a criação de um novo grupo: Club 68.

A inclusão dos depoimentos dos verdadeiros personagens que inspiraram o longa o enriquece bastante, tendo o espectador uma mescla entre ficção baseada em fatos reais e documentário, o que também abrange a utilização de fotografias reais da época em P&B ou de fotos dos próprios Ernst Ostertag e Röbi Rapp com seus respectivos atores.

Quanto a dura realidade que enfrentaram nas décadas de 50 e 60, pouca se altera ao que é visto em pleno século XXI, principalmente no que se refere à Ernst que só veio assumir a sua condição após a morte de sua mãe, assim como os dois realizaram o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo da Suíça em 2003.

NOTA: 4/5

PAIXÃO MÓRBIDA (Japão, 1964) – Cores primárias vivas iluminam rostos de mulheres japonesas. Naquele beco escuro iluminado apenas pelas luzes de propagandas, elas esperam pelo próximo cliente, estáticas num canto qualquer. A inocente Yoshie de 19 anos caiu no mundo da prostituição meio que pelo acaso após conhecer Eiji num bar onde ela fazia o turno da noite.

A violência do homem a forçava a se prostituir para ajuda-lo a pagar uma dívida de jogos com a Yakuza. O amor que criava nela uma fidelidade irracional por Eiji (apesar de toda a estupidez dele) mais a truculência na forma de agir e cobrar da máfia japonesa impedia que ela pudesse abandonar essa sobrevivência humilhante. Nem mesmo com o surgimento de Fujii, um arquiteto bem sucedido e um cliente recorrente em busca de seus serviços sexuais disposto a quase tudo para tirá-la daquele beco.

A indecisão entre o desejo de uma nova vida próspera que tanto almejou e o sentimento de traição com um possível abandono de Eiji à sua própria sorte não é uma decisão fácil para Yoshie, um dilema que se repete várias vezes. Nem mesmo uma terceira escolha possível apresentada pelo desfecho demonstra alguma possibilidade de felicidade.

NOTA: 2/5

AS PONTES DE SARAJEVO (França, Bósnia, Suíça, Itália, Alemanha, Portugal, Bulgária) – Sarajevo, capital da atual Bósnia, foi o palco do gatilho inicial da Primeira Grande Guerra, conflito mundial cujo início completou 100 anos recentemente e que matou mais 19 milhões de pessoas.

Para realizar uma homenagem não oficial desta data, As Pontes de Sarajevo é constituído por treze recortes relacionados à cidade, direta ou indiretamente, a partir da visão de diretores diferentes. Exatamente por isso, os protagonistas desses microfilmes são tão diversos entre si: os militares são a grande maioria; a observação do cotidiano de Sarajevo sobreposta por imagens de homens armados possivelmente mortos; a discussão de um casal de certa idade sobre a Europa como um todo a partir da leitura de um livro ou narrações em primeira pessoa.

No entanto, a angústia e a tristeza são uma constante em todas as visões apresentadas. Mesmo nos dois últimos trechos que utilizam mais o humor em sua narração. Um belo apanhado de imagens a se contemplar.

NOTA: 4/5

A MOÇA, A BABÁ, O NETO BASTARDO E EMMA SUÁREZ (Espanha, 2014)– O filme espanhol de título quilométrico justifica o motivo de seu nome, já que cada personagem ali citado ganha a sua importância e possui o seu arco dramático, sendo todos protagonistas, exceto Emma Suárez, cuja citação funciona apenas como homenagem (e uma pequena participação) à atriz espanhola de extenso currículo.

A “moça” Júlia possui um bebê de menos de 1 ano de idade fruto de um estupro. Como trabalha todo o dia fora, ela tem confiança em Carol, a “babá”, uma jovem atriz em início de carreira que ainda enfrenta problemas de autoestima para se entregar por inteira em cima dos palcos. Com o nascimento do neto, a avó começa a visitar a filha com mais frequência. Uma aproximação que incomoda e muito Júlia, pois foi a justamente a ‘ausência’ da mãe que causou tantas mágoas ainda não superadas.

O filme espanhol funciona muito bem como uma contemplação dessas personagens e as suas respectivas buscas por uma resolução para os seus problemas. Mesmo quando não há uma. Em certos momentos, isso ocorre embrulhado por um silêncio absoluto. Também impressiona a forma que a produção atinge seus ápices dramáticos (sempre envolvendo mãe e filha) que ocorre de forma rápida e pungente.

NOTA: 4/5

AS NOITES BRANCAS DO CARTEIRO (Rússia, 2014) – A profissão de Lyokha proporciona um contato direto e diário com seus vizinhos, todos habitando às margens de um lago, ao norte da Rússia, que os separam do restante do mundo.

