Mostra Internacional de Cinema SP 2014 | parte 2

25 10 2014

38-mostra-cinema-sp-300x194

O CÍRCULO (Suíça, 2014) – Às sombras do nazismo e sua repreensão sexual, um grupo de homossexuais consegue manter por mais de 25 anos um grupo fechado em Zurique, na Suíça, onde pudessem reunir-se naturalmente sem serem desrespeitados. Além de servir como ponto de apoio aos gays, O Círculo também possuía como principal atividade a manutenção de uma publicação homoerótica voltada para os membros (cujos endereços cadastrados eram requisitados pela polícia a todo o momento) e organização de um baile anual gay.

Entre seus membros estavam Ernst Ostertag, professor de uma escola para meninas e filho de pais extremamente conservadores e o cabeleireiro e drag queen Röbi Rapp, que tinha uma ótima aceitação por parte de sua mãe. O relacionamento entre os dois sobreviveu ao fim de O Círculo e do nazismo, ao mesmo tempo em que a união incentivou a criação de um novo grupo: Club 68.

A inclusão dos depoimentos dos verdadeiros personagens que inspiraram o longa o enriquece bastante, tendo o espectador uma mescla entre ficção baseada em fatos reais e documentário, o que também abrange a utilização de fotografias reais da época em P&B ou de fotos dos próprios Ernst Ostertag e Röbi Rapp com seus respectivos atores.

Quanto a dura realidade que enfrentaram nas décadas de 50 e 60, pouca se altera ao que é visto em pleno século XXI, principalmente no que se refere à Ernst que só veio assumir a sua condição após a morte de sua mãe, assim como os dois realizaram o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo da Suíça em 2003.

NOTA: 4/5

PAIXÃO MÓRBIDA (Japão, 1964) – Cores primárias vivas iluminam rostos de mulheres japonesas. Naquele beco escuro iluminado apenas pelas luzes de propagandas, elas esperam pelo próximo cliente, estáticas num canto qualquer. A inocente Yoshie de 19 anos caiu no mundo da prostituição meio que pelo acaso após conhecer Eiji num bar onde ela fazia o turno da noite.

A violência do homem a forçava a se prostituir para ajuda-lo a pagar uma dívida de jogos com a Yakuza. O amor que criava nela uma fidelidade irracional por Eiji (apesar de toda a estupidez dele) mais a truculência na forma de agir e cobrar da máfia japonesa impedia que ela pudesse abandonar essa sobrevivência humilhante. Nem mesmo com o surgimento de Fujii, um arquiteto bem sucedido e um cliente recorrente em busca de seus serviços sexuais disposto a quase tudo para tirá-la daquele beco.

A indecisão entre o desejo de uma nova vida próspera que tanto almejou e o sentimento de traição com um possível abandono de Eiji à sua própria sorte não é uma decisão fácil para Yoshie, um dilema que se repete várias vezes. Nem mesmo uma terceira escolha possível apresentada pelo desfecho demonstra alguma possibilidade de felicidade.

NOTA: 2/5

AS PONTES DE SARAJEVO (França, Bósnia, Suíça, Itália, Alemanha, Portugal, Bulgária) – Sarajevo, capital da atual Bósnia, foi o palco do gatilho inicial da Primeira Grande Guerra, conflito mundial cujo início completou 100 anos recentemente e que matou mais 19 milhões de pessoas.

Para realizar uma homenagem não oficial desta data, As Pontes de Sarajevo é constituído por treze recortes relacionados à cidade, direta ou indiretamente, a partir da visão de diretores diferentes. Exatamente por isso, os protagonistas desses microfilmes são tão diversos entre si: os militares são a grande maioria; a observação do cotidiano de Sarajevo sobreposta por imagens de homens armados possivelmente mortos; a discussão de um casal de certa idade sobre a Europa como um todo a partir da leitura de um livro ou narrações em primeira pessoa.

No entanto, a angústia e a tristeza são uma constante em todas as visões apresentadas. Mesmo nos dois últimos trechos que utilizam mais o humor em sua narração. Um belo apanhado de imagens a se contemplar.

