ANÁLISE: Planeta dos Macacos – O Confronto

20 08 2014

Agora, a Golden Gate Bridge em São Francisco funciona como uma divisa entre dois territórios: de um lado, os símios estabelecidos em uma sociedade primitivamente constituída em meio a floresta e do outro, os homens imunes à substância AZL-113, vivendo nas ruínas de uma São Francisco de fazer inveja à Nova York sitiada vista em Eu Sou a Lenda.

Tal situação estende-se há mais de 10 anos, sendo que nos dois últimos não houve nenhuma interação direta entre humanos e macacos. O grupo liderado por Cesar (Andy Serkis, ator que é sinônimo da tecnologia de captura de movimentos no cinema, desempenhando a mesma função na trilogia de O Senhor dos Anéis e na refilmagem mais recente de King Kong) mantem o progresso cognitivo de sua espécie observada em Planeta dos Macacos – A Origem, aprimorando a comunicação entre si através da língua de sinais e aperfeiçoando gradativamente a habilidade da fala e como também aprendendo a domesticar outros animais, já que surgem em muitas vezes montados em cavalos. O diretor Matt Reeves (que também dirigiu os filmes Cloverfield: Monstro e Deixe-me Entrar) acerta em pontuar os momentos de maior intensidade dramática do filme em Cesar e suas respostas monossilábicas, algo já visto no primeiro filme de 2011.

No grupo dos humanos, muitos rostos conhecidos vindos das séries americanas: Keri Russell (Felicity e The Americans) como Ellie, Kirk Acevedo (Fringe e Oz) como Carver, além do adolescente Alexander (Kodi Smit-McPhee, de A Estrada e da animação ParaNorman), liderados tanto por Dreyfus (Gary Oldman, da trilogia O Cavaleiro das Trevas ou  o Sirius Black da cinessérie Harry Potter) quanto por Malcolm (Jason Clarke, de A Hora mais Escura e O Grande Gatsby). Todos estão prestes a ficar sem energia e a única solução plausível é uma antiga represa cuja proximidade com o território comandado por César será a causadora dos conflitos vistos nessa continuação.

Ambos os lados apresentam suas próprias razões para se oporem ao restabelecimento de contato entre as espécies: o símio Koba (criado a partir da captura dos movimentos de Toby Kebbell, de O Conselheiro do Crime e Cavalo de Guerra), por exemplo, carrega cicatrizes pelo corpo que o recordam, a todo instante, o tempo em que esteve junto com os humanos e daí a sua revolta com a liderança pacificadora promovida por Cesar. Já Carver, por sua vez, traz consigo toda a intolerância e indiferença inerentes à Humanidade no que se refere as ditas “raças inferiores”, sempre subjugando-as por meio da força e da violência. Só que dessa vez, Cesar, Koba, Maurice e companhia bela não tem mais nada de inferioridade…

Apesar do enredo bem desenvolvido e composto por inúmeras boas sequências de ação – como aquela na qual os macacos atacam o refúgio humano com um tanque de guerra ou mesmo o lado circense de Koba em enganar os homens – Planeta dos Macacos – O Confronto peca mesmo por se acomodar na resolução de seus conflitos, não inovando e decidindo-se enveredar por caminhos óbvios, já vistos fartamente em outras produções. O longa não esconde e nem disfarça as possíveis alianças e traições de um grupo e de outro que vão conduzir ao seu desfecho. Como destaque mesmo temos a sabedoria de Cesar, ciente de que os humanos não perdoarão este confronto, funcionando como um ótimo chamariz para a terceira parte dessa nova refilmagem prevista para chegar aos cinemas em 2016. Só a empolgação pela nova continuação que poderia ser maior.

NOTA: 3/5

Anúncios




A Terra-média real

6 01 2013

Com a estreia mundial em dezembro de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, de Peter Jackson, na Nova Zelândia, uma viagem ao país da Oceania tornou-se o desejo de muitos fãs ao redor do mundo. Afinal, quem não quer viver a experiência de pisar na Terra-média?

O Universo E! lista para você, caro leitor, os destinos mais procurados da Nova Zelândia devido aos sucessos da trilogia O Senhor dos Anéis e de O Hobbit.

Portal de entrada de Hobbiton em Matamata

Portal de entrada de Hobbiton em Matamata

HOBBITON – Perto de Matamata, uma cidadezinha pitoresca há duas horas e meia de Auckland (a maior cidade da Nova Zelândia e o portal de entrada para a Terra-média), os visitantes podem curtir uma visita monitorada à fazenda que serviu de set de filmagens para os filmes.

Escondida entre colinas espetacularmente verdes, a área preserva as locações do Dragão Verde, as mais de 30 tocas de hobbits, entre outras edificações, que serviram de pano de fundo para a construção do Condado, tanto na trilogia O Senhor dos Anéis, quanto em O Hobbit.

A região ainda oferece outras facilidades para os visitantes: cafeteria e um espaço apropriado para conferências também fazem parte da Terra-média neozelandesa.

A cidade de Queenstown ao entardecer!

A cidade de Queenstown ao entardecer!

QUEENSTOWN – Qualquer razão será boa o suficiente para visitar Queenstown, localizada na Ilha Sul da Nova Zelândia. Mas uma aventura sobre quatro rodas através da Terra-média é a melhor de todas.

Os turistas encontrarão aqui as mais lindas paisagens utilizadas na trilogia. Para ajudar, a Nomad Safaris oferece dois tours diferentes, feitas especialmente para os fãs.

O ponto alto do passeio são os guias. Como muitos foram figurantes na época das filmagens, eles tem uma alegria imensa em compartilhar tudo o que as estrelas do elenco faziam enquanto filmavam na região.

Escultura de Gollum dá as boas vindas para quem chega no aeroporto de Wellington

Escultura do Gollum dá as boas vindas para quem chega no aeroporto de Wellington

WELLINGTON – Todo mundo que chega a capital da Nova Zelândia, localizada no extremo sul da Ilha Norte do país, logo se apaixona pela diversão, comida e imersão ao mundo da moda que a cidade proporciona.

Conhecida por muitos como ‘Wellywood’ devido ao crescimento da indústria cinematográfica, impulsionada claro pela saga épica de J. R. R. Tolkien nos cinemas, os turistas podem desfrutar de um dia inteiro de passeio organizado pela Wellington Rover Tours, descobrindo os segredos dos filmes.

Falando em segredos, a Weta Workshop, empresa criada especialmente para a difícl tarefa de criar a Terra-média através dos efeitos especiais e que tornou-se referência mundial no assunto tendo ainda no portfólio filmes como Avatar e King Kong, instalou na cidade a Weta Cave, que revela os bastidores da empresa com vídeos com entrevistas de seu co-fundador Peter Jackson, entre outros funcionários, e um mini-museu com armas e adereços utilizados na trilogia do Um Anel.

CHRISTCHURCH CANTERBURRY – A região de Canterburry abrigou diversas locações da trilogia, assim como filmagens de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada ocorreram próximas da Cook Mountain, na mesma área. A Cook Mountain possui ainda o pico mais alto da Nova Zelândia: o Aoraki, que numa tradução livre significa ‘o furador de nuvens’, que possui 3.754 metros.





ANÁLISE – Planeta dos Macacos – A Origem

11 09 2011

Olhos Brilhantes é uma símia cobaia sob os cuidados da Gen Sys e seu pesquisador Will Rodman (James Franco, 127 Horas) que desenvolvem uma substância com a finalidade de tratar doenças mentais como o Alzheimer. Além da aparente cura, a AZL 112 como é chamada essa substância, também aumenta a capacidade cognitiva do cérebro, tornando os animais que se submetem ao tratamento mais inteligentes.

No dia da demonstração do avanço atingido pelo tratamento com Olhos Brilhantes – o que alçaria a aplicação da AZL 112 em humanos, a macaca tem um inesperado ataque de fúria, destruindo grande parte do prédio da empresa e por conseguinte, suspendendo definitivamente o desenvolvimento da pesquisa e todos os animais envolvidos são sacrificados.

Entretanto, o comportamento anormal de Olhos Brilhantes é explicado por algo que os cientistas encontram na jaula dela: um filhote recém-nascido. Pela sua raça desenvolver muito pouco a barriga, os cientistas não desconfiaram da gravidez dela. Essa é uma ponta que o roteiro de Planeta dos Macacos deixa solta já que o projeto poderia ter continuidade, e não ser encerrado bruscamente como foi, já que seria plausível a explicação do comportamento de Olhos Brilhantes como instinto materno e não como efeito colateral da nova droga.

Como único animal sobrevivente, o filhote de Olhos Brilhantes é levado para a casa de Will e é nesse ambiente que Cesar, como passa a ser chamado, cresce e se desenvolve, demonstrando um outro lado da AZL 112 até então desconhecido: as habilidades adquiridas pelos animais sob a influência da substância são transmitidas geneticamente para os seus descendentes. Cesar, assim, mostra uma excepcional capacidade de se comunicar  através da linguagem dos sinais e realizar associações através da memorização, algo inerente apenas aos humanos.

A obsessão de Will pelo projeto é explanada subjetivamente por sua relação com o pai, Charles Rodman (John Lithgow, Dexter e Shrek) portador de doença mental e responsável pelo nome dado ao novo integrante da família:  o pai de Will tinha no momento uma fascinação pelo famoso personagem da obra de Shakespeare. Digo subjetiva pois o roteiro não esclarece se é realmente devido ao pai que Will se envolveu no projeto ou tudo não passou de uma mera coincidência.

Ainda desiludido com destino dado ao seu projeto, Will clandestinamente utiliza seu pai como cobaia. Com os bons resultados a primeira vista fazem Will reativar o projeto na empresa com o auxílio de Steven Jacobs (papel de David Oyelowo, de O Último Rei da Escócia), mas em seguida, todo o projeto teve de ser refeito. Embora a substância funcionasse nos primatas, o mesmo não ocorria nos humanos. Foi constatado uma melhora significativa nos primeiros dias, mas a doença logo voltava e em um estágio pior do que o inicial.

Essa piora, essa regressão do estado de Charles que faz iniciar um tumulto com o vizinho e Cesar reage violentamente em defesa a Charles. E sendo julgado como um perigo a vida em sociedade, Cesar acaba sendo aprisionado num abrigo para macacos.

Sentindo-se abandonado pela ‘família’ e sofrendo maus tratos constantes nesse abrigo, Cesar começa a utilizar de sua avançada inteligência numa espécie de rebelião para garantir a sua liberdade e a dos demais macacos presentes no recinto. Para tanto, ao descobrir a fabricação de uma nova substância, AZL 113 pela Gen Sys (outros macacos estavam sendo levados a empresa como cobaias), Cesar foge do abrigo para utilizar a droga nos companheiros e por em prática sua fuga.

A AZL 113 torna-se responsável pela ascensão do planeta dos macacos. Da mesma forma que torna os primatas mais inteligentes, a substância é extremamente letal aos seres humanos como pode ser visto no sofrimento de um dos colegas de Will que teve uma mínima exposição à ela no laboratório. E com a arte nos créditos finais percebemos o quão rápido o domínio dos macacos se espalhou pelo planeta.

Com uma história empolgante e muito bem contada, Planeta dos Macacos: A Origem torna-se uma boa opção de entretenimento. James Franco, ao que o roteiro lhe reserva, cumpre muito bem o seu papel de cientista, obscurecendo todo o (diminuto) desempenho de Freida Pinto (Quem Quer ser um Milionário?), que interpreta o seu par romântico, a coadjuvante Caroline Aranha e que não se encaixou bem na trama. Por outro lado, temos mais uma excelente performance de Andy Serkis (trilogia O Senhor dos Anéis, King Kong) em mais um personagem criado a partir da captura de seus movimentos.

NOTA: 4/5





O que dizer… Sherlock Holmes

28 01 2010

O QUE DIZER… É UMA VERSÃO MAIS COMPACTA DAS ANÁLISES FEITAS AQUI NO UNIVERSO E! SÃO BREVES COMENTÁRIOS DOS FILMES VISTOS RECENTEMENTE.

Sherlock Holmes com Robert Downey Jr e Jude Law não é aquele filme imperdível. É um bom passatempo. Um bom divertimento. É interessante o modo como o filme traz para tela um dos personagens mais famosos da literatura policial, criação de Sir Arthur Conan Doyle.

Para quem já leu ou ainda lê os livros do detetive, é gratificante observar a cada momento na projeção, uma pitadinha de todos os nuances desse personagem fascinante (embora jamais imaginarei Sherlock Holmes, em minha leitura, à imagem e à semelhança de Robert Downey Jr).

E concordo com o que tenho lido na web, de que Downey Jr traga todo o cinismo característico de Holmes para a telona. Há algum ator em evidência atualmente que tenha mais cara de cínico que RDJ? E vê-lo construir, ao longo da projeção, esse personagem idealizado por Guy Ritchie, talvez seja o ponto mais evidente do filme. E não é a toa que Robert tenha sido premiado como a melhor atuação em filme cômico/musical no Globo de Ouro 2010 – merecido, porém totalmente inesperado, até pelo próprio ator.

A história contada aqui é cheia de reviravoltas, com seus nuances que beiram o sobrenatural – lembrando vagamente a história contada pelo livro O Cão dos Baskervilles –, mas que de modo algum vá interferir na apurada observação e na constante racionalidade de Sherlock Holmes, que desacredita completamente em algo do gênero.

Guy Ritchie traz um novo Sherlock Holmes, reinventando-o em uma nova roupagem, com muito mais ação, mais pop, mais dinâmico e mais atual. Uma boa tentativa de renovar o interesse pelo personagem, de trazer uma outra perspectiva para o detetive para essa nova geração.

Com um enredo mediano, algo que me incomodou muito nesse longa foi o desenvolvimento computadorizado, tanto dos efeitos quanto da ambientação de época de Londres. A construção do ambiente urbano histórico da capital inglesa me pareceu muito falso, muito irreal. Incomparavelmente inferior, por exemplo, ao que vemos da Nova Iorque construída por Peter Jackson no mais recente King Kong. A todo momento tem-se a impressão de que aquilo tudo foi realmente construído sob uma tela verde. Uma grande sensação de falsidade.

Sem falar que, em dois momentos de grande ação no filme, os efeitos especiais deixam muito, mas muito a desejar mesmo! Indignos de um filme em pleno século 21, de um filme contemporâneo a Avatar.

Válida a repaginação desejada por Guy Ritchie, embora a história tenha seus bons momentos nas atuações convincentes de Robert Downey Jr e Jude Law, mesmo envoltos numa burocática história ambientada pessimamente em uma Londres do século passado.

COTAÇÃO: 2/5.








PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2019

Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Site com atividades e informações sobre a associação que reúne profissionais da crítica cinematográfica de todo o Brasil

Sinfonia Paulistana

um novo olhar

%d blogueiros gostam disto: