Festival Varilux de Cinema Francês | parte 04

2 05 2014

fvcf2014

A GRANDE VOLTA (França, 2012) – François Nouel (Clovis Cornillac, Eterno Amor e Asterix nos Jogos Olímpicos) tinha uma paixão e um fascínio desenfreados pela famosa Tour de France, evento anual de ciclismo na França. Apesar da enorme vontade, o seu envolvimento com a competição nunca ultrapassou o limite das arquibancadas ou das imagens transmitidas pela televisão. Até que chega em suas mãos uma oportunidade de correr por uma equipe profissional. Tudo daria certo se não fosse a reação de Sylvie (Élodie Bouchez, Perigosa Obsessão e da série Alias: Codinome Perigo), sua esposa – que detestava o esporte -, ao saber da notícia.

Sem um acordo para o conflito do casal, dividido entre a corrida e as tão pretendidas férias em família, Sylvie leva o filho para o litoral, abandonando o marido à sua própria sorte de esportista amador. Só e sem saber para onde eles foram, François decide realizar o seu sonho,  cumprindo todas as etapas da Tour de France antes da passagem oficial dos competidores e consegue, durante o percurso, reunir em torno de seu objetivo uma equipe semi-profissional para acompanhá-lo.

O que era para ser a realização de um sonho pessoal torna-se uma sensação nacional com a transmissão em rede de TV, paralelamente a realização do torneio oficial. Divertido na medida certa, A Grande Volta não se esquiva muito das maioria das produções cômicas de seu gênero, apresentando o tradicional final feliz do protagonista e a resolução de todos os seus conflitos, incluindo aí a confraternização com seu inimigo.

NOTA: 3/5

EU, MAMÃE E OS MENINOS (França, 2013) – Comédia sensação da atual temporada do cinema francês, o grande vencedor desse ano do César (o Oscar da França) já tem uma grande sacada já em seu título: uma referência a forma como a família de Guillaume chamava todos os meninos para o almoço. Mesmo sendo três irmãos, a homossexualidade visível de Guillaume não permitia que fossem chamados apenas por ‘mamãe e meninos’. Haveria de ter uma distinção de Guillaume de seus irmãos.

Construído como uma espécie de biografia da vida de Guillaume (vivido pelo talentosíssimo Guillaume Gallienne, de Maria Antonieta e Yves Saint Laurent, que também interpreta a mãe do protagonista, além de assinar a direção e o roteiro de Eu, Mamãe e os Meninos), cujos diálogos com sua mãe (sua grande inspiração) e as diversas passagens de sua vida, sobretudo os inúmeros bullyings que sofreu em sua adolescência, são mesclados entre as cenas propriamente ditas e o seu monólogo no teatro, construindo-se assim um híbrido entre longa-metragem e peça teatral. O longa ainda aborda sem nenhum receio todas as formas de preconceito possíveis para quem seja gay: na família (desaprovação do pai), na escola (a incompatibilidade geral com qualquer tipo de esporte) e no próprio meio GLS.

Muito mais comédia de situações, como se fosse uma sucessão de quadros de stand-up comedy, difícil explicar a quantidade de premiações recebidas pelo filme e o burburinho causado no público e crítica. Por mais que realmente seja divertido e tenha um ator com grande desenvoltura para ser o protagonista, não há como aceitar os seus prêmios. Ousado por brincar sem pudor com um tema tão em voga e tão debatido atualmente? Ok. Mas não podemos focar nesse aspecto em detrimento de outras obras bem mais complexas, cinematograficamente falando, que estiveram em cartaz nesse próprio festival.

Por outro lado, há a satisfação de se surpreender com a repentina alteração do rumo narrativo que o filme oferece em seu final, anulando (quase que completamente) tudo o que fora projetado até então. E com a maestria que só o cinema francês tem para deixar a conclusão da história para o seu público com uma conclusão abrupta. Mais uma em meio a tantas outras.

NOTA: 4/5

O AMOR É UM CRIME PERFEITO (França, 2013) – Uma hora esse momento teria que chegar. Um momento eu iria ver um filme abaixo da linha do razoável, que é justamente o que aconteceu com O Amor é um Crime Perfeito.

Marc (Mathieu Amalric, Cosmópolis e 007: Quantum of Solace) leciona literatura em uma universidade francesa ao mesmo tempo que coleciona uma infindável lista de casos amorosos com suas alunas. Menos por sua beleza e mais pelo seu charme e carisma. Algo tão corriqueiro para ele que mal se lembra o nome daquela com que passou a última noite, por exemplo.

Certo dia, uma bela mulher (Maïwenn, sim esse é o nome da atriz que pode ser vista também nos filmes Políssia e Alta Tensão) o procura na universidade, mas não com as intenções que gostaria. Ela está ali para obter mais informações a respeito de Barbara, enteada dela e aluna dele, que encontra-se desaparecida. Esse desaparecimento será o fio condutor de toda a narrativa.

Ao longo do filme conhecemos outras mulheres que fazem ou passam a fazer parte de sua vida. Como sua irmã Marianne (Karin Viard, também presente em Políssia e Aconteceu em Saint-Tropez) com quem divide uma casa em meio aos alpes franceses e que nutrem um amor e um ciúme surreal um pelo outro, muito além do que se espera num relacionamento entre irmãos, mesmo com o relacionamento dela com Richard (Denis Podalydès, O Código da Vinci e Caché), superior hierárquico de Marc na universidade. Em sala de aula surge uma nova aluna, Suzanne, que chega com uma obsessão  inexplicável por ele.

São justamente nesses diversos casos sexuais que O Amor é um Crime Perfeito não convence. Um grave erro ao percebemos que as grandes revelações do filme serão baseadas neles. Quando isso ocorre em tela, o impacto da surpresa não vem, simplesmente porque o roteiro não conseguiu estabelecer esses relacionamentos e seus desdobramentos da forma como deveria.

NOTA: 2/5





Breves & Curtas #8 (Especial Oscar 2014)

22 02 2014
Tom Hanks voltando ao campo das grandes atuações.

Tom Hanks voltando ao campo das grandes atuações.

CAPITÃO PHILLIPS – Richard Phillips (Tom Hanks, de A Viagem, O Código da Vinci e do inédito Walt nos Bastidores de Mary Poppins) é um experiente capitão de uma empresa de navios cargueiros. Mesmo com os anos de profissão, a família ainda não se acostumou com essa rotina constante em que ele fica durante longos períodos fora de casa. Como um filme que se foca basicamente com os apuros do personagem de Tom Hanks em alto-mar próximo à costa da Somália, o longa reserva uma breve introdução para construir essa dinâmica familiar.

Uma vez em águas internacionais, o cargueiro pelo qual Phillips é responsável começa a ser ameaçado pelos conhecidos piratas do país africano com quem o capitão lida de todas as formas possíveis para afugentá-los até que o inevitável acontece e o cargueiro é sequestrado. Até certo ponto é irônico perceber como algo tão grande como um cargueiro pode ser tão vulnerável à dois pontos verdes e minúsculos no radar.

Tom Hanks vem de muitos projetos de qualidade duvidosa ultimamente, quer por comodismo quer por falta de opções melhores, acabavam não exigindo todo o potencial dramático que ele, Hanks, certamente possui. Isso é facilmente perceptível ao longo do filme de Paul Greengrass (também diretor de dois filmes da trilogia Bourne – A Supremacia e O Ultimato e Voo United 93), uma projeção que exige, de tempos em tempos, esse profissionalismo do veterano: seja a expressão facial de preocupação de Hanks quando seu navio é invadido ou nos outros diversos momentos de grande aflição, quando o capitão lida diretamente com os piratas.

Um dos pontos fortes do longa é a forma do desenrolar de sua ação dentro de um espaço limitado – o cargueiro – com cenas tão intensas que nem filmes com uma cidade inteira de cenário conseguem alcançar. Se isso é facilmente atingido aqui, muito se deve ao inimigo a altura que Hanks tem pela frente: o somaliano inexperiente Barkhad Abdi, indicado ao Oscar como melhor ator coadjuvante e ganhador do BAFTA pela mesma categoria no seu primeiro trabalho no cinema.

Para solucionar toda a situação o Capitão Phillips acaba caindo no estereótipo dos filmes que reafirmam a soberania e a supremacia dos EUA perante o mundo, quando a situação do capitão ganha importância internacional, merecendo uma operação militar americana à altura. Mas nada suficiente o bastante que pudesse comprometer a interessante narrativa apresentada até aqui.

NOTA: 4/5

Quando o livro é melhor que o filme. De novo!

Quando o livro é melhor que o filme. De novo!

A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS – Como é difícil a adaptação de um livro para os cinemas, não é mesmo? Como diz meu irmão, o livro é o complemento narrativo em relação aos cinemas. Embora muitas vezes a narrativa escrita venha primeiro que a cinematográfica, o primeiro contato que devemos ter com a história deve ser sempre com o filme e aí então, deveremos partir para o livro. Essa regrinha básica, se respeitada, evitará grande transtornos ao cinéfilo/leitor como o que me acometeu com a obra de Marcus Zusak.

Tudo o que o autor colocou entre as páginas de A Menina que Roubava Livros está lá no filme. Mas pelo simples fato de ter o lido (numa época que nem sabia e nem se planejava a adaptação dele para os cinemas), fez com que não funcionasse para mim. Mas pela quantidade de gente que saiu chorando ou fungando da sessão, sou um fato isolado aqui.

As passagens que considero as melhores do livro, tanto em questão de emoção ou de humor, estão no filme. Até os atores escalados (com uma única exceção que comentarei no parágrafo a seguir) para os seus respectivos personagens em momento nenhum causam algum tipo de repulsa: a menina e canadense Sophie Nélisse (O Que Traz Boas Novas) está ótima como Liesel, retratando a inocência e a coragem na medida certa da protagonista; Rudy com Nico Liersch (Blackout) continua sendo o malandro e companheiro dela como nas páginas; Hans e Rosa Hubbermann, os veteranos Geoffrey Rush (da franquia Piratas do Caribe e O Discurso do Rei) e Emily Watson (da animação A Noiva Cadáver e Cavalo de Guerra) respectivamente, não podiam ter atores melhores escalados; Ben Schnetzer (Ben’s Plan e da série Happy Town) como Max também. Inclusive os papéis menores tiveram suas escolhas acertadas. Mas afinal, o que há de errado com o filme de A Menina que Roubava Livros?

Sinceramente, não consigo responder essa questão. Logo no primeiro momento o que me causa estranheza é o narrador no filme. Todos sabem que os fatos da vida de Liesel Meminger são narrados a partir do ponto de vista peculiar da Morte. Na minha leitura, todas as intervenções pessoais que a Morte realizava no livro possuía uma voz feminina, jamais imaginei que fossem adotar uma voz masculina para esse papel. Esse grande ‘pequeno detalhe’ talvez seja o crucial para a minha experiência negativa com o filme.

Se já não estava comprando a história mostrada ali vem um aspecto que considero vergonhoso e que o filme não merecia: como pode um produto vendido aos quatro ventos como uma produção do mesmo estúdio de As Aventuras de Pi ser concluído com efeitos especiais tão mesquinhos? Principalmente na parte final com os ataques de bombas, os efeitos delas (ridícula a forma como um caminhão é explodido) são terrivelmente amadores. Isso porque o filme se beneficia do fato da presença de todos os personagens (com a exceção de Max) estarem no porão e a abordagem das explosões serem apenas a partir de efeitos sonoros. Inadmissível!

Posso afirmar então que o problema de A Menina que Roubava Livros seja a junção de dois fatores: um que afeta todos que o assistem que são os efeitos visuais muito aquém para os padrões atuais do cinema e outro, que afeta diretamente quem já leu o livro (e variará de pessoa para pessoa), que é a falta de um pouco de magia e encantamento da história que se perdeu durante a sua adaptação. Mas confesso: é uma pena que isso tenha acontecido!

NOTA: 2/5

Ocupando a vaga de outro filme melhor na categoria de melhores filmes

Ocupando a vaga de outro filme melhor na categoria de melhores filmes

PHILOMENA – Philomena é de longe, um dos filmes mais fracos dos indicados ao Oscar de melhor filme esse ano. Menos por sua história e mais pelo sério problema de ritmo que sua narração apresenta. A personagem que dá título à trama teve duas grandes infelicidades em sua adolescência na Irlanda: primeiro, estudar em um internato de freiras e segundo, ficar grávida durante esse período.

Devido às aventuras carnais, Philomena (Judi Dench, esteve presente nos últimos sete (!) filmes de James Bond e Notas sobre um Escândalo) foi devidamente castigada pelas irmãs, sofrendo barbaridades durante o complicado parto que teve sem auxílio médico algum, trabalhando sem remuneração durante sete dias por semana até que se vê permanentemente separada de seu filho ao ver este ser adotado sem o seu consentimento. Fato que escondeu durante 50 anos.

O longa passa a acompanhar a busca, por três países, de uma mãe pelo paradeiro do filho cinquenta anos depois de seu nascimento com o auxílio do jornalista em crise Martin Sixsmith (Steve Coogan, Trovão Tropical e A Festa nunca Termina) em soube do caso por intermédio da filha dela Jane (Anna Maxwell Martin, de Amor e Inocência). Nessa trajetória que Philomena tem os seus maiores problemas. Nem o característico humor britânico consegue melhorar a interação de Judi Dench (com uma atuação mediana que nem de longe lembra a carismática agente M dos filmes de James Bond) com Steve Coogan, que não convence em momento algum com o seu personagem. Quando os poucos flashbacks – onde Sophie Kennedy Clark (Ninfomaníaca e Sombras da Noite) vive Philomena em sua fase jovem) – se tornam mais interessantes que a narrativa principal é justamente porque alguma coisa está errada.

E olha que a história poderia muito bem render um filme melhor até pelas características que possui e pelas denúncias que evidencia, onde emocionaria facilmente o seu espectador, mas não consegue fazê-lo. De aproveitável mesmo é a atitude de Philomena em sua conclusão, uma escolha muito mais cristã do que aquelas que juraram fidelidade, se declararam servas e viveram única e exclusivamente em nome de um ser superior.

NOTA: 2/5





Breves & Curtas #6

11 01 2014

Ano novo, ideias novas. Para manter o Universo E! sempre com postagens pelo menos uma vez a cada quinze dias, decidimos repaginar a edição do Breves & Curtas, que era destinado a pequenas notas e notícias sobre o cinema (cuja última edição foi postada em 2010) e adaptá-lo para resenhas sobre diversos filmes existentes, sem se apeguar ao fato de ser estreia, recente ou não.

Aqui tudo será válido: filme em DVD/blu-ray, nos cinemas, na Netflix, ou se estiver apenas disponível internet a fora. Cada edição trará três longas com a minha opinião e sua respectiva nota. Me parece ser um formato promissor dada a minha empolgação e espero que vocês aproveitem para discutir, comentar, opinar e discordar, afinal esse espaço também é de vocês.

Boa leitura!

Zelando pela boa noite de sono do namorado!

Zelando pela boa noite de sono do namorado!

ATIVIDADE PARANORMAL – Depois de muito tempo finalmente tive a oportunidade de conferir o primeiro longa dessa já famosa franquia do cinema de terror. A opinião daqueles que conheço e o tinham visto estava bem dividida: alguns se apavoraram com esse exemplar e outros não sentiram tanto pavor assim.

Tenho que concordar com esses últimos. Mas acrescento que não podemos deixar de elogiar a eficácia que esse primeiro Atividade Paranormal carrega consigo. Primeiro pelo casal de atores (os novatos Katie Featherston e Micah Sloat) que convencem como duas pessoas próximas entre si, que possuem um cotidiano em comum, convencimento que se estende ao ponto de ambos emprestarem os seus nomes reais aos seus respectivos personagens. Segundo, pela decisão do inexperiente (até então) diretor Oren Peli (responsável pelo roteiro do igualmente eficiente Chernobyl: Sinta a Radiação) em abandonar as características comuns dos filmes, optando por excluir os créditos iniciais e finais aqui, aproximando essa obra de ficção da realidade.

Com seus defeitos ao não explicar o motivo pelo qual o casal vive completamente isolado – isolamento pelo qual a narrativa se beneficia – e suas virtudes, ao moldar as características da “criatura” da vez num crescente de terror e ação entre sons e imagens, Atividade Paranormal não chega a ser um épico e singular exemplar do terror, mas funciona o suficiente para ocupar um lugar de destaque do gênero (repleto de porcarias) em desencadear uma franquia em massa nos cinemas. Espero apenas que a quantidade não resulte na queda de sua qualidade, tal qual Jogos Mortais.

NOTA: 4/5

Chama o Dexter, tenente Debra Morgan.

Chama o Dexter, tenente Debra Morgan.

QUARENTENA – Bebeu a água da mesma fonte de Atividade Paranormal. Um enredo sombrio contado do ponto de vista de uma câmera, mas não convence como o filme que o inspirou. Dessa vez é uma matéria sobre o dia-a-dia do Corpo de Bombeiros de Los Angeles para a TV que é a espinha dorsal da narrativa. Na frente da câmera temos a repórter Angela Vidal que está guiando a narrativa para o espectador, papel da eterna irmã de Dexter, Jennifer Carpenter (que também pode ser vista em O Exorcismo de Emily Rose).

Numa das ocorrências, as equipes de bombeiro e de reportagem, chegam a um edifício onde gritos aterrorizantes assustam os seus moradores. No local, uma senhora revela ser o motivo de tanta preocupação onde, inesperadamente, ataca um dos policiais que atendiam a ocorrência. Com a mesma rapidez, o Centro de Controle de Doenças americano isola o prédio do ambiente externo, entregando os seus ocupantes à lenta e certeira morte.

O maior defeito de Quarentena é que seu roteiro não consegue embasar a sua premissa apresentando-nos uma narrativa falha e colocando uma pesquisa de um veterinário como responsável por todo esse caos não é o suficiente, assim como outras ações e atitudes de seus personagens não condizem com a realidade ou com o quê se esperava de alguém numa situação dessas, sem citar os vários clichês onde a grande maioria do elenco se entrega ‘inocentemente’ às criaturas vis.

De bom temos as performances dos atores. Jamais imaginei que Jennifer Carpenter pudesse tremer e gritar tanto, assim como Jay Hernandez (O Albergue e O Pagamento Final: Rumo ao Poder) que sempre se sai bem em seus muitos papéis coadjuvantes ou o experiente Doug Jones (O Labirinto do Fauno e Hellboy) que se especializou (tal como Andy Sarkis) em dar vida digital a criaturas nada bonitas.

NOTA: 2/5

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É, a vida não tá fácil Hanks.

O TERMINAL – Viktor Navorski (Tom Hanks, O Código da Vinci e À Espera de um Milagre) teve a infelicidade de chegar aos EUA justamente quando seu país fictício do Leste Europeu, Krakozhia, sofre um terrível golpe de estado e entra numa grande crise diplomática onde passa a não ser reconhecido pelo governo americano. Resultado: Navorski fica impedido de entrar em solo americano, sendo obrigado a vagar pelo salão internacional do aeroporto JKF até que sua situação seja resolvida. Só que não tão rápido quanto se esperava.

Durante os nove meses em que fixou, forçadamente, residência no aeroporto, Navorski improvisou um curso instantâneo de inglês, idioma que não dominava causando-lhe grandes dificuldades e proporcionando divertidas cenas. Criou novas amizades com os trabalhadores do local, auxiliando-os e sendo auxiliados por eles a todo instante. Tornou-se um grande empecilho para Frank Dixon (Stanley Tucci, da franquia Jogos Vorazes e O Diabo Veste Prada) que se aproximou e muito de uma promoção a diretor responsável pelo gerenciamento de segurança do aeroporto, o que não ocorreu por não saber lidar com o peculiar caso do cidadão de Krakozhia. Mal sucedido no campo profissional passa a alimentar uma vingança infantil contra Viktor.

Entre as muitas idas e vindas dos passageiros, Navorski se apaixona por uma comissária de bordo, interpretada por Catherine Zeta-Jones (Chicago e Doze Homens e Outro Segredo), que tal como a inconstante rotina de seu trabalho apresentava uma tumultuada vida amorosa, que nem os conselhos e o interesse de Navorski foram capazes de modificar o seu comportamento.

Mesmo com um fraco anti-herói cuja motivação para atrapalhar a vida do protagonista soa mais como uma rixa entre crianças, O Terminal constrói um fascinante cotidiano de um aeroporto real, com grandes planos abertos que descrevem esse ambiente amplo (mas fechado) e com diversos personagens coadjuvantes cujas histórias inevitavelmente cruzam com a do protagonista, ao mesmo tempo que cria uma poderosa verossimilhança para a situação narrada ao abrir oportunidades para acompanhar os bastidores de um aeroporto muito semelhante à um shopping center. Isso sem levarmos em conta o evidente carisma de Tom Hanks nos idos de 2004, que dá traços marcantes e simpáticos a esse atrapalhado cidadão sem país, em busca da realização de um sonho pessoal que nem o inesperado cativeiro num saguão de aeroporto foi capaz de impedir.

NOTA: 4/5





Festival Varilux de Cinema Francês 2013 | parte 1

11 05 2013
  • Resenhas  dos filmes vistos durante o Festival Varilux de Cinema Francês 2013 em Campinas de 03 a 09 de maio

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O MENINO DA FLORESTA – Podemos considerar O Menino da Floresta a versão francesa para o clássico Mogli – O Menino Lobo, reservadas, claro, suas diferenças. Aqui temos um garotinho habituado a vida selvagem na floresta ao lado seu velho pai (com a voz de Jean Reno, da animação Por Água Baixo e O Código da Vinci). Seja caçando, seja brincando ou ‘conversando’ com seres misteriosos, meio animais meio humanos, no interior da mata cuja simbologia é explicada durante o filme.

O grande mote da animação, no entanto, é revelar os motivos que levaram o pai a se isolar na mata junto com o filho. Isso porque a raiva e o pavor que o pai revela ter quando o filho menciona o simples desejo em sair da floresta indicam que o velhote já vivia anteriormente fora dela. Durante uma tempestade porém, o pai sofre um acidente e o garoto é aconselhado pelos seres antropomorfizados (que são na verdade espíritos dos antepassados) a levá-lo para um tratamento ao vilarejo mais próximo, além das fronteiras da floresta.

É nessa pequena comunidade que os grandes mistérios de O Menino da Floresta são respondidos. Como já era de se esperar, o pai realmente era um antigo morador do local e acontecimentos passados o forçaram a adotar uma vida selvagem. Acontecimentos que provocaram uma grande ira da população forçando-os a impedir, inclusive, que o médico tratasse do ‘ogro’, como eles passaram a apelidar o senhor Courge.

O seu filho, por outro lado, teve seu desejo realizado ao conhecer o mundo exterior e passou a viver novas experiências na sociedade moderna ao lado da garotinha Manon (voz de Isabelle Carré, Românticos Anônimos e Feito Gente Grande), filha do doutor. Uma história leve e descontraída, mas também triste em certos aspectos, principalmente em sua conclusão ao permitir que o ‘Mogli francês’ só pudesse sair da vida selvagem se as amarras que o prendiam na floresta fossem rompidas. NOTA: 4/5

O HOMEM QUE RI – Abandonado no litoral ainda criança, Gwynplaine (Marc-André Grondin, de Os Brutamontes) tenta obter abrigo batendo de porta em porta nos vilarejos mais próximos. Nesse difícil percurso ele ainda encontra uma recém-nascida, Déa (a linda Christa Theret, de Rindo à Toa e Renoir), que chora nos braços de uma mãe já morta em meio a uma nevasca e que fica cega por ter olhos queimados pelo frio intenso.

Depois de muitas recusas, Gwynplaine, a quem o título da produção do título se refere devido ao sorriso formado por uma cicatriz no rosto (a là Coringa do Batman), acaba encontrando o auxílio de Ursus (interpretado por Gerárd Depardieu, As Aventuras de Pi e Piaf – Um Hino ao Amor), que mal tendo condições para se manter, será o responsável daqui para frente por dois órfãos.

Situado numa espécie de limbo fantástico, o tempo passa e as crianças crescem e já adultas colaboram também para garantir o sustento do trio formado. Assim, eles passam do charlatanismo para peças teatrais improvisadas a bordo de uma carruagem, explorando sempre as características físicas peculiares de Gwyn e Déa com relativo sucesso.

O Home que Ri, uma adaptação da obra de Victor Hugo, é uma bem-vinda mistura do mundo fantástico dos contos de fadas com suas rainhas más com as histórias clássicas da literatura mundial e seus amores impossíveis, se inspirando nesse último para construir a sua trágica conclusão! NOTA 4/5

ALÉM DO ARCO-ÍRIS Saber de antemão a data de sua morte provavelmente não é uma das coisas mais agradáveis de se ter gravado na memória. A prova disso é a tão temida data causar certo desconforto no mais cético dos homens franceses: o rabugento Pierre (vivido por Jean-Pierre Bacri, Amores Parisienses e Questão de Imagem).

De outro lado é difícil definir precisamente do que se trata a comédia Além do Arco-íris. A sina e a preocupação de Pierre com a data de sua morte diverte, mas é uma apenas uma mísera parte do caldeirão de histórias que o filme consegue abordar em seus 112 minutos de duração com as mais variadas situações da família, amigos, conhecidos e agregados que rondam direta ou indiretamente a vida de Pierre.

O personagem de Jean-Pierre Bacri tem o seu mau humor característico (um sentimento recorrente na cinematografia francesa) com crianças, o isolamento auto-imposto, a exploração do mito da má dirigibilidade das mulheres (será?), uma improvável iniciação religiosa de uma garota causando algumas controvérsias com os seus pais, a ascensão de Sandro (Arthur Dupont, de Os Sabores do Palácio e One Two Another), filho de Pierre, no mundo da música clássica principalmente após conhecer o famoso crítico Maxime (que vivido por Benjamin Biolay protagoniza a cena mais inacreditável do filme), que por sua vez rouba a Laura (Agathe Bonitzer, de Uma Garrafa no Mar de Gaza e De Volta para Casa) dos braços de Sandro e as desavenças deste com o pai a respeito da herança deixada pelo avô, cujo enterro marca o início do filme… E por aí vai!

Além do Arco-íris consegue abordar tantos e diversos temas sem se perder em sua narrativa mesmo sendo expostos rapidamente em sequência e envolver diferentes personagens. NOTA: 4/5

ACONTECEU EM SAINT-TROPEZ Foi interessante a sessão dupla criada pela programação com este filme e o anterior (Além do Arco-íris), duas comédias contemporâneas francesas com suas narrativas dinâmicas e ambas com críticas veladas a religião, que em Aconteceu em Saint-Tropez ocorre com os costumes burocráticos de cada congregação ao lidar com a perda de um ente querido, o que resulta na realização de dois eventos simultâneas e antagônicos em uma mesma casa: um velório e uma festa de casamento. Mais uma vez são os bons momentos de humor funcionando como uma crítica indireta seguindo a máxima: “seria engraçado se não fosse trágico”.

Outra característica recorrente do cinema francês é a presença da orquestra sinfônica, seja ela presente na narrativa inerente a determinando personagem da trama ou seja presente em uma trilha sonora clássica, tradicional e bela. Diferentemente do primeiro,a história concentra-se apenas num núcleo familiar de classe alta e com seu patriarca amalucado e de língua afiada, temperado com um amor inesperado que surge devido a tragédia central da história, mas que não são do círculo familiar. Se deveria arruinar todos os alicerces da família, surpreendentemente isso não ocorre! NOTA: 4/5 





O inflado elenco do novo X-Men

3 03 2013

O novo filme baseado nos heróis das HQ’s traz renomadas estrelas em seu elenco. X-Men: Dias de um Futuro Esquecido com estreia prevista para julho de 2014 tem uma lista quase infinita de astros e estrelas já escalados: Hugh Jackman (Wolverine e Os Miseráveis), Ian McKellen (trilogia O Senhor dos Anéis, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada e O Código da Vinci), Jennifer Lawrence (musa de Jogos Vorazes e O Lado Bom da Vida), Michael Fassbender (Bastardos Inglórios e Prometheus), James McAvoy (O Procurado e Desejo e Reparação), Anna Paquin (Jane Eyre – Encontro com o Amor e da série True Blood), Peter Dinklage (Morte no Funeral e a série Game of Thrones), Halle Berry (A Viagem e a A Última Ceia), Ellen Page (A Origem e Juno), Nicholas Hoult (Fúria de Titãs e Meu Namorado é um Zumbi)…

Todos os citados estarão a bordo nessa nova aventuras dos justiceiros mutantes, agora tanto com os X-Men da trilogia original quanto daqueles jovens atores vistos no recente X-Men: Primeira Classe. O diretor responsável pela produção híbrida, Bryan Singer (Superman – O Retorno e do ainda inédito Jack – O Matador de Gigantes) já anunciou em seu perfil no Twitter que outro nome em evidência recentemente nos holofotes de Hollywood também participará dos inícios das filmagens previstas para o mês que vem: o ator francês Omar Sy presente no grande sucesso de seu país, Intocáveis.

Omar Sy, estrela do sucesso francês Intocáveis, estará presente no novo X-Men.

Omar Sy, estrela do sucesso francês Intocáveis, estará presente no novo X-Men.





Breves & Curtas #5

14 01 2010

FUTURAS PROMOÇÕES, PÉSSIMAS NOTÍCIAS PARA HOMEM-ARANHA, ESTREIAS, GLOBO DE OURO 2010… AGORA EM BREVES & CURTAS

PROMOÇÃO – O Universo E! promoverá em breve um concurso que irá presentear nossos leitores com vários itens de entretenimento. Os moldes da promoção aindam está em fase de criação pela competente equipe do blog – isto é, EU! Coisa simples, só para criar um pequeno rebuliço por aqui.

PROMOÇÃO 2 – Só para adiantar: o primeiro item – será uma edição do livro O Código da Vinci de Dan Brown. Dependendo da participação, posso acrescentar um DVD para um segundo colocado ou mesmo deixá-lo como outro prêmio para o próximo evento.

sdexterSUSTO EM DEXTER – A homepage do UOL (a direita) deu um grande susto ontem. Felizmente, porém, o câncer que aflige o ator Michael C. Hall, protagonista de Dexter “[…] um linfoma de Hodgkin, é tratável e curável”, informa a nota do portal.

Uma ótima notícia depois do susto dado pela chamada da primeira página. E o tratamento não deve atrapalhar em nada o cronograma de filmagens da quinta temporada da série em meados desse ano.

 

GLOBO DE OURO 2010 – A grande premiação da televisão e a primeira do cinema norte-americano. Os indicados você confere no post especial dedicado ao Globo de Ouro em breve aqui no Universo E!. E lembrando que essa 67ª edição, marcada para esse domingo (dia 17) terá cobertura completa aqui no blog.

HOMEM-ARANHA 4 – E vamos recomeçar do zero de novo… É isso que aflige qualquer cinessérie (ou seria cine-série?) de super-herói. E é isso que está ocorrendo com a franquia de Homem-Aranha. Peças centrais da trilogia do aracnídeo já dançaram. E as especulações estão só começando.

1º) Tobey Maguire, que interpretou com grande verossimilhança o Home-Aranha nos três longas anteriores, já não será mais o ator principal. A essa altura do jogo (sem definições por enquanto), a substituição cotada para a vaga está para Robert Pattinson (da saga Crepúsculo). Uma notícia horripilante para uma franquia muito bem conduzida e finalizada.

2°) Cadeira do diretor também está desocupada. O competente Sam Raimi (do não tão bom Arraste-me para o Inferno) está fora do próximo longa do herói. Estão pensando em Mark Webb ( do agradável (500) Dias com Ela) para gritar AÇÃO em Homem-Aranha 4. Um bom diretor, mas não para este tipo de filme.

Duas notícias desanimadoras para fãs e admiradores. E que não passe apenas de boato de mau gosto.

RECUPERAÇÃO PROGRESSIVA – Vítima de um grave acidente de carro há quase um mês atrás (19 de dezembro de 2009), Fábio Barreto, diretor de Lula, Filho do Brasil (em cartaz nos cinemas) continua internado no Hospital Copa D’Or no Rio de Janeiro e, felizmente, vem tendo uma gradativa recuperação: Barreto já saiu (dia 12) do estado de coma em que estava desde que fora internado e já começa a responder a estímulos médicos.

Ainda de acordo com equipe médica do hospital não há previsão de alta médica para o cwherethewildthingsare_03ineasta.

SEXTA-FEIRA, DIA DE CINEMA – E para finalizar mais uma edição de Breves & Curtas, uma  pequena lista do que você pode encontrar de estreia nessa sexta, dia 15, nos cinemas, para compensar a ausência da tradicional coluna de Universo E! , ‘Nos Cinemas’ de janeiro : as comédia Uma Mãe em Apuros com Uma Thurman e A Mente que Mente com John Malkovich e Tom Hanks interpretando ao lado de seu filho, Colin Hanks; você encontrará ainda Eva Mendes, Nicolas Cage e Val Kilmer no policial Vício Frenético e a aguardada fantasia Onde Vivem os Monstros.

 








PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2019

Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Site com atividades e informações sobre a associação que reúne profissionais da crítica cinematográfica de todo o Brasil

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