Em sua rotina, o carteiro atravessa esse lago constantemente em busca das correspondências e de outros produtos que alguém daqui venha precisar. Além de um mero entregador de cartas, esse senhor torna-se um grande amigo para todos aqueles que visita, principalmente com uma de suas ex-colegas de escola (sua eterna antiga paixão) e seu filho.

A partir do momento em que o motor de seu barco é furtado, Lyokha estreita ainda mais a sua relação com o garoto, numa das raras ocasiões em que algo se altera nessa distante comunidade. O carteiro ainda terá que enfrentar outra mudança mais significativa (ao menos para ele) por ali, quando então tudo continuará no mesmo ritmo. E este filme russo consegue retratar tais passagens sem se tornar entendiante.

NOTA: 3/5

Anúncios




Vai ter Copa sim! (E nos cinemas ainda)

6 06 2014

Ah, você fanático por futebol, mas igualmente alucinado por cinema, achou que ia ficar distante das salas escuras e suas telonas durante a realização da Copa do Mundo aqui no Brasil, não é mesmo?

copa-do-mundo-2014

Pois saiba que você está redondamente (perdão pelo trocadilho) enganado. O site Ingresso.com, a Cinelive (empresa pioneira na distribuição de conteúdo digital via satélite para os cinemas), juntamente com as redes de cinema Cinemark, Kinoplex, UCI, Cinépolis, Moviecom e GNC serão responsáveis por trazer as emoções das partidas da Copa para dentro dos cinemas de todo o Brasil.

E o melhor: o foco das transmissões não se limitará apenas aos jogos da seleção brasileira. Para a cidade de Campinas, por exemplo, já está disponível a venda de ingressos para os jogos do Brasil contra Croácia (quinta, dia 12) e contra o México (terça, dia 17), mas também há opções de compra para os confrontos:

– Espanha x Holanda (sexta, dia 13);

– Inglaterra x Itália (sábado, dia 14) e

– Alemanha x Portugal (segunda, dia 16)

As capitais como São Paulo e Rio de Janeiro oferecem mais opções. No momento em que este post é escrito, ambas as cidades tinham 9 jogos habilitados para compra de ingressos. Então, para maiores informações sobre preços e outros jogos disponíveis na sua cidade consulte o hotsite do Ingresso.com para a Copa e divirta-se!





ANÁLISE: Vidas ao Vento

20 03 2014

Realmente é uma pena que pessoas tão talentosas optem precocemente (na minha visão pelo menos) pela aposentadoria, em busca do merecido repouso. Conferir o último trabalho do mestre japonês de animações Hayao Miyazaki, Vidas ao Vento, só faz aumentar ainda mais o saudosismo que teremos do fundador do Studio Ghibli, que nos trouxe obras como A Viagem de Chihiro (vencedor do Oscar de melhor animação em 2003 e do Urso de Ouro do Festival de Berlim), Ponyo – Uma Amizade que veio do Mar e O Castelo Animado. Talento incomum que ainda faz da animação tradicional algo extremamente poético e encantador.  A intimidade desse cineasta com os traços a lápis cria a cada frame (não só nesse, mas em seus trabalhos anteriores também) uma imagem digna de ser emoldurada e eternizada na parede. Em Vidas ao Vento isso já é perceptível logo nas cenas iniciais, quando as luzes do sol ao amanhecer banham a paisagem bucólica de um vilarejo japonês.

Acompanhamos assim a história real da trajetória de Jiro Horikoshi, um menino apaixonado pela aviação. Manifestando-se já na infância, a miopia afastou esse pequeno sonhador de se tornar piloto profissional. Para não se afastar da área de atuação que tanto desejava, Jiro concentra todos os seus esforços para aquilo que sua visão lhe permite praticar: a construção de aviões. Uma obsessão que, nem o inglês das publicações voltadas para o assunto naqueles anos e nem a constante implicância de sua irmã caçula, conseguem atrapalha-lo.

A grande inspiração de sua vida na época, em meados da década de 1920, vinha da Itália e atendia pelo nome de senhor Giovanni Batista Caproni, o mestre em construção de aviões naquele tempo. Essa positiva influência é inserida na narrativa através dos sonhos de ambos, assumindo-se que aqueles que desejavam construir o “mais belo e perfeito avião” compartilhavam não só o mesmo objetivo, como também a área criativa em seu inconsciente. Desta forma, mesmo baseando-se em fatos reais que envolvem dois episódios tristes da Humanidade (as duas grandes guerras mundiais), Hayao Miyazaki permite-se construir aquilo que melhor sabe fazer: o fantástico. Tudo em meio a cálculos saindo da ponta do lápis e com a imaginação funcionando como o único simulador possível.

