Festival Varilux de Cinema Francês | parte 02

13 04 2014

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SUZANNE (França, 2013) Suzanne e Maria (Adèle Haenel, Lírios D’Água e L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância)  foram criadas apenas pelo pai, Nicolas Merevsky (François Damiens, Tango Livre e A Delicadeza do Amor) após perderem a mãe precocemente. Por ser caminhoneiro e ser pai solteiro, não restam dúvidas de como essa criação foi difícil. Mas mesmo não tendo muitas condições, ele conseguiu com muita propriedade, conduzi-las a maturidade com valores éticos e educacionais muito bem construídos e assimilados. O forte vínculo existente entre as duas irmãs é um indício disso.

Mas nem todos os problemas puderam ser evitados e Suzanne (Sara Forestier, Ervas Daninhas e O Amor é Um Crime Perfeito) acaba engravidando. As diversas passagens de tempo apresentadas sempre após o surgimento de alguma dificuldade mostram que, apesar dos pesares, os três (agora quatro) sempre conseguiram solucioná-los.

Entretanto, Suzanne era sempre a garota do contra. Grande parte disso por ser mimada e protegida pela irmã quando havia uma desavença mais séria com o pai. Não bastasse a situação limitada em se encontravam, Suzanne passa a querer viver o grande amor da sua vida, quando já não havia nem espaço e nem condições para a aventura. Como complicação pouca é bobagem, o seu ‘príncipe encantado’, Julien (o novato Paul Hamy, de Ela Vai), acaba conduzindo a personagem-título para o mundo do tráfico de drogas, onde Suzanne entrava sem questionar nada e sem dar satisfação para a família.

O longa de Katell Quillévéré, que também assina o roteito, prova o seu valor ao não julgar seus personagens e nem determinar o que é condenável ou não. Decisão que desperta reações ambíguas no espectador: se em certa cena condenamos Julien e Suzanne pela inconsequência de suas atitudes, por outro lado, não podemos deixar de reconhecer que realmente há um amor existente entre eles, que sobrevive à distância, ao tempo e às situações.

Tristeza mesmo é Suzanne não perceber que quem realmente sofre com suas ações é sua família. Embora Maria acabasse sempre a defendendo, suportando fardos que não lhe pertenciam, era nítido o desgosto do pai para com a protagonista; Charlie, o primeiro filho dela, acabou sendo judicialmente adotado por outra família, pois tia e avô não tinham condições de criá-lo. E ao que parece, Suzanne não reconhecerá esse sofrimento tão cedo, se é que o reconhecerá.

NOTA: 4/5

O PASSADO (França, 2013) O iraniano Asghar Farhadi (A Separação) volta a lidar – com talento único – com o drama familiar. Uma trama sólida, complexa e difícil de se elucidar.

Mais denso que A Separação, O Passado (com seus vários ramos narrativos) também possui como questão central uma separação não concluída. Dessa vez Ahmed (Ali Mosaffa, Leila) retorna do Irã para finalizar o seu processo de divórcio com Marie (Bérénice Bejo, O Artista e A Datilógrafa), há mais de 4 anos separados. Mas nada é tão simples quanto parece: Marie mora com as filhas Léa (a pequena Jeanne Jestin) e Lucie (Pauline Burlet, Piaf – Um Hino ao Amor). A última, mais velha, não aceita o relacionamento da mãe com o novo namorado Samir (Tahar Rahim, O Príncipe do Deserto e O Profeta), pai do genioso Fouad (Elyes Aguis em seu primeiro longa), que também vivem com Marie.

A grande questão do longa está justamente em seu título. Cada personagem (com a exceção das crianças) traz consigo questões do passado em aberto que afetam diretamente o presente. A principal delas é a ex-esposa de Samir que está em estado de coma após tentativa de suicídio após a descoberta do caso extra-conjugal do marido. É em relação a esse grave incidente que todos (em maior ou menor grau) apresentam algum sentimento de culpa, mais baseado em suposições do que na verdade.

Inesperadamente, cabe a Ahmed o papel de articulador, e por conseguinte, solucionador desse conflito porque é o único personagem que consegue lidar facilmente com todos os envolvidos. E ele assume esse papel de apaziguador o tempo todo, com lucidez e serenidade incríveis, desde o momento em que pisa na casa de Marie até o momento em que parte novamente para o Irã.