NOTA: 4/5

A MOÇA, A BABÁ, O NETO BASTARDO E EMMA SUÁREZ (Espanha, 2014)– O filme espanhol de título quilométrico justifica o motivo de seu nome, já que cada personagem ali citado ganha a sua importância e possui o seu arco dramático, sendo todos protagonistas, exceto Emma Suárez, cuja citação funciona apenas como homenagem (e uma pequena participação) à atriz espanhola de extenso currículo.

A “moça” Júlia possui um bebê de menos de 1 ano de idade fruto de um estupro. Como trabalha todo o dia fora, ela tem confiança em Carol, a “babá”, uma jovem atriz em início de carreira que ainda enfrenta problemas de autoestima para se entregar por inteira em cima dos palcos. Com o nascimento do neto, a avó começa a visitar a filha com mais frequência. Uma aproximação que incomoda e muito Júlia, pois foi a justamente a ‘ausência’ da mãe que causou tantas mágoas ainda não superadas.

O filme espanhol funciona muito bem como uma contemplação dessas personagens e as suas respectivas buscas por uma resolução para os seus problemas. Mesmo quando não há uma. Em certos momentos, isso ocorre embrulhado por um silêncio absoluto. Também impressiona a forma que a produção atinge seus ápices dramáticos (sempre envolvendo mãe e filha) que ocorre de forma rápida e pungente.

NOTA: 4/5

AS NOITES BRANCAS DO CARTEIRO (Rússia, 2014) – A profissão de Lyokha proporciona um contato direto e diário com seus vizinhos, todos habitando às margens de um lago, ao norte da Rússia, que os separam do restante do mundo.

Em sua rotina, o carteiro atravessa esse lago constantemente em busca das correspondências e de outros produtos que alguém daqui venha precisar. Além de um mero entregador de cartas, esse senhor torna-se um grande amigo para todos aqueles que visita, principalmente com uma de suas ex-colegas de escola (sua eterna antiga paixão) e seu filho.

A partir do momento em que o motor de seu barco é furtado, Lyokha estreita ainda mais a sua relação com o garoto, numa das raras ocasiões em que algo se altera nessa distante comunidade. O carteiro ainda terá que enfrentar outra mudança mais significativa (ao menos para ele) por ali, quando então tudo continuará no mesmo ritmo. E este filme russo consegue retratar tais passagens sem se tornar entendiante.

NOTA: 3/5

Anúncios




Breves & Curtas #9: Festival É Tudo Verdade | Campinas

28 04 2014

A mais nova edição do Breves & Curtas traz a nossa cobertura especial do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade em sua itinerância por Campinas. A passagem do festival pela cidade do interior paulista e nessa semana por Brasília (de 30/04 a 04/05) e por Belo Horizonte em julho, traz os vencedores e os principais destaques produções das edições integrais do É Tudo Verdade que ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro no início do mês.

Os nossos textos durante os três dias em que estivemos na capital paulista pode ser visto nos links a seguir: dia 01, dia 02 e dia 03.

Vamos conferir agora o que vimos em Campinas:

etv2014

 

HOMEM COMUM (Brasil, 2013)  Vencedor do prêmio CPFL Energia / É Tudo Verdade: Janela para o Contemporâneo (melhor documentário brasileiro de longa/média-metragem

Utiliza das semelhanças de dois filmes – o dinamarquês Ordet (1955) e o americano Life, the Dream (2012) – para moldar o retrato de vida de um caminhoneiro e sua família durante quase 20 anos. Uma mescla interessante entre o que é real e o que é ficção.

NOTA: 4/5

SOBRE A VIOLÊNCIA (Suécia, EUA, Dinamarca e Finlândia, 2014) – Uma análise da violência a partir do colonialismo e, principalmente, quando esta surge com a descolonização. Aqui, países como Zimbábue, Moçambique, Angola, Guiné-Bissau são as grandes vítimas da opressão religiosa, militar, social e econômica dos países europeus, uma intervenção dizimadora de culturas.

