ANÁLISE: Isolados

7 10 2014

Assobios de alguém que está procurando algo na escuridão. Uma trilha sonora grave e contínua e uma câmera hesitante em mostrar o que está acontecendo criam uma atmosfera misteriosa e envolvente. Mais alguns instantes e a surpresa: toda a escuridão presente advinha muito mais da mata fechada em si, que impedia a penetração da luz de um dia que já se findava lá fora, do que uma falta real de luminosidade.

Gratificante acompanhar essa crescente diversificação do cinema nacional, não só em temática, mas também em gêneros. Uma produção cinematográfica que já abordou a favela, o sexo, a violência, que agora insiste na comédia descompromissada, mas consegue agora produzir suspenses e dramas muito bem realizados e começa a se aventurar nas animações (e conquistar importantes prêmios internacionais nesse terreno).

Lauro (Bruno Gagliasso em seu segundo filme após Mato sem Cachorro) e Renata (Regiane Alves, de Zuzu Angel e O Menino no Espelho) são um casal que vão passar alguns dias numa casa totalmente isolada no meio da mata no estado do Rio de Janeiro. Mas o que eles não sabiam antes de chegarem ali era o fato de que mulheres foram mortas e violentadas no meio da floresta. E quem o fazia ainda continuava a espreita.

O motivo para essa viagem e para esse isolamento é explicado em rápidos e sucintos flashblacks, que mostram o passado conturbado de Renata, mentalmente falando, motivado por um trauma de infância: a perda repentina e precoce do pai. Ela torna-se paciente de Lauro, um psiquiatra que se autodefende como alguém que “gosta de levar trabalho para casa” e daí para surgir um relacionamento entre eles foi um pulo. Passar uma temporada longe da agitação da grande cidade poderia auxiliar no tratamento dela. Poderia.

Renata surta em dado momento quando Lauro a impede de sair de casa. Ela desconhecia o que se passava na região. Uma hora a mulher consegue se desvencilhar da proteção do namorado/doutor e foge mata adentro. Isolados age corretamente em manter a ameaça escondida, nunca a exibindo. Tudo o que o espectador recebe nesse sentido são relances dos assassinos, sons em meio à mata, sombras. Os suspeitos nunca são devidamente expostos, nem mesmo quando Lauro se depara com os criminosos. Decisões clichês, mas que funcionam e atendem a proposta do filme.

Os protagonistas passam a viver uma aflição e um temor dentro da casa. Impossibilitados de deixarem o local devido ao grave ferimento na perna de Renata, eles acabam isolados na residência, trancafiados, sem energia e sem comunicação, portanto, sem nenhum tipo de auxílio externo. Mais do que a probabilidade que os assassinos voltem a agir novamente, são os surtos cada vez mais frequentes de Renata que podem atrapalhar a tentativa de saírem dessa situação.

Eficiente em sua montagem que cria um thriller interessante, principalmente nas cenas de ação beneficiadas por uma edição ágil, Isolados peca mesmo no roteiro de duas formas distintas: no excesso de frases expositivas e óbvias, com o claro intuito de indicar o rumo da trama e na construção rasa do núcleo de personagens da força policial – que agem e falam de um modo tão inexperiente que chegamos a temer pelas vítimas cujas respectivas vidas dependam da investigação realizada por eles.

Mesmo com tais falhas, a história surpreende em seu desfecho por desconstruir completamente o perfil de um personagem e mesclar realidade e fantasia sem negar tudo o que foi mostrado. Vale a pena destacar também a linda e justa homenagem prestada durante boa parte dos créditos finais a José Wilker (O Bem Amado e Casa da Mãe Joana) que faz uma pequena participação especial com, possivelmente, uma das cenas do ator que acabaram sendo excluídas da edição final.

NOTA: 3/5

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XI Projeta Brasil Cinemark

7 11 2010

Nessa segunda, dia 08, a rede de cinemas Cinemark reservas todas as suas salas no país para acomodar os melhores filmes nacionais nesse último ano no Projeta Brasil Cinemark em sua 11ª edição.

E ao contrário das edições anteriores, em 2010 deve faltar espaço para abrigar tantas boas produções brasileiras lançadas nos últimos 12 meses. Os brasileiros campeões de bilheteria – Chico Xavier, Nosso Lar e Tropa de Elite 2 – estarão em cartaz a preços promocionais, R$ 2. Se os vazios das edições anteriores eram preenchidos pelos duvidosos longas de Xuxa e Didi, esse ano para o bem do nosso cinema, isso vai acontecer, mas em menor escala.

Com  amadurecimento da produção de filmes no Brasil, que atraem cada vez mais espectadores aos cinemas e que até recentemente eram a maioria em cartaz nos cinemas brasileiros, nada mais justo reservar um dia para a produção nacional na maior rede de cinemas (428 salas) do Brasil.

Veja a seguir, os filmes a serem exibidos no Cinemark Iguatemi Campinas, dia 8:

  • 400 contra 1 – Uma História do Crime Organizado (6 sessões);
  • As Melhores Coisas do Mundo (5 sessões);
  • Chico Xavier (5 sessões);
  • Lula, o Filho do Brasil (5 sessões);
  • Nosso Lar (6 sessões);
  • O Bem Amado (6 sessões);
  • Quincas Berro D’Água (4 sessões);
  • Tropa de Elite 2 (5 sessões);
  • Xuxa em O Mistério da Feiúrinha (2 sessões).







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Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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