NOTA: 5/5

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Festival Varilux de Cinema Francês | parte 01

12 04 2014

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UMA JUÍZA SEM JUÍZO (França, 2012) O nome (pelo menos o traduzido) não despertava a maior das curiosidades. O início do filme também não, quando optava por escolhas típicas da comédia besteirol ao forçar o riso com caretas, gestos bruscos e o velho clichê de utilizar a gagueira em um advogado que precisa discursar em defesa de seu cliente. Mas, para o seu bem, a trama se desenvolve e o nível de seu humor melhora.

Ariane Felder (Sabrine Kiberlain, O Pequeno Nicolau e Políssia) é uma workaholic assumida. Trabalha de 15 a 16 horas no Supremo tribunal francês. Muito trabalho, pouca diversão e uma solteirona convicta. Aí vem o Réveillon de 2013 e muda a história da doutora Felder que, seis meses depois, descobre estar grávida. Algo inacreditável, inconcebível!

A busca pelo pai da criança (que a bebida da noite da virada não a permitia lembrar) a aproxima de Bob Nolan (Albert Dupontel, de Irreversível e Bernie, mas que também dirige o longa), um sujeito tão desajeitado quanto ela e que é acusado de um crime bárbaro do qual não é culpado. E o álibi perfeito é exatamente a juíza, pois quando o crime ocorreu, os dois estavam juntos.

Entre deixar o pai de seu filho ser preso injustamente e testemunhar a favor dele e perder a sua promoção à Corte de Apelação, a doutora Felder ainda encontrará muitas pessoas excêntricas pelo caminho. Melhor para Uma Juíza Sem Juízo em sua metade final que deixa de enveredar pelo humor óbvio (mesmo restando alguns resquícios desse aqui e ali) e adota um humor mais discreto e indireto, utilizando-se mais das situações e do roteiro em si.

Destaque para a participação especial de Jean Dujardin (O Artista e O Lobo de Wall Street) como intérprete de sinais no filme.

NOTA: 3/5

ANTES DO INVERNO (França, 2012) O senhor Paul Natkinson (Daniel Auteuil, A Filha do Pai e Atirador de Elite) é um neurocirurgião com uma carreira profissional já estabelecida. Ele divide uma bela mansão com a esposa Lucie (a bela Kristin Scott Thomas, O Paciente Inglês e Assassinato em Gosford Park) e os momentos alegres de família reunida ocorrem aos finais de semana nos parques da cidade ao lado do filho, da nora e do neto.

Nada poderia abalar esse cotidiano familiar muito bem constituído. Uma certeza abalada apenas quando a jovem Lou (Leila Bekhti, Satã e Paris, Te Amo) surge na vida do médico. Alegando ter sido operada por ele quando criança, a garçonete/universitária/prostituta Lou passa a cruzar, frequentemente, o caminho do neurocirurgião. Fato esse sucedido por buquês de rosas que passam a aparecer no hospital onde ele trabalha, no consultório em que atende seus clientes particulares e até no portão de sua casa.

Intrigado e desconfiado, ele logo associa essas estranhas ocorrências à Lou, que consegue se explicar satisfatoriamente toda vez em que é acusada pelo doutor. Entre idas e vindas conturbadas e um afastamento involuntário de Paul de seu exercício profissional, os dois acabam se aproximando. Um inesperado relacionamento (não amoroso por parte dele) que distancia o doutor Natkinson da família e principalmente de sua esposa. Lucie, que por sua vez, sempre agiu fielmente e sempre foi uma grande admiradora do marido.

Tais acontecimentos são uma excelente oportunidade para Paul refletir sobre tudo o que levou a ser o excelente profissional que é e a forma com vinha lidando com sua família. Ao admitir que não sonhara com nada daquilo que conquistara, percebemos o quanto sua vida vinha sendo vivida no piloto automático. Um exemplo que sucesso nem sempre vem acompanhado de felicidade.

Mas suas atuais escolhas, que julgava serem sinceras, acabam o levando para um caminho perigoso. Lou, sempre presente de repente desaparece. E em busca de seu paradeiro, doutor Natkinson se vê vítima de uma trama que jamais imaginaria estar envolvido. Um choque que talvez o auxilie a melhorar o relacionamento com os seus familiares e, quem sabe, ser mais grato com tudo o que conseguiu construir.

NOTA: 5/5





ANÁLISE: O Lobo de Wall Street

1 02 2014

Quem tem dinheiro, tem tudo, inclusive a possibilidade de financiar uma vida desvairada a base de muito sexo e drogas. A nova parceria entre Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese (uma longa parceria que desde 2002 já rendeu filmes como Gangues de Nova York, O Aviador,  Os Infiltrados e Ilha do Medo) retrata bem essa afirmação ao acompanhar a trajetória de Jordan Belfort, um cidadão trabalhador como qualquer outro, que planeja dar uma guinada no  rumo da sua vida ao entrar para o ramo financeiro exercido na Wall Street.

A primeira incursão nessa área tem como líder um excêntrico investidor, uma pequena participação de um igualmente estranho Matthew McConaughey (do inédito Clube de Compras Dallas, Magic Mike ou pode ser visto também na nova série da HBO True Detective), que surge em uma participação memorável e hilária, mesmo ocupando pouco tempo em tela. Após seis meses trabalhando como operador telefônico na agência, Jordan consegue finalmente ser promovido a corretor autorizado. Uma ascensão que vem conjuntamente com a falência da agência de investimentos.

Como o próprio Leonardo DiCaprio trata de nos explicar, já que seu personagem dirige-se diretamente para a câmera (e como o próprio filme revelara em seu início), essa falência nada mais é do que um pequeno empecilho em sua trajetória para uma fortuna invejável. Um caminho que começa a ser percorrido numa agência de investimentos amadora – quase uma sub-NASDAQ -, que consistia em vender ações de pequenas empresas tecnológicas de fundo de quintal, mas extremamente atraentes para pequenos e ignorantes investidores. Um curto período de tempo é o suficiente para acumular uma notória quantia de dólares, que aliada aos amigos desmiolados de Jordan, o ajudam a formar a Stratton Oakmont.

Diferentemente de outras empresas sérias do setor, todo o alicerce da Stratton Oakmont foi construído sobre a mais suja especulação financeira. Empresas de ramo e rumo duvidosos tinham suas ações vendidas pelo telefone através de técnicas de persuasão ensinadas a exaustão pelo seu líder no início de cada expediente. Era nesses momentos de discurso que a atuação de Leonardo DiCaprio surgia em uma inacreditável mescla de insanidade e entusiasmo, algo que poucos atores conseguiriam construir e sem dúvida um desempenho digno de Oscar.

Em muitos momentos ao longo de suas três horas de duração, O Lobo de Wall Street flerta com cenas dignas do besteirol americano, tendo-se apenas uma milionário diferença no poder aquisitivo dos personagens deste longa para aqueles presentes no combalido gênero comedista. Exagerando em certas sequências de considerável mau gosto, Scorsese tem em mãos um ótimo elenco coadjuvante para lidar com as bizarrices (no bom sentido) contidas no roteiro escrito por Terence Winter (das séries Boardwalk Empire e Família Soprano), além do ótimo timing cômico até então desconhecido de DiCaprio. Johan Hill (É O Fim e Anjos da Lei) se destaca entre os componentes da ‘gangue do hospício financeiro’ que é a Stratton Oakmont, os serviços externos operados por Jon Bernthal (o Shane de The Walking Dead) , Naomi – a nova e gostosa esposa de Jordan – interpretada por Margot Robbie (Questão de Tempo e da série Pan Am) e sua tia Emma (Joanna Lumley, A Noiva Cadáver e 007 – A Serviço de sua Majestade) e Jean Dujardin (O Artista e Caçadores de Obras-Primas), que empresta todo o seu charme e carisma ao bancário suíço Jean Jacques, além do agente do FBI Patrick Denham (Kyle Chandler, das séries Early Edition – A Edição do Amanhã e Friday Night Lights e dos filmes Argo e A Hora mais Escura), que tem a rara chance de desmantelar as falcatruas da agência financeira e desmascarar Jordan.

O recorte dinâmico entre todas essas situações não deixa O Lobo de Wall Street cair no ostracismo, mantendo vivo o interesse do espectador ao abordar o declínio do estilo de vida de Jordan, que vê as investigações do FBI o cercando cada vez mais, ao mesmo tempo que suas tentativas de suborná-los não surte o efeito desejado e os demais problemas que surgem após a tentativa de esconder sua fortuna em solo suíço. Na derrocada, Leonardo DiCaprio consegue esconder muito bem o nervosismo de seu personagem em público ou diante das autoridades, um contraponto interessante de se perceber em relação ao seu descontrole total após receber o pedido de divórcio de Naomi, que resulta numa discussão acalorada entre o casal.