Em troca de suas riquezas naturais, o povo explorado recebia miséria, pobreza, fome e desolação. Incisivo em suas denúncias, Sobre a Violência levanta outras questões interessantes: o prevalecimento de valores cristãos (tal como a supremacia do branco perante o negro) e do porquê as nações africanas não tiveram o seu devido ressarcimento tal qual as nações europeias após a expansão e extinção do nazismo no Velho Continente. Não se trata de uma questão financeira, mas sim de oferecimento de condições propícias ao próprio desenvolvimento da África: a lógica de menos comida e mais ferramentas.

O documentário de Göran Hugo Olsson ainda é corajoso em sua conclusão ao defender uma nova organização social mais humana, distanciando-se o máximo possível daquela propagada pelos europeus. Algo muito mais complexo do que a simples substituição do capitalismo pelo socialismo.

NOTA: 5/5

UM HOMEM DESAPARECE (Japão, 1967) – Um conturbado, complicado, burocrático e confuso documentário sobre uma única questão: por que, num país pequeno como o Japão, tantas pessoas desaparecem? A produção de Shohei Imamura persegue os passos de um homem que abandonando sua família e sua noiva.

A investigação tenta reconstruir os passos do desaparecido com as limitações tecnológicas da época sem nenhum registro eletrônico – seja de imagens de câmera ou de informações bancárias confiáveis.

Tudo é baseado 100% em entrevistas de testemunhas que por ventura tenham visto tal pessoa muito tempo depois dos fatos ocorridos. Um tempo o suficiente para que a memória apague qualquer detalhe mais preciso.

Embora entremos em contato com um lado desconhecido da sociedade japonesa (como a traição e a prostituição), a base da narrativa enfraquece completamente Um Homem Desaparece. Tanto pela mudança constante de foco da “investigação”, quanto pela perda de um longo tempo com discussões irritantes e banais entre acusado e acusador.

NOTA: 1/5

JASMINE (França, 2013) – Vencedor do prêmio de melhor documentário internacional de longa/média-metragem

Não foi só na política que França e Irã se relacionaram diretamente, uma vez que Paris foi refúgio do aiatolá Ruhollah Khomeini durante as Revolução Iraniana de 1979. Na mesma época e envolvendo os mesmos países está a história de amor entre o francês Alain e a iraniana Jasmine.

Para documentar esse conturbado relacionamento, que evoluiu e definhou tal como o estado político do Irã, entram em cena a leitura de cartas trocadas entre os dois, a animação em stop-motion (e seus bonecos de argila) e imagens de arquivo para registrar outra história de amor impossível. Mais uma entre tantas outras, mas contada de forma inesperada.

NOTA: 3/5

20 CENTAVOS (Brasil, 2014) – Com a transformação de celulares e smartphones em pequenas centrais de mídia, os protestos de junho de 2013 puderam ser vistos e compartilhados pelas redes sociais, onde coube a cada manifestante registrar em seu aparelho os gritos, os excessos da polícia, o vandalismo irracional de delinquentes encapuzados de uma manifestação plural e de múltiplos objetivos e interesses.

O documentário de 53 minutos de Tiago Tambelli nada mais é do que um apanhado geral dessas imagens (com uma qualidade melhor do que a de um celular), com poucos efeitos gráficos e envolto por trilha sonora. Apesar do ineditismo, de ser o primeiro produto audiovisual finalizado a menos de um ano dos protestos, a produção não acrescenta nada de novo aos olhos mais atentos que acompanharam a cobertura da mídia tradicional. Cobertura que utilizou fartamente dos aparelhos portáteis dos manifestantes.

