ANÁLISE: Trapaça

17 02 2014

A cena de abertura de Trapaça explica muito bem porque Irving Rosenfeld (Christian Bale, trilogia O Cavaleiro das Trevas e O Vencedor) obteve tanto sucesso em seu ramo de atividade, a aplicação de golpes financeiros. Profissionalmente, ele tem a mesma paciência e a mesma preocupação com os mínimos detalhes que utiliza para esconder sua calvície.

Com a capacidade de enganar as pessoas desde criança, época em que quebrava vitrines alheias propositalmente para ajudar a vidraçaria de seu pai, Irving vê nas falcatruas que aplica uma pura questão de sobrevivência, onde simplesmente não tem ou não consegue obter outro modo de viver. Ciente da importância dessa discrição, ele sabiamente mantem sua esposa Rosalyn Rosenfeld (Jennifer Lawrence, da franquia Jogos Vorazes e de Inverno da Alma), pois seu comportamento bipolar e seu temperamento explosivo colocaria tudo a perder.

A parceira ideal para o mundo da trapaça Irving encontra em Sydney Prosser (Amy Adams, O Homem de Aço e Encantada), uma mulher sedutora que utiliza todo o seu charme para atrair cada vez mais clientes desesperados. Um charme que, aliado ao seu forjado sotaque britânico, atribuía um aspecto multinacional e legítimo à parceria desenvolvida por eles, resultando num aumento das cifras obtidas no final do ‘expediente’.

O círculo da trama apresentada por David O. Russell (que já trabalhou com boa parte do elenco deste longa em seus projetos anteriores como O Vencedor e O Lado Bom da Vida) se encerra com a participação de Bradley Cooper (Se Beber Não Case e O Lugar onde Tudo Termina) no papel de Richie DiMaso, o agente do FBI responsável por prender Irving e Sydney em flagrante. Ao invés de condená-los, Richie quer a cooperação do casal golpista na aplicação de mais quatro armações afim de pegar o maior número possível de estelionatários, incluindo aí políticos e grandes nomes da máfia americana envolvida nos jogos existentes na costa oeste americana.

Obcecado por um resultado vultuoso de sua operação, o que lhe garantiria um lugar de destaque dentro do FBI e não apenas um mero cargo administrativo dentro da agência, Richie não poupa e nem energia para que os corruptos venham a tona. Assim temos a sequência que abre o filme com o trio – Irving, Sydney e Richie – em uma reunião com o prefeito Carlito Polito (Jeremy Renner, Os Vingadores e Guerra ao Terror), onde tentam se utilizar da reconstrução de Nova Jersey para uma arrecadação irregular de milhões de dólares.

Se antes era previsto apenas o envolvimento de personagens de prestígio da política americana (senadores e congressistas), a aproximação exagerada com a máfia americana dos jogos de azar acaba exigindo passos mais elaborados e caro (com o aluguel de jato executivo e andares inteiros de hotéis luxuosos) do FBI, algo que Richie consegue a duras penas e com muita, literalmente, luta. Mas nem toda essa sofisticação foi capaz de enganar o ‘poderoso chefão’ dos jogos, o senhor Victor Tellegio (Robert De Niro, Os Bons Companheiros e Última Viagem a Vegas), que astuto e desconfiado, descobre a farsa do árabe mexicano. E como o próprio personagem de Bale afirma, essa descoberta os colocam em algo muito pior que a cadeia.

Trapaça cria um mergulho incrível do espectador na década de 70. Imersão que se inicia já com a exibição retrô do logo da Columbia, passa pela cena mais clichê possível dentro de uma danceteria com os passinhos à la John Travolta e chega ao figurino, que uso de decotes abusivos, tanto femininos quanto masculinos, e que se encaixam perfeitamente nas belas silhuetas de Amy Adams e Jennifer Lawrence.

Jennifer, aliás, que faz jus a sua indicação ao Oscar ao incorporar toda a explosão temperamental de Rosalyn, uma mulher que acredita piamente ser a responsável pela resolução de toda a trama, sendo que o máximo que conseguiu foi deixar ela, o filho e Irving jurados de morte. Mas o seu talento não para por aí e são memoráveis as cenas de humor por ela protagonizadas, principalmente na hora de manusear um ‘forno científico’ que “tira nutrientes da comida e ainda ateia fogo na casa”; o embate com Amy Adams no banheiro feminino ou todas as tentativas de atrair a atenção de todos, negativamente, nas confraternizações que o marido frequenta. Nesses momentos entendemos o porquê de Irving mantê-la afastada de tudo.

Com toda essa investigação, Richie equivocou-se em apenas uma atitude: a de confiar plenamente em Irving. O personagem de Christian Bale não se sentia nem um pouco a vontade de, lentamente, ir delatando seus companheiros para o FBI, principalmente o prefeito de Nova Jersey, quem considerava muito. E ser jurado de morte foi a gota d’água. Como bom trapaceiro que sempre foi e sem a possibilidade de voltar ao passado depois de tudo que fez, Irving trabalha sorrateiramente para amenizar tudo aquilo que causou, direcionando os passos da investigação para aquele que menos culpa teve: o cabeça por trás da operação, Richie. Um desfecho que ocorre abrupto demais.

Observa-se em Trapaça uma excelente escolha para uma sessão dupla com O Lobo de Wall Street, que abordam dois temas praticamente idênticos (golpes financeiros), mas trazem protagonistas de perfis complemente diferentes: aqui David O. Russel vem com um Christian Bale comedido e pés no chão, enquanto Martin Scorsese nos traz um excêntrico Leonardo DiCaprio. Ambos longas trazem coadjuvantes competentes, embora estes adquiram um valor narrativo bem maior do que o observado em O Lobo de Wall Street, até mesmo por estarem em menor quantidade e pela menor ambientação geográfica da história de Trapaça, onde a interação com a história principal é maior. Se em 2013 tivemos um insosso O Labo Bom da Vida, 2014 temos razões melhores para torcer pelo filme de David O. Russell no Oscar.

NOTA: 4/5

 

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ANÁLISE: O Lobo de Wall Street

1 02 2014

Quem tem dinheiro, tem tudo, inclusive a possibilidade de financiar uma vida desvairada a base de muito sexo e drogas. A nova parceria entre Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese (uma longa parceria que desde 2002 já rendeu filmes como Gangues de Nova York, O Aviador,  Os Infiltrados e Ilha do Medo) retrata bem essa afirmação ao acompanhar a trajetória de Jordan Belfort, um cidadão trabalhador como qualquer outro, que planeja dar uma guinada no  rumo da sua vida ao entrar para o ramo financeiro exercido na Wall Street.

A primeira incursão nessa área tem como líder um excêntrico investidor, uma pequena participação de um igualmente estranho Matthew McConaughey (do inédito Clube de Compras Dallas, Magic Mike ou pode ser visto também na nova série da HBO True Detective), que surge em uma participação memorável e hilária, mesmo ocupando pouco tempo em tela. Após seis meses trabalhando como operador telefônico na agência, Jordan consegue finalmente ser promovido a corretor autorizado. Uma ascensão que vem conjuntamente com a falência da agência de investimentos.

Como o próprio Leonardo DiCaprio trata de nos explicar, já que seu personagem dirige-se diretamente para a câmera (e como o próprio filme revelara em seu início), essa falência nada mais é do que um pequeno empecilho em sua trajetória para uma fortuna invejável. Um caminho que começa a ser percorrido numa agência de investimentos amadora – quase uma sub-NASDAQ -, que consistia em vender ações de pequenas empresas tecnológicas de fundo de quintal, mas extremamente atraentes para pequenos e ignorantes investidores. Um curto período de tempo é o suficiente para acumular uma notória quantia de dólares, que aliada aos amigos desmiolados de Jordan, o ajudam a formar a Stratton Oakmont.

Diferentemente de outras empresas sérias do setor, todo o alicerce da Stratton Oakmont foi construído sobre a mais suja especulação financeira. Empresas de ramo e rumo duvidosos tinham suas ações vendidas pelo telefone através de técnicas de persuasão ensinadas a exaustão pelo seu líder no início de cada expediente. Era nesses momentos de discurso que a atuação de Leonardo DiCaprio surgia em uma inacreditável mescla de insanidade e entusiasmo, algo que poucos atores conseguiriam construir e sem dúvida um desempenho digno de Oscar.

Em muitos momentos ao longo de suas três horas de duração, O Lobo de Wall Street flerta com cenas dignas do besteirol americano, tendo-se apenas uma milionário diferença no poder aquisitivo dos personagens deste longa para aqueles presentes no combalido gênero comedista. Exagerando em certas sequências de considerável mau gosto, Scorsese tem em mãos um ótimo elenco coadjuvante para lidar com as bizarrices (no bom sentido) contidas no roteiro escrito por Terence Winter (das séries Boardwalk Empire e Família Soprano), além do ótimo timing cômico até então desconhecido de DiCaprio. Johan Hill (É O Fim e Anjos da Lei) se destaca entre os componentes da ‘gangue do hospício financeiro’ que é a Stratton Oakmont, os serviços externos operados por Jon Bernthal (o Shane de The Walking Dead) , Naomi – a nova e gostosa esposa de Jordan – interpretada por Margot Robbie (Questão de Tempo e da série Pan Am) e sua tia Emma (Joanna Lumley, A Noiva Cadáver e 007 – A Serviço de sua Majestade) e Jean Dujardin (O Artista e Caçadores de Obras-Primas), que empresta todo o seu charme e carisma ao bancário suíço Jean Jacques, além do agente do FBI Patrick Denham (Kyle Chandler, das séries Early Edition – A Edição do Amanhã e Friday Night Lights e dos filmes Argo e A Hora mais Escura), que tem a rara chance de desmantelar as falcatruas da agência financeira e desmascarar Jordan.

O recorte dinâmico entre todas essas situações não deixa O Lobo de Wall Street cair no ostracismo, mantendo vivo o interesse do espectador ao abordar o declínio do estilo de vida de Jordan, que vê as investigações do FBI o cercando cada vez mais, ao mesmo tempo que suas tentativas de suborná-los não surte o efeito desejado e os demais problemas que surgem após a tentativa de esconder sua fortuna em solo suíço. Na derrocada, Leonardo DiCaprio consegue esconder muito bem o nervosismo de seu personagem em público ou diante das autoridades, um contraponto interessante de se perceber em relação ao seu descontrole total após receber o pedido de divórcio de Naomi, que resulta numa discussão acalorada entre o casal.

A experiência (e que experiência, diga-se de passagem) de Martin Scorsese mais o talento e a competência dos elencos, principal e coadjuvante, evitam que O Lobo de Wall Street torne-se uma experiência massante para o seu espectador que tem diante de si um filme longo, mas suportável, só que com menos brilho de outras obras assinadas por Scorsese. Talvez sejam os erros cometidos na execução das filmagens que realcem tanto o excepcional desempenho de DiCaprio na pele de Jordan Belfort. Um destaque precioso e essencial para, quem sabe, a conquista de seu primeiro Oscar de sua carreira.

NOTA: 3/5





ANÁLISE: O Grande Gatsby

9 07 2013

O Grande Gatsby demonstra como o amor pode exercer forte influência na vida de alguém tanto para o bem, quanto para o mal. Como amor pode te levar a conquistar algo incrível, mas também pode te levar ao completo fracasso, ao desperdício de uma vida.

Narrado a partir do ponto de vista de Nick Carraway, um personagem que sofre com a apatia em tela de Tobey Maguire (da trilogia Homem-Aranha e Entre Irmãos), que não transmite qualquer tipo de energia à ele com uma atuação extremamente apagada e esquecível e isso acaba influenciando diretamente a fraca primeira metade do longa de Baz Luhrmann (Moulin Rouge – Amor em Vermelho e Austrália), sem fascinar o espectador sobre sua história de vida, contaminando assim toda a obra.

Em uma histérica Nova York de 1922 com sua elite nadando à grandes braçadas em rios de dólares, Nick nos apresenta um casal de conhecidos seus: Daisy (Carey Mulligan, Drive e Não me Abandone Jamais) e Tom Buchanan (Joel Edgerton, A Hora mais Escura e na animação A Origem dos Guardiões) que sofrem com a falta de amor no relacionamento – agravado pelo caso latente de traição do marido, até receber o inesperado convite para uma das espetaculares festas realizadas na mansão vizinha à sua residência. Mansão onde residia, claro, Gatsby. Essa demora em revelar o personagem principal (que não era segredo algum para os espectadores mais antenados) só prejudica o filme ao deixar a responsabilidade de condução da história sobre os ombros de Maguire.

O repentino carisma que Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio, A Origem e Os Infiltrados) passa a demonstrar por Nick, seu ‘old spot’, ocorre por puro interesse pessoal: se aproximar por Daisy, o grande amor de sua vida. Não só se tornar amigo íntimo de Nick, mas as festas promovidas por ele, a mansão escolhida estrategicamente, o seu estilo de vida, tudo o que diz respeito a Gatsby é de tal forma com o único intuito de ter novamente Daisy em seus braços, o que a vida e o seu passado humilde não permitiram.

Embora megalomaníaco, o plano de Gatsby chega muito próximo de seu objetivo e só não atinge o sucesso por sua culpa e de seu orgulho e a forma como isso é demonstrado no filme é decepcionante: ou devido a história original (de autoria de F. Scott Fitzgerald com a qual não tive contato anteriormente), ou por erro de adaptação mesmo. Mas como dizem, o filme tem que caminhar por si mesmo, acredito muito na última opção.

Se a história quase não rende, figurino e direção de arte são bastante elogiáveis ao retratar os modos e cotidiano americano da década de 20 – enquanto o primeiro não perdeu a oportunidade de realizar um belíssimo trabalho nas cenas de festas na grande residência de Gatsby ao vestir os inúmeros convidados, o segundo sabe contrastar muito bem o velho com o novo: nesse caso os logotipos em preto-e-branco no início do longa com a tecnologia em 3D. Já a forma de se abordar o aspecto das três dimensões ao longo da narração é completamente equivocada com os movimentos bruscos de câmera (mais clichê que isso, impossível) que não condizem com a história contada.

Nota-se, portanto, que o fraco O Grande Gatsby é um grande conjunto de escolhas e decisões equivocadas sendo poucos os pontos realmente positivos a serem apontados e com grande dificuldade em estabelecer sua trama, pecando tanto na construção de um possível clássico cinematográfico (estigma que a obra original carrega), quanto em colocá-lo como um filme moderno porque até os seus diversos efeitos especiais também falham, por exemplo, na construção dos cenários externos da Nova York da época. Tantas incongruências na história deixam dúvidas nessa análise também: O Grande Gatsby é um filme ruim com poucos detalhes positivos ou um filme mediano com vários pontos negativos?

NOTA: 2/5





ANÁLISE: Django Livre

18 02 2013

CORRIDA DE OURO – OSCAR 2013

Tarantino, Tarantino… A loucura (em seu bom sentido) de Quentin Tarantino é acompanhar, nos idos dos EUA de 1858, o doutor King Schultz (Christoph Waltz, Bastardos Inglórios e Água para Elefantes), que se finge de dentista para ocultar sua real profissão: caçador de recompensa.

Para a concretização de um de seus trabalhos, doutor King busca auxílio de um escravo que pudesse lhe orientar e reconhecer três irmãos fazendeiros e escravocratas, o que lhe renderia alguns dólares. O único entrave na situação era o fato que o tal escravo, o Django do título personificado por Jamie Foxx (Ray e Código de Conduta), pertencia a terceiros que o transportavam a um mercado de escravos. Uma situação deveras complicada se Tarantino considerasse levar a sério o seu novo trabalho. Mas como tudo o que ele quer é se divertir um pouco, brincar de fazer cinema… não é o que acontece em Django Livre.

Assim, a divertida e rigorosa retórica de doutor King consegue solucionar os seus problemas, contando sempre com o modo Tarantino de resoluções de questões: muito tiro e muito sangue. Desse modo, a companhia de Django é facilmente conquistada e os dois homens partem para a próxima missão a bordo de uma carruagem curiosamente ornada com um dente sacolejante!

Da parceria e do interessante entrosamento dos dois sai grande parte do humor que Django Livre apresenta. Cabe a Christoph Waltz solucionar grande parte dos conflitos com a divertida diplomacia de seu personagem, enquanto o Django de Jamie Foxx tem apenas que ‘dançar conforme a música’ ditada pelo novo colega e encenar os tipos certos para cada enrascada em que os dois se metem: se tornar mero coadjuvante na discussão com o xerife de uma cidadezinha (cenário típico dos western’s como discutiremos a seguir); assumir uma postura mais enérgica na captura dos três irmão, matando dois deles ou tornando-se um negociador na parte final do longa.

Além de garantir sua diversão sentado na cadeira de diretor, Quentin Tarantino também presta uma singela homenagem aos filmes de velho-oeste, de bangue-bangue. Não só a ambientação de seu novo longa remete a este gênero com a cena inicial que retrata um mar de pedras, por exemplo, mas também com a tipografia da fonte nas letras usadas nos créditos iniciais e nos que encerram o filme, mais a empolgante trilha sonora que mesmo uma vez ou outra surge com acordes e músicas mais atuais, traz participações tradicionais de Luis Bacalov e Ennio Morricone.

Em meio ao trabalho conjunto, doutor King conhece um pouco mais do passado de Django e em consequência disso, a vontade do escravo em reencontrar sua esposa. Por ironia do destino e por uma característica única dela (sua fluência na língua alemã), a escrava Brunhilde (Kerry Washington, O Último Rei da Escócia e Sr e Sra Smith) é também uma velha conhecida do falso dentista.

O resgate de Brunhilde leva a trama até a fazenda de Calvin Candie (Leonardo DiCaprio, A Origem, J. Edgar e Gilbert Grape – Um Aprendiz de Sonhador), um magnata agrícola extremamente impiedoso a ponto de estimular uma espécie de MMA mortal entre escravos, um gosto da mais pura crueldade, mas que também possui um lado extremamente inocente e manipulável. Se não fosse pela perspicácia de seu escravo-capataz Stephen (o irreconhecível Samuel L. Jackson, o Nick Fury de toda e qualquer produção da Marvel), as reais intenções de doutor King e Django jamais seriam descobertas.

Claro que Django Livre não terminaria sem uma das mais ilustres assinaturas de Quentin Tarantino: já mencionamos a presença do sangue e dos tiros. Só faltavam a sua participação especial e a carnificina geral, duas carnificas na verdade, que ocorrem dentro da casa-grande de Candie, personificando a vingança e a liberdade definitivas de Django, prolongando a duração do filme além do desejável. Na escala do bom e do ruim, a classificação de Django Livre oscila: até que ponto você gosta das brincadeiras de Tarantino? Fãs fervorosos dele tendem a adorar. Não-fãs podem achar regular ou até detestar, vai depender do perfil de cada um.

NOTA: 3/5





Leonardo DiCaprio beija outro homem em novo filme

28 05 2011

No novo longa do diretor Clint Eastwood que contará a história do patrono da polícia especial dos EUA – o FBI -, Leonardo DiCaprio (imagem a esquerda) viverá os momentos polêmicos de J. Edgar Hoover. E entre esses momentos delicados está uma cena romântica com outro homem: Clyde Tolson.

Tolson será interpretado pelo ator Armie Hammer (que viveu os gêmeos Winklevoss em A Rede Social, na foto a direita). “Não é tão estranho assim”, declarou Hammer sobre a inédita experiência.

O longa em produção ainda não tem previsão de estreia.

Informações do site Just Jared.





Dica para lista de presentes

28 11 2010

Se é um cinéfilo de carteirinha, e por extensão, um bom colecionador de DVDs, prepare-se para abrilhantar sua coleção com os lançamentos de fim de ano das distribuidoras aqui no Brasil.

E com tantas boas opções, o investimento promete ser grande e abocanhar uma parte do seu 13º salário..

1ª SUGESTÃO – Este é um sonho de consumo antigo de cinéfilos brasileiros e fãs da trilogia de J. R. R. Tolkien, que finalmente se concretizou esse ano: a edição luxo de colecionador da trilogia O Senhor dos Anéis, de Peter Jackson. Um super box com nada mais, nada menos do que 12 DVDs, contendo além dos extras, todas as versões estendidas dos filmes: A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei.

Mais informações clique aqui.

2ª SUGESTÃO – Uma edição super especial de um dos maiores fenômenos de bilheteria do cinema mundial. A edição de colecionador lançado esse mês pela FOX traz a versão estendida de quase três horas de Avatar.

O especial pode ser encontrado em duas versões: com três DVDs e um BD (blue disc ou blu-ray) ou com somente três BDs.

Uma capa de fundo preto contendo no centro uma mão avatar é a envoltura para a embalagem do DVD cuja capa não contem o título do filme. Apenas uma imagem do corpo extraterreno de Jake Sully. A contracapa contem a mensagem: “OEL NGATI KAMELE”, traduzindo: continue a viagem.

Uma Mensagem de Pandora’, ‘Acesso Direto a Cenas Novas/Adicionais’, ‘Cenas Excluídas Inéditas’ e ‘Capturando Avatar’ são os bônus incluídos nessa edição estendida de colecionador.

3ª SUGESTÃO – A próxima sugestão tem lançamento previsto para o dia 09 de dezembro. Trata-se de mais um sucesso assinado por Christopher Nolan que chegou aos cinemas em agosto desse ano: A Origem.

Até aqui o melhor filme do ano, A Origem traz no elenco nomes como Joseph Gordon-Levitt, Leonardo DiCaprio, Ellen Page e Ken Watanabe. E deve ser um item imprescindível no acervo de qualquer colecionador.

As duas últimas sugestões a seguir são os itens mais recentes da minha coleção:

4ª SUGESTÃO – Apesar de todo o temor do cancelamento (injusto, se ocorrer) que cerca a série Fringe, não dá para deixar de fora o box que traz a segunda temporada completa da produção de J. J. Abrams.

Com um primeiro episódio intrigante, a segunda temporada termina levando seus espectadores para um outro universo. E entre aquele e este episódio, o segundo ano de Fringe traz ainda mais episódios fantásticos.

5ª SUGESTÃO – E para finalizar, mais um box de série. Já lançado há algum tempo, foi efetivamente adquirido a segunda temporada da trama vampiresca Crepús…, ops, True Blood. Esqueça Stephenie Meyer!

Retorne a cidade de Bon Temps na companhia de Sookie Stackhouse e Bill Compton.





ANÁLISE: A Origem

8 08 2010

06/08/2010 Em cartaz A Origem trata-se daquilo que o ser humano tem de mais ‘sagrado’ e ‘especial’: a sua memória. Leonardo DiCaprio está sob a pele de Cobb, o mais capaz entre seus conterrâneos de roubar essa informação contida no subconsciente de determinada pessoa.

Para se obter uma certa informação guardada na memória, uma equipe composta com alguns membros exercendo funções bem definidas para executar tal delicada e arriscada ação, que consiste numa espécie de jogo onde todos os envolvidos tenham que adormecer e forçar a pessoa alvo a revelar a informação desejada, através do sonho onde todos passam a compartilhar e vivenciar. Nesse ambiente novo tudo é uma projeção da mente humana, que traz consigo também a influência que o corpo real sofre no ‘mundo real’: desequilíbrios, quedas, inundações que possa acometer o corpo adormecido.

Por outro lado, há aqueles prevenidos que treinam sua mente para proteger informações confidenciais de sua memória e para uma vez que essa seja invadida, suas projeções mentais possam intervir e evitar o provável roubo.

É em uma ação semelhante a essa que Cobb e seu parceiro Arthur (Joseph Gordon-Levitt) falha impedindo o ladrão de voltar para sua casa e para seus filhos, já que ele teme uma retaliação de seus empregadores após serem informados do serviço não realizado. Saito (Ken Watanabe), magnata alvo desse roubo, era um dos prevenidos contra uma invasão às suas memórias

E é justamente Saito quem propõe uma segunda via, um atalho para os problemas de Cobb. O magnata japonês o desafia a realizar uma tarefa impossível nessa área: implantar uma idéia na mente de Fischer Jr, herdeiro prestes a obter controle de um império empresarial. O pai do jovem e concorrente direto do magnata, senhor Fischer, encontra-se a beira da morte. Se realizar esse feito, Saito resolverá todas as pendências futuras de Cobb, enquanto o próprio japonês poderá aumentar sua influência no setor sem empecilho algum.

Aqui, o longa chega em seu dilema principal: para se roubar uma informação preservada no subconsciente humano, entra-se em apenas um nível da mente; mas para se inserir uma idéia, precisa-se chegar a três níveis do consciente para que a pessoa, uma vez sã, não rejeite essa idéia e passe a aceitá-la como uma concepção sua, original.

A partir daí, Cobb passa a reunir uma equipe à altura desse desafio a medida que sofre perseguição dos capangas de seus ex-empregadores. Juntam-se à cena, entre outros nomes o de Ellen Page, como Ariadne, a arquiteta responsável pela construção dos ambientes na projeção mental onde a ação será realizada e quem auxilia Cobb a enfrentar seus dilemas, pois a toda vez que o sub-consciente dele entra em ação, a mulher dele, Mal (Marion Cotillard), surge para prejudicar o trabalho. Algo não desejável quando se está prestes a concluir o trabalho na mente de Fischer Jr.

Na verdade, a presença de Mal no subconsciente de Cobb não era mais do que uma lembrança porque a mesma havia cometido o suicídio. Tal ato era a prova contundente de que inserir uma ideia na cabeça de alguém era realmente possível: Cobb convenceu sua esposa de que o mundo real, o mundo de fato em que eles viviam se tratava de um sonho utilizando essa técnica de inserção no pensamento.

Esse procedimento trágico que levou sua mulher a falecer teve que ser realizado por Cobb para que pudessem sair do limbo – local onde é praticamente impossível voltar da realidade, utilizando uma ideia simples: “ISSO NÃO É REAL”. Mal passa a desacreditar na realidade a partir daí e na tentativa de ‘acordar’ desse sonho, ela se suicida.

Christopher Nolan conta-nos uma história original, extremamente convincente e desenvolvida de uma forma espetacular e constante com o apoio dos efeitos especiais para colocar, literalmente, os seus (e por que não) nossos sonhos em um filme. Uma vez que imaginação não sofre as limitações para construir o seu próprio mundo.

Se toda trama por si só revela-se instigante e, muitas vezes, sufocante, a trilha sonora realça ainda mais essa sensação de angústia com batidas constantes que caem com uma luva sobre as cenas e nenhum momento soa cansativa ou aborrecida.

Agora dificilmente algum filme poderá retirar o título de melhor filme de 2010 de A Origem e das mãos de Christopher Nolan.





ANÁLISE: “Gilbert Grape – Aprendiz de Um Sonhador”

9 05 2009

EDIT: Olá leitor. Muito obrigado pela visita. Saiba que o Universo E! desde 31/10/2014 está em uma nova casa. Todas as nossas novas postagens você confere nesse link: http://www.serounaosei.com/category/universo-e/

ACERVO – O filme se passa numa pequena cidade do interior dos EUA chamada Endora e retrata o ciotidiano da família Grape que tem em Gilbert, o filho mais velho da família interpretado por Johnny Depp (Piratas do Caribe, Sweeney Todd) o seu alicerce.

Desde que seu pai abandonou a sua mãe e seus irmãos, Gilbert passa a sustentá-los e cuidá-los. O que não é uma tarefa muito simples. Primeiro, temos o seu irmão mais novo, Arnie, brilhantemente vivido por Leonardo DiCaprio (Titanic, Diamante de Sangue) que possui problemas mentais. Constantemente cria problemas na pequena cidade, ainda mais por sua obsessão em subir na caixa d’água.

E segundo, temos a mãe de Gilbert, papel de Darlene Cates, que tem obesidade mórbida e necessita da atenção de seus quatro filhos, tendo muito carinho, naturalmente, pelo filho caçula Arnie.

Se já é difícil ter tanta responsabilidade assim tão jovem, soma-se a isso a vida pessoal e amorosa. Trabalhando num pequeno mercado de Endora, Gilbert sofre assédio constante da senhora Carver, que de vez em sempre, pede que suas compras sejam entregues em casa e assim, ter encontros amorosos às escondidas com o rapaz, apesar da presença do seu marido e de seus dois filhos.

Porém, na terra “onde nada muda, nada acontece”, temos a chegada da jovem Becky (Juliette Lewis, Starsky & Hutch), que com sua avô, atravessa o país com o seu trailer e por um problema mecânico acaba tendo que ficar por alguns dias na pequena cidade e acaba conhecendo Gilbert. Em meio a tantos problemas: o peso de sua mãe e a estrutura da velha casa onde moram, a convivência difícil com suas irmãs, os empecilhos cotidianos causados por Arnie e sua vivência amorosa com uma mulher mais velha, Becky acaba sendo um porto seguro para ele, um refúgio. O único lugar tranquilo que ele consegue encontrar em Endora é ao lado de Becky.

Gilbert Grape – Aprendiz de Um Sonhador é mais um exemplo de que boas histórias não precisam de muita ‘pirotecnia’ para serem contadas. O espectador, pelo menos ocorreu no meu caso, tem muita aproximação, preocupação com cada um dos personagens, se alegrando, se emocionando com suas cenas. E o filme ganha ainda mais pontos porque cada ator/atriz não exacerba em suas interpretações, agindo conforme as circunstâncias pedem, sem exageros. E como tenho grande fascínio por histórias passadas em cidades interioranas (aquelas tipicamente americanas) essa imersão no enredo do longa foi muito mais fácil.

Vale ressaltar a veracidade com que Leonardo DiCaprio, em início de carreira, vivencia Arnie Grape. Uma verossimilhança muito profunda. Já Juliette Lewis nos transmite toda a rebeldia e ao mesmo tempo toda a doçura de Becky, enquanto Johnny Depp, desde o começo, convence e muito com seus personagens.

Depois de assistir o filme, fiquei muito chateado que Darlene Cates, a obesa Bonnie Grape não tenha continuado a sua recente carreira de atriz. Obesa também na vida e tendo passado pelas mesmas dificuldades de sua personagem, como a reclusão e vergonha do seu corpo, Darlene participou de apenas mais quatro produções, a última delas em 2001 em Blood Moon, um filme para TV. Nas poucas cenas em que aparece, ela dá um brilho todo especial na tela, principalmente quando ela tem que passar por cima da sua vergonha e ir buscar seu filho caçula na delegacia, tendo que enfrentar todo o preconceito da sociedade que há anos não a vê pelas ruas da cidade.

Um excelente fime portanto.

NOTA: 10/10

Abaixo você confere o trailer sem legendas:








PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2019

Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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