A experiência (e que experiência, diga-se de passagem) de Martin Scorsese mais o talento e a competência dos elencos, principal e coadjuvante, evitam que O Lobo de Wall Street torne-se uma experiência massante para o seu espectador que tem diante de si um filme longo, mas suportável, só que com menos brilho de outras obras assinadas por Scorsese. Talvez sejam os erros cometidos na execução das filmagens que realcem tanto o excepcional desempenho de DiCaprio na pele de Jordan Belfort. Um destaque precioso e essencial para, quem sabe, a conquista de seu primeiro Oscar de sua carreira.

NOTA: 3/5





ANÁLISE: O Voo

17 02 2013

CORRIDA DE OURO – OSCAR 2013

Antes de mais nada e pelo visto aqui em O Voo, Robert Zemeckis (O Expresso Polar e Os Fantasmas de Scrooge) deveria voltar a fazer mais filmes em live-action. Nesse thriller de ação, Zemeckis não só constroi um dos melhores do gênero como também conta com um excelente elenco em mãos para fazer sua história fluir.

O roteiro, por sua vez, não perde tempo em nos apresentar o perfil de seu personagem chave, Whip Whitaker (Denzel Washington, Chamas da Vingança e Dia de Treinamento): a nudez da mulher com quem passou a noite o torna galanteador; a discussão pelo celular sobre a mensalidade escolar do filho com a ex-mulher põe um casamento fracassado anterior a esses fatos e os vícios legais (álcool) e ilegais (cocaína) revelam o drama principal da trama. Se tais hábitos já são nocivos a uma pessoa comum, o caso fica ainda mais grave quando a pessoa em questão é um piloto que assumiria, em poucas horas, o controle de um avião comercial de grande porte.

Um grave incidente com aeronave, entretanto, coloca em cheque a perícia do comandante Whitaker e Zemeckis escolhe abordar o acidente do ponto de vista interno do avião ao invés de explorar a exaustão os efeitos especiais da queda do avião pelo lado de fora, o que confere mais intensidade dramática a sequência. Mesmo salvando a grande maioria das 102 vidas a bordo (quatro passageiros e dois tripulantes vieram a falecer), o exame toxicológico pós-acidente apontara traços de álcool e cocaína no sangue do piloto. E de fato o capitão consumira, audaciosamente a bordo, ainda duas garrafinhas de vodca misturada a um suco.

Conforme vai sofrendo a pressão das acusações do tribunal, das autoridades aéreas americanas e da imprensa sensacionalista – o que intensifica ainda mais seus vícios, Whitaker ainda se envolve com a drogada em recuperação Nicole (a jovem Kelly Reilly, presente nos dois últimos Sherlock Holmes de Guy Ritchie). Embora ela funcione em contraponto a Whip em relação a luta contra a dependência química, Nicole jamais foi uma forte razão para que o mesmo abandonasse os vícios. Se a sua família (incluindo aí um filho adolescente), nem mesmo o processo em andamento movido contra ele foram motivos suficientes, não seria a força de vontade da jovem que o faria abandonar as drogas e a bebida.

Uma participação especial (nem podemos considerá-la como subtrama) que rende ótimos momentos em O Voo é a que envolve a presença de John Goodman (Curvas da Vida e O Artista). Um ator extremamente carismático, evidente por exemplo com a sua participação na série da HBO, Treme, Goodman aqui é Harling Mays, uma espécie de fornecedor (em regime de plantão) de cocaína para Whitaker.É Harling Mays quem ajuda a construir um dos momentos mais bem-humorados da trama ao gritar irritado: “Não toque na mercadoria!”. Graças a sua ‘prestação de serviços’ que o advogado de Whitaker e o representante dos sindicatos se safam de uma vergonha colossal no dia do julgamento. Logo após o auxílio de Mays, não há como segurar o riso na cena durante o elevador, quando toca ao fundo e em instrumental a música dos Beatles With Little Help From My Friends, que é justamente o que acabara de ocorrer.

Mesmo apresentando bom humor e explorando muito bem o problema dos vícios de Whitaker, a produção de Zemeckis falha em inserir o drama familiar na trama principal, perceptível pelo enfraquecimento que a narrativa sofre quando o comandante vai visitar sua ex-esposa e o filho, cujas participações são totalmente desnecessárias. O mesmo ocorre quando o roteiro de John Gatins (roteirista de Coach Carter- Treino para a Vida e Sonhadora) quer adotar uma postura série abordando a religião, desenvolvendo brandamente a história do co-piloto Ken Evans (Brian Geraghty, Guerra ao Terror e Soldado Anônimo), onde expõe, mas não conclui: se apoia ou se escracha o idealismo religioso. Por outro lado, jogar a responsabilidade em cima dos ombros de Denzel Washington nunca é demais em O Voo e o ator interpreta muito bem a dualidade do caráter do piloto diante das diversas armadilhas que trama apresenta ao seu personagem.

A concretização, assim como todo o filme, também tem seus altos e baixos. Se pelas entre-linhas da lei o piloto poderia sair impune perante a Justiça, Whitaker decide conscientemente, assumir toda a sua culpa. Mas o que seria uma finalização digna para toda a projeção até aqui, a teimosia em inserir o filho na história solitária do pai acaba apelando para um sentimentalismo piegas e desnecessário. Se O Voo não tentasse transmitir seriedade e se concentrasse mais no seu principal propósito, a diversão, seria um filme ainda melhor!

NOTA: 4/5






Vem aí o MTV Movie Awards 2012

27 05 2012

Com a chegada da metade do ano tem se a impressão que os grandes prêmios voltados para os filmes de 2011 terminaram. Mas está enganado quem pensa assim. No próximo domingo, dia 03 de junho, é o MTV Movie Awards 2012 quem encerra de uma vez por todas mais essa temporada da Sétima Arte.

No lugar do Globo e do ‘homenzinho’ dourado entra a Pipoca Dourada, um troféu muito bem escolhido para retratar a cerimônia, um reinado para os filmes blockbusters, os chamados filmes pipocas. Longas como O Artista ou aqueles de Lars von Trier ou de Woody Allen passam bem longe da festa.

Por outro lado, o MTV Movie Awards serve muito bem como vitrine para a temporada dos grandes filmes do verão americano. Com certeza não faltarão spots comerciais sobre os grandes lançamentos dos próximos meses: Homem-Aranha, o último Batman de Christopher Nolan, a segunda parte de Amanhecer que encerra a saga Crepúsculo certamente terão o seus merchandising no domingo que vem.

De qualquer forma podemos ver que de todos os males, os indicados aos prêmios nesse ano melhoraram significativamente em relação às cerimônias anteriores: ou a organização do eventos soube muito bem escolher os indicados desse ano, delimitados claro, pelo público alvo da festa; ou 2011 teve poucas porcarias sendo lançadas na telona.

Toda a festa estará sob o comando do ator britânico e comediante Russell Brand (O Pior Trabalho do Mundo e Meu Malvado Favorito), mas mais conhecido pela alcunha de ex-Katy Perry. Ele já prometeu um show mais impressionante que Os Vingadores! “Com sua incrível capacidade de abranger todo o espectro da comédia, do mais sofisticado ao mais rasteiro, o humor inteligente e imprevisível de Russell se conecta de maneira ímpar com nosso público”, afirmou o presidente da MTV Stephen Friedman a Reuters Brasil.

Como podemos ver nas indicações abaixo, o MTV Movie Awards 2012 tem Jogos Vorazes e Missão Madrinha de Casamento como os grandes destaques e recorda ainda filmes como Super 8, Drive e 50% que passaram despercebidos das outras grandes premiações. Vamos a lista dos indicados:

MELHOR FILME

  • A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1
  • Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 2
  • Histórias Cruzadas
  • Jogos Vorazes
  • Missão Madrinha de Casamento

MELHOR ATRIZ

  • Emma Stone, Amor à Toda Prova
  • Emma Watson, Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 2
  • Jennifer Lawrence, Jogos Vorazes
  • Rooney Mara, Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres
  • Kristen Wing, Missão Madrinha de Casamento

MELHOR ATOR

  • Joseph Gordon-Levitt, 50%
  • Ryan Gosling, Drive
  • Daniel Radcliffe, Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 2
  • Josh Hutcherson, Jogos Vorazes
  • Channing Tatum, Para Sempre

MELHOR ELENCO

  • Anjos da Lei
  • Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 2
  • Histórias Cruzadas
  • Jogos Vorazes
  • Missão Madrinha de Casamento

MELHOR REVELAÇÃO

  • Shailene Woodley, Os Descendentes
  • Liam Hemsworth, Jogos Vorazes
  • Rooney Mara, Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres
  • Melissa McCarthy, Missão Madrinha de Casamento
  • Elle Fanning, Super 8

MELHOR PERFORMANCE PESADA

  • Anjos da Lei – Johan Hill e Rob Riggle
  • Drive – Ryan Gosling
  • Missão Impossível: Protocolo Fantasma – Tom Cruise
  • Missão Madrinha de Casamento – Kristen Wiig, Maya Rudolph, Rose Byrne, Melissa McCarthy, Wendy McClendon-Covey e Ellie Kemper

MELHOR TRANSFORMAÇÃO NA TELA

  • Johnny Depp, Anjos da Lei
  • Rooney Mara, Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres
  • Elizabeth Banks, Jogos Vorazes
  • Collin Farrell, Quero Matar o meu Chefe
  • Michelle Williams, Sete Dias com Marilyn
MELHOR ATUAÇÃO CÔMICA
  • Johan Hill, Anjos da Lei
  • Zach Galifianakis, Se Beber Não Case – Parte 2
  • Kristen Wiig, Missão Madrinha de Casamento
  • Melissa McCarthy, Missão Madrinha de Casamento
  • Oliver Cooper, Projeto X – Uma Festa Fora de Controle
MELHOR MÚSICA
  • ‘Parthy Rock Anthem’, LMFAO (Anjos da Lei)
  • ‘A Real Hero’, College with Electric Youth (Drive)
  • ‘The Devil is in the Details’, Chemical Brothers (Hanna)
  • ‘Impossible’, Figurine (Like Crazy)
  • Pursuit of Happiness, Kid Cudi remix de Steve Aoki (Projeto X – Uma Festa Fora de Controle)
MELHOR BRIGA
  • Channing Tatum & Johan Hill vs Kid Gang, Anjos da Lei
  • Tom Hardy vs Joel Edgerton, Guerreiro
  • Daniel Radcliffe vs Ralph Fiennes, Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 2
  • Jennifer Lawrence & Josh Hutcherson vs Alexander Ludwig, Jogos Vorazes
  • Tom Cruise vs Michael Nyqvist, Missão Impossível: Protocolo Fantasma
MELHOR BEIJO
  • Robert Pattinson & Kristen Stewart, A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1
  • Ryan Gosling & Emma Stone, Amor à Toda Prova
  • Rupert Grint & Emma Watson, Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 2
  • Jennifer Lawrence & Josh Hutcherson, Jogos Vorazes
  • Channing Tatum & Rachel McAdams, Para Sempre
MELHOR PERSONAGEM IDIOTA
  • Bryce Dallas Howard, Histórias Cruzadas
  • Jon Hamm, Missão Madrinha de Casamento
  • Oliver Cooper, Projeto X – Uma Festa Fora de Controle
  • Colin Farrell, Quero Matar meu Chefe
  • Jennifer Aniston, Quero Matar meu Chefe




ANÁLISE: O Artista

13 03 2012

Mil novecentos e vinte e sete. George Valentin vive o auge da sua carreira. A maior estrela do Cinema em sua época, Valentin (papel de Jean Dujardin com a elegância e o garbo característicos dos galãs da década de 20) é capaz de lotar os luxuosos e enormes cinemas com os espectadores ávidos por conferir a sua atuação. Notável isso numa estreia de um de seus filmes onde a plateia, logo após a sessão, o saúda com eloquência a sua presença. Logo de início já podemos observar os traços de egoísmo e orgulho de sua personalidade nessa pequena apresentação.

Valentin certamente tem lá o seu egoísmo, mas nunca podemos considera-lo arrogante, tamanho o seu tato com o público, jornalistas e fãs. E é uma dessas fãs que ‘ganha na loteria’ ao estampar a capa de jornal numa foto tirada ao dar um beijo no astro na porta do cinema. Extremamente encantada com essa súbita oportunidade, Peppy Miller (personagem da atriz argentina Bérénice Bejo, Coração de Cavaleiro), trata logo de investir na carreira artística aventurando-se em papéis de figurantes na produtora que George Valentin trabalha. Isso provocaria uma grande amizade e admiração de um pelo outro.

Tudo vai bem até que chega a crise financeira de 1929. Com um mundo economicamente em colapso, a Sétima Arte através de suas produtoras tinha que manter o interesse do público em seus filmes. Para tanto, investiram naquilo que o cinema ainda não tinha e se tornaria o grande atrativo para a manutenção de bilheterias cheias: o som. Valentin, purista, recusava participar de qualquer produção que viesse ser feita com a novidade, “as pessoas precisam me ver e não me ouvir”. Um engano que custou a decadência de sua carreira.

Galgando aos poucos os degraus de sua carreira, Peppy Miller simbolizou essa nova era do Cinema para sua produtora, preenchendo o espaço vazio deixado por Valentin, que se aventurou em um filme próprio e mudo, quando viu que as portas começaram a se fechar para ele e abrir para os entusiastas da sonoridade. O resultado da escolha pode ser visto quando ambos os filmes (de George e Peppy) estreiam no mesmo dia e as filas da bilheteria da produção dela atrapalham a saída dos poucos espectadores que tinham visto o filme dele.

O fracasso leva George Valentin à falência, tendo que desfazer aos poucos de suas posses e propriedades, observando a ascensão exponencial da carreira de Peppy Miller, cujo nome estamparia os mais variados cartazes e ornaria as marquises dos grandes cinemas. Essa inversão no destino de cada um é emblemática quando após pedir demissão, Valentin encontra Miller nas escadarias do estúdio: ele, descendo com um figurino escuro, contrasta com a roupa branca dela e dos demais novatos, subindo as escadas, subindo para o sucesso.

O diretor Michel Hazanavicius explora muito bem a tensão e o desespero de George ao expô-lo em um ambiente onde tudo tem som menos a sua voz. Por estar presente na primeira metade do longa quando para nós, espectadores, ainda encontra-se na fase sem som, a cena é uma grata e inesperada surpresa que se desfaz como num sonho, literalmente. George só exercia fascínio agora nos velhos espectadores, enquanto Peppy Miller era idolatrada pela nova geração.

Coube a Peppy Miller retirar o seu ídolo de outrora da rua da amargura. Em dois momentos diferentes, desesperado e sem mais nada, Valentin procurou tirar a sua própria vida, sendo salvo por ela direta ou indiretamente nas duas ocasiões. A atriz só conseguiu vencer o orgulho dele o convidando para participar de um filme onde as falas estivessem em segundo plano: Peppy convence George Valentin a voltar aos sets com ambos executando os mesmos passos praticados quando se encontraram pela primeira vez profissionalmente: os de sapateado.

Assim, com um atalho, que Peppy realiza o seu maior desejo, de protagonizar um filme ao lado de seu maior ídolo e ao lado daquele que a apoiou e a incentivou na sua carreira. Algo que só ocorreu agora porque o orgulho e a falta de adaptação de Valentin não o deixaram aceitar anteriormente. E pode-se dizer que ele se manteve firme em sua convicção, afinal, o seu grande retorno foi possível graças ao seu desempenho físico, a dança, e não à sua voz.

NOTA: 5/5.





O Oscar 2012 pela internet brasileira

27 02 2012

E vamos agora pelo nosso tradicionalíssimo post sobre a repercussão do Oscar nas mídias on-lines brasilerias:

UNIVERSO E!: Hugo Cabret e O Artista polarizam o Oscar 2012

UOL: Oscar consagra Hugo Cabret e O Artista com cinco prêmios

TERRA: Com cinco prêmios, O Artista é o grande vencedor do Oscar 2012

IG: Os Muppets tira Oscar do Brasil

FOLHA: principal vencedor da noite, francês O Artista ganha Oscar de melhor filme

G1*: Francês O Artista ganha os principais prêmios do Oscar 2012

ESTADÃO: O Artista é o grande vencedor do Oscar 2012

R7: Filme mudo O Artista é o grande vencedor do Oscar

POP: Em cerimônia previsível, O Artista leva os principais prêmios do Oscar 2012

 

Assim, está oficialmente iniciado o ano 2012 para o cinema!

*G1 foi o único portal cuja principal manchete não estava relacionada ao Oscar.

 





Hugo Cabret e O Artista polarizam o Oscar 2012

27 02 2012

Os filmes com o maior número de indicações para o Oscar de 2012 – A Invenção de Hugo Cabret e O Artista -, começaram logo de cara polarizando a cerimônia. O filme de Martin Scorsese faturou os dois primeiros prêmios: melhor fotografia e direção de arte. O Artista veio em seguida faturando o prêmio de melhor figurino.

Já na quarta premiação da noite, A Dama de Ferro faturou a estatueta de melhor maquiagem. O segundo prêmio do longa viria com o terceiro Oscar da carreira de Meryl Streep, depois de 17 indicações. Billy Crystal até exaltou a dedicação da veterana atriz.

Um dos mais excepcionais filmes do ano passado e o favorito disparado de sua categoria, o iraniano A Separação levou o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Já por atriz coadjuvante levou Histórias Cruzadas que teve duas indicadas, mas quem ganhou foi a atriz Octavia Spencer, ovacionada de pé pelos seus colegas.

Uma grande surpresa da noite ocorreu na categoria de melhor montagem. O prêmio foi para Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres, merecido pela complexidade da sua narração.

A Invenção de Hugo Cabret continuou disparando na frente em número das estatuetas: levou os Oscar’s sonoros de melhor mixagem de som e melhor edição de som.

Nas categorias de menor prestígio até por não termos muito contato e nem muitos lançamentos por aqui, vamos para um rápido resumo: Undefetead levou o prêmio de melhor documentário. Nas categorias de curtas tivemos os ganhadores: curta-metragem, The Shore; curta-animação: The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore, que provavelmente tem um título maior que sua duração e curta-documentário: Saving Face.

Outro grande favorito que não perderia sua estatueta por nada, Rango ganhou o Oscar de melhor animação. Christopher Plummer, com 82 anos de idade (dois anos mais novo que o Oscar) ganha a estatueta de melhor ator coadjuvante.

O Artista volta a ganhar uma estatueta na categoria de melhor trilha sonora, sendo o seu segundo prêmio da noite. Em seguida chegamos a categoria onde o Brasil concorreu. Carlinhos Brown com a melhor canção original Real in Rio da animação de Carlos Saldanha, perdeu para o único concorrente: Man or Muppet, de Os Muppets!

Ao longo da cerimônia, os prêmios continuaram a se diluir entre os indicados. Os Descendentes ganhou por melhor roteiro adaptado e Meia-Noite em Paris o melhor roteiro original.

O Oscar de melhor diretor diminui a diferença de estatuetas entre Hugo e O Artista, premiando Michel Hazanivicous. E foi justamente os prêmios principais que levou o filme em preto-e-branco e mudo a reagir na premiação e terminar a noite empatado com A Invenção de Hugo Cabret: O Artista levou ainda o Oscar de melhor ator para Jean Dujardin e melhor filme.





Maratona Oscar 2012

1 02 2012

O começo do ano é a época mais corrida para os cinéfilos que acompanham de perto a temporada de premiações da sétima arte.

Com Emmy em setembro, Globo de Ouro e a entrega dos prêmios oferecidos pelos sindicatos que representam artistas e profissionais de Hollywood entre dezembro e janeiro, o Oscar encerra essa temporada como a cerimônia de maior prestígio. E as sextas dos meses de dezembro, janeiro e fevereiro são reservadas para os filmes que disputam suas principais categorias.

O ano de 2012 não poderia ser diferente e a poucas semanas para o domingo do Oscar temos muitos lançamentos a conferir se quisermos ficar interados durante a realização da festa.

Depois de umas férias não-oficiais, o Universo E! acompanha agora, na medida do possível, essas estreias. Se não houver tempo suficiente para uma análise completa de cada filme candidato, daremos pelo menos um breve comentário e nosso pitaco sobre quem leva ou não a estatueta dourada.

Para tanto, começaremos com algumas análises que ficaram pendentes de publicação em janeiro e já correremos atrás das mais diversas salas de cinema para conferir os próximos lançamentos. Entre eles: O Artista, Os Descendentes, A Separação, Histórias Cruzadas, Tão Forte e Tão Perto, Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres, Sete Dias com Marilyn e muito mais…

E aguardamos também a sua participação, caro leitor, sobre quais são os seus filmes favoritos e quais longas não merecem levar o Oscar para o estúdio.

Até breve!








PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2019

Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Site com atividades e informações sobre a associação que reúne profissionais da crítica cinematográfica de todo o Brasil

Sinfonia Paulistana

um novo olhar

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