NOTA: 2/5





ANÁLISE: Vidas ao Vento

20 03 2014

Realmente é uma pena que pessoas tão talentosas optem precocemente (na minha visão pelo menos) pela aposentadoria, em busca do merecido repouso. Conferir o último trabalho do mestre japonês de animações Hayao Miyazaki, Vidas ao Vento, só faz aumentar ainda mais o saudosismo que teremos do fundador do Studio Ghibli, que nos trouxe obras como A Viagem de Chihiro (vencedor do Oscar de melhor animação em 2003 e do Urso de Ouro do Festival de Berlim), Ponyo – Uma Amizade que veio do Mar e O Castelo Animado. Talento incomum que ainda faz da animação tradicional algo extremamente poético e encantador.  A intimidade desse cineasta com os traços a lápis cria a cada frame (não só nesse, mas em seus trabalhos anteriores também) uma imagem digna de ser emoldurada e eternizada na parede. Em Vidas ao Vento isso já é perceptível logo nas cenas iniciais, quando as luzes do sol ao amanhecer banham a paisagem bucólica de um vilarejo japonês.

Acompanhamos assim a história real da trajetória de Jiro Horikoshi, um menino apaixonado pela aviação. Manifestando-se já na infância, a miopia afastou esse pequeno sonhador de se tornar piloto profissional. Para não se afastar da área de atuação que tanto desejava, Jiro concentra todos os seus esforços para aquilo que sua visão lhe permite praticar: a construção de aviões. Uma obsessão que, nem o inglês das publicações voltadas para o assunto naqueles anos e nem a constante implicância de sua irmã caçula, conseguem atrapalha-lo.

A grande inspiração de sua vida na época, em meados da década de 1920, vinha da Itália e atendia pelo nome de senhor Giovanni Batista Caproni, o mestre em construção de aviões naquele tempo. Essa positiva influência é inserida na narrativa através dos sonhos de ambos, assumindo-se que aqueles que desejavam construir o “mais belo e perfeito avião” compartilhavam não só o mesmo objetivo, como também a área criativa em seu inconsciente. Desta forma, mesmo baseando-se em fatos reais que envolvem dois episódios tristes da Humanidade (as duas grandes guerras mundiais), Hayao Miyazaki permite-se construir aquilo que melhor sabe fazer: o fantástico. Tudo em meio a cálculos saindo da ponta do lápis e com a imaginação funcionando como o único simulador possível.

Até ver seu sonho concretizado, os problemas foram inúmeros. Assumindo o perfil característico do japonês com suas virtudes – inteligência, obstinação, honradez – o menino e agora homem, Jiro, exercita seus traços heroicos em alguns acontecimentos chaves da narrativa. Num desses trágicos momentos, ele encontra aquela que viria a ser o amor da sua vida, Naoko Satomi, quando um forte terremoto causa o descarrilamento do trem em que viajavam rumo a Tóquio. Jiro exerce continuamente o seu papel de salvador sem exigir nada em troca, muito menos reconhecimento. Mas a relação Jiro-Naoko só viria a ser concretizada anos a frente.

A genialidade de Jiro permanece mesmo dependendo  da precariedade da indústria japonesa no período: os aviões, por exemplo, eram puxados por vacas até a área de decolagem para testes. Muito diferente do que era desenvolvido pela Alemanha. Diferente de seus companheiros, Jiro era um curioso nato. Qualquer equipamento funcional merecia sua atenção, mesmo que aparentemente não tivesse relação alguma com a aviação. Até um simples pedaço de papel servia de inspiração para ele. Ao contrário de seus colegas engenheiros, Jiro frequentemente visitava as oficinas de montagem da Mitsubishi (empresa que trabalhava) demonstrando a sua humildade com os operários de lá e conquistando a admiração destes.

Se para atingir o sucesso profissional era preciso percorrer um caminho árduo, no campo afetivo as coisas também não foram assim tão fáceis. O namoro e o casamento com Naoko, cuja história se iniciou e se consolidou com um chapéu ao vento, só reservaria mais preocupações para Jiro. Assim como a mãe dela, sua amada sofria de tuberculose, que com o passar dos anos só vinha agravando o estado de saúde da jovem. Vidas ao Vento estabelece em seu decorrer essa relação dúbia na vida de Jiro: a busca pelo avião perfeito percorria uma linha ascendente, enquanto suas preocupações em relação a Naoko só aumentava.