Até ver seu sonho concretizado, os problemas foram inúmeros. Assumindo o perfil característico do japonês com suas virtudes – inteligência, obstinação, honradez – o menino e agora homem, Jiro, exercita seus traços heroicos em alguns acontecimentos chaves da narrativa. Num desses trágicos momentos, ele encontra aquela que viria a ser o amor da sua vida, Naoko Satomi, quando um forte terremoto causa o descarrilamento do trem em que viajavam rumo a Tóquio. Jiro exerce continuamente o seu papel de salvador sem exigir nada em troca, muito menos reconhecimento. Mas a relação Jiro-Naoko só viria a ser concretizada anos a frente.

A genialidade de Jiro permanece mesmo dependendo  da precariedade da indústria japonesa no período: os aviões, por exemplo, eram puxados por vacas até a área de decolagem para testes. Muito diferente do que era desenvolvido pela Alemanha. Diferente de seus companheiros, Jiro era um curioso nato. Qualquer equipamento funcional merecia sua atenção, mesmo que aparentemente não tivesse relação alguma com a aviação. Até um simples pedaço de papel servia de inspiração para ele. Ao contrário de seus colegas engenheiros, Jiro frequentemente visitava as oficinas de montagem da Mitsubishi (empresa que trabalhava) demonstrando a sua humildade com os operários de lá e conquistando a admiração destes.

Se para atingir o sucesso profissional era preciso percorrer um caminho árduo, no campo afetivo as coisas também não foram assim tão fáceis. O namoro e o casamento com Naoko, cuja história se iniciou e se consolidou com um chapéu ao vento, só reservaria mais preocupações para Jiro. Assim como a mãe dela, sua amada sofria de tuberculose, que com o passar dos anos só vinha agravando o estado de saúde da jovem. Vidas ao Vento estabelece em seu decorrer essa relação dúbia na vida de Jiro: a busca pelo avião perfeito percorria uma linha ascendente, enquanto suas preocupações em relação a Naoko só aumentava.

Exatamente com essas dualidades que Vidas ao Vento nos conquista: tanto como estrutura, alternando entre o mundo real e o mundo dos sonhos – onde Miyazaki permite-se explorar o aspecto fantasioso inerente às suas animações, – quanto na trajetória pessoal de Jiro que experimenta duas sensações tão opostas quase que simultaneamente. Tentar compreender e sentir a satisfação de Jiro ao ver seu trabalho concluído e a tristeza e a dor que este sente com a partida de Naoko deixa qualquer coração despedaçado. Uma angústia em dobro proporcionada pela história e pela despedida de seu diretor, misturada com a alegria de poder conferir mais uma bela obra de Hayao Miyazaki. Os nossos sentimentos como espectador também são contraditórios!

NOTA: 5/5





Oscar 2014: 12 Anos de Escravidão e Gravidade dividem a noite

3 03 2014

O que mais se esperava aconteceu. De um lado, a ficção científica garantiu todas as categorias técnicas e levou mais algumas de brinde. Nas categorias principais, o principal drama da temporada teve que dividir as estatuetas com os demais favoritos.

Das dez indicações, Gravidade levou sete Oscar’s para casa: as técnicas – melhor mixagem de som, melhor edição de som, melhor efeitos visuais, melhor montagem, melhor fotografia. Mas Alfonso Cuáron ainda conseguiu garantir a melhor direção e Steven Pryce levou o seu Oscar pela trilha sonora.

12 Anos de Escravidão com sua história emocionante poderia (como é de praxe) levar todos os demais prêmios principais, mas teve que se contentar com três: o principal deles, o de melhor filme, além de melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante para Lupita Nyong’o.

Quem diminuiu a festa da turma liderada por Steve McQueen foi a dupla imbatível de Clube de Compras Dallas, Matthew McCounaghey e Jared Leto e os seus merecidíssimos Oscar’s de melhor ator e melhor ator coadjuvante, respectivamente. O vocalista da banda 30 Seconds to Mars, por sua vez, fez o melhor e mais emocionante discurso da noite. A estatueta de melhor maquiagem os fizeram empatar em número de prêmios com o filme sobre a escravidão indevida de um violinista livre. Ambos empataram na segunda colocação com três conquistas cada.

No mais, os favoritos se confirmaram:

  • Cate Blanchett garantiu o prêmio de melhor atriz para Blue Jasmine;
  • Ela, de Spike Jonze, venceu na categoria de melhor roteiro original;
  • A Grande Beleza deu a Itália o prêmio de melhor filme estrangeiro;
  • Frozen – Uma Aventura Congelante deu mais dois Oscar’s a Disney/Pixar por melhor animação e melhor canção original com ‘Let it Go’, desbancando U2 com ‘Ordinary Love’ e Pharrell Williams com ‘Happy’.

Quem surpreendeu mesmo foi O Grande Gatsby, que na surdina ganhou duas vezes com todos os méritos: melhor direção de arte e melhor figurino.

Com uma transmissão mais dinâmica e divertida, a 86ª edição de entrega do Oscar contou muito com o carisma da apresentadora Ellen DeGeneres, que jamais se intimidou com a responsabilidade de comandar um espetáculo para mais de um bilhão de pessoas ao redor do mundo. Não é de se estranhar que muitas intervenções dela na transmissão ocorria a partir da plateia e foi em um desses momentos que rendeu o ‘selfie’ coletivo abaixo:

Olha o passarinho!

Olha o passarinho!

Publicada no Twitter, a foto já rendeu (até esse momento): 2.029.984 retweetadas e 864.125 curtidas! Números épicos!

Ao contrário de edições passadas, a votação do Oscar 2014 não cometeu injustiças e valorizou os filmes que mereciam os prêmios conquistados. Não há forma melhor de encerrar uma temporada de grandes produções!

TOTAL DE PREMIAÇÕES POR FILME:

  • Gravidade: 7 prêmios
  • 12 Anos de Escravidão: 3 prêmios
  • Clube de Compras Dallas: 3 prêmios
  • Frozen – Uma Aventura Congelante: 2 prêmios
  • O Grande Gatsby: 2 prêmios
  • Blue Jasmine: 1 prêmio
  • Ela: 1 prêmio
  • A Grande Beleza: 1 prêmio
  • Mr. Hublot: 1 prêmio
  • Helium: 1 prêmio
  • The Lady in Number 6 – Music Saved my Life: 1 prêmio
  • A Um Passo do Estrelato: 1 prêmio




Um pedacinho da Mostra de São Paulo em Campinas

23 11 2013

A 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo realizada entre os dias 18 e 31 de outubro na capital paulista e que recebeu em sua programação cerca de 350 títulos, agora realiza a sua tradicional Itinerância pelas cidades do litoral e interior de São Paulo. E a partir do próximo dia 26 até domingo, 1º de dezembro, será a vez de Campinas receber um pedacinho do que foi exibido em São Paulo em uma ação conjunta na cidade entre o SESC e o Topázio Cinemas, uma parceria que ocorre pelo 3º ano consecutivo.

A abertura da Itinerância da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em Campinas ocorre na sede do SESC SP da cidade as 19h30 com a sessão gratuita do filme holândes A Montanha de Matterhorn na terça. De quarta a domingo, a programação continua no complexo do Topázio Cinemas no Shopping Prado.

header_mostra_37

Confira a programação completa a seguir e os respectivos endereços:

SESC/SP Campinas – Rua Dom José I, 270/333, Bairro Bonfim (entrada gratuita)

  • 26/11 — 19h30: A Montanha Matterhorn (Holanda)

Topázio Cinemas (Shopping Prado) – Avenida Washington Luís, 2480, Vila Marieta — Ingressos: R$ 3,00 (p/ associados SESC) — R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia)

  • 27/11 — 19h00: Jackie (Holanda / EUA)
  • 27/11 — 21h00: Bwakaw (Filipinas)
  • 28/11 — 19h00: La Jaula de Oro (México)
  • 28/11 — 21h00: Cães Errantes (Taiwan / França)
  • 29/11 — 19h00: Centro Histórico (Portugal)
  • 29/11 — 21h00: Meteora (Alemanha / Grécia)
  • 30/11 — 19h00: Run & Jump (Irlanda / Alemanha)
  • 30/11 — 21h00: Dark Blood (EUA / Reino Unido / Holanda)
  • 01/12 — 19h00: Marina (Bélgica / Itália)




ANÁLISE: Saturno em Oposição

25 04 2012

Saturno em Oposição começa estabelecendo o grande vínculo que o casal gay, Davide e Lorenzo, tem com o seu círculo de amigos que se reúnem frequentemente na casa dos dois. Essa relação sólida de amizade reúne casais heterossexuais e solteiros com suas respectivas personalidades e com as mais diversas profissões em meio a capital italiana.

Mas alguns amigos ganham mais destaque que os outros embora todos tenham a sua importância e sua função na narrativa. Antonio e Angélica, por exemplo, ganham o seu próprio arco narrativo por viverem um momento turbulento no casamento devido a um caso extraconjugal dele e que, posteriormente, desestabiliza toda a dinâmica dos encontros, uma vez que Lorenzo (o único entre os amigos que sabia até então da traição) sofre um mal súbito e é internado.

Temos então esse casal homossexual com uma sólida relação, tanto que Davide (o ator italiano Pierfrancesco Favino, com participações em Anjos e Demônios e Uma Noite no Museu) raramente deixa o hospital só para ficar o máximo de tempo possível ao lado do amado, já que o estado de Lorenzo é grave. Paralelamente, Angélica e Antonio vivenciam uma separação lógica, aceitável e compreensiva. E em ambos os casos, os amigos (em especial a amalucada Neval) tentam de todas as formas contornar as dificuldades e tranquilizar os ânimos dos envolvidos.

Mesmo abordando um assunto tão delicado, o roteiro de Saturno em Oposição ainda reserva momentos hilários ao longo de sua história, sem forçar muito para que determinadas situações aconteçam: desde as conclusões precipitadas da rebelde filha adolescente de Angélica e Antonio ou o típico pacto obscuro envolvendo comida dessa com o irmão caçula até uma conversa surreal que consegue comparar drogas e costura numa discussão.

O aparecimento do pai do Lorenzo também levanta outros importantes questionamentos a respeito de um relacionamento homossexual na sociedade moderna. O não reconhecimento da união homo afetiva perante a lei resulta em algumas dificuldades. Por exemplo, por não viver a muito tempo junto com o pai e responsável legal por ele no papel, os desejos de Lorenzo poderiam não vir a ser atendidos, só porque seus amigos (que tem plenos conhecimentos a respeito das virtudes do rapaz) não respondem juridicamente por ele.

Embora tenha seus problemas pontuais ao tentar estabelecer seus personagens nos momentos iniciais do longa, Saturno em Oposição é uma agradável mistura de uma discussão séria e necessária com outros momentos de bom humor, pinceladas com diversas questões contemporâneas do século XXI, contando com a colaboração precisa de seu elenco. E o filme, através de sua linda última sequência, consegue levantar a bandeira do otimismo e a certeza de que o tempo, ao seu modo, resolve eficientemente as nossas questões.

NOTA: 3/5





‘Senna’ ganha prêmio em Los Angeles

3 07 2011

O documentário Senna dirigido pelo inglês Asif Kapadia que narra a trajetória do piloto brasileiro de Fórmula 1, Ayrton Senna, de sua ascensão nas pistas, passando pela conquista do tricampeonato até a sua trágica morte no GP de Ímola em 1994, ganhou o prêmio de melhor filme estrangeiro, no domingo passado (dia 26/06) pelo júri popular no Festival de Cinema de Los Angeles.

O mesmo longa já conquistara, no início do ano, o prêmio de melhor documentário, também pelo júri popular do Festival Sundance.

De acordo com a editoria de cinema do portal Terra, o documentário vem sendo lançado comercialmente nos países presentes no circuito mundial de Fórmula 1: caso de Alemanha, Espanha, França, Itália, Japão, Turquia, além é claro, do Brasil. Por aqui, o documentário pode ser encontrado disponível em DVD e blu-ray para venda ou locação.





Google lança Street View no Brasil

30 09 2010

Após meses de trabalho, o Google Brasil lançou o serviço Street View disponível no site maps.google.com, que disponibiliza milhares de imagens das diversas ruas do país. Nessa primeira fase foram lançados dados fotográficos de ruas e avenidas de 51 cidades, mas o objetivo da empresa é mapear o Brasil inteiro, o primeiro da América do Sul a receber esse tipo de serviço.

imagePaíses como EUA, Canadá, México, Itália, Nova Zelândia já contam com o Street View. Aqui o usuário pode visualizar as imagens captadas por um conjunto de 9 câmeras dispostas especialmente sobre um carro adaptado (imagem ao lado) que percorre vários e vários quilômetros. Tudo isso interligado com o serviço do Maps Google, que calcula e indica distâncias escolhidas pelo usuário.

Se o serviço de imagens por satélite do site já era excelente, Street View brasileiro só vem a acrescentar e confirmar mais uma vez o pioneirismo do Google no quesito criatividade e um mundo, literalmente, de descobertas para o internauta mais curioso.








PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2017

Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Site com atividades e informações sobre a associação que reúne profissionais da crítica cinematográfica de todo o Brasil

Sinfonia Paulistana

um novo olhar

%d blogueiros gostam disto: