ANÁLISE: As Vantagens de ser Invisível

17 11 2012

Se já não são poucos os problemas que enfrentamos na fase da adolescência (e quem já passou por isso sabe), imagine você ser introvertido, tímido, dificultando a criação de novas amizades. Para complicar ainda mais, o início de um novo ano letivo o forçando a ir uma nova escola e ainda carregar dois fortes traumas com tanta pouca idade. Imaginou? Essa é uma rápida descrição do que Charlie (Logan Lerman, Os Indomáveis e Percy Jackson e o Ladrão de Raios), protagonista de As Vantagens de ser Invisível, vem passando.

A apresentação geral da história e dos personagens em si não sai do lugar-comum, usando o velho artifício de narração em off, enquanto as sequências na tela a exemplificam. Recurso bastante utilizado também ao longo da narrativa, quebrando o seu desenvolvimento e dificultando a imersão do espectador na produção.

Em meio a toda essa mudança, Charlie consegue o apoio de um grupo de veterano da escola de ensino médio, os chamados descolados, o acolhendo em seu círculo de amizade. Aqui estão inseridos outros destaques do elenco: Patrick ou o Nada (Ezra Miller, do polêmico Precisamos falar sobre Kevin e Confusões em Família) e Sam (Emma Watson, da cinessérie Harry Potter e do inédito Noah), que durante todas as idas e vindas da história não se sobressaem com seus personagens, principalmente para a atriz que estudou em Hogwarts. Já Ezra tem uma forte presença em tela mais como resquício do problemático Kevin (já citado ali em cima) e menos pelo descolado Patrick.

As Vantagens de ser Invisível traz sem nenhuma ousadia os principais problemas dos adolescentes: o bullying, os primeiros amores, a difícil tarefa de aceitar e ser aceitado num grupo de jovens, a intolerância a homossexualidade, as desilusões amorosas, os esforços nos estudos para se conseguir uma vaga numa boa universidade mesmo não tendo a mínima noção de qual carreira seguir. Ou seja, os mesmos temas inerentes a toda juventude mas já explorados com muita mais habilidade e sensibilidade por outros filmes de semelhança temática anteriormente.

O que não torna o filme de Stephen Chbosky (criador da finada série Jericho) uma experiência tola é o suspense em torno do trauma vivido por Charlie. Toda essa expectativa é criada através de vários flashbacks da infância de Charlie ao longo da trama, demonstrando uma forte afeição a uma tia, e também pela constante preocupação de sua família temendo que o caçula tenha uma recaída e volte a piorar.

A revelação em si é convincente devido as circunstâncias em que ocorreram, tornando-se um fato preponderante para o desencadeamento dos acontecimentos posteriores. E por ter ocorrido justamente na infância de Charlie, isso realmente ganha uma imensa proporção aos olhos de uma criança.

Uma angustiante retrospectiva de imagens da vida do rapaz aliada ao sentimento de perda com a separação iminente dos amigos formandos indicaria um retorno de Charlie à depressão, o que felizmente não ocorre. Isso nada mais é do que fruto do grande aprendizado vivido por ele nesse ano abordado por As Vantagens de ser Invisível, que vem com a pretensão de ser cult, mas não atinge a graciosidade dos representantes desse gênero.

NOTA: 3/5

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Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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