Exatamente com essas dualidades que Vidas ao Vento nos conquista: tanto como estrutura, alternando entre o mundo real e o mundo dos sonhos – onde Miyazaki permite-se explorar o aspecto fantasioso inerente às suas animações, – quanto na trajetória pessoal de Jiro que experimenta duas sensações tão opostas quase que simultaneamente. Tentar compreender e sentir a satisfação de Jiro ao ver seu trabalho concluído e a tristeza e a dor que este sente com a partida de Naoko deixa qualquer coração despedaçado. Uma angústia em dobro proporcionada pela história e pela despedida de seu diretor, misturada com a alegria de poder conferir mais uma bela obra de Hayao Miyazaki. Os nossos sentimentos como espectador também são contraditórios!

NOTA: 5/5





Por US$ 4 Bi, Disney adquire a Lucasfilm

30 10 2012

Se o mercado cinematográfico estava há muito tempo parado, a Disney acabou de estremece-lo com o anúncio da compra da Lucasfilm, empresa fundada pelo criador da franquia de Star Wars, George Lucas.

O valor de pouco mais de US$ 4 bilhões se equipara ao valor da compra da Marvel pela empresa do Mickey em 2009, sem contar a aquisição dos estúdios de animação da Pixar em 2006.

Pode-se dizer que essa operação comercial trouxe consigo vários brindes rentáveis: a Disney terá a sua disposição, por exemplo, todas as tecnologias desenvolvidas pela Lucasfilm nos campos de som e imagem como o som THX, a Skywalker Sound, a Industrial Light & Magic, entre outras.

Da mesma forma a Disney incorporará ao seu imenso portfólio a imensurável franquia de Star Wars, que já ganhará de cara o seu sétimo filme, Star Wars: Episódio 7 previsto para já estrear em 2015. Com toda a força e experiência midiática da companhia criada por Walt Disney, Star Wars aumentará ainda mais o seu share no entretenimento mundial, já que seu conteúdo será adaptado aos parques temáticos da Disney nos EUA, França e Japão. Como o próprio George Lucas pode explicar: “Sempre acreditei que Star Wars poderia viver sem mim, e eu acho importante fazer essa transição enquanto estou vivo. Estou confiante que sob liderança de Kathleen Kennedy [atualmente vice, mas assumirá a presidência logo que a aquisição for efetivamente concluída], a Lucasfilm terá uma nova casa na Disney. Star Wars certamente viverá e prosperará por muito mais gerações. A experiência e alcance da Disney dará a Lucasfilm a oportunidade de vislumbrar novos caminhos na televisão, mídia interativa, parques temáticos, entretenimento ao vivo e produtos para o consumidor.”

Com informações do portal UOL e do site Cinema em Cena




‘Senna’ ganha prêmio em Los Angeles

3 07 2011

O documentário Senna dirigido pelo inglês Asif Kapadia que narra a trajetória do piloto brasileiro de Fórmula 1, Ayrton Senna, de sua ascensão nas pistas, passando pela conquista do tricampeonato até a sua trágica morte no GP de Ímola em 1994, ganhou o prêmio de melhor filme estrangeiro, no domingo passado (dia 26/06) pelo júri popular no Festival de Cinema de Los Angeles.

O mesmo longa já conquistara, no início do ano, o prêmio de melhor documentário, também pelo júri popular do Festival Sundance.

De acordo com a editoria de cinema do portal Terra, o documentário vem sendo lançado comercialmente nos países presentes no circuito mundial de Fórmula 1: caso de Alemanha, Espanha, França, Itália, Japão, Turquia, além é claro, do Brasil. Por aqui, o documentário pode ser encontrado disponível em DVD e blu-ray para venda ou locação.





ANÁLISE: Hanami – Cerejeiras em Flor

17 04 2010

Hanami conta a história de um casal bastante comum, com um relacionamento sólido, bem vivido e harmonioso. Juntos a um tempo considerável, Trudi e Rudi levam uma vida pacata e tranquila no interior da Alemanha.

Um dia, no entanto, Trudi descobre que seu marido possui uma doença terminal, restando poucos meses de vida. Então, ela é aconselhada pela equipe médica a realizar uma viagem, algo que fugisse da rotina do casal, cujo sugestão é acatada, mesmo com o mau humor característico (e ás vezes até divertido) de Rudi, que rejeita veementemente qualquer ‘aventura’ como esta.

Assim, eles decidem visitar seus filhos, todos já maiores de idade, em Berlim. Só que o que era para ser uma diversão, uma distração, acaba se tornando um grande incômodo para os filhos que com afazeres típicos de uma cidade grande, não dispõem de muito tempo para sairem com as visitas. E com a vida corriqueira, já não possuem nenhuma semelhança e nem mesmo saudades da vida pacata que provavelmente levavam com os pais e que estes ainda desfrutam.

Sentindo-se deslocada com essa situação, Rudi leva seu esposo para um lugar em que há anos não visitavam: a praia. E é na orla do mar Báltico que a história do filme ganha uma reviravolta… SE VOCÊ AINDA NÃO ASSISTIU AO FILME, O TEXTO CONTINUA COM SPOILERS, QUE PODE O DESAGRADAR. CONTINUE A LER ESSE TEXTO APÓS CONFERIR HANAMI – CEREJEIRAS EM FLOR.

SE VOCÊ JÁ VIU… CONTINUE CONOSCO —> … e a reviravlta do filme baseia-se na morte repentina de Trudi, que pega seu marido totalmente despreparado. Ela era aquela esposa realizada em seu casamento, que zelava pelo bem-estar do marido, ajudando-o em todos os detalhes em casa – que aguardava a chegada dele após o trabalho e lhe preparava o jantar, o auxiliava a vestir a blusa e o chinelo ao entrar em casa, a arrumar a sua marmita para o dia seguinte… – e sempre com aquela expressão serena no rosto, encarando tudo isso não como uma obrigação, mas realizada com esses gestos e demonstrações de carinho, pois a convivência dela com esse homem era a felicidade plena que encontrara na vida.

E no sepultamento da esposa ao conversar com uma conhecida da família é que Trudi atenta-se para um fato, para um desejo de Rudi que ele até tinha um certo conhecimento, mas que sempre renegava: a paixão de Trudi pelo butô (dança típica japonesa), o seu sonho em conhecer o Japão e o monte Fuji.

Arrependido por não proporcionar esse momento para sua mulher, Rudi decide viajar até o Japão – onde mora o seu filho mais velho, e que por ironia do destino nunca fora visitado pelos pais embora o desejo de Trudi fosse justamente o contrário –, levando consigo tudo aquilo que mais recordava sua esposa em seu íntimo: jóias, manta, roupas… É com esses objetos que Rudi tenta mostrar um pouco de Tóquio. Para ele, esses objetos representariam a presença de Trudi junto com ele.

E começa então suas investidas, suas aventuras pelas ruas dessa grande metrópole asiática que reserva lugares únicos em seus domínios. O lugar que se mais destaca em todo o longa são claramente as praças repletas de cerejeiras em flor, cerejeiras floridas marcando um período de grande confraternização entre os japoneses.

Num bosque da cidade, Rudi passa a conhecer You, uma menina de rua, que pratica todos os dias, solitariamente, o butô. Uma grande amizade floresce entre os dois, principalmente quando ela transmite a esse senhor todo o significado da dança japonesa (talvez Rudi mesmo pudesse transmitir esses mesmos conhecimentos no passado) e um pouco dos costumes e tradições do Japão quando passam a andar juntos por Tóquio.

Assim, nada mais normal que a história desenvolva-se para o seu ato final com a visita dos dois ao Monte Fuji, o ‘tímido senhor japonês’, que passa grande parte do seu tempo envolto por fortes neblinas. E são elas que obrigam You e Rudi a passar vários dias numa pousada tipicamente japonesa em um vilarejo muito próximo ao Monte.

Quando no amanhecer o Monte Fuji decide se exibir, esplendorosamente diga-se de passagem, Rudi encontra sua redenção num ato emocionante e singelo. Hanami – Cerejeiras em Flor é um desses filmes impactantes, persistindo por muito tempo na memória do espectador. Possui uma fotografia límpida, que retrata o passar do tempo como um folhear de álbum fotográfico, enaltecendo por sua vez, os contrastes e as belezas pelas cidades onde a história se desenrola, mas atinge o seu ápice nas lindas locações no Japão. E possui uma trilha sonora baseada principalmente na musicalidade envolvente desse país. Um belo filme portanto.

COTAÇÃO: 5/5





Invasão étnica no cinema

4 01 2010

Nesse domingo agora, já impossibilitado de assistir a sessão de Avatar na sala IMAX em São Paulo, fui conferir o mediano Sempre ao Seu Lado com Richard Gere.

Como sempre gostei de ser um dos primeiros a entrar, dessa vez não foi diferente. Fui o terceiro a entrar na fila que se formava alguns minutos antes da autorização do pessoal do cinema para a entrada na sala. No hall de entrada, formavam-se também outras filas para outras sessões.

Sala limpa e tudo pronto para entrarmos. A última sala a esquerda no longo corredor. Sala 5. Uma vez lá dentro, o usual: espectadores, sozinhos, em casal ou em família, começavam a entrar na sala. Com uma clara iluminação, eles vão entrando, subindo as escadas, escolhendo suas poltronas, acomodando-se. Até aqui nada de diferente.

Entretanto, havia algo estranho ali. Num momento inicial, não conseguia distinguir o que era. Mas algo me incomodova. Havia algo de diferente e demorei para identificar o que de fato era.

Sentado em uma das fileiras centrais da sala, numa poltrona que dividia ao meio essa mesma fileira reparei: do meu lado esquerdo, uma jovem japonesa conversava com o seu possível namorado. O assunto não era lá grande coisa – novelas do presente, do passado e do futuro. Sim, eles conversavam também sobre as próximas novelas da Globo. Uma delas até ambientada em São Paulo e que seria filmada próximo ao bairro dos pais de um deles; Do meu lado direito uma outra mulher vez um sinal com a mão – seu marido, grisalho, acabara de entrar na sala. Tinha ido comprar pipocas. Ela, uma japonesa.

Desviei o olhar deles e observei uma outra mulher, também acompanhada, sentada duas poltronas a minha esquerda na fileira da frente. Olhando-a apenas de perfil pude constatar pelo olhos puxados: mais uma japonesa. Lá embaixo, entrando na sala, um trio de senhorinhas com seus cabelos brancos, procuraram rapidamente as primeiras poltronas vazias que viram próximas a entrada– todas elas japonesas.

Pensei comigo: “Peraí, tem alguma coisa errada aqui!”, e lembrei, que havia dois pestinhas que não sossegavam atrás de mim na fila no hall de entrada do cinema e que eles também eram, adivinha? Japoneses! Nem tinha olhado para trás para verificar se os seus responsáveis também o eram. Incrível, nunca tinha visto tantos japoneses numa única sala de cinema. Estava no Japão e não sabia.

Ao final da exibição, tudo ficou um pouco mais claro. E não só pela claridade das luzes que se acendiam novamente. Sempre ao Seu Lado como devem saber é baseado numa história real, mas ao contrário do filme, adaptado para uma pequena cidade americana, o fato ocorrera no Japão, no início do século passado.

Justificada então essa pequena invasão japonesa.

P.S.: Mas isso não foi um caso isolado não. Horas antes na fila, lembro-me agora, para garantir a sessão de Avatar na sala IMAX para quarta-feira, havia mais japoneses na minha frente. Dessa vez uma família: pai, mãe e um casal de crianças. Todos descendentes da Terra do Sol Nascente.








PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2017

Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Site com atividades e informações sobre a associação que reúne profissionais da crítica cinematográfica de todo o Brasil

Sinfonia Paulistana

um novo olhar

%d blogueiros gostam disto: