Breves & Curtas #10

1 06 2014
O que você está fazendo aí Emma Watson?! o.O

O que você está fazendo aí Emma Watson?! o.O

BLING RING: A GANGUE DE HOLLYWOOD – Só de se observar o local onde esse grupo de adolescentes se formou já é possível perceber que pouca coisa boa podia sair dessa união.

Coube a diretora Sofia Coppola (de Encontros e Desencontros e Maria Antonieta) reunir sob a sua tutela esses jovens e retratar a fútil obsessão desses: invadir a casa dos famosos em Los Angeles e roubar-lhes os pertences valiosos. Tudo para esbanjar nas festas mais requintadas  da cidade das estrelas, tudo muito à la Rei do Camarote. Bizarro ao extremo. Nem mesmo o ótimo trabalho de produção de reconstruir as mais belas mansões da cidade dos anjos (as residências, verdadeiros palácios, de Paris Hilton, Megan Fox são algumas das propriedades invadidas pelo grupo) consegue atrair um interesse maior pela trama.

Até a abordagem discreta sobre a homossexualidade de Marc (papel do novato Israel Broussard) ou a presença de Emma Watson (do pavoroso Noé) diminui o tédio que consome a história. Aliás, a eterna Hermione da cinessérie Harry Potter, não passa de uma irritante e ambiciosa jovem que tenta tirar proveito e fama de toda a situação vista aqui.  Um trabalho que nem chega perto do visto nos tempos em que estudou em Hogwarts, ou até mesmo em As Vantagens de ser Invisível.

Um projeto descartável!

NOTA: 2/5

Não é ruim. Mas também não é bom.

Não é ruim. Mas também não é bom.

EU SOU O NÚMERO QUATRO – Não demonstrou ser a bomba que parecia ser. Eu Sou o Número Quatro se beneficiou muito em criar uma atmosfera light para a sua narrativa e não se levar muito a sério. Isso fica evidente com o uso descontraído de músicas atuais como trilha na primeira metade do filme. Com direito a Adele!

Na história, John Smith (Alex Pettyfer, Magic Mike e do inédito Amor sem Fim) é um dos nove sobreviventes do planeta de Lórien que possuem as habilidades necessárias para evitar a extinção de sua espécie. Há também outros sobreviventes que são responsáveis por estes nove “salvadores”. O guardião de John é Henri, papel de Timothy Olyphant (Duro de Matar 4.0 e O Apanhador de Sonhos). A vinda desses seres para a Terra em busca de refúgio acaba sendo em vão, pois aqui continuam sendo caçados pelos chamados mogadorianos, uma raça alienígena rival, que pretende exterminá-los.

Acrescente ainda à receita a dificuldade de dominar os novos poderes que John Smith vem desenvolvendo com o tempo, o bullying no ambiente escolar, a descoberta do primeiro amor e a constante necessidade de apagar qualquer vestígio que possa revelar a existência dos sobreviventes de Lórien. Todos os clichês possíveis que se encontram em histórias de adolescentes.

O modo inocente e juvenil como é construído Eu Sou o Número Quatro torna a trama agridoce onde nada gravíssimo irá correr e onde os vilões não parecem tão maus assim (mesmo com suas quimeras). O filme tem a sua diversão e alguma dose de adrenalina, mas nada muito comovente ou desesperador.

Qualquer semelhança (ou dèja vu) com Smallville, que traz em suas temporadas a juventude de Clark Kent com dificuldades semelhantes, não será mera coincidência. Alfred Gough e Miles Millar, criadores do seriado, assinam o roteiro aqui.

NOTA: 3/5

Carey Mulligan e Ryan Gosling num ótimo filme!

Carey Mulligan e Ryan Gosling num ótimo filme!

DRIVE – Quem diria que pudesse haver tanto ódio e fúria dentro de um homem tão quieto, pacato e sereno. Ryan Gosling (O Lugar Onde Tudo Termina e Tudo pelo Poder) vive o personagem sem nome que divide a vida entre o trabalho na oficina mecânica de Shannon (Bryan Cranston, o Walter White da série Breaking Bad e Godzilla), os sets de filmagens onde exerce a função de dublê e em bicos extraoficiais, oferecendo a sua habilidade nos volantes em roubos por Los Angeles. Tudo desenvolvido com muita tranquilidade pelo solitário protagonista em seu modo de andar ou de conversar.

Irene (papel de Carey Mulligan, Não me Abandone Jamais e Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum) acrescenta um pouco de calor humano na vida do protagonista. Vizinha dele, ela e seu filho Benício, hora ou outra sempre cruzavam (no corredor ou em um supermercado) o caminho dele e essa constante acabou despertando um interesse emocional entre os dois. Um relacionamento que não foi inteiramente concretizado com a saída de Standard, marido de Irene, da prisão.

A volta de Standard (Oscar Isaac, o protagonista de Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum e Robin Hood) também trouxe consigo a violência das ruas, quando ele e sua família passam a ser ameaçados pela gangue que lhe ofereceu proteção na cadeia. Para evitar que o pior aconteça com Irene e Benício, o personagem de Ryan Gosling se dispõe a ajudar Standard a reaver o dinheiro em um assalto que não sai como o planejado e o habilidoso motorista torna-se agora o novo alvo dos bandidos.

Além de um arco narrativo conciso e eficiente dirigido pelas mãos competentes do dinamarquês Nicolas Winding Refn (que repete a parceria diretor-protagonista daqui em Só Deus Perdoa), uma personificação monstruosa (no bom sentido) de Ryan Gosling, a fotografia de Newton Thomas Sigel (da franquia X-Men) retrata brilhantemente a triste trajetória do motorista-dublê: desde o dourado do início do filme que se intensifica quando este conhece Irene, passando pelo tom azulado que as cenas adquirem com a chegada do problemático marido dela até a escuridão da noite que permeia boa parte do desfecho da narrativa. E quando a luz ensaia um retorno à vida do protagonista, isso não ocorre com a mesma intensidade de antes. Isso sem falar na escolha perfeita das canções da trilha sonora que pontuam os grandes momentos da história, assim como os acordes orgânicos e discretos, mas não menos impactantes, de Cliff Martinez (Contágio e O Poder e a Lei).

Aqui, como a própria canção A Real Hero (College) diz, o personagem interpretado por Ryan tentou ser ao seu modo um heroi real, mas ao menos conseguiu ser um bom ser humano.

NOTA: 5/5

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ANÁLISE: O Grande Gatsby

9 07 2013

O Grande Gatsby demonstra como o amor pode exercer forte influência na vida de alguém tanto para o bem, quanto para o mal. Como amor pode te levar a conquistar algo incrível, mas também pode te levar ao completo fracasso, ao desperdício de uma vida.

Narrado a partir do ponto de vista de Nick Carraway, um personagem que sofre com a apatia em tela de Tobey Maguire (da trilogia Homem-Aranha e Entre Irmãos), que não transmite qualquer tipo de energia à ele com uma atuação extremamente apagada e esquecível e isso acaba influenciando diretamente a fraca primeira metade do longa de Baz Luhrmann (Moulin Rouge – Amor em Vermelho e Austrália), sem fascinar o espectador sobre sua história de vida, contaminando assim toda a obra.

Em uma histérica Nova York de 1922 com sua elite nadando à grandes braçadas em rios de dólares, Nick nos apresenta um casal de conhecidos seus: Daisy (Carey Mulligan, Drive e Não me Abandone Jamais) e Tom Buchanan (Joel Edgerton, A Hora mais Escura e na animação A Origem dos Guardiões) que sofrem com a falta de amor no relacionamento – agravado pelo caso latente de traição do marido, até receber o inesperado convite para uma das espetaculares festas realizadas na mansão vizinha à sua residência. Mansão onde residia, claro, Gatsby. Essa demora em revelar o personagem principal (que não era segredo algum para os espectadores mais antenados) só prejudica o filme ao deixar a responsabilidade de condução da história sobre os ombros de Maguire.

O repentino carisma que Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio, A Origem e Os Infiltrados) passa a demonstrar por Nick, seu ‘old spot’, ocorre por puro interesse pessoal: se aproximar por Daisy, o grande amor de sua vida. Não só se tornar amigo íntimo de Nick, mas as festas promovidas por ele, a mansão escolhida estrategicamente, o seu estilo de vida, tudo o que diz respeito a Gatsby é de tal forma com o único intuito de ter novamente Daisy em seus braços, o que a vida e o seu passado humilde não permitiram.

Embora megalomaníaco, o plano de Gatsby chega muito próximo de seu objetivo e só não atinge o sucesso por sua culpa e de seu orgulho e a forma como isso é demonstrado no filme é decepcionante: ou devido a história original (de autoria de F. Scott Fitzgerald com a qual não tive contato anteriormente), ou por erro de adaptação mesmo. Mas como dizem, o filme tem que caminhar por si mesmo, acredito muito na última opção.

Se a história quase não rende, figurino e direção de arte são bastante elogiáveis ao retratar os modos e cotidiano americano da década de 20 – enquanto o primeiro não perdeu a oportunidade de realizar um belíssimo trabalho nas cenas de festas na grande residência de Gatsby ao vestir os inúmeros convidados, o segundo sabe contrastar muito bem o velho com o novo: nesse caso os logotipos em preto-e-branco no início do longa com a tecnologia em 3D. Já a forma de se abordar o aspecto das três dimensões ao longo da narração é completamente equivocada com os movimentos bruscos de câmera (mais clichê que isso, impossível) que não condizem com a história contada.

Nota-se, portanto, que o fraco O Grande Gatsby é um grande conjunto de escolhas e decisões equivocadas sendo poucos os pontos realmente positivos a serem apontados e com grande dificuldade em estabelecer sua trama, pecando tanto na construção de um possível clássico cinematográfico (estigma que a obra original carrega), quanto em colocá-lo como um filme moderno porque até os seus diversos efeitos especiais também falham, por exemplo, na construção dos cenários externos da Nova York da época. Tantas incongruências na história deixam dúvidas nessa análise também: O Grande Gatsby é um filme ruim com poucos detalhes positivos ou um filme mediano com vários pontos negativos?

NOTA: 2/5





RETROSPECTIVA 2012 – parte 2

28 12 2012

JULHO – O segundo semestre de 2012 começou com uma crítica a distribuidora Columbia Pictures que, iniciando as vendas para a sessão de pré-estreia a meia-noite para  O Espetacular Homem-Aranha, resolve numa grande picaretagem, abrir pré-estreias regulares ao longo da semana de estreia. E sem nenhum aviso prévio acaba cancelando as sessões da meia-noite. Mas mesmo assim, o fraco longa do aracnídeo protagonizado por Andrew Garfield (A Rede Social e Não me Abandone Jamais) ganhou a sua análise.

Carly Rae Jepsen, dona de um dos grandes hits de 2012: Call me Maybe!

Carly Rae Jepsen, dona de um dos grandes hits de 2012: Call me Maybe!

Uma desculpa recorrente ao longo do último semestre foi o ‘vazio criativo’ na elaboração de novos posts para o Universo E!. Para manter o blog porcamente atualizado, um dos métodos mais utilizados por mim é partir para as músicas. Em julho os hits de Rihanna (Where Have You Been), Carl Rae Jepsen (Call me Maybe) e The Wanted (Chasing the Sun) foram os escolhidos para, popularmente dizendo, tapar o sol com a peneira, ou seja, colocar algum conteúdo novo por aqui quando a criatividade não ajuda.

Para finalizar este mês tivemos o triste incidente que manchou a estreia da conclusão de uma das mais bem-sucedidas franquias baseadas em super-heróis com o massacre da cidade de Aurora nos EUA, durante uma sessão de pré-estreia do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, vitimando 12 vidas inocentes…

Cena de Um Evento Feliz, com o ator Pio Marmaï (esq), que também protagonizou o francês Alyah

Cena de Um Evento Feliz, com o ator Pio Marmaï (esq), que também protagonizou o francês Alyah

AGOSTO – Foi um mês de felicidade extrema com a realização do Festival Varilux de Cinema Francês 2012. Dos 17 filmes inéditos exibidos, o Universo E! comentou sobre 11 filmes: A Filha do Pai, A Vida vai Melhorar, Um Evento Feliz, Intocáveis, Paris-Manhattan, Aqui Embaixo, My Way – O Mito além da Música, E Agora, Aonde Vamos?, O Monge, Alyah e Políssia. Realizamos assim a maior cobertura até aqui de um festival de cinema, em quase um mês inteiro dedicado a este evento (dia 01, dia 02 e considerações finais), uma vez que foi finalizado com algumas análises sendo postadas em setembro.

SETEMBRO – O ano de 2012 pode ser marcado como um ano de extremos. Saímos de um mês de grandes alegrias para um setembro de grandes perdas tanto para o Cinema quanto para a cultura brasileira: perdemos o ator Michael Clark Duncan, dia 03  (À Espera de um Milagre) e a apresentadora de televisão Hebe Camargo, dia 29. E foi também no funeral da comunicadora que obtivemos uma das imagens mais tocantes, com o selinho dado por Silvio Santos no corpo de Hebe durante o velório.

Para não ficarmos apenas nos fatos tristes, o Google comemorou o 46º aniversário de Star Trek com um doodle muito bem produzido e tivemos o anúncio das vendas antecipadas para o filme de conclusão da saga Crepúsculo: Amanhecer – parte 2.

OUTUBRO – Mais uma evidência de como a criatividade andou em baixa por aqui com apenas duas atualizações, no primeiro e no último dias do mês: no primeiro dia foi mais uma edição de A Rede pelo Twitter alertando sobre um possível retorno da girl band Rouge. Ficou reservado para o último dia de outubro o anúncio da venda da Lucasfilm para a Walt Disney Company, um negócio feito por George Lucas, o fundador, e pegou a todos de surpresa. Foi engatilhado junto com a venda o início da produção de um sétimo filme baseado na saga de Star Wars.

NOVEMBRO – Mais um comentário sobre o interessante exercício de associar uma música à um livro, o que digo sempre, enriquece a sua experiência literária. O livro da vez foi A Menina que Roubava Livros. Música: Shadow of the Day, do grupo Linkin Park, mas na versão dos meninos do Boyce Avenue.

Em novembro tivemos a conturbada informação sobre as vendas de ingressos para a pré-estreia de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, que teve uma abertura inicialmente restrita a Cinemark em São Paulo e depois, gradualmente, sendo liberada em outras redes de cinema nas mais diversas cidades brasileiras. Outra excelente boa notícia foi a realização de maratona das versões estendidas dos filmes da trilogia O Senhor dos Anéis.

A rede Cinemark (apesar dos pesares) também trouxe O Hobbit em HFR e ainda promove o Projeta Brasil Cinemark nos meses de novembro!

A rede Cinemark (apesar dos pesares) também trouxe O Hobbit em HFR e ainda promove o Projeta Brasil Cinemark nos meses de novembro!

Análises dos filmes inéditos: o argentino Elefante Branco e o juvenil As Vantagens de ser Invisível. E o projeto Projeta Brasil Cinemark finalizou o mês, sendo vistos os longas Xingu e Gonzaga – De Pai pra Filho.

DEZEMBRO – Mês de festas. Mês de retrospectivas. Mês do fim do mundo. Mês de poucas atualizações. Mês reservado para falarmos sobre o problemático Moonrise Kingdom (em breve). Mês de retornamos a Terra-média com O Hobbit – Uma Jornada Inesperada, inclusive com um novo formato de imagem – o HFR (high frame rate). Mês de conferirmos As Aventuras de Pi, o novo longa de Ang Lee, que em breve também ganhará sua análise por aqui.

Dezembro é o mês de agradecermos a você, caro e querido leitor, pelas visitas e pelos comentários realizados ao longo desse ano e convidá-los a continuar conosco em 2013. Afinal sua presença é essencial ao Universo E!

O UNIVERSO E! deseja a todos vocês, um feliz e próspero 2013!!!

O UNIVERSO E! deseja a todos vocês, um feliz e próspero 2013!!!

É em dezembro também que desejamos a vocês, os mais sinceros votos de felicidade, prosperidade e de grandes realizações para 2013. E que o próximo ano seja repleto de bons filmes e boas séries! Até lá!





ANÁLISE: O Espetacular Homem-Aranha

22 07 2012

O Espetacular Homem-Aranha recria novamente todo o universo do super-herói a partir do momento em que, fugindo de uma terrível ameaça, os pais de Peter Parker o deixam, ainda criança, morando com os tios para nunca mais voltarem.

Já adolescente, vemos toda a dinâmica do bom relacionamento de Peter com os tios Ben e May; a sua timidez atrapalhando o cotidiano escolar e uma suposta aptidão por zelar pelo bem-estar do outros. Aqui o diretor Marc Webb ( (500) Dias com Ela) não sai do lugar-comum, apresentando uma seqüência episódica para exemplificar tais passagens da vida do futuro herói aracnídeo, demorando em captar o interesse do espectador. Por ser posterior uma trilogia recente do personagem (cinematograficamente falando), essa adaptação deveria ter uma preocupação maior com a forma como a história seria contada e aqui não houve ousadia nenhuma nessa sentido.

Tudo no início ocorre de maneira muito correta. Ao encontrar antigas pesquisas do pai, Peter Parker acaba chegando à empresa Oscorp, onde pesquisas genéticas estavam sendo desenvolvidas e que poderiam modificar completamente o rumo da Humanidade caso viessem a se concretizar. Para tanto, haveria a necessidade de uma fórmula secreta que se encontrava nas anotações de seu pai, o chamado algoritmo do decaimento. Nas dependências da Oscorp é que Peter Parker adquire seus poderes ao ser picado por uma aranha geneticamente modificada e é nesse mesmo local, que inocentemente, ele fornece a solução matemática de seu pai ao doutor Curt Connors (Rhys Ifans, Um Lugar Chamado Notting Hill e Elizabeth: A Era de Ouro), abrindo assim para o inimigo da vez: o Lagarto.

No núcleo familiar dos Parker temos uma sólida interpretação de Martin Sheen (da produção televisiva West Wing e Os Infiltrados)  como tio Ben, substituindo a figura paterna de Peter e sua relação com a tia May (Sally Field, também bastante conhecida da TV por Brothers & Sisters e Forrest Gump) nos momentos em que contracenam juntos: um casal de meia-idade muito palpável, demonstrando realmente que passaram por muita coisa juntos. Nota-se que isso funciona perfeitamente quando a emoção aflora naturalmente no momento de seu assassinato. Com o conhecimento prévio do desenrolar da história não deixamos de sentir o baque dessa terrível perda.

São nesses momentos de dor que Andrew Garfield (A Rede Social e Não me Abandone Jamais) atinge a sua melhor atuação como o novo Homem-Aranha, ainda mais quando este está envolvido indiretamente na morte do tio. Enquanto vive desconfortavelmente um Peter Parker jovem, nerd e tímido, o ator não atinge a sutileza necessária para transpassar corretamente esse perfil do personagem. Nas cenas bem-humoradas o ator se sai bem nos momentos em que divide o argumento com alguém (principalmente nos momentos que envolvem a família Stacy) e tem um desempenho pouco satisfatório no sarcasmo característico quando o herói aracnídeo encontra-se sozinho, falando consigo mesmo.

O bom humor, por sua vez, é muito bem empregado nas ações ilustrativas para a chegada dos poderes de Peter. Seja no banheiro de casa, enfrentando o valentão na escola ou dentro do metrô, tais cenas além de atingirem o propósito de mostrar ao espectador os poderes do personagem-título também confere rapidez e agilidade à narração.

Uma grande falha do roteiro é sua tentativa de estabelecer precocemente esse Homem-Aranha como um grande mito, quando na verdade ele ainda não mostrou a que veio. Nós ainda não sabemos a capacidade, a habilidade, a inteligência desse Peter Parker e se realmente ele merece ser acompanhado pela imponente trilha sonora de James Horner quando este veste o seu uniforme pela primeira vez. Aí é válido o questionamento: “Peraí, ele ainda não se tornou o Batman de Christopher Nolan para ter essa imponência toda!”.

Agora quando essa mesma trilha é utilizada na ótima sequência envolvendo as gruas, ali sim ela atinge corretamente seu propósito, uma vez que já observamos as dificuldades com que o Homem-Aranha enfrentou e a sua disposição e coragem para continuar lutando, não só para defender a sua amada, mas também toda a cidade e impedir as más intenções de Lagarto. Apesar de que este plano fora desvendado facilmente no subsolo de Nova York, com o roteiro e o vilão não impondo nenhuma dificuldade significativa ao mascarado, sendo raros os momentos em que sentimos alguma aflição. Tanto que só constatávamos certa dificuldade através dos ferimentos cada vez maiores testemunhados por Tia May quando Peter retornava para casa.

Gwen Stacy, personagem de Emma Stone (Histórias Cruzadas, Zumbilândia) funciona no mínimo, corretamente, já que o seu papel não tem muita relevância no desenrolar da história, se limitando apenas a ser o par romântico do protagonista e a razão da batalha final no prédio da Oscorp, pois está justamente ali para auxiliar o herói, criando o antídoto (outro clichê), local onde Lagarto pretende por em prática o seu plano maquiavélico.

Se foi razoável em toda a sua execução, o roteiro de O Espetacular Homem-Aranha oferece, com muita eficiência, um gancho formidável para sua continuação, mesmo que este se baseie naquilo que foi pouco desenvolvido anteriormente: o relacionamento de Peter Parker e Gwen Stacy e a impossibilidade desse romance tornar-se algo maior, não só pelas grandes responsabilidades que irão surgir na vida do Homem-Aranha, mas também pela sua promessa junto ao capitão Stacy. Aqui sim temos alguma ansiedade em relação ao desenrolar da história, onde Prometheus falhou absurdamente!

O Espetacular Homem-Aranha tem suas falhas mas consegue, ao seu modo, recriar o universo do aracnídeo, não elevando o super-herói a um novo patamar. Essa franquia não será para o Homem-Aranha aquilo que a trilogia de Christopher Nolan foi para o Batman!

NOTA: 3/5

 

 





RETROSPECTIVA 2011 – parte 2

21 12 2011

RETROSPECTIVA 2011

JULHO

Era julho de 2011 quando a guerra chegou a Hogwarts.

O Universo E! não teve descanso no mês das férias!

Logo no início do mês, noticiamos o prêmio ganho pelo documentário Senna no Festival de Cinema de Los Angeles. Depois foi a vez de Evangeline Lilly se juntar ao elenco de O Hobbit, que resgatará quase em sua totalidade todo o elenco presente na trilogia original.

A 00:01 de 15 de julho de 2011 (após 7 horas de fila) chegou ao fim uma das maiores sagas já produzidas pelo cinema: neste exato momento teve a exibição de Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 2. O gran finale ganhou sua análise no mesmo dia de exibição e uma descrição um pouco mais detalhada sobre a grande farra que foi a ocasião ao lado de centenas de fãs que lotavam o saguão do Kinoplex do Parque Dom Pedro Shopping em Campinas.

A Rede pelo Twitter ganhou sua segunda edição abordando as férias, o Vale a Pena Ver de Novo e a novela O Clone:

Sobre as nossas cabeças o sol 

Sobre as nossas cabeças a luz

 Sobre as nossas mãos a criação

 Sobretudo o que mais for o coração”…

E enquanto fazíamos a nossa observação sobre a nova tendência cinematográfica de partir em dois filmes a adaptação de um livro ou assistíamos ao longa Não me Abandone Jamais, morria na Inglaterra a cantora Amy Winehouse.

AGOSTO

No mês do folclore revelei uma das maiores bizarrices que cometo: associar uma música para que ela seja tema de um livro que estou lendo. Na época, a leitura era A Cidade do Sol. E a maluquice repetiu novamente, dessa vez com A Menina que Roubava Livros, que compartilharei novamente assim que terminar a leitura.

Em agosto a Hora do Horror – Hopi Hari chegava em sua 10ª edição, e a primeira vez que o evento foi noticiado aqui no Universo E! No mesmo mês, como fã incontestável de J. J. Abrams e Steve Spielberg, tive certo receio de comentar sobre o fruto da parceria cinematográfica dos dois: Super 8.

SETEMBRO

Universo E! mais de 100 acessos por hora durante o Rock in Rio

Em setembro não teve para ninguém: Rock in Rio; Rock in Rio e Rock in Rio, bebê!!!

Mas antes do mega evento de música que ocorreu no Rio de Janeiro, vamos nos focar nas outras novidades que o mês de setembro teve: começamos a disponibilizar com mais frequência matérias especiais traduzidas das edições internacionais do grupo Metro – por exemplo, nesse mês falamos de Zoe Saldana no filme Em Busca de Vingança e de Taylor Lautner no thriller Sem Saída; tornamos viciados no Angry Birds para o Google Chrome; Nissan colhia os bons frutos dos pôneis malditos; era lançado nos cinemas Planeta dos Macacos – A Origem e a Disney anunciava a instalação do parque temático de Avatar em sua propriedade na Flórida.

Setembro. Um mês de grandes glórias para o Universo E! Durante a realização do Rock in Rio 2011, tivemos um recorde histórico de acessos ao nosso blog. Recorde que vai demorar muito para ser batido novamente! A terceira edição de A Rede pelo Twitter foi responsável por esse feito ao abordar a celebridade instantânea de Júlio de Sorocaba no show de Katy Perry. Confira abaixo os dados desse dia histórico:

 

A Rede pelo Twitter #3: Júlio de Sorocaba (Rock in Rio 2011): 3.197 visualizações

Home page: 55 visualizações

Tablóide revela que Jim Parsons é homossexual: 3 visualizações

ANÁLISE: Gilbert Grape – Aprendiz de um Sonhador: 2 visualizações

ANÁLISE: A Onda: 2 visualizações

QUEM FAZ O UNIVERSO E!: 1 visualização

SBT mudou de canal em Campinas: 1 visualização

10º Hora de Horror – Hopi Hari: 1 visualização

ANÁLISE: A Origem: 1 visualização

TOTAL DE VISITAS EM 24 DE SETEMBRO DE 2011: 3.263.

 

Só esse dia teve mais visitas do que todo o nosso ano de 2009 e mais visitas do que o acumulado de janeiro a maio de 2010. Toda essa movimentação colocou o Universo E! como um dos destaques na página de acesso aos blogs do WordPress.

Embarcamos de vez no evento, acompanhando os shows madrugada afora e realizando nossa cobertura pelo Twitter. Após o 1º fim de semana (o melhor na minha opinião), colocamos disponibilizamos um post com quatro vídeos no YouTube com shows completos dos três primeiros dias.

OUTUBRO

Demos uma diminuída no ritmo de atualizações em outubro.

Passamos por uma vergonha alheia quando a banda Marron 5 (e não Maroon 5) dominou o Trend Topics do Twitter.

No dia 05 veio a falecer um dos fundadores da Apple, Steve Jobs aos 56 anos de idade.

Compartilhamos aqui a saída de Rupert Grint dos muros de Hogwarts, indo para o divertidíssimo clipe da música Lego house de Ed Sheeran.

NOVEMBRO

Harry Potter continuou dominando os assuntos publicados por aqui no penúltimo mês de 2011. Primeiro pelo lançamento do último filme em DVD e Blu-ray e depois pelo lançamento de vídeo da Warner Bros que busca colocar Harry Potter 7.2 nas principais categorias no Oscar de 2012.

As notícias baseadas na publicação mundial Metro renderam três posts: sobre Robert Pattinson nas vésperas do lançamento de Amanhacer – parte 1; uma matéria especial sobre o trabalho de Elijah Wood e o anúncio da aposentadoria de Brad Pitt quando este vier a completar 50 anos.

A Rede pelo Twitter homenageou o grande apresentador da televisão brasileira, Silvio Santos, na sua quinta edição; Cinesystem anunciou que a inauguração de um novo complexo da rede em março do ano que vem trará uma nova tecnologia em projeção em salas de cinema no Brasil e Dexter Morgan teve seu show renovado por mais duas temporadas completando assim 8 anos de produção.

DEZEMBRO

Para o mês de dezembro essa Retrospectiva já se antecipa, afinal, faltam 10 dias para o fim do mês quando essa segunda parte do especial for publicada.

Até aqui já falamos da aquisição dos direitos da série The Walking Dead pela Band e a notícia mais especial de todas. A mais aguardada, a notícia que deixará qualquer fã de Tolkien em seu nível máximo de ansiedade: o lançamento oficial do 1º trailer de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada.

E daqui a aproximadamente 3 horas de quando esse especial é editado, teremos a  pré-estreia de Missão: Impossível 4 – Protocolo Fantasma.

 

Bem pessoal, esperamos que tenham gostado dessa nossa Retrospectiva que resumiu tudo o que foi acompanhado pelo Universo E! nesse ano de 2011. Agora esperamos novamente por sua companhia porque em 2012 tem muito mais!

 





ANÁLISE – Não me Abandone Jamais

23 07 2011

No último século foram inegáveis os avanços da medicina, elevando a expectativa da vida humana a casa de 100 anos. Se antes uma tuberculose era considerada fatal, hoje um portador do vírus HIV pode conviver sem dificuldade com a doença sem manifestá-la, através dos coquetéis de medicamentos.

Alguns orfanatos, internatos espalhados pela Inglaterra em meados do século XX escondiam uma terrível realidade. E um desses internatos era Hailshaw, cujos alunos órfãos realizavam atividades comuns no que parecia ser uma instituição comum: jogavam bola, desenhavam, almoçavam e dormiam. Tudo sob a tutela de professoras conservadoras que exigiam a máxima disciplina.

Nada mais natural que próximo aos seus 10, 11 anos, surgissem os primeiros sinais de afetividade entre os alunos, afinal eram meninos e meninas convivendo diariamente. Embora com o convívio não demonstrassem infelicidade e angústia, o espectador não poderia dizer o mesmo, pois sempre lhe é apresentado um ambiente triste, cinzento, reforçado por um edifício histórico muito bem preservado (interna e externamente), mas sem cor ou vida. Por viverem ali e não gozarem da liberdade existente além da cerca do orfanato, as crianças não experimentavam essa tristeza que nos acometia.

Em especial nesse grupo tínhamos duas garotas: Kathy e Ruth. A primeira, inteligente, demonstrava um carinho por um certo menino, Tommy, que por não possuir nenhuma aptidão para os esportes ou para as artes, era sempre preterido pelos colegas, causando-lhe acessos de raiva. Assim, o amparando, que Kathy ensaia uma aproximação junto ao garoto, que aceitava e confiava na nova amizade. Amizade não interrompida após uma investida certeira de Ruth, que logo iniciou o namoro com o garoto.

Coube a uma nova orientadora do internato revelar o que de tão estranho havia naquele ambiente – para nós e para os alunos. Diferente da maioria das crianças que chegariam a fase adulta e poderiam assim realizar seus sonhos, os alunos de Hailshaw teriam um ciclo de vida bem mais curto, bem mais breve, já que sua ‘criação’ era destinada, quando mais velhos, a doação de órgãos. É notório que diante dessa revelação os trabalhos da senhorita em questão foram dispensados.

Uma atrocidade para nós – crianças sendo tratadas como gado -, os alunos ficam indiferentes diante do fato, seguindo para a vida adulta como se tudo isso fosse normal e não houvesse mais nada a fazer a não ser esperar pacientemente os dias da 1ª, 2ª e da 3ª cirurgia de doação. Cirurgias que degradavam e tiravam suas vidas lenta e cruelmente. Nessa fase que entram rostos conhecidos na história: os adultos Tommy (Andrew Garfield, o novo Homem-Aranha e de A Rede Social), Ruth (Keira Knightely, A Duquesa e Piratas do Caribe) e Kath (Carey Mulligan, de Orgulho e Preconceito).

Em meio a tanta crueldade, ainda a tempo para a redenção de Ruth. Arrependida, ela confessa que fez o que fez por inveja da amiga e agora quer reaproximar os dois amigos como deveria ter acontecido anos atrás. Para tanto, Ruth tenta utilizar o artifício do adiamento das doações: assim como ela, Tommy estava na segunda doação (e incrivelmente bem, pois é rara a sobrevivência após a primeira). Kathy como cuidadora dos doadores, uma espécie de enfermeira, ainda não teve suas doações agendadas. Mas na realidade esse adiamento nunca existiu, ou seja, o futuro de Ruth e Tommy não mudaria em nada, a respectiva terceira doação viria como o planejado. E as duas cirurgias foram acompanhadas por Kathy.

Duas semanas depois do falecimento de sua eterna paixão, foi programada a primeira doação de órgãos dela. E como os outros dois, ela não pretendia escapar dessa realidade, ainda mais agora.

NOTA: 5/5